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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Os meus pés brilhantes jamais correrão na grama de manhã - Um poema sobre o aborto

 


Os meus pés brilhantes jamais correrão na grama de manhã, bem cedo;

os meus pés foram esmagados antes de terem a chance de saudar o amanhecer.

Os meus dedos agora jamais se esticarão para tocar a fita de vencedor;

A minha corrida acabou antes de aprender a dar os menores passos.

O meu crescimento jamais será registrado em uma parede;

O meu crescimento foi interrompido quando eu ainda era muito pequeno, e não podiam me ver.

Os meus lábios e língua jamais provarão os bons frutos da terra;

pois eu mesmo fui julgado como sendo um fruto de pequeno valor.

Os meus olhos jamais examinarão o céu procurando a minha pipa que voa alto;

pois quando ainda era cego, eles foram destruídos no escuro ventre da noite.

Jamais ficarei sobre uma colina, com os ventos da primavera soprando meus cabelos;

os ventos do outono do pensamento se fecharam no desespero da maternidade.

Jamais caminharei nas praias da vida ou conhecerei as marés do tempo;

pois estava chegando sem ser amado, e este foi o meu único crime.

Eu não tenho nome, sou um grão de areia, um dos incontáveis mortos;

mas a ação que me tornou um pequeno punhado de cor cinza, flutua no mar que está tingido de vermelho.

Fay Clayton


In Comentário Devocional da Bíblia, de Lawrence Richards (CPAD)


sexta-feira, 8 de março de 2024

FEMINISMO, ABORTO E SELEÇÃO DE SEXO

 


Uma das ironias do feminismo é que, por sua defesa do aborto ele endossou o único maior meio de roubar as mulheres de seu direito mais básico - o direito à vida.

O aborto tornou-se o principal meio de eliminar fêmeas indesejadas em todo o globo. O estudo de alguns vilarejos na Índia revelou uma estatística assustadora: de uma população total de dez mil, apenas cinquenta eram meninas. As outras meninas, milhares delas, foram mortas por aborto. Em Bombai, de oito mil amniocenteses que indicavam que os bebês eram meninas, todas, exceto uma das meninas, foram mortas por aborto.

Por causa dos abortos por seleção de sexo, dois terços das crianças nascidas na China atualmente são do sexo masculino. No interior, a proporção de meninos para meninas é quatro para um.

A amniocentese também está sendo usada para detectar o sexo da criança na América. O Medical World News divulgou um estudo em que 99 mães foram informadas do sexo de seus filhos. Cinquenta e três desses bebês não-nascidos eram meninos e 46 eram meninas. Apenas uma mãe escolheu abortar o menino, ao passo que 29 escolheram abortar as meninas.

Atualmente, morrem mais meninas do que meninos por aborto. Matar um bebê não-nascido do sexo feminino é matar uma mulher. Não pode haver direitos iguais para mulheres até que existam direitos iguais para mulheres não-nascidas.

Randy Alcorn, no livro Por Que Ser a Favor da Vida?


sábado, 30 de novembro de 2019

Marion Preminger, de princesa do fútil a serva (útil) de Cristo



Marion Preminger (1903 – 1972) é um exemplo vivo do que disse Jesus sobre perder e ganhar a vida. Ela nasceu em 1913 na Hungria e cresceu em um castelo com sua família aristocrática, cercada por empregados, tutores, governanta e motoristas. Sua avó, que morava com eles, insistia que quando viajassem eles levassem seus próprios lençóis, porque ela achava que era rebaixar-se o dormir entre lençóis de pessoas comuns.
Enquanto estudava na escola em Viena, Marion conheceu um jovem médico muito bonito. Eles se apaixonaram, fugiram e se casaram quando ela tinha apenas dezoito anos. O casamento durou apenas um ano. Ela voltou para Viena e começou sua vida como atriz.
Ao ensaiar uma peça, ele conheceu o brilhante diretor de orquestra alemão Otto Preminger. Eles se apaixonaram e se casaram. Logo depois eles se mudaram para os Estados Unidos, onde ele começou sua carreira como diretor de cinema. Lamentável e tragicamente Hollywood é um lugar de dramáticos exemplos de pessoas que se mordem e devoram umas às outras. Marion estava deslumbrada com o brilho, as luzes e a emoção superficial da vida de Hollywood e começou a viver o tipo de vida próprio do lugar. Quando Preminger descobriu, ele divorciou-se dela.
Marion voltou à Europa para morar em Paris. Em 1948, ela soube pela imprensa que Albert Schweitzer, o homem de quem ela tinha ouvido falar quando era criança, estava fazendo uma de suas visitas periódicas à Europa e estava em Gunsbach. Ela ligou para a secretária de Schweitzer solicitando uma consulta, que foi concedida para o dia seguinte. Quando Marion chegou a Gunsbach, descobriu o missionário tocando o órgão no templo do lugar. Ela ouviu a música e o ajudou virando as páginas da partitura para ele. Ele a convidou mais tarde para comer juntos em sua casa; no final do dia ela sabia que tinha encontrado o que procurara por toda a sua vida. Marian acompanhou Schweitzer durante todo o resto de sua estadia na Europa e quando ele voltou para a África ele a convidou para ir a Lambarene e trabalhar no hospital.
Ela fez isso, e se encontrou. Lá em Lambarene, a jovem que nasceu em um castelo e cresceu como uma princesa, acostumada a viver com todos os tipos de luxos e como uma mulher caprichosa, se tornou uma servente. Dedicou-se a trocar ataduras, dar banho nas crianças e alimentar leprosos ... e se libertou. Marion escreveu sua autobiografia e intituladou All I Euer Wanted Was Everything (Tudo que eu sempre quis foi tudo). Ela não conseguiu o "tudo" que lhe daria satisfação e significado até que ela desse tudo. Quando ela morreu em 1979, o jornal New York Times inseriu a notícia em sua coluna obituária, que incluía uma frase de Marion: "Albert Schweitzer disse que existem apenas dois tipos de pessoas neste mundo: aquelas que ajudam e aquelas que não ajudam. Eu sou alguém que tentou ajudar".
José Luis Matínez: 503 Ilustraciones Escogidas (tradução de Cidadania Evangélica)


