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terça-feira, 5 de maio de 2026

Como encontrar esperança nas dificuldades: conheça o e-book gratuito Auxílios da Bíblia e fortaleça sua fé

 

Há uma certeza que se apresenta a todos na vida: Cada um de nós, num momento ou noutro, passará por dificuldades. Dificuldades que podem se manifestar das mais diversas formas, de doenças a questionamentos sobre o sentido da vida.

Neste e-book reunimos respostas e direcionamentos da Bíblia Sagrada para ajudar aqueles que enfrentam dificuldades.

Seja qual for a sua religião, ou mesmo se você não possui uma, saiba que nas Escrituras um oásis de sabedoria milenar está à sua disposição, para ajudá-lo.

Este é um e-book breve e bastante prático, composto de textos independentes, feitos como pequenos roteiros, a serem lidos e consultados sempre que necessário; você também pode utilizá-los como estudos guiados, aumentando seu conhecimento das verdades eternas.

Esperamos que tais auxílios possam trazer esperança e entendimento, paz e conforto ao seu coração.


OPÇÕES DE DOWNLOAD:

Baixe pelo Google Drive, clicando AQUI.

Baixe pelo nosso site Biblioteca de Missões, clicando AQUI.

Baixe pela Playstore do Google, clicando AQUI.

Disponível também na Amazon, gratuito para assinantes Kindle Unlimited, AQUI.


sábado, 28 de abril de 2012

Como julgar os juízes? Artigo de Roberto DaMatta



Um dos inventores da sociologia, Emile Durkheim, dizia que numa sociedade de santos os pecados veniais seriam faltas escandalosas. Como julgar um santo entre santos? E como dentro da espessa tradição legalista do Brasil – uma tradição segundo a qual todos os problemas podem ser resolvidos por decreto e muitos agentes do governo são "blindados" ou vacinados contra a igualdade perante a lei – ilegalizar seus agentes mais importantes: os juízes que lavram a sentença final, encerrando o assunto até que, é óbvio, haja um recurso? Porque, tal como no paraíso e no mundo ideal onde o que conta é o que está formulado nos autos, cabe sempre um apelo para cima ou para baixo.
Como, faz tempo, me disse um sertanejo goiano: todos temos um patrão, e até mesmo o patrão dos patrões também tem patrão. E, como dizem os jornais, só há um magistrado preso. Em cadeia domiciliar e com vencimentos integrais. Essa seria, na prática, a maior punição de um juiz no Brasil.
Num universo onde o legalismo jurídico é a cabeça da administração (outros poderes seriam os braços, outros as pernas ou os pés) e no qual constitucionalidades e inconstitucionalidades são arguidas a todo instante pelo governo e pela oposição, embora a Constituição, ela própria, tenha mudado muitas vezes, como recortar o mundo para situá-lo em algum lugar quando nossa tradição jurídica assevera que ele jamais está onde o colocamos? Como estabelecer a famosa linha amarela que circunscreve um território onde o crime ocorreu e ali demarca o local da investigação?
Cansei de ouvir discussões banais transformadas em debates jurídicos complicados quando alguém, em geral surtado por alguma norma ou regimento, argumentava que o problema estava resolvido porque estava previsto em lei, como manda nossa velha tradição Ibérica e Contrarreformista. O melhor exemplo foi a Lei da Ficha Limpa com a qual nós, o povo, queríamos expurgar criminosos eleitos, mas que os juristas entenderam como algo que afetava o calendário eleitoral. Mal comparando, estávamos querendo jogadores de futebol sem passagem pela prisão, mas muitos entendidos julgaram que estávamos falando da estrutura do campeonato.
CONFLITO A ministra <font color='#FF0000'><b>Eliana Calmon</b></font>, da Corregedoria do <font color='#FF0000'><b>Conselho Nacional de <font color='#FF0000'><b>Justiça</b></font></b></font>, e o ministro Cézar Peluso, presidente do <font color='#FF0000'><b><font color='#FF0000'><b>Supremo Tribunal Federal</b></font></b></font>, têm visões opostas sobre a fiscalização do <font color='#FF0000'><b>Judiciário</b></font> (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

