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sábado, 28 de junho de 2025

Juliana e o vulcão, ou a erupção de nossa tragédia política

 


Sammis Reachers

Nesta semana este país gigante e ferido de patologias genéticas que lhe embotam o raciocínio e o convívio (escolha a sigla que lhe agradar) se viu mobilizado.

Juliana Marins, niteroiense como eu, foi vítima de uma tragédia.

Mas sua tragédia pessoal/familiar revelou outras em seu bojo. Logo o país ainda polarizado se viu num embate: Onde está o presidente Lula, o Lule de tantos, que não providenciou seja o resgate do corpo vivo, seja o translado do cadáver? Pior, enviou jatinho da FAB para resgatar antiga “comparsa de falcatruas” dos tempos do Mensalão...

A monstruosidade de muitos se mostrou não na empatia com a Juliana ou seus restos mortais, mas em usar um fato trágico como artefato político, granada de concussão para tentar atordoar o outro lado.

E a monstruosidade foi prontamente respondida com outra monstruosidade (é a guerra, baby): Lula, o Lule misógino, machista e racista das massas bichas e machas, aprovou o gasto com o translado de corpos de brasileiros.

Há praticamente CINCO MILHÕES DE BRASILEIROS RESIDINDO NO EXTERIOR.

CINCO MILHÕES.

Fora os turistas.

Não, eu não quero, não posso e nem preciso pagar essa conta. Nem o país que eles escolheram deixar para sempre ou por momento.

Mas Juliana era turista. Turista de AVENTURA, que é aquele que escolhe o risco, e extrai do perigo, prazer. Sim, mesmo sabendo dos riscos, mesmo apesar dos riscos. Mesmo apesar da família, seu receoso apoio ou constrangida oposição. Ficou claro o desenho? Turista de AVENTURA. Aventurou, aventurou e morreu. Uma tragédia. Pessoal e familiar. Arthur, filho de Campina Grande e garçon em Barcelona, acaba de morrer em terras espanholas. Embolia pulmonar. Agorinha. Sua morte nos comove? Adelaide, maquiadora de Nova Iguaçu, acaba de morrer em Berna, na Suíça. Caiu de uma escada de três míseros degraus, dentro de casa. Cabeça na quina da pia. Morreu assim como todos os CINCO MILHÕES de brasileiros no exterior irão morrer, antes, durante e após você e eu.

Tudo isso é para expor o ridículo de nossa situação. O país não tem que enviar jatos da FAB, esse elefante branco e voador, com seus orelhões de dumbo ou do diabo, para resgatar criminosos “perseguidos”. E nem cadáveres, seja de trabalhadores pátrios, seja principalmente de aventureiros.

Mas bom senso desertou de nós há uma década ou quase duas, e a situação da inocente Juliana só serve para expor com toques de filme splatter o horror de nossa película. Por sinal, já ouviu nossa trilha sonora? Somos o país de Poze e Oruam, de Gusttavo Lima e de Enrique & Juliano...

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.

Lula, como antes fez Bolsonaro, se mostra fraco ou porco demais: Os ventos do populismo – leia-se, desejo de reeleição, essa monstruosidade que não deveria existir – o faz lançar âncora onde quer que possa conseguir mais votos, de um bolsa-luz (na verdade, luz elétrica de graça para quem consome pouco), CNH gratuita para o pobre que pode comprar carro, mas não pagar por uma carteira (?), ao translado de corpos de aventureiros. Amanhã tem Flamengo, time de meu coração e de um terço da pátria aurirrubra: Eu e você pagamos a conta para que um fique deitado em sua casa ou casebre assistindo a Copa do Mundo de Clubes, luz e bolsas em dia, enquanto eu não posso, pois estou dando expediente no trabalho. E do trabalho, na hora apertada do almoço, assisto à comoção sobre outro aventureiro que curte a vida adoidado, não compartilhando seu prazer (justo, pois é particular), mas compartilhando sua desdita, pois pago os custos finais de sua aventura.

Esse desejo lulista de perpetuar-se no poder, pondo em risco a economia do país, é tão deletério quanto os arroubos golpistas e provincianos do idiota da aldeia Bolsonaro, outro que se revelou populista, mas tarde e sem talento, que talento no que seja sempre lhe faltou na vida.

Contra essa dualidade demoníaca de Lule x Bozo, quem se apresenta? A direita como a tupiniquim carrega em si o vírus totalitário; a esquerda outra que não a lulista é ainda mais perniciosa; os liberalóides passam do ponto: propondo Estado mínimo, querem mesmo é Estado nenhum. Marina se aquietou e aniquilou, conformada, um dos casos mais sinistros de implosão-política-sem-escândalos da história pátria. Ciro Gomes, o eterno injustiçado, não consegue falar a língua de nosso povo e até de nossas "elites", feridos todos de analfabetismo funcional (o "mal do século" brasileiro).