terça-feira, 11 de março de 2014

Conheça o homem que 'adotou um útero' e iniciou uma revolução na Índia

Muruganantham
Muruganantham demorou anos para conseguir criar uma máquina que faz absorventes baratos
Um homem simples de uma família pobre na Índia revolucionou a saúde feminina em países de baixa renda ao inventar uma máquina que produz absorventes baratos.
Para testar o produto, ele até criou um "útero artificial", com uma bexiga e sangue de cabra. Num país extremamente conservador e supersticioso, os experimentos de Arunachalam Muruganantham para desenvolver sua invenção tiveram grande custo pessoal - ele quase perdeu sua mulher, sua mãe e chegou a ser expulso de onde vivia. Mas manteve seu senso de humor.
"Tudo começou com a minha mulher", diz. Em 1998, ele era recém-casado e seu mundo girava em torno de sua esposa, Shanthi, e sua mãe viúva. Um dia ele viu que Shanthi estava escondendo alguma coisa dele. Ficou chocado ao descobrir o que era - "trapos asquerosos" que ela usava durante a menstruação.
Quando ele perguntou por que ela não usava absorventes higiênicos, ela disse que não sobrariam recursos para comprar o leite.
Querendo impressionar sua jovem esposa, Muruganantham foi à cidade para comprar absorventes. O produto foi entregue a ele apressadamente, como se fosse contrabando. Ele o pesou em sua mão e se perguntou porque 10 gramas de algodão, que na época custava dez paise (o equivalente a menos de um centavo de real), eram vendidos por 4 rúpias (cerca de R$ 0,40) - 40 vezes mais. Ele decidiu que poderia fazer absorventes mais baratos.
Ele produziu um absorvente caseiro de algodão e deu a Shanthi, exigindo retorno imediato. Ela disse que ele teria que esperar por algum tempo - só então Muruganantham se deu conta de que a menstruação era mensal.
"Eu não posso esperar um mês para cada avaliação, vai demorar duas décadas (para aperfeiçoar o produto)!", afirmou. Ele precisava de mais voluntárias.

O tamanho do problema

Muruganantham descobriu, então, que quase nenhuma mulher nas aldeias vizinhas usava absorventes - menos de uma em cada dez. Suas descobertas foram comprovadas por uma pesquisa realizada em 2011 pela AC Nielsen, encomendada pelo governo indiano, que constatou que apenas 12% das mulheres em toda a Índia usavam o produto.
Muruganantham diz que nas áreas rurais o uso é ainda mais raro. Ele ficou chocado ao saber que as mulheres não só usavam trapos velhos, mas outras substâncias como areia, serragem, folhas e até cinzas.
As mulheres que fazem uso de panos muitas vezes sentem vergonha de secá-los ao sol, o que significa que eles não são desinfectados. Aproximadamente 70% de todas as doenças reprodutivas na Índia são causados por falta de higiene menstrual - que também pode influenciar a mortalidade materna.
Encontrar voluntárias para testar seus produtos não foi tarefa fácil. Suas irmãs se recusaram. Então, ele teve a idéia de se aproximar de mulheres estudantes na faculdade de medicina local.
Apesar dos obstáculos culturais que dificultam esse tipo de abordagem, ele conseguiu convencer 20 alunas a experimentar seus absorventes. Só que no dia em que ele foi recolher os formulários de avaliação, viu três delas respondendo às pressas. Essas opiniões não eram confiáveis, pensou.
Foi então que o inventor decidiu testar os produtos em si mesmo. "Eu me tornei o homem que usava um absorvente", diz ele .
Ele "criou um útero" fazendo alguns furos em uma bexiga de futebol e enchendo-a com sangue de cabra. Um ex-colega de classe, um açougueiro, passava em sua porta e tocava a campainha da bicicleta sempre que ele ia matar uma cabra. Muruganantham recolhia o sangue e misturava com um aditivo que recebeu de outro amigo em um banco de sangue para evitar que coagulasse muito rapidamente - mas isso não melhorava o cheiro.
Muruganantham caminhava, pedalava e corria com a bexiga de futebol debaixo de suas roupas tradicionais, constantemente bombeando sangue para testar as taxas de absorção de seu absorvente. Todo mundo pensou que tinha enlouquecido.
Muruganantham mexe em sau máquina
A máquina criada por Muruganantham é de fácil uso e manutenção
Ele costumava lavar suas roupas ensanguentadas em um poço público e toda a aldeia concluiu que ele tinha uma doença sexual. Amigos passaram a evitá-lo. "Eu tinha me tornado um pervertido", conta o inventor.
Ao mesmo tempo, sua esposa saiu de casa. "Então você vê o senso de humor de Deus", diz ele no documentário Menstrual Man ("Homem Menstruado", em tradução livre). "Eu comecei a pesquisa para minha esposa e, depois de 18 meses, ela me deixou!"
Mas ele perseverou nos seus objetivos e resolveu analisar absorventes usados. Esta idéia trazia ainda mais risco em uma comunidade tão supersticiosa. "Mesmo se eu pedir apenas um fio de cabelo de uma senhora, ela suspeitaria que eu estou fazendo alguma magia negra para hipnotizá-la", observa.
Ainda assim, ele conseguiu ajuda mais uma vez das estudantes de medicina. O problema é que sua mãe, ao vê-lo trabalhando com aquilo, ficou horrorizada, chorou e também o deixou. "Foi um problema. Eu tinha que cozinhar minha própria comida", disse.
Mais ainda estava por vir. Muruganantham teve que abandonar a cidade para evitar ser pendurado de cabeça para baixo em uma árvore por seus vizinhos que acreditavam que assim o currariam dos maus espíritos que o haviam possuído.