A ministra Eliana Calmon, da Corregedoria do Conselho Nacional deJustiça, e o ministro Cézar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, têm visões opostas sobre a fiscalização do Judiciário - 
(Foto: Nelson Jr./SCO/STF)


Quando se trata de Direito, o leigo não vê problemas onde o especialista – que constrói o mundo pela realidade real da lei – faz uma distinção chocante entre o habitual e o legal. O resultado é que algumas condutas podem ser imorais, mas legais. O costumeiro pode levar à prisão. Assim prescrevemos o roubo dos dinheiros públicos, mas o apanhador de passarinhos é devidamente enjaulado. Já o jogo do bicho, esse brasileirismo, como dizia Gilberto Freyre, um jogo moralmente aprovado e parte da nossa concepção de mundo, é uma contravenção!
O combate crucial entre o Conselho Nacional de Justiça e a Associação dos Magistrados Brasileiros, com ecos no Supremo, lembra o fosso de nossa índole hierárquica, recriado pela Contrarreforma Portuguesa quando fez face à revolução individualista, ampliada e tornada hegemônica com a ética do protestantismo e do calvinismo. Nela, os letrados são parte fundamental do poder. E uma Justiça feita de muitos conselhos presta mais atenção a direitos que a deveres. Hoje, tenta-se impedir o controle do poder dos magistrados pela sociedade, um dado essencial para o bom funcionamento do Judiciário e da democracia. Trata-se de levar adiante (ou não) um processo básico em qualquer sistema burguês e liberal: submeter todos os cargos da República à regra da lei. Mas eis que esbarramos na secular resistência a esse controle da sociedade (representada pelo CNJ) para a qual todos os funcionários públicos devem trabalhar.



O conflito entre o CNJ e a magistratura (e o STF) é um dos vários sintomas de um sistema que claramente combina hierarquia aristocrática e a prevalência da totalidade. Nele, tudo aquilo que diferencia e individualiza, criando conflitos normais em qualquer sistema igualitário, é lido como crise. A todo momento, ideais republicanos como a liberdade e a igualdade chocam-se com a pesada carga hierárquica e aristocrática que governa por meio de leis, portarias, marcos regulatórios e decretos – autoritariamente. Trata-se do fantasma do velho Portugal, onde o Poder Executivo englobou nobres e burgueses e inventou procuradores, ouvidores, curadores, desembargadores e corregedores com sua notória hipersensibilidade ao esquema republicano constituído de uma trindade de poderes em equilíbrio instável e permanente. Outro ponto importante desse conflito é o surgimento da velha dualidade entre a sociedade, com seus costumes e tradições (tidas por quase todos os intérpretes do Brasil como equivocadas, senão doentias – as tais "taras e origem"), e o Estado, que, forte, culto e bem aparelhado, iria europeizá-la, embranquecendo-a e civilizando-a por meio de regras, decretos, constituições e – eis o ponto-chave que cabe discutir e politizar – funcionários especiais que, sendo autores das leis, delas podiam escapar. Seja por meio de laços de família, seja por meio de provisões legais contidas no próprio cargo que era apropriado e se confundia com seu ocupante, como é o caso exemplar dos magistrados.
Temos aqui mais um exemplo de um sistema que quer ser igualitário no ideal, mas continua aristocrático na prática
Não há a menor dúvida de que temos aqui mais um estertor de um sistema que escolheu ser igualitário no ideal, mas que, na prática, continua querendo ser aristocrático; que, no céu, tem um regime legal que vale para todos, mas ainda hesita em suprimir cláusulas que excepcionalizam cargos, protegendo seus ocupantes e dando-lhes privilégios de nobreza na terra. Tal nobilização – que torna certos funcionários filhos diletos do Estado e do governo, contra toda a onda universalista das mais diversas igualdades, da moeda única e consistente até a meritocracia e a competição regrada, sem esquecer, é claro, o tratamento dos opositores políticos como adversários, e não mais como inimigos – conduz à pressão para suprimir esses dois pesos e medidas para que a imprensa e os observadores mais atentos, bem como um ou dois estudiosos do sistema, têm chamado a atenção. Impossível ter liberalismo sem igualdade. Impossível a igualdade sem a submissão de todos os cargos à regra da lei. Impossível, ainda, perseguir esse ideal não discutindo a separação entre cargos e pessoas; entre os papéis que são da sociedade e seus eventuais ocupantes. Tomando partido da igualdade como valor e ideal que não impede, mas dificulta o uso de éticas aristocráticas em plena república.
Caso contrário, estaremos fadados a repetir a paródia mencionada por um notável especialista em história social do Direito, Harold Berman. Nela, uma autoridade em lei e teologia islâmica, um mulá (cargo equivalente a ministro do STF), ouve uma disputa e, diante dos belos argumentos do reclamante, sentencia: "Creio que você tem razão". Ouve, a seguir, a defesa e, novamente encantado, exclama: "Acredito que você está certo". Horrorizado, o escrivão lembra que "ambos não podem estar certos". Ao que o mulá responde dizendo: "Você também está certo!".

