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domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Comuna Che Guevara (antigo Muxito)


Ligação Cidade-Campo no Bairro da Quinta da Calçada. Setembro de 1976.
Foto copiada do jornal página um


Andei por lá algumas vezes e até dormi lá (poucas), enquanto durou as chamadas ligações Cidade-Campo. Estas ligações, organizadas pelos GARA (Grupo de apoio à Reforma Agrária), eram a tentativa de venda directa dos produtos dos agricultores, eliminando os vários intermediários que existiam e existem no caminho até ao consumidor final. A Comuna Che Guevara fazia de posto abastecedor; recebia os carregamentos dos produtores e os vários bairros de Lisboa e outros locais iam lá abastecer-se e depois vendiam os produtos nos seus bairros a um preço incrivelmente baixo. Depois de vender os produtos íamos lá pagar e não antes. A Comuna Che Guevara, tinha imensas actividades paralelas, mas eu, só lá ia por causa desta. Estas ligações Cidade-Campo, davam muito trabalho. Íamos para lá aos sábados de madrugada: às 5 ou 6 da manhã ou então dormíamos lá de sexta para sábado e ajudávamos a descarregar os produtos dos agricultores. Depois, carregávamos os nossos produtos, para levar para os nossos bairros e chegados lá vendíamos os produtos aos moradores. As ligações Cidade-Campo no meu Bairro só duraram algumas semanas, porque tudo isto, assentava na carolice de alguns, outros iam só quando podiam ou lhes apetecia. No fundo foi como em todo o PREC, a maioria das pessoas estavam só a ver a “banda passar”. Das vezes que lá fui (creio que foi só em 1976), naquela altura já tinham cortado a luz e de noite tínhamos de ir às apalpadelas até aos quartos. Uma das vezes no corredor de acesso aos quartos, que fazia um V invertido, fui de encontro à parede (estava tudo ás escuras) e julguei que tinha partido todos os dentes da frente, porque só sentia o sangue a correr a jorros e não sentia os dentes, tudo por causa de um cão "serra da estrela", que por lá andava e passava a vida a rosnar e por isso, tropecei e fui de cara directa à parede. Logo de seguida deu-me tal fúria que fui direito ao cão disposto a dar cabo dele e ele percebeu e fugiu. Afinal só tinha rebentado com o lábio inferior e fiquei até hoje com uma cicatriz. Recordo ainda que o mobiliário era de boa qualidade e que ainda se podia nadar na piscina. Nessa altura não havia qualquer vandalismo, tentava-se fazer um trabalho em prol das populações e (como tudo na vida) foi bom enquanto durou. 


Sede da Comissão de Moradores do Rego em Lisboa. 1976.

A chegada dos produtos para venda à sede da Comissão de Moradores do Rego em Lisboa. 1976.

A chegada dos produtos para venda à sede da Comissão de Moradores do Rego em Lisboa. 1976.

Venda dos produtos na sede da Comissão de Moradores do Rego em Lisboa. 1976.


«No dia 7 de Março de 1975, um grupo de elementos da FSP e da LUAR, acompanhado por dezenas de populares, decidiu ocupar o hotel Muxito, no Seixal, para aí instalar serviços de apoio social. 25 anos depois, Vítor Brito, elemento da LUAR que encabeçou a ocupação, fala em obra social feita mas também no acolhimento, naquelas instalações, de forças da extrema esquerda que se precaviam contra as movimentações da direita. Durante algum tempo, o Muxito foi considerado a base das forças esquerdistas e era lá que se treinavam os tiros e o uso das armas. Até que, segundo conta Vítor Brito, o armamento desviado, caiu em mãos menos próprias e o caso deu para o torto. Dos objectivos que o moviam então, restam apenas os sonhos de um país melhor.» 
Muxito virou base da extrema esquerda. Entrevista de Pedro Brinca a Vítor Brito em www.setubalnarede.pt - 13-03-2000.


Noticia no jornal página um em Setembro de1976.