A descoberta

O maior mistério para ele era descobrir do que os absorventes que funcionavam com sucesso eram feitos, mas era difícil conseguir que a indústria revelasse seu segredo. Ainda assim, mandou algumas mostras para análises em laboratório, fez contato com empresas do setor e, após dois anos e três meses, descobriu que o insumo necessário era a celulose, retirado de casca de árvore.
Mas ainda havia um obstáculo - a máquina necessária para transformar este material em pastilhas custava milhares de dólares. Ele teria que criar o seu próprio.
Quatro anos e meio depois, ele conseguiu criar um método de baixo custo para a produção de absorventes. O processo envolve quatro etapas simples. Em primeiro lugar, uma máquina semelhante a um moedor de cozinha transforma a celulose dura em um material esponjoso, que é em seguida embalado em bolos retangulares com outra máquina. Os bolos são então envoltos com uma espécie de tela e desinfectados em uma unidade de tratamento ultravioleta. Todo o processo pode ser aprendido em uma hora.
O objetivo da Muruganantham era criar uma tecnologia fácil de usar. O objetivo não era apenas aumentar o uso de absorventes higiênicos, mas também para criar empregos para as mulheres na área rual - mulheres como sua mãe.
Após a morte de seu marido em um acidente de estrada, a mãe de Muruganantham teve que vender tudo que possuía e trabalhar como lavradora. Ganhava apenas US$ 1 por dia, que não era suficiente para sustentar quatro filhos. É por isso que, com 14 anos, Muruganantham deixou a escola para encontrar trabalho.
As máquinas criadas pelo inventor são deliberadamente simples e têm estrutura aberta para facilitar a manutenção pelas mulheres. Quando ele mostrou o primeiro modelo, feito basicamente de madeira, os cientistas do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT) foram céticos.
"Como este homem vai competir com as multinacionais?", questionaram.
Mas o objetivo não era realmente competir. "Estamos criando um novo mercado", disse.
Mulheres trabalhando
A invenção criou empregos para mulheres em regiões pobres do país

Reencontro

Sem que ele soubesse , o IIT inscreveu sua máquina em uma competição por um prêmio nacional de inovação. Ele ficou em primeiro lugar, entre os 943 competidores. O inventor recebeu o prêmio do então presidente da Índia, Pratibha Patil - de repente, ele estava no centro das atenções .
"Foi a glória instantânea, mídia piscando na minha cara, tudo", lembra ele. "A ironia é que, depois de cinco anos e meio, eu recebo uma ligação - a voz rouca diz: Lembra de mim?"
Era a esposa, Shanthi. Ela não estava completamente surpresa com o sucesso de seu marido. "Toda vez que conhece algo novo, quer saber tudo a respeito", disse ela. "E então quer fazer algo que ninguém mais fez antes."
No entanto, não era fácil conviver com este tipo de ambição. Não só ela ficou chocada pelo seu interesse em tal assunto, mas ele investiu todo o seu tempo e dinheiro - na época, eles quase não tinham recursos para comer. E os problemas foram agravados pela fofoca.
"A coisa mais difícil foi quando os moradores começaram a nos tratar muito mal", contou. "Havia rumores de que ele estava tendo casos com outras mulheres e por isso estava fazendo essas coisas." Ela decidiu voltar para casa para viver com sua mãe.
Após Shanthi, a própria mãe de Muruganantham e os antigos vizinhos - que o haviam criticado – voltaram atrás.
Muruganantham poderia ficar rico patenteando sua invenção – uma máquina de fazer absorventes baratos. "Mas eu não queria, porque eu sei que nenhum ser humano morre por causa da pobreza, tudo acontece por causa da ignorância."

Tabus

Ainda existem muitos tabus em torno da menstruação na Índia. As mulheres não podem visitar templos ou locais públicos, elas não estão autorizados a cozinhar ou tocar o abastecimento de água, por exemplo.
Muruganantham levou 18 meses para construir 250 máquinas, que ele destinou para a região mais pobre da Índia, no norte do país. Ele acreditava que se conseguisse difundir seu produto em um local tão conservador, conseguiria em qualquer outro lugar.
Para falar com as mulheres, era preciso permissão do pai ou marido. Há também mitos e medos que envolvem o uso de absorventes - que as mulheres que usam ficam cegas, por exemplo, ou nunca vão se casar. Mas, lentamente, aldeia por aldeia, houve aceitação cautelosa e, ao longo do tempo, as máquinas atingiram 1,3 mil aldeias, em 23 estados.
Marcas de absorventes baratos
Cada local de produção, pode criar suas próprias marcas
São as mulheres que produzem e vendem o produto diretamente às clientes e explicam seu uso, pois lojas são geralmente gerenciadas por homens. As compradoras muitas vezes nem pagam com dinheiro, trocam os absorventes por cebolas e batatas.
A maioria dos clientes da Muruganantham são ONGs e grupos de ajuda a mulheres. Uma máquina manual custa cerca de 75 mil rúpias indianas (cerca de R$ 2,8 mil) – uma semiautomática é mais cara. Uma máquina atende as necessidades de 3 mil mulheres e dá emprego a dez. Eles podem produzir 200 a 250 absorventes por dia, cuja unidade é vendida em média por 2,5 rúpias (R$ 0,01). Cada local de produção pode criar sua própria marca.
Muruganantham também trabalha com escolas - 23% das meninas abandonam a educação, uma vez que começam a menstruar. Agora as estudantes fazem seus próprios absorventes. "Por que esperar até que elas sejam adultas? Por que não dar poder às meninas?"

Expansão

O governo indiano anunciou recentemente que iria distribuir produtos sanitários subsidiados para as mulheres mais pobres. Foi um golpe para Muruganantham que não foi escolhido para o trabalho. Mas agora ele tem os olhos voltados para o resto do mundo.
"Meu objetivo era criar um milhão de postos de trabalho para as mulheres pobres, mas por que não 10 milhões de empregos em todo o mundo?", pergunta ele. Ele está expandindo o modelo para 106 países, incluindo Quênia, Nigéria, Filipinas e Bangladesh.