Tal e qual no Brasil antigo que precisa mudar, é impossível aceitar a velha (mas tradicional) resposta, segundo a qual todos têm razão. Seja porque são amigos ou porque, como se diz entre nós, todos "têm o rabo preso". O que está em pauta no momento é a dificuldade de fazer justiça salvando a honra senão dos mais importantes, senão de todos os implicados. E, para isso, temos de escolher entre blindar certos cargos aristocratizando-os ou seguir a norma da igualdade que impede usar dois pesos e duas medidas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como combater a corrupção



ALBERTO CARLOS ALMEIDA
Em 2011, vários movimentos de combate à corrupção ganharam as ruas do Brasil. A maioria deles protagonizada por jovens universitários da nova geração que – praticamente para tudo – se comunica por meio de mensagens de texto de celulares e pelas redes sociais. Esses jovens cresceram num país com inflação controlada e com a percepção crescente de que uma política social eficaz vem combatendo com sucesso a pobreza e a desigualdade. Portanto, apareceram com mais força problemas antigos que, por isso mesmo, se tornaram problemas novos.
A corrupção é antiga no Brasil. A grande novidade é que ela ficou mais visível. Ficar mais visível é condição necessária para que seja combatida. É impossível atacar um inimigo invisível.
Ela ficou mais visível, em primeiro lugar, porque se tornou arma de ataque na briga entre os políticos. Nada mais importante para combater a corrupção que a competição política. Como há dois ou mais partidos em permanente luta pelo poder, eles farão de tudo para enfraquecer seus adversários. As denúncias de corrupção têm esse importante papel.
Deixemos de lado o argumento moralista, aquele que critica o denunciante porque ele faz o que faz movido pelo interesse próprio. É assim mesmo que funciona. No episódio do mensalão, se o então deputado Roberto Jefferson não tivesse sido contrariado em seu interesse próprio, jamais iria à mídia denunciar o esquema de compra de votos de deputados. Devemos louvar o interesse próprio quando ele vier combinado com conflito e competição. Sem isso, jamais saberíamos de muitas das falcatruas que ocorrem na administração pública brasileira.
O segundo motivo que levou a corrupção a ficar mais visível – na verdade, o mais importante de todos – é a mudança na cabeça dos brasileiros. Estamos passando por um contínuo e ininterrupto processo de melhoria da escolaridade de nossa população. Há uma relação simples e direta amplamente comprovada por dados de pesquisas: quanto mais elevada for a escolaridade de uma pessoa, mais ela se importará e tenderá a ser contra a corrupção. Portanto, a cada ano que passar, os brasileiros ficarão mais indignados com os escândalos e as denúncias de corrupção.
Na luta pelo poder, os políticos denunciam seus adversários – e graças a isso sabemos das falcatruas 
É somente por causa disso que os políticos podem usar tais denúncias como arma de guerra. Em consequência, com o permanente aumento da escolaridade da população, veremos em paralelo um permanente aumento do uso de escândalos e denúncias como arma para derrubar e prejudicar os adversários.
O terceiro fator-chave para o aumento da visibilidade da corrupção é a liberdade de imprensa. Uma imprensa dependente do governo para sua sobrevivência financeira jamais publicaria fatos que viessem a prejudicar os governantes. Igualmente, uma imprensa controlada por uma mesma elite política que tivesse relações pessoais e de parentesco muito próximas também dificilmente daria publicidade a fatos que denegrissem os ocupantes do governo.