Primeira, segunda e terceira vias assoreadas, interditadas por lama perfumada. Precisamos de uma quarta, quinta, sexta vias. Mas de que bueiro emergiriam?

Estamos todos futricados, como diria meu pai.


*****


Sammis Reachers é escritor e editor. Paga suas contas como professor de Geografia. É licenciado também em História e em Artes Plásticas, e graduado em Biblioteconomia.


terça-feira, 19 de novembro de 2024

FABULÁRIO ÍNDIGO: Contos de Sammis Reachers reunidos em livro

 

A presente coleção de contos, caprichosa ou inconsequentemente designada Fabulário Índigo, é um pequeno tour de force cujas narrativas transitam desde a ficção científica utópica e distópica à hodierna crônica da violência urbana, da fábula moral ao experimentalismo metafísico, do suave horror ao humor mais escrachado. Tais eixos genéticos/genéricos não são de todo insulares, independentes, mas costumam se interpenetrar ao longo dos trinta e um contos aqui reunidos.

Costumo dizer que escrever poesia é encontrar imagens, enquanto escrever prosa é encontrar saídas. Poeta com infiltrações na prosa, aqui busquei saídas, embora, fiel à minha nomeadura, não me esqueci nem escarneci do poder fundacional e transcendental das imagens.

Em termos bibliográficos, iniciei minha produção ficcional com O Pequeno Livro dos Mortos, volume de contos publicado em 2015. De lá até aqui, a produção se desdobrou em momentos de maior ou menor euforia, ao sabor dos ventos benfazejos/malsãos da inspiração. Este Fabulário, espero, é a continuação e o alargamento não de um esforço, mas de um tão humano prazer de contar.

*   *   * 

Alguns dos contos do livro receberam boa acolhida em concursos e revistas literárias.

O conto que abre a obra, A Segunda Vida de Gregor Samsa, foi escrito imediatamente após a publicação de O Pequeno Livro dos Mortos, e foi publicado na Revista Philos v.3 n°.24 (2017). Em 2020, saiu na Revista LiteraLivre (v. 04, n. 21).

Sahhir, o Perscrutador, encontra-se com Deus foi igualmente publicado pela Philos, ainda em 2017 (Philos v.3 n°.24), sendo veiculado também na Revista Ligeiro Guarani (v. 03, n. 03, 2020).

A Solução Final foi publicado na revista Brasil Nikkei Bungaku (n.64, 2020), bem como no site Escrita Cafeína.

A Ilha obteve a primeira colocação em sua categoria no II Concurso Literatura de Circunstância, organizado pela Universidade Federal de Roraima; recebeu ainda Menção Honrosa no 19º Concurso Literário Paulo Setúbal, promovido pela cidade de Tatuí – SP, ambos em 2021.

O conto Na Véspera de Um Dia Santo Numa Cidade Fulminante foi um dos vencedores do concurso promovido pela Editora Dando a Letra, sendo publicado na antologia Quem Será Pela Favela?.

Seu Onório do Bairro Antonina foi igualmente um dos vencedores do primeiro concurso Contos Fantásticos Niteroienses, sendo publicado em livro pela Vira-Tempo Editora.

O conto Estranho Horror na Senzala da Fazenda Colubandê foi publicado na Revista Mystério Retrô em sua edição de n.15/2021.

Como Quem Guarda Uma Cidadela foi publicado no primeiro volume da Revista Estrofe, em 2022. E também saiu na Revista Sarau Subúrbio, em 2021.

Para além disso, a maioria dos contos foi publicada em minha coluna no Jornal Daki, veículo de informação e opinião de terras gonçalenses.


O livro impresso (formato 14x21cm; 204 páginas) está disponível para aquisição diretamente com o autor, ao preço de R$ 30,00, já com valor de frete incluído. Escreva para o e-mail:  sreachers@gmail.com ou pelo Whatsapp, (21) 98766-5576 .

Se você desejar o livro eletrônico, ele está disponível pela Amazon, ao preço de R$ 4,99, ou gratuito para aqueles que possuem a assinatura Kindle Unlimited. Confira AQUI.


segunda-feira, 27 de novembro de 2023

A ORDEM LUTERANA DA CRUZ COMBATENTE: Ação e aventura em ficção cristã de Sammis Reachers

Nobres leitores, é com prazer que anunciamos o lançamento do romance A Ordem Luterana da Cruz Combatente, de Sammis Reachers.