Muruganantham agora vive com sua família em um apartamento modesto. Ele não tem nenhum desejo de acumular bens. "Eu tenho acumulado nenhum dinheiro, mas um monte de felicidade", diz ele. "Se você fica rico, você tem um apartamento com um quarto extra - e então você morre."

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Maria, Mãe, Mulher - um poema contra a violência


Ele fez o que não podia fazer
Ele bateu nela, fez ela sofrer
Porque esse querer?
Esse abuso de poder?
Esse ódio volta em dobro para você.
Meu pai, vejo-te como um monstro,
Cruel, covarde, que destruiu  nossos sonhos.
Mãe não chora, eu amo a senhora
Vamos sair dessa casa, vamos embora!
Meu pai é muito ciumento,
Um louco, psicopata sem sentimento,
Para mim não é exemplo
Destruiu nossa família
Devastou com a nossa vida
Deixou muitas feridas que o tempo não cicatriza
Um homem que não honrou sua casa
Maltratava minha mãe, a machucava
Mano, sem noção,
Mostrou-se um nada
... nosso pai, nosso vilão.

Quantas vezes eu senti
Não bateu em mim, mas eu quase morri.
O soco na cara,
O empurão, a pesada,
A cotovelada, a facada
Doeu na alma,
Ver minha mãe se afogar no próprio sangue
Não conseguir dormir porque o hematoma é muito grande
Nada podia fazer
Era pequeno, eu era um bebê
Quando ele vinha me bater
Não sabia me defender
Misericórdia Deus, não deixa-nos morrer
Livra-nos das mãos do opressor
Do pai que espancou, humilhou
Também mentiu no seu amor
O que ele fez com você não está escrito
Meu pai, nosso inimigo
Prometo mãe você nunca mais sofre
Nunca mais você morre
Nunca mais será humilhada por alguém que se acha o FORTE.

Ele foi teu dono e não teu esposo
Te encheu de soco
Um louco
Em mulher não se bate
Mulher se ama, e ama quem sabe
Esse tipo de monstro tem que aprender
Na dor do sofrer aí vai saber
Que a mulher é o perfume do homem desde o nascer
Incrível é que no início
Ele era um anjo e queria ter filhos
Mas com o passar do tempo se transformou
Dormia fora, esquecia a hora, não tinha amor
O culpado foi o álcool
O boteco, o salário
Mas não argumenta seus atos
Para quem despejou tapas, chutes, puxões de cabelo
Agressões psicológicas, xingamentos e muito medo
Faltou coragem para nós denunciarmos
Ligar, falar, policia vem cá
Esse homem pôs nossa auto-estima na lama
Queria minha mãe só na cama
...ah se eu não tivesse na barriga ele estava em cana.  

Acho que é baseado em fatos reais.    
Denuncie, ligue 180!
Paulo Diego
Visite o blog do autor: http://paulodiegobrasil.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Em prol do feminismo, leis acobertam o infanticídio


Um dos principais "costumes" da "cultura" indígena foi (e ainda é) o infanticídio. Assim como na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos, o infanticídio indígena só muda de aspecto porque era mais rude, mais cruel, mais bárbaro, como se diz. Que diferença para o infanticídio praticado e permitido pelas leis modernas? A propósito, vale a pena ler o texto que extraímos do blog português Perspectivas ao comentar a permissividade criminosa das leis portuguesas (que são cópia de outras de outros países europeus).

O estatuto da mulher atingiu no nosso ordenamento jurídico foros de escândalo. A mulher tem um direito que o homem não tem nem nunca terá: o de poder matar outro ser humano sem culpa ou culpa mitigada. Trata-se de um estatuto de semi-deusa que lhe permite poderes de divindade.Segundo o nosso ordenamento jurídico, e para além do aborto indiscriminado e usado como um método anticoncepcional, a mulher tem direito de vida e de morte sobre um bebé recém-nascido.
Reparem no caso de uma mãe que matou um filho seu à nascença e de forma premeditada, e segundo a lei que temos não é sujeita a prisão preventiva, apesar do artigo 136 do Código Penal definir um quadro pena de prisão de 1 a 5 anos. Agora imaginem que em vez de ter sido a mãe a matar o recém-nascido, tinha sido o pai do bebé a cometer o crime: neste caso, já não se aplicava o crime de infanticídio com pena de 1 a 5 anos, mas de homicídio simples (8 a 16 anos de prisão) ou mesmo de homicídio qualificado que pode ir até 25 anos de prisão. Portanto, a lei está feita de forma a atenuar ou desculpar o crime de sangue praticado pela mulher, e esta realidade terá que ser erradicada do nosso direito positivo.
Acontece que essa mãe assassina, para além de não ter sido detida preventivamente e continuar a fazer a sua vidinha normal, está novamente grávida, e dizem os psicólogos que ela pode matar outra vez. Entretanto, o direito positivo marcadamente de esquerda que temos faz de conta que a realidade não existe.
A nossa Justiça chegou a um ponto que só será redimida através de uma política de direita conservadora.
A situação da nossa justiça chegou a este absurdo porque a esquerda tem um conceito determinístico do comportamento do ser humano, e faz reflectir esse preconceito negativo ― segundo o qual o ser humano é exclusivamente um produto das suas circunstâncias ― na feitura das leis, partindo do princípio de que perante o determinismo causal das circunstâncias, o ser humano não pode agir de outra maneira senão daquela que agiu. Este tipo de raciocínio determinístico, que é característica da esquerda, levará, a breve trecho, à descriminalização da pedofilia, por exemplo, tendo como base argumentos genéticos ou de índole semelhante. Ou então, o assassino poderá explicar ao juiz que o seu acto resultou inevitável e inexoravelmente de uma sua predisposição genética ou de um processo programado no cérebro, existindo um determinismo causal idêntico ao fenómeno em que a um trovão se segue um raio.
O determinismo da esquerda (característica do materialismo), que se aplica também ao comportamento humano, tem como objectivo, no caso da moral e da ética, o de relativizar o juízo de modo a que este se faça de forma arbitrária e sujeita a um controlo político. A moral, segundo a esquerda, passa a ser ditada por critérios políticos. A evidência de que a esquerda pretende irracionalizar o ser humano está bem patente numa lei em que uma mãe mata o seu próprio filho e continua em liberdade para poder possivelmente matar outro, e isto só porque pertence a um determinado sexo ― que poderia ser um grupo social minoritário ou cultural, como é o caso dos gays. Se um gay mata alguém tem sempre atenuantes perante a justiça que um não-gay nunca terá.
Quem afirma que todos os actos das pessoas são determinados por leis físicas ou psicológicas, arranja um problema grave, porque afirma que o ser humano nem é livre nem é responsável pelas consequências dos seus actos. Para responsabilizar alguém é sempre necessária a prova de que a pessoa agiu livremente e que, portanto, tinha podido omitir a sua acção.
Num mundo que é dirigido exclusivamente pelas leis da natureza, o conceito de justiça não tem qualquer sentido, passa a ser um absurdo. E é para esse absurdo que o conceito de justiça da esquerda nos leva.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Ex muçulmana: "Há muito tempo esse Islã deixou de fazer sentido"