Uma elite mais ampla, em que as pessoas não tenham sido criadas juntas, estudado nas mesmas escolas e faculdades ou frequentado os mesmos círculos sociais, é fundamental para que haja liberdade de imprensa. Primeiro é preciso pluralismo, depois vem o exercício da liberdade.
Políticos atacam políticos e a imprensa divulga. No dia seguinte, milhares de jovens vão às ruas mostrar indignação. Sua grande frustração é que não têm o poder real de combater a corrupção. Basta procurar um pouco para encontrarmos dezenas ou centenas de depoimentos desses jovens afirmando que, ao final dos protestos, fica a sensação de impotência, fica o sentimento de que nada mudará porque os protestos em si não interferem no dia a dia das práticas ilícitas. Protestar e mobilizar a sociedade é fundamental para tornar o problema visível, mas não pune os políticos corruptos.
LANTERNA O senador José Sarney. Segundo um estudo acadêmico, seu Estado, o Maranhão, é o que tem as instituições de controle mais fracas na política brasileira (Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A. Press)
Os dois tipos possíveis de punição são o eleitoral e o judiciário. A punição eleitoral, mostramos isso num artigo anterior neste mesmo espaço, vem ocorrendo gradativamente. É graças a ela que figuras como Maluf e Quércia foram precocemente sepultadas como políticos de grande poder e influência. Eles são dois dentre inúmeros exemplos que existem em todos os cantos do Brasil.
A maior arma contra a corrupção é a existência de instituições que efetivamente a combatam. Mídia e opinião pública são instituições, porém não é a elas que me refiro, mas sim a Ministério Público, Justiça, Tribunais de Contas, Tribunais Regionais Eleitorais, a Agências Reguladoras, leis, departamentos de ensino e pesquisa em nossas universidades que estudem fraudes, ao Conselho Nacional de Justiça, a procuradorias, corregedorias etc.
A importância da ação dessas instituições está comprovada cientificamente pelo artigo de Lee Alston, Marcus Melo, Bernardo Mueller e Carlos Pereira intitulado The predatory or virtuous choices governors make: the roles of checks and balances and political competition. Usando dados de cada um dos Estados do Brasil, os autores mostram que, quanto mais ativas são essas instituições, menos os políticos do respectivo Estado enriquecem; menor é o gasto com pessoal como proporção da receita do Estado; e menor é o deficit primário daquela unidade da Federação. Eles provam que a interação entre Poder Judiciário ativo, Tribunais de Contas atuantes, procuradores públicos militantes, com o auxílio da mídia local e da opinião pública, são imbatíveis quando se trata de limitar a margem de manobra dos políticos no uso do dinheiro público. A lição é clara: quem quer combater a corrupção precisa apoiar o fortalecimento das instituições que controlam o poder dos políticos.
Os cinco Estados que têm as instituições de controle mais fortes são Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo. O lanterninha é o Maranhão de Sarney, antecedido por Roraima, Rio Grande do Norte, Piauí e Alagoas. Isso mostra que as famílias Sarney e Collor não são fenômenos isolados, que pairam sobre o mundo sem ligação alguma com suas instituições. Pelo contrário, os Sarneys só existem porque, em seu Estado, não foram desenvolvidas as instituições que os combateriam. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Até que ponto policiais do Rio estão envolvidos e contaminados pelo crime?

