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terça-feira, 24 de abril de 2012

Moscovo antes da Revolução


A RÚSSIA ANTES DE 1917


       Em 1894, subiu ao trono russo o czar Nicolau II. Desde o século XVI, o país era uma monarquia absolutista. A nobreza era proprietária de 25% das terras cultiváveis do país, e a grande maioria da população - mais de 80% - estava ligada direta ou indiretamente à terra.
   As condições de vida da maior parte dos camponeses eram péssimas. Em geral, eles habitavam moradia precária e sem ventilação. Alimentavam-se basicamente de pão preto, batata e torta de farinha de milho. Nas aldeias raramente havia escolas, e a maior parte da população era analfabeta.
   No plantio e na colheita eram usados instrumentos agrícolas antigos, como o arado de madeira e a foice. Apenas em algumas grandes propriedades adotava-se uma tecnologia moderna, que permitia o aumento da população.


   Nas cidades, a vida não era muito diferente da do campo. Em 1838, uma investigação feita pelo Conselho Municipal de Moscou, abrangendo milhares de casas dessa cidade, mostrou que grande parte da população vivia em péssimas habitações:
"... As escadas que conduzem aos sótãos, onde o povo reside, estão cobertas de toda espécie de imundície. As próprias habitações estão quase cheias de tábuas sujas sobre as quais se estendem colchões de palhas pestilentos, tendo os cantos tomados pela porcaria. O cheiro é desagradável e asfixiante".
   Com uma economia essencialmente agrária, a Rússia tinha poucas indústrias; a maior parte dela pertencia a proprietários estrangeiros, principalmente franceses, ingleses, alemães e belgas. No começo do século XX, um russo descrevia assim as condições de vida dos operários:
"Não nos é possível ser instruídos porque não há escolas, e desde a infância devemos trabalhar além de nossas forças por um salário ínfimo. Quando desde os 9 anos somos obrigados a ir para a fábrica, o que nos espera? Nós nos vendemos ao capitalista por um pedaço de pão preto; guardas nos agridem a socos e cacetadas para nos habituar à dureza do trabalho; nós nos alimentamos mal, nos sufocamos com a poeira e o ar viciado, até dormimos no chão, atormentados pelos vermes..."



 UM CLIMA EXPLOSIVO


   Os problemas internos da Rússia se agravaram ainda mais após a guerra Russo-Japonesa (1904-1905). A origem do conflito foi a disputa entre os dois países por territórios na China e por áreas de influência no continente. A derrota ante os japoneses mergulhou a Rússia numa grave crise econômica e aumentou o descontentamento de diferentes grupos sociais com o czar Nicolau II. Começaram a ocorrer greves e movimentos reivindicatórios, duramente reprimidos pela polícia czarista.
   Num domingo de janeiro de 1905, trabalhadores de São Petersburgo, então capital do Império Russo, organizaram uma manifestação para entregar a Nicolau II um documento em que reivindicavam melhores condições de vida e melhores salários. Uma multidão de cerca de 200 mil pessoas, entre elas crianças e mulheres, dirigiu-se ao Palácio de Inverno, residência do czar. As tropas do governo, que estavam de prontidão, receberam os manifestantes com tiros de fuzil.
   O incidente, que ficou conhecido como Domingo sangrento, provocou conflitos em toda a Rússia.



   Tentando diminuir as tensões sociais, o czar criou a Duma, espécie de Parlamento. Contudo, os deputados eleitos das quatro primeiras dumas foram de tal maneira pressionados pelo czar que pouco puderam fazer.
   Esse ambiente contribuiu para a difusão e a aceitação das ideias socialistas - sobretudo as elaboradas pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels - entre os movimentos sociais russos. Assim, essas ideias se tornariam a base da Revolução Russa.
Em 1905, surgiram os sovietes de trabalhadores, conselhos que se encarregavam de coordenar o movimento operário nas fábricas. Os sovietes teriam papel decisivo na revolução de 1917. 
(In, portalbrasil.eti.br)






(fotos encontradas em LIFE Archive, sem indicações de data ou outras, excepto dizerem "Moscovo", em principio serão de entre 1895 a 1910)




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Margaret Bourke-White


Uma das fotos mais célebres de Margaret Bourke-White: Imagem de negros americanos vítimas de enchente fazendo fila para conseguir alimentos e roupas, tendo por traz um cartaz glorificando o estilo de vida americano. Kentucky, Louisville. 1937.

Indianos que transportam cargas de palha na cabeça, passando em frente da 
Grande Mesquita Muçulmana na parte velha da cidade de Deli na Índia, 1946.

Brigada de mulheres russas empunhando ancinhos para recolher a 
colheita do feno em uma quinta colectiva fora da capital, Moscovo, 1941.


Fotógrafa norte-americana, Margaret Bourke-White nasceu a 14 de junho de 1904, no Bronx, em Nova Iorque, Em 1921 entrou na Universidade de Michigan e, ainda enquanto caloira, começou a tirar fotografias para o anuário da instituição. Margaret ganhou dinheiro fotografando belas casas e jardins durante o dia, mas nos tempos livres dedicava-se a fotografar aquilo que realmente lhe interessava - predominantemente fundições, estruturas de aço, entre outras. O seu portfólio chamou a atenção dos maiores industriais de Cleveland, tendo feito trabalhos que lhe trouxeram dinheiro suficiente para mudar o seu estúdio. Em 1929, o editor Henry R. Luce convidou-a para colaborar numa nova revista semanal - a Time. Margaret sentiu-se, no entanto, mais entusiasmada com um outro projecto que estava também a ser planificado: a revista de negócios Fortune. Durante 8 meses preparou as imagens que iriam sair no primeiro número, em julho de 1929.

Margaret Bourke-White preparando-se para tirar uma foto no alto de um arranha-céus 
em Nova York, 1931 e Trabalhadores numa fábrica de fiação no Estados Unidos,1935.


Em 1930, decidiu partir para a Rússia, que se encontrava em plena revolução industrial e cultural. Mas a entrada no país estava vedada a estrangeiros e os seus editores não acreditavam que ela conseguisse passar a fronteira. Por isso, optaram por enviá-la para a Alemanha, para que fotografasse a indústria emergente. Margaret decidiu, no entanto, partir para a Rússia por sua conta e risco. Depois de seis semanas de espera, um oficial russo ficou tão impressionado com o seu portfólio, que lhe concedeu permissão de entrada, dando também indicações para que todos os cidadãos soviéticos a assistissem sempre que necessário. Durante cinco semanas, viajou por quase todo o país, fotografando barragens, fábricas, quintas, trabalhadores, etc. Ao todo tirou quase mil fotografias, que resultaram no primeiro grande documentário sobre a Rússia. Regressaria mais tarde, desta vez a convite do governo russo, mas em vez de se dedicar à habitual fotografia industrial, concentrou mais a sua atenção nas pessoas. A revista de domingo do New York Times publicou seis artigos seus sobre a viagem, juntamente com as fotografias.


Antena transmissora de rádio, 1935.

Pista de corrida em Churchill Downs submersa na água do rio Ohio, em 1937.

Criança americana chupando o dedo ao lado de uma gaiola com 
canários em um abrigo durante as cheias do rio Ohio, em