Mina Ahadi: 'O Islã se voltou contra os mulçumanos' (Julien Chatelin/Laif)

A iraniana Mina Ahadi mora há catorze anos na Alemanha, mas pouquíssimos amigos sabem exatamente onde. Desde que ela criou o Conselho de Ex-Muçulmanos, entidade de apoio a pessoas que abdicaram da fé islâmica, passou a receber ameaças de morte que a obrigam a viver quase reclusa. Renunciar ao Islã é considerado entre muçulmanos uma ofensa grave, punível com pena de morte em países como o Irã, que Mina foi obrigada a deixar depois que os aiatolás tomaram o poder, em 1979. Então uma líder estudantil, ela foi perseguida pela Guarda Revolucionária, teve o marido executado e sua cabeça posta a prêmio. Conseguiu asilo político na Áustria e depois se mudou para a Alemanha, onde hoje chefia os Comitês contra a Execução e o Apedrejamento. Mina Ahadi falou a VEJA em um hotel em Colônia. 

A senhora foi uma das pessoas que mais lutaram para que Sakineh Ashtiani - acusada de adultério e, mais tarde, de participação na morte do marido - não fosse executada por apedreja-mento. Como se sentiu ao ouvi-la dizer em entrevista à televisão estatal: “Mina Ahadi, afaste-se de mim, não é da sua conta se eu sou uma pecadora”?
Sei que Sakineh está sob pressão e foi forçada a dizer isso para se salvar. Isso não me incomoda. Também seu filho foi obrigado a declarar diante das câmeras que acredita na culpa da mãe. Mas eu penso que Ahmadinejad (o ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad) vai precisar de outra vítima para demonstrar a sua força. Sakineh já está salva. Por quê? Graças à repercussão que o caso alcançou, o regime não pode mais executá-la - nem pública nem clandestinamente. O governo já está convencido disso. Apenas busca achar um meio de não sair desmoralizado do episódio. Todo esse processo, no fim, foi bom para o Irã. Chamou a atenção do mundo para a barbárie do regime. Antes do caso Sakineh, a preocupação dos países em relação ao Irã se limitava à questão nuclear.

Mas não há sinais de que o governo de Ahmadinejad esteja cedendo a essa pressão mundial. Pelo contrário, medidas recentes apontam para uma “talibanização” do regime, como a reforma curricular destinada a “livrar os estudantes da influência ocidental” e a proibição do uso de determinadas roupas e acessórios.
O Irã neste momento é um país muito instável e seus governantes estão perigosamente próximos dos mulás dos anos 80. Desde as manifestações de 2009 e a morte de Neda (a estudante Neda Agha Soltan, que, ferida por um tiro disparado por um membro da milícia islâmica, teve a agonia registrada em um vídeo que correu o mundo), o governo aumentou a pressão sobre os estudantes, as mulheres e os trabalhadores. Ele sabe que qualquer fagulha pode desencadear um incêndio. A derrubada do regime de Ben Ali (o ditador Zine El Abidine Ben Ali) na Tunísia deve fazer com que as medidas de repressão se intensifiquem ainda mais. As execuções, por exemplo, estão aumentando de maneira assustadora. E vêm sendo conduzidas de uma forma como fazia tempo não se via. Os nomes dos executados voltaram a ser publicados nos jornais oficiais. Na semana passada, eles trouxeram mais dez. Desde janeiro, a média no país tem sido de uma execução a cada oito horas.

Quais são os crimes que mais têm resultado na pena de execução?
As execuções por acusação de envolvimento com drogas têm sido muito frequentes. Há duas semanas, um jovem de 23 anos foi morto por portar 50 gramas de heroína. No início do mês, outro jovem, acusado de esfa-quear um amigo em outubro do ano passado, recebeu cinquenta chibatadas. No dia seguinte, 5 de janeiro, ele foi enforcado em praça pública. Isso se passou em Teerã - não numa vila longínqua, mas na capital do país. A TV estatal mostrou-o caminhando para a execução com as mãos amarradas e o olhar muito assustado (assista ao vídeo). Depois, um repórter entrevistou parentes da vítima e outras pessoas na multidão, perguntando o que haviam achado do que viram. Em todas as entrevistas que foram ao ar, os entrevistados declararam considerar aquela execução positiva e agradeceram ao presidente pela medida.

Execuções públicas são frequentes em Teerã?
Não, fazia muito tempo que isso não ocorria. Trata-se, claramente, de uma nova tática do regime para infundir o terror na população. As prisões estão lotadas. Há, inclusive, crianças e adolescentes aguardando fazer 18 anos para ser executados. Praticamente todos os dias eu recebo chamadas de condenados me pedindo ajuda. Ontem à noite, minha filha pediu que eu desligasse o celular: “Mãe, vamos ver um filme sossegadas. Vamos ficar pelo menos uma noite sem ouvir más notícias”. Eu desliguei o aparelho, e hoje de manhã havia sete mensagens, uma delas com voz de criança. Ela falava baixo, provavelmente porque não podia falar alto: “Por favor, por favor, atenda o telefone, eu preciso de ajuda”.