Milton Corrêa da Costa - http://www.tribunadaimprensa.com.br
Em tempos, jamais vistos, onde um tenente-coronel e um tenente da PM do Rio, dois dos 11 acusados da covarde e brutal morte da juíza Patrícia Acioly, estão sendo encaminhados, por determinação judicial, à penitenciárias de segurança máxima, fora das divisas do Estado, mais um lamentável e degradante fato envolve policiais no Rio de Janeiro.
Na terça-feira, 13 agentes do estado, sendo 11 policiais militares e dois civis, foram presos, após longo trabalho de investigação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, sob a acusação de venda de armas e drogas – algumas apreendidas em operações clandestinas – para o próprio tráfico. Ou seja, forneciam, em troca da propina, armas ao inimigo traficante para matassem e ferissem os próprios companheiros de profissão durante as incursões policiais legais.
Estarrece também o fato de que os ‘bandidos policiais’ faziam uso de informantes para que indicassem o local de esconderijo dos materiais do crime e, no caso dos policiais militares, pagariam propina (R$ 50,00) a oficiais de serviço para que fossem liberados de seus postos, além de certa quantia, entregue junto à reserva de armamento, para que pudessem permanecer com as armas da corporação enquanto fossem, ‘presumivelmente imunes à suspeitas’, delinquir da forma como melhor lhes conviessse. É o que se pode chamar de conluio quase que perfeito entre agentes do estado para a prática ‘oficializada’ de crime. Inacreditável e preocupante, uma vez que envolve policiais de diferentes regiões e unidades policiais, fato que pode demonstrar o grau de extensão (alastramento) da contaminação do crime envolvendo o aparelho policial do Estado.
Se somarmos o presente e lamentável fato a outros recentemente ocorridos, que envolvem policiais do Rio, a exemplo do policial militar (alega em sua defesa encontrar-se em estado etílico) acusado de assalto à mão armada no centro do Rio, acrescido ao caso do capitão agressor, no interior de uma boate da Ilha do Governador, e do desaparecimento de um cidadão na Cidade de Deus, onde dois PMs de uma guarnição policial são os principais suspeitos, além da execução sumária (três tiros de fuzil) de um eletricista na Baixada Fluminense (o corpo carbonizado e o carro incendiado apareceram posteriormente), onde são acusados dois policiais de serviço ( um deles foi o autor dos disparos), chegamos à conclusão que há algo de muito podre no ‘Reino da Dinamarca’.
Ainda que tais fatos, estatisticamente, envolvam uma minoria de agentes do estado, num efetivo ativo de aproximadamente 60 mil homens entre policiais civis e militares e somente a PM, neste ano, já excluiu 143 policiais ( a previsão até o final do ano pode chegar a 170), o dobro do número de excluídos em 2010 (85), tais fatos são extremamente preocupantes para os que detêm as funções de comando e direção no organismo policial do Rio.
Até que ponto agentes do estado, que têm a missão de defesa da sociedade, estão envolvidos com o crime? Qual é o grau de contaminação real da polícia do Rio com o banditismo? O que leva um oficial, com a patente de capitão, como no caso da boate da Ilha do Governador, com curso de formação de três anos, doutrinado para as funções de comando e liderança, para dar o exemplo, comportar-se prepotentemente, como autêntico vândalo, num ato de extrema covardia contra um jovem caído e indefeso, como mostram as câmeras de circuito interno, onde os agressores parecem ter a convicção da lei do mais forte, da supremacia da carteira policial e da impunidade? E o processo de formação do policial militar? Tem falhado em que aspectos?
Não há dúvida, pois, da necessidade premente de especialistas do tema repensarem a abordagem sobre os fatores comportamentais que conduzem o homem-policial a ser dominado pela fraqueza moral, pelo desvio de conduta, pelo desequilíbrio e pela agressividade extrema. Há perguntas que precisam se respondidas antes que seja tarde e a rotina do mau comportamento e do mau exemplo se alastre ainda mais.
Que perfil profissiográfico desejamos para o profissional de polícia? Que tipo de abordagem psicopedagógica (que idéia-força; que valores) deve ser empregada nos cursos de formação e aperfeiçoamento de policiais que possam introjetar no profissional de polícia a necessidade do comportamento moral e ético ilibados, tornando o homem cada vez mais imune à fraqueza moral da corrupção e de outros desvios de conduta? É possível, através de estratégia pedagógica específica, alcançar tal objetivo?
É o que o comando das polícias e os estudiosos e profissionais do ramo do estudo da psicologia e da pedagogia precisam descobrir. A sociedade quer e precisa acreditar na sua polícia, mormente num momento tão promissor para o Rio com o inovador e criativo modelo das Unidades de Polícia Pacificadora. O processo de contaminação da polícia do Rio preocupa sobremodo e deve ser estudado. Com a palavra os ‘policiólogos’ de plantão.

sábado, 18 de junho de 2011

Teoria das Janelas Partidas - Uma solução para o Brasil?