O livro já está disponível como e-book, na Amazon (confira AQUI) e como livro impresso, na Uiclap (confira AQUI).



A tomada de Jerusalém e dos tesouros do Templo por Nabucodonosor, em 597 a.C., liberou inadvertidamente sobre a Terra um poder sobrenatural, um poder capaz de mobilizar – de uma forma jamais vista – a homens, anjos e demônios, e decidir os destinos do mundo.

Muitos séculos depois, para impedir que os objetos responsáveis por tal poder caíssem em mãos erradas – e também para arrancá-los de tais mãos – um relutante monge alemão, Martinho Lutero, se viu obrigado a fundar uma organização secreta. Uma Ordem Combatente, cuja guerra de vida e morte, travada nos quatro cantos da Terra, se estende até os dias atuais.

*   *   *

Poeta e contista premiado, com mais de dez livros publicados, neste seu romance de estreia Sammis Reachers convida os leitores a embarcarem numa trama envolvente e frenética, onde a fantasia histórica, o thriller de ação e espionagem e os questionamentos sobre a fé cristã e a ética da violência se unem numa narrativa surpreendente e arrebatadora.




domingo, 18 de junho de 2023

Lançamento: Livro CITAÇÕES MISSIONÁRIAS - Ferramenta de referência, edificação, capacitação e mobilização para missões


Conecte-se com a sabedoria de mais de uma centena de autores e inspire-se com mais de 2.000 citações missionárias! 

Prepare-se para mergulhar em uma riqueza de pensamentos e reflexões que irão tocar seu coração e renovar sua fé. Com nosso novo livro de citações, você terá acesso a uma coleção poderosa de palavras que o levarão em uma jornada emocionante e transformadora. E ao mesmo tempo em que alimenta sua alma, você estará fazendo a diferença na vida de outras pessoas. Ao adquirir o livro por apenas R$ 40,00, você estará apoiando a agência missionária SEMADEC • São Gonçalo/RJ - filiada à AMTB - a levar amor e esperança a lugares carentes do nosso país. O frete já está incluso, basta escolher o método de pagamento que preferir: 


NO MOMENTO, O LIVRO ESTÁ ESGOTADO


Confira os temas abordados na obra:

AVIVAMENTO – BATALHA ESPIRITUAL – BÍBLIA – CHAMADO E DECISÃO – CONTEXTUALIZAÇÃO – DISCIPULADO – ENVIADORES E MANTENEDORES – ESPÍRITO SANTO – ESPIRITUALIDADE – EVANGELIZAÇÃO – FAMÍLIA E RELACIONAMENTOS – GRANDE COMISSÃO – IDE – IGREJA – JESUS – LITERATURA – MARTÍRIO – MINISTÉRIO      – MISSÃO, MISSÕES – MISSIO DEI – MISSIOLOGIA – MISSIONÁRIOS – MISSÕES DE CURTO PRAZO – MISSÕES URBANAS – MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA – MOTIVAÇÃO – NÃO ALCANÇADOS – OBRAS DE MISERICÓRDIA (CARIDADE; AÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL) – ORAÇÃO – PASTORES E LÍDERES – PERGUNTAS REINCIDENTES – PERSEGUIÇÃO – PERSEVERANÇA – PREGAÇÃO / PROCLAMAÇÃO – PREPARO MISSIONÁRIO – PROVIDÊNCIA DIVINA – QUEBRANTAMENTO – RENÚNCIA (SOFRIMENTO, SACRIFÍCIO) – SERVIÇO (MORDOMIA CRISTÃ) – TEOLOGIA – TESTEMUNHO – UNIDADE (COLABORAÇÃO NA MISSÃO, COMUNHÃO) – URGÊNCIA – VOCAÇÃO.


segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Frases devocionais de Sammis Reachers reunidas em e-book gratuito: Sabenças & Sentenças da Missão


 

Esta brevíssima coletânea reúne frases de minha autoria, escritas ao longo dos últimos talvez quinze anos. A grande maioria nasceu já como está, como frase/pensamento individual, de parto despretensioso; algumas poucas foram retiradas de textos maiores. Foram publicadas fundamentalmente em redes sociais, fortuitas atualizações de status de Facebook e seus congêneres.

O que aqui as une é a reflexão sobre a vida cristã e a missão inescapável da igreja, missão que envolve a ida e também a estadia, o sofrimento, o sacrifício e a correção.

Dentre as tonalidades de tempero – que vão da especulação teológica até o chão diário da igreja – temos frases de incentivo e esperança, mas principalmente de exortação, por vezes dura, ácida (alguém diria profética, mas não me arrogo a tanto).