Auto-colante do 1º aniversário da Comuna Che Guevara.
Foto encontrada em ephemerajpp.com

O principio do fim: guerras entre a extrema-esquerda e o PC. Clique para ler.
jornal página um 30 Setembro 1976.


MEMÓRIA 30 ANOS DE PREC

CAMARADA “CHE”

«O complexo turístico do Muxito, em Vale de Gatos, Amora, concelho do Seixal, chama-se agora Comuna “Che” Guevara. A primeira existente em Portugal, dizem os fundadores, que lhe puseram aquele nome, em homenagem “a um grande amigo da liberdade dos povos, um camarada nosso, portanto”.
O Século deslocou-se ao local, que abrange uma área de 35 hectares, “entre os quais existe um pinhal com cerca de 10 mil pinheiros que nunca foram desbastados ou explorados”. São já 30 os participantes “na vida comunal” (nem todos a auferirem, por agora, vencimento), mas o “comité orientador” espera que esse número ultrapasse os 700, “logo que as instalações atingidas pela atitude reaccionária da ex-proprietária se encontrem recuperadas”.
Entre os projectos dos trabalhadores (que têm contado com “brigadas enviadas por empresas vizinhas, como sejam a Plessey, Gáslimpo, Lisnave, Siderurgia, Construtora Moderna, e até, do Arsenal do Alfeite”), o repórter salienta a criação de “creches, parques infantis, centros de apoio à 3ª idade, sector de repouso para a classe trabalhadora, centro cultural e ocupação dos tempos livres das crianças em idade escolar”.

Adelino Gomes
Público
22 Maio 2005

Ligação Cidade-Campo no Bairro da Quinta da Calçada. Setembro de 1976.


"foi um sonho lindo que acabou, houve aqui alguém que se enganou"
José Mário Branco




sábado, 28 de abril de 2012

Coisas do PREC: Lisboa 1976


Cartazes e Propaganda Política

Agit-Prop em Lisboa



Praça do Saldanha.

«A poluição propagandítistica e ideológica casava bem com o temperamento da generalidade do povo: as discussões de futebol ou nas famílias (por causa dos filhos, de dois palmos de terra arável ou de heranças) haviam dado lugar aos argumentos e contra argumentos sobre questões como o direito à habitação, o sexo antes do casamento, ou as últimas do Conselho da Revolução. No fundo, continuávamos iguais a nós próprios: românticos, generosos, gostando de festa e, sobretudo, opinativos e fervendo em pouca água. O desejo de convencermos cada português a ser um dos nossos tornava-nos, quase todos, intolerantes. A vontade de vencermos dava-nos persistência e levava-nos para a rua, em vagas de contínuas palavras de ordem, clamadas hora a hora. Ou escritas, de acesso fácil para todos. Assim sendo, o espaço público urbano tinha de ser disputado pelos diferentes partidos (umas dezenas). Em Lisboa parecia não restar a descoberto nem um milímetro quadrado e, como seria de esperar, a disputa acontecia corpo a corpo, em muitas ocasiões. Mesmo os mais calmos militantes defendiam por todos os meios a sua “dama”, isto é, a sua causa.» 
(Helena Pato em caminhosdamemoria.wordpress.com) Ler Tudo Aqui


Avenida Almirante Reis.


Rua do Ouro e Praça do Comércio.

 
Avenida da Liberdade e Avenida da República.


Praça do Comércio e Mercado do Lumiar.


Sé de Lisboa e Edificio Castil.


Cinema Monumental.


Cais do Sodré e Alcantara.

 

Chafariz do Largo do Rato e Cinema Monumental.

 

Praça de Santo António e Largo de Santa Bárbara.


Rua Brancamp, Praça de Santo António e Avenida Almirante Reis.


Sé de Lisboa e Rossio.


Estação Sul Sueste, Terreiro do Paço.


Estação de Correios de Santa Justa.


Faculdade de Ciências e Palácio Foz.


Estrela e Arroios.


Praça da Figueira.


Praça dos Restauradores e Instituto Superior Técnico.


 Praça Marquês de Pombal.


 Instituto Superior Técnico e Sanatório do Lumiar.


(fotos do Arquivo Fotográfico da CML)