Centro do Rio num domingo pela manhã...


Texto baseado no livro “Broken Windows”, de James Q. Wilson e George L. Kelling.

Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou duas viaturas abandonadas na via pública, duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor. Uma deixou em Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.
Duas viaturas idênticas abandonadas, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipa de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada sítio.
Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas. Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.
É comum atribuir à pobreza as causas de delito.
Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.
O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.
Por que que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?
Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.
Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.
Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a ‘Teoria das Janelas Partidas’, a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujidade, a desordem e o maltrato são maiores.
Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.
Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.
Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor aos gangs), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinquentes.
A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metro de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: graffitis deteriorando o lugar, sujeira das estações, ebriedade entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metro um lugar seguro.
Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metro, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’.
A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana. O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.
A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, nem da prepotência da polícia, de fato, a respeito dos abusos de autoridade deve também aplicar-se a tolerância zero.
Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.
Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

COMBATE AO CRIME: Como salvar vidas usando computadores e estatísticas

Gerson Mora e Anna Luiza Aragão

Crédito: Gerson Mora e Anna Luiza Aragão

SEGURANÇA | Como salvar vidas usando computadores e estatísticas
Qual o melhor método para combater o crime? Informação. A partir de seu primeiro mandato como prefeito de Nova York, em 1993, Rudolph Giuliani usou um sistema chamado CompStat para mapear os crimes na cidade. O programa foi apontado como um dos responsáveis pela diminuição de todos os índices de criminalidade e a transformação de uma das mais violentas cidades dos EUA em uma das mais seguras. Enquanto o índice de homicídios foi de sete mortes para cada 100 mil habitantes em 2009, em Detroit o mesmo índice ficou em 41 por 100 mil. A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo (SSP) implantou um sistema parecido, chamado Infocrim, na capital, em 1999, quando o índice de homicídios por 100 mil habitantes era de 52,58. Ano passado, o índice havia caído para 11,23. O Infocrim faz o mapeamento baseado nos boletins de ocorrência. Com esses dados, a polícia sabe onde e quando os crimes têm mais chances de ocorrer, podendo despachar viaturas para as regiões de maior perigo.


sexta-feira, 15 de abril de 2011

Contra a corrupção, robôs. A tecnologia pode acabar com o assalto ao patrimônio público

Danilo Gentili


Tive a sorte de participar com a equipe do programa CQC, da TV Bandeirantes, da execução de uma ideia que, para alguns, parecia mirabolante. Para nós, no entanto, tratava-se de algo tão simples quanto colocar uma minhoca na ponta de um anzol e lançar ao mar. A jogada era boa: doaríamos uma TV de plasma para o poder público encaminhar a uma escola. Não sem antes equipá-la com um GPS. Assim poderíamos monitorar o aparelho e saber todas as coordenadas sobre seu destino final. 

Antes de contar o resultado da experiência, consulte-se sobre o tema “comportamento humano x integridade do poder público”. Tente adivinhar onde nossa doação foi parar. Se você respondeu “na casa de um funcionário público”, parabéns. Pode ficar feliz por ter acertado. Mas não nego que sua vitória me deixa triste porque sei que você só chegou a essa conclusão por se basear na má fama de nossos servidores públicos.



Esse episódio levou-me a refletir sobre algumas questões importantes: o ser humano é corrupto por natureza? Segundo o ranking da ONG Transparência Internacional, os brasileiros conseguem ser mais corruptos que muitas outras nações. Isso significa apenas que em todo mar tem peixe pequeno e grande. No que lançamos nossa isca em forma de TV de plasma, parece que os peixões existem em quantidade bem maior. 

Não fomos os pioneiros em usar tecnologia contra a corrupção. Lawrence Lessig, advogado e professor da Universidade de Stanford, lançou um movimento para que os políticos americanos apoiem iniciativas para tornar as contas públicas mais transparentes. Segundo ele, um portal para deixar os orçamentos dos governos mais claros a todos pode ajudar no combate à corrupção. Iniciativas como essa são ótimas. Assim como era perfeita a invenção daquele sistema político que ainda é atual e que visa tornar a democracia mais acessível a todos. Infelizmente o que não parece claro e transparente é o futuro dessa e de qualquer outra ideia criada para acabar com a corrupção, já que o problema não é o sistema, e sim quem o opera. 