Se tais pitadas de sal e pimenta puderem temperar sua jornada, reanimando-a, ressignificando-a, provocando-a positivamente para fora da consensual zona de conforto, terá sido justificada sua compilação neste humilde livrinho de bolso.

 

O livro em formato PDF pode ser baixado GRATUITAMENTE pelo Google Drive, CLICANDO AQUI.



Se você desejar o livrinho impresso, ele custa apenas 15 reais, já com o frete incluso. Escreva para meu e-mail ( sreachers@gmail.com).


terça-feira, 13 de abril de 2021

CARTA AO PÃO, um poema de Sammis Reachers



 Carta ao Pão

 

Alimento elemental

desejado das gentes

dínamo das multidões

elo da civilização

 

casa de comer

pacto da vida

pomo trágico

fruta de sal

incenso odorofágico

bastão de vivificar

ciência arcana 

sol tostado que na mesa brilha

lua de farinha das sarjetas

granada/lâmpada de trigo

franco universal receptáculo

 

moeda da mobilidade

congregador empático,

humana prova dos nove:

em sua repartição

está a vida e a morte

a vala entre os que no Juízo

herdarão paz, dos que herdarão

famélico desespero



Do livro CARTAS E RETORNOS (2021). 

quarta-feira, 31 de março de 2021

CARTA AOS IDOSOS, poema de Sammis Reachers

 


Carta aos Idosos

 

O dia é um processo doloroso

E uma dádiva

 

Langor, cansaço e memória

Sucedem-se na mesa de cartas

 

Este chá esta sopa

Este sopé de monte

Donde olhas a vida

Ossos sobremodo rúpteis

Alma sobre todas as coisas firme

Coa lembranças durante o longo rumorejar

Das esperas

Sorvendo os dias em goles pacíficos

Do nauta que vê o derradeiro porto

Crescer no horizonte

 

Biblioteca de abraçar

Perdoe nosso descaso,

Eixo da aldeia

Releve nosso desleixo

Rocha memorial, sol encanecido

Acumulado de efeitos

De toda a humana causa



Do livro CARTAS E RETORNOS (2021). 


terça-feira, 17 de março de 2020

Reflexão: O Coronavírus e seu poder de nos despir



Uma nova epidemia, seja de doença rediviva ou “inédita” tem o benefício, se é que esse termo pode ser utilizado sem dolo, de redimensionar o homem à sua estatura de apenas criatura: reles (embora solar), mortal (embora com a ânsia de eternidade ardendo em seu peito). Essa pausa para o recesso existencial, essa reflexão forçada sobre nossa fragilidade em tempos de corona vírus assume tons diferentes em cada coração: a uns causa angústia; noutros, revolta; noutros, um inescapável esforço de alheamento, de não pensar nisso, de refugiar-se numa fantasia qualquer. A maioria fica mesmo com sua dose, sua raçãozinha de medo.

A Bíblia, dentre seus muitos livros, possui um que, pelo caráter límpido de suas assertivas, poderia ser distribuído sem dolo ou ofensa entre os maiores céticos da Terra: o livro de Provérbios. Ao lado deste e na mesma linha, há um outro livro cuja sabedoria é mais elaborada, um livro “existencialista” que prenuncia, com quase 2.500 anos de antecedência, muitos dos temas filosóficos dos sécs. XX/XXI: O Eclesiastes. Dos seus muitos conselhos, um cabal é o que diz que “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” (Ec 7.2). Pensar na morte, vejam só!, faz bem à vida. Esse é mesmo um dos princípios do pensamento filosófico.

A doença equaliza as coisas: reduz o rico, que é vítima e também transmissor preferencial nesses inícios de epidemia, a seu desconfortável lugar de apenas mais um, a seu insuportável-para-ele lugar de ser um qualquer, “agraciado” pela sorte ou meritocracia com a única especialidade de... poder morrer primeiro. Ela põe cada centavo que ele amealhou, por vezes à custa de sangue e suor alheio, em xeque.

E mais: a doença global, totalitária em seu ímpeto globalista, expõe a fragilidade do global sistema: As duas maiores potências mundiais prostram-se em quarentenas e bilionários protocolos emergenciais em sujeição a um vírus. A Europa, pretensa/ruinosa trincheira do que é humano, para e contempla a limpidez do vácuo que a epidemia inoculou. A ONU é figura da paisagem; os grandes laboratórios farmacêuticos, cuja receita supera o PIB de muitos países, por ora são apenas amontoados de maquinários e cérebros curtidos em formol; os líderes políticos, ah, esses são um capítulo à parte.