Que crime essas crianças e adolescentes cometeram?
Alguns são acusados de assassinato, outros de envolvimento com drogas. Mas os julgamentos muitas vezes se baseiam no testemunho de uma única pessoa, ou num comportamento que o estado considera criminoso, como o sexo entre dois homens ou duas mulheres. Estou em contato com a família de dois adolescentes presos porque um deles gravou no seu celular cenas de sexo que teve com o outro e as imagens caíram nas mãos da polícia. Foram condenados à morte por apedrejamento. Como acontece muitas vezes, os familiares não querem ajuda.

Por vergonha?
Para não terem sua reputação comprometida. Eles preferem que os jovens fiquem presos.

Preferem inclusive que sejam apedrejados?
Eles não querem que o caso venha a público. O pai de um desses jovens me disse: “Deixe a nossa família em paz”. Para os homens, principalmente, trata-se de uma desonra muito grande. Agora, estou tentando entrar em contato com as mães desses rapazes.

A senhora pode descrever uma execução por apedrejamento?
Ela acontece em geral ao amanhecer. A pessoa condenada tem as mãos amarradas nas costas e é envolta em uma mortalha branca. Fica totalmente embrulhada nesse pano, o rosto também. Então, é colocada de pé num buraco fundo e coberta de terra até o peito, no caso das mulheres, e até a cintura, no caso dos homens. Dependendo da condenação, é o juiz quem atira a primeira pedra. Mas pode ser também uma das teste-munhas. Se a vítima é uma mulher sentenciada por adultério, por exemplo, tanto o seu marido quanto a família dele podem lançar as primeiras pedras. A lei diz que elas têm de ser grandes o suficiente para machucar a vítima, mas não para matá-la no primeiro ou segundo golpe.

Quanto tempo ela leva?
Pode levar quinze minutos, pode levar mais de uma hora. Um médico fica no local para, de tempos em tempos, verificar se o apedrejado ainda está vivo. Até o fim dos anos 80, o apedrejamento no Irã era um ritual público - assim ordenava a lei. O horário e o local eram anunciados no rádio, nos jornais e na TV. Qualquer um podia comparecer. Mas houve alguns episódios em que as pessoas se manifestaram contra a prática. Num deles, chegaram a atirar pedras contra os mulás presentes. Em 1997, na cidade de Bukan, o apedrejamento de uma mulher acusada de adultério acabou suspenso devido aos protestos e à interferência da multidão. A mulher - seu nome é Zoleykhah Kadkhoda - foi levada ao hospital quase morta, mas sobreviveu e está viva até hoje. Depois disso, as execuções passaram a ser fechadas. Agora, a polícia religiosa é que atira as pedras.

Quantas pessoas estão condenadas ao apedrejamento hoje no Irã?
Mais de 100 pessoas já foram mortas dessa forma pelo estado desde 1979 e outras 27 aguardam na fila.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, posicionou-se publicamente contra a prática do apedrejamento, que classificou de barbárie. Qual a expectativa que a senhora tem desse novo governo?
O que eu espero da presidente Dilma é que ela faça o que seu antecessor não fez: que condene a situação dos direitos humanos no Irã e se recuse a manter relações diplomáticas com um regime assassino como o de Ahmadinejad, a quem Lula chamava de “amigo”.

A senhora foi perseguida pelo regime do xá Reza Pahlevi por suas atividades como líder estudantil. Com a Revolução Islâmica, tornou-se alvo dos aiatolás ao liderar um movimento contra o uso obrigatório do véu...
Sim, sim, mas não há comparação. Como líder estudantil em Tabriz, tive problemas durante o regime do xá: não podia ler alguns livros, dizer algumas coisas, tinha de me apresentar de tempos em tempos à polícia, mas era, por assim dizer, um jogo com regras claras. Com Khomeini, no entanto (o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do movimento que, em 1979, derrubou a monarquia iraniana e instalou a teocracia no país), tudo ficou muito mais brutal. Ele criou a Guarda Revolucionária, uma milícia cruel e impiedosa, principalmente para com as mulheres. Tínhamos de escolher entre o véu e as chibatadas. Quando fizemos essa manifestação contra o uso do véu, tudo transcorreu sem incidentes. Mas, no dia seguinte, quando cheguei à faculdade onde estudava medicina, não pude entrar. Havia um soldado da Guarda com uma lista de nomes de alunos que tinham sido expulsos. Eu cursava o último ano da faculdade, já trabalhava no hospital da universidade e não pude me formar.

Foi então que a senhora se exilou na Europa?
Não. Meu marido não foi expulso como eu e continuou seus estudos de física. Eu passei a trabalhar como operária na fábrica da Pepsi e, à noite, escrevia panfletos contra o regime. Tinha uma máquina de datilografar muito velha que fazia um tremendo barulho. Era preciso vedar a porta e a janela do nosso apartamento para poder bater os textos de modo a não chamar a atenção dos vizinhos. Um dia, quando voltava da fábrica para casa, vi um membro da Guarda parado em frente ao meu prédio. Dei meia-volta e não entrei. Eles levaram meu marido e cinco outras pessoas do nosso grupo que estavam hospedadas em casa, três homens e duas mulheres. Tirando as mulheres, que foram libertadas mais tarde, todos foram executados, inclusive meu marido. Eu consegui fugir para Teerã e, de lá, fui para o Curdistão. Depois, como asilada política, morei seis anos em Viena, na Áustria. Estou há catorze anos na Alemanha.

Aqui, na Alemanha, a senhora criou um comitê para muçulmanos que renunciaram à fé islâmica, o que lhe rende ameaças de morte até hoje. O que a motivou a fazer isso?
Acredito que, como eu, muitos imigrantes de países muçulmanos vieram para cá em busca de uma vida melhor, o que inclui mais liberdade. E essas pessoas não precisam estar fadadas a viver em uma sociedade paralela, em que as crianças não podem ter amigos de outro sexo ou frequentar aulas de natação por causa de uma religião na qual, eventualmente, elas não acreditam mais. O que nós queremos é romper esse tabu, é apoiar as pessoas na decisão de libertar-se desse Islã que se voltou contra os muçulmanos.