O guindaste nos permite erguer toneladas. Por que criamos essa tecnologia? Porque temos consciência de que somos incapazes de fazer isso com o próprio braço. O avião nos transporta rapidamente pelo céu. Por que criamos essa tecnologia? Porque sabemos que somos incapazes de voar. Quando se cogita a ideia de criar uma tecnologia para acabar com a corrupção, é sinal de que jogamos a toalha. Reconhecemos que somos incapazes de não sermos canalhas quando temos a faca e o queijo na mão. 
Se a história ensinou que o poder corrompe — e, convenhamos, chefiar um portal de “transparência política” é, de certa forma, um tipo de poder —, talvez logo falarão de um fiscal para deixar transparente o portal da transparência. Quem sabe até, depois disso, de um sistema para fiscalizar o tal fiscal.

Como sou um realista extremista sem perder o escapismo da fantasia, lanço aqui outra ideia: a única esperança de vencer a corrupção é com a criação de um robô independente capaz de operar essa tecnologia. E que o tal robô não seja criado a nossa imagem e semelhança. Do contrário, quando a lata de sardinha se transformar em um operador da tecnologia de combate à corrupção, corremos o risco de ouvir o “oinc” metálico de um porco eletrônico de George Orwell. 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Aprenda a Fazer um Carrinho de Mão

http://revistagloborural.globo.com


Equipamento desenvolvido pela Agência Mandalla é mais barato e tem capacidade de armazenamento maior comparado ao modelo tradicional

por Texto Gustavo Laredo | Ilustração Filipe Borin


Em junho do ano passado, três inventores deram uma nova forma àquele famoso carrinho de mão utilizado naconstrução civil. Eles perceberam que poderiam aumentar a capacidade do modelo tradicional colocando uma metade de um tambor de 200 litros sobre uma estrutura simples de ferro e madeira.
O "Pipão Mandalla", batizado com esse nome justamente por ter a capacidade de uma pipa, surgiu da cabeça criativa de Willy Pessoa, responsável pela Agência Mandalla, em João Pessoa, PB. Com os colegas Jordinouro Barbosa Pereira, conhecido como Capitão Neno, e Osório Gama, ele montou o carrinho e percebeu que o invento poderia ajudar os agricultores familiares a colocar nos trilhos o transporte de água, de ração animal e de outros objetos.
Com apenas 71 reais, qualquer agricultor pode fazer o carrinho. O importante é seguir as medidas corretamente, para evitar que o equipamento tenha algum problema quando estiver carregado. Conhecimentos sobre soldagem e manipulação de metais facilitam ainda mais a construção do Pipão.
Outra dica: depois de pronto, passe uma mão de tinta anualmente, lubrifique e ajuste as peças e não se esqueça de checar a pressão do pneu. Com tudo isso, a estimativa é que o Pipão possa ser útil durante cinco anos.
De acordo com a Agência Mandalla, embora recente, essa tecnologia está começando a se espalhar pelo Nordeste. Já são cerca de 20 famílias beneficiadas por essa e outras tecnologias que a entidade desenvolveu.
Mais informações: Agência Mandalla DHSA, Av. Rui Barbosa, 1101, João Pessoa, PB. CEP 58040-491. Tel. (83) 3243-0628, comunicacao@agenciamandalla.org.brwww.agenciamandalla.org.br

MÃOS À OBRA
Material

• 6 metros de ferro comum de 1 polegada de espessura
• 2 vergalhões de ferro de 4,2 mm de espessura e 23 cm de comprimento
• 2 vergalhões de ferro de 4,2 mm de espessura e 22 cm de comprimento 
• 1 tambor de 200 litros
• 1 roda e pneu de carrinho de mão de 2,50 x 8 polegadas
• 12 parafusos de 1/4 de polegada
• 2 cabos de enxada de 2 metros 
• Martelo
• Torno
• Solda


PASSO A PASSO


Filipe Borin 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Alsar em Ação.