Nosso espaço é curto; foquemos então em nosso mestre de fanfarras, nosso tocador e fabricante de berrantes, nosso “mito”: Num dia, bestificado pelas cansativas falácias da extrema-direita norte-americana (leia-se também e sempre: olavete) contra a imprensa, as vacinas e outras pautas alucinadas, vocifera que “o vírus é uma fantasia da grande mídia”. Horas depois, aparece em rede nacional vestindo uma máscara, e tendo um de seus homens próximos infectado com esse vírus.  Nesse episódio tétrico, podemos ouvir a própria deusa Realidade arrotando nos ouvidos dos celerados: “Ei, moleques, então quer dizer que eu não existo?!! Pois desculpem-me pelo improviso.”

Ecumênico, o vírus Covid 19 é como um tarado que encontrou nosso fanfarrão já com as calças arriadas. Assim, fica fácil para o vírus. E terrível para nós.


Sammis Reachers

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Árvore é cura para uma São Gonçalo adoecida

Centro de Alcântara, em São Gonçalo - RJ
Artigo publicado originalmente no Jornal Daki
O século XXI encontrou a questão ecológica no topo das discussões. Em diversas partes do mundo, as questões ambientais e logo, a compreensão da dimensão ecológica da Terra e do Homem em suas interações com o meio, tem sido pesquisada, refletida e ensinada.
Desde Lovelock e sua Hipótese de Gaia, que percebia a Terra como um mega organismo de interações holísticas e interconexões, tal a ideia tem se disseminado.
Novas descobertas trazem luz sobre fenômenos complexos da natureza, como por exemplo a questão da comunicação entre as plantas.
Utilizando entre outros mecanismos a imensa flora de fungos à sua disposição, as plantas parecem comunicar-se, estabelecendo uma rede de trocas informacionais que alguns especialistas comparam à internet.
Plantas parasitas também parecem exercer controle a nível molecular, com trocas genéticas que visam facilitar ou ‘pacificar’ sua simbiose com as plantas hospedeiras.
Neste novo e surpreendente campo que se descortina, novos métodos e uma nova nomenclatura são necessários; a base epistemológica da Ecologia amplia-se, ao vislumbrar complexidades a nível ecológico jamais sonhadas.
Exemplo de tema na ordem do dia: Nosso conceito de que os vegetais são seres vivos merece ser ‘ampliado’, agora que sabemos que eles são capazes de comunicação e de certo nível de senciência (vida consciente)? E em que categoria de ‘vida’ os colocaríamos? O ser humano precisa mudar sua percepção/relação acerca do reino vegetal? São questões em aberto, uma discussão ainda à espera de seus codificadores, de seus tradutores epistemológicos. Isso tudo mostra como é ainda grande e promissora a tarefa que compete ao ser humano em sua compreensão do reino vegetal.

* * *
Toda essa explanação acima foi para chegarmos em nosso lugar, nossa província insossa, nossa São Gonçalo das Pelejas e do Desmazelo.
O município nunca teve uma política efetiva de arborização urbana, e que dirá para além de sua faixa urbanizada. Há municípios circunvizinhos que mantêm políticas de distribuição de mudas gratuitas para sua população. “Ah, mas são municípios mais ruralizados”, dirá o crítico. Eu chamaria de mais espertos...
Mas vamos ao principal: A imensa, eu diria mesmo diabólica ilha de calor que se forma a partir de Alcântara e avançando para o centro é originária de nosso desenvolvimento desordenado e desarborizado. Nossos espaços mais urbanizados ganham até cinco graus a mais de temperatura se comparados ao entorno! É tempo de proclamarmos que as árvores não são um mimo romântico, um “embelezamento” para a urbe, mas sim COLUNAS de sustentação da VIDA – principalmente nos espaços de concreto e asfalto. Vai demorar, vai doer quando da arborização de nossos espaços tão apertados? Não temos opção: a cidade está doente e a árvore faz parte da cura.
Estamos em ano eleitoral. Questione seus candidatos sobre o que pensam do assunto, e além: Que projetos efetivos possuem já planejados para o problema.
Lancemos uma outra proposta aqui: a criação de um Jardim Botânico – na medida de nossas poucas forças e muitas outras prioridades – em nosso município. Terras livres? Santa Isabel tem suficientes para criarmos até um pequeno país!
E não se esqueça: Árvore é cura.

* * *
Inspire-se: Leia uma antologia de poemas sobre elas, as árvores, que organizei há algum tempo. É gratuita, baixe o seu exemplar virtual aqui: https://drive.google.com/file/d/1D0HJHDd1W083JLObfxo-zHaKqu4vxCDq/view
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