A senhora se considera uma ex-muçulmana?
Sim, desde os 15 anos, quando deixei de fazer minhas preces. Nas últimas décadas, em muitos lugares, o islamismo tornou-se uma ferramenta de manipulação política, e não uma religião restrita à esfera privada. Há muito tempo esse Islã deix
zA iraniana Mina Ahadi mora há catorze anos na Alemanha, mas pouquíssimos amigos sabem exatamente onde. Desde que ela criou o Conselho de Ex-Muçulmanos, entidade de apoio a pessoas que abdicaram da fé islâmica, passou a receber ameaças de morte que a obrigam a viver quase reclusa. Renunciar ao Islã é considerado entre muçulmanos uma ofensa grave, punível com pena de morte em países como o Irã, que Mina foi obrigada a deixar depois que os aiatolás tomaram o poder, em 1979. Então uma líder estudantil, ela foi perseguida pela Guarda Revolucionária, teve o marido executado e sua cabeça posta a prêmio. Conseguiu asilo político na Áustria e depois se mudou para a Alemanha, onde hoje chefia os Comitês contra a Execução e o Apedrejamento. Mina Ahadi falou a VEJA em um hotel em Colônia.

A senhora foi uma das pessoas que mais lutaram para que Sakineh Ashtiani - acusada de adultério e, mais tarde, de participação na morte do marido - não fosse executada por apedreja-mento. Como se sentiu ao ouvi-la dizer em entrevista à televisão estatal: “Mina Ahadi, afaste-se de mim, não é da sua conta se eu sou uma pecadora”?
Sei que Sakineh está sob pressão e foi forçada a dizer isso para se salvar. Isso não me incomoda. Também seu filho foi obrigado a declarar diante das câmeras que acredita na culpa da mãe. Mas eu penso que Ahmadinejad (o ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad) vai precisar de outra vítima para demonstrar a sua força. Sakineh já está salva. Por quê? Graças à repercussão que o caso alcançou, o regime não pode mais executá-la - nem pública nem clandestinamente. O governo já está convencido disso. Apenas busca achar um meio de não sair desmoralizado do episódio. Todo esse processo, no fim, foi bom para o Irã. Chamou a atenção do mundo para a barbárie do regime. Antes do caso Sakineh, a preocupação dos países em relação ao Irã se limitava à questão nuclear.

Mas não há sinais de que o governo de Ahmadinejad esteja cedendo a essa pressão mundial. Pelo contrário, medidas recentes apontam para uma “talibanização” do regime, como a reforma curricular destinada a “livrar os estudantes da influência ocidental” e a proibição do uso de determinadas roupas e acessórios.
O Irã neste momento é um país muito instável e seus governantes estão perigosamente próximos dos mulás dos anos 80. Desde as manifestações de 2009 e a morte de Neda (a estudante Neda Agha Soltan, que, ferida por um tiro disparado por um membro da milícia islâmica, teve a agonia registrada em um vídeo que correu o mundo), o governo aumentou a pressão sobre os estudantes, as mulheres e os trabalhadores. Ele sabe que qualquer fagulha pode desencadear um incêndio. A derrubada do regime de Ben Ali (o ditador Zine El Abidine Ben Ali) na Tunísia deve fazer com que as medidas de repressão se intensifiquem ainda mais. As execuções, por exemplo, estão aumentando de maneira assustadora. E vêm sendo conduzidas de uma forma como fazia tempo não se via. Os nomes dos executados voltaram a ser publicados nos jornais oficiais. Na semana passada, eles trouxeram mais dez. Desde janeiro, a média no país tem sido de uma execução a cada oito horas.

Quais são os crimes que mais têm resultado na pena de execução?
As execuções por acusação de envolvimento com drogas têm sido muito frequentes. Há duas semanas, um jovem de 23 anos foi morto por portar 50 gramas de heroína. No início do mês, outro jovem, acusado de esfa-quear um amigo em outubro do ano passado, recebeu cinquenta chibatadas. No dia seguinte, 5 de janeiro, ele foi enforcado em praça pública. Isso se passou em Teerã - não numa vila longínqua, mas na capital do país. A TV estatal mostrou-o caminhando para a execução com as mãos amarradas e o olhar muito assustado (assista ao vídeo). Depois, um repórter entrevistou parentes da vítima e outras pessoas na multidão, perguntando o que haviam achado do que viram. Em todas as entrevistas que foram ao ar, os entrevistados declararam considerar aquela execução positiva e agradeceram ao presidente pela medida.

Execuções públicas são frequentes em Teerã?
Não, fazia muito tempo que isso não ocorria. Trata-se, claramente, de uma nova tática do regime para infundir o terror na população. As prisões estão lotadas. Há, inclusive, crianças e adolescentes aguardando fazer 18 anos para ser executados. Praticamente todos os dias eu recebo chamadas de condenados me pedindo ajuda. Ontem à noite, minha filha pediu que eu desligasse o celular: “Mãe, vamos ver um filme sossegadas. Vamos ficar pelo menos uma noite sem ouvir más notícias”. Eu desliguei o aparelho, e hoje de manhã havia sete mensagens, uma delas com voz de criança. Ela falava baixo, provavelmente porque não podia falar alto: “Por favor, por favor, atenda o telefone, eu preciso de ajuda”.

Que crime essas crianças e adolescentes cometeram?
Alguns são acusados de assassinato, outros de envolvimento com drogas. Mas os julgamentos muitas vezes se baseiam no testemunho de uma única pessoa, ou num comportamento que o estado considera criminoso, como o sexo entre dois homens ou duas mulheres. Estou em contato com a família de dois adolescentes presos porque um deles gravou no seu celular cenas de sexo que teve com o outro e as imagens caíram nas mãos da polícia. Foram condenados à morte por apedrejamento. Como acontece muitas vezes, os familiares não querem ajuda.

Por vergonha?
Para não terem sua reputação comprometida. Eles preferem que os jovens fiquem presos.

Preferem inclusive que sejam apedrejados?
Eles não querem que o caso venha a público. O pai de um desses jovens me disse: “Deixe a nossa família em paz”. Para os homens, principalmente, trata-se de uma desonra muito grande. Agora, estou tentando entrar em contato com as mães desses rapazes.

A senhora pode descrever uma execução por apedrejamento?
Ela acontece em geral ao amanhecer. A pessoa condenada tem as mãos amarradas nas costas e é envolta em uma mortalha branca. Fica totalmente embrulhada nesse pano, o rosto também. Então, é colocada de pé num buraco fundo e coberta de terra até o peito, no caso das mulheres, e até a cintura, no caso dos homens. Dependendo da condenação, é o juiz quem atira a primeira pedra. Mas pode ser também uma das teste-munhas. Se a vítima é uma mulher sentenciada por adultério, por exemplo, tanto o seu marido quanto a família dele podem lançar as primeiras pedras. A lei diz que elas têm de ser grandes o suficiente para machucar a vítima, mas não para matá-la no primeiro ou segundo golpe.

Quanto tempo ela leva?
Pode levar quinze minutos, pode levar mais de uma hora. Um médico fica no local para, de tempos em tempos, verificar se o apedrejado ainda está vivo. Até o fim dos anos 80, o apedrejamento no Irã era um ritual público - assim ordenava a lei. O horário e o local eram anunciados no rádio, nos jornais e na TV. Qualquer um podia comparecer. Mas houve alguns episódios em que as pessoas se manifestaram contra a prática. Num deles, chegaram a atirar pedras contra os mulás presentes. Em 1997, na cidade de Bukan, o apedrejamento de uma mulher acusada de adultério acabou suspenso devido aos protestos e à interferência da multidão. A mulher - seu nome é Zoleykhah Kadkhoda - foi levada ao hospital quase morta, mas sobreviveu e está viva até hoje. Depois disso, as execuções passaram a ser fechadas. Agora, a polícia religiosa é que atira as pedras.

Quantas pessoas estão condenadas ao apedrejamento hoje no Irã?
Mais de 100 pessoas já foram mortas dessa forma pelo estado desde 1979 e outras 27 aguardam na fila.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, posicionou-se publicamente contra a prática do apedrejamento, que classificou de barbárie. Qual a expectativa que a senhora tem desse novo governo?
O que eu espero da presidente Dilma é que ela faça o que seu antecessor não fez: que condene a situação dos direitos humanos no Irã e se recuse a manter relações diplomáticas com um regime assassino como o de Ahmadinejad, a quem Lula chamava de “amigo”.

A senhora foi perseguida pelo regime do xá Reza Pahlevi por suas atividades como líder estudantil. Com a Revolução Islâmica, tornou-se alvo dos aiatolás ao liderar um movimento contra o uso obrigatório do véu...
Sim, sim, mas não há comparação. Como líder estudantil em Tabriz, tive problemas durante o regime do xá: não podia ler alguns livros, dizer algumas coisas, tinha de me apresentar de tempos em tempos à polícia, mas era, por assim dizer, um jogo com regras claras. Com Khomeini, no entanto (o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do movimento que, em 1979, derrubou a monarquia iraniana e instalou a teocracia no país), tudo ficou muito mais brutal. Ele criou a Guarda Revolucionária, uma milícia cruel e impiedosa, principalmente para com as mulheres. Tínhamos de escolher entre o véu e as chibatadas. Quando fizemos essa manifestação contra o uso do véu, tudo transcorreu sem incidentes. Mas, no dia seguinte, quando cheguei à faculdade onde estudava medicina, não pude entrar. Havia um soldado da Guarda com uma lista de nomes de alunos que tinham sido expulsos. Eu cursava o último ano da faculdade, já trabalhava no hospital da universidade e não pude me formar.

Foi então que a senhora se exilou na Europa?
Não. Meu marido não foi expulso como eu e continuou seus estudos de física. Eu passei a trabalhar como operária na fábrica da Pepsi e, à noite, escrevia panfletos contra o regime. Tinha uma máquina de datilografar muito velha que fazia um tremendo barulho. Era preciso vedar a porta e a janela do nosso apartamento para poder bater os textos de modo a não chamar a atenção dos vizinhos. Um dia, quando voltava da fábrica para casa, vi um membro da Guarda parado em frente ao meu prédio. Dei meia-volta e não entrei. Eles levaram meu marido e cinco outras pessoas do nosso grupo que estavam hospedadas em casa, três homens e duas mulheres. Tirando as mulheres, que foram libertadas mais tarde, todos foram executados, inclusive meu marido. Eu consegui fugir para Teerã e, de lá, fui para o Curdistão. Depois, como asilada política, morei seis anos em Viena, na Áustria. Estou há catorze anos na Alemanha.

Aqui, na Alemanha, a senhora criou um comitê para muçulmanos que renunciaram à fé islâmica, o que lhe rende ameaças de morte até hoje. O que a motivou a fazer isso?
Acredito que, como eu, muitos imigrantes de países muçulmanos vieram para cá em busca de uma vida melhor, o que inclui mais liberdade. E essas pessoas não precisam estar fadadas a viver em uma sociedade paralela, em que as crianças não podem ter amigos de outro sexo ou frequentar aulas de natação por causa de uma religião na qual, eventualmente, elas não acreditam mais. O que nós queremos é romper esse tabu, é apoiar as pessoas na decisão de libertar-se desse Islã que se voltou contra os muçulmanos.

A senhora se considera uma ex-muçulmana?
Sim, desde os 15 anos, quando deixei de fazer minhas preces. Nas últimas décadas, em muitos lugares, o islamismo tornou-se uma ferramenta de manipulação política, e não uma religião restrita à esfera privada. Há muito tempo esse Islã deixou de fazer sentido. Hoje, para mim, ele significa apenas barbárie e crueldade.

Fonte: Veja
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