Olá amado leitor. Quero compartilhar contigo uma boa ideia. Semana passada fui convidado a participar de um programa de rádio do Ministério Alsar da Igreja Seara Evangélica.
ALSAR (Aliança Solidária de Auxílio e Recuperação) é um ministério desafiador que trabalha, como diz o nome, no auxílio e recuperação de dependentes químicos. Tanto de drogas ‘lícitas’ como álcool e também ilícitas como o temido crack.
Você que mora em Cachoeirinha-RS e cidades vizinhas pode ouvir o programa na rádio Integração FM 87.9 às terças das 14h00 às 19h00. E para todo mundo pela Internet no http://www.radiointegracaofm.xpg.com.br/

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Sacos para dormir

Olá meus amados irmãos. Boa tarde.  PAZ! 
Olha, Deus tem nos abençoado com uma linda e ótima visão e preciso compartilhar com vocês.
Vejam as fotos anexas.  Eu aprendi com uma irmã, já idosa, que vive aqui perto de casa, a fazer um SACO DE DORMIR de jornal velho e plástico.  Uma beleza!!!  Ele esquenta e mantem a pessoa aquecida no inverno.  O custo e muito baixo.  Menos de um Dólar cada saco de dormir.  O necessário e: jornal velho, plástico, uma tesoura, fita de colar e vontade de trabalhar. 
Eu já fui lá na Jocum esta semana e passei a visão para o pessoal lá.  Hoje pela manha já começamos a ensinar os desempregados a fazerem os sacos em casa e amanha vamos ensinar lá em Uitenhage também.   Acredito que para o próximo inverno vamos ter um estoque bem grande de sacos de dormir para distribuir para os mendigos, órfãs e demais. 
Queridos, estejam orando conosco, pois já neste fim de semana, aproveitando o frio que esta fazendo neste mês de Agosto, queremos fabricar uns 500 sacos de dormir.  Já estamos recolhendo jornais por todos os cantos da cidade e queremos envolver a família e os irmãos neste projeto. 
Precisamos apenas de alguns recursos para a compra do plástico para estas primeiras 500 unidades.   Veja o modelo nas fotos!!! 
Grande abraço e Deus abençoe vocês com um ótimo fim de semana. 
Forte abraço, Silmar Wilbert. 
PS.... Para qualquer ajuda, podem usar a conta do Banco do Brasil. Ag.: 2813 - 4    Conta Corrente: 803214 – 9.
Fonte: SBKAUER.COM

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Soluções para a corrupção: Movimento indica caminhos para reduzir a prática de atos ilícitos

 *
 *Notícia publicada em 2008, mas poderosamente atual, principalmente na proximidade das Eleições

Estudo realizado pelo Movimento Voto Consciente em parceria com a Transparency Internacional, a pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA), indica o desvirtuamento nos licenciamentos e nas contratações de funcionários públicos e os frágeis mecanismos de denúncia contra atos de corrupção e de proteção a testemunhas como os principais empecilhos ao combate à corrupção no país.

De acordo com a coordenadora geral do estudo, Rita de Cássia Biason, o documento, divulgado no sábado, em São Paulo, não tem a intenção de trazer denúncias sobre o quadro de corrupção do país, mas de sugerir caminhos para a superação das dificuldades apontadas.

- Nosso cuidado foi de indicar algumas recomendações, estabelecer recomendações para melhorar o quadro - diz.

Para atacar os desvirtuamentos nas contratações de funcionários públicos, o estudo sugere, por exemplo, a normatização das contratações dos servidores da União em regime jurídico único, ou seja, propõe eliminar as figuras da contratação temporária e terceirizada.

Sete ações são sugeridas

A elaboração de uma lei complementar que discipline um percentual limite de contratações em cargos em comissionados também é sugerida.

Os pesquisadores recomendaram sete ações para combater o desvirtuamento nas licitações.

Entre elas, introduzir uma lógica parecida com a do pregão eletrônico; evitar as emendas orçamentárias aditivas que destinam mais recursos para uma obra já em andamento; e a elaboração de um catálogo de material com especificação de produtos, para evitar desvios na etapa de compras.

Fonte:  http://www.clicrbs.com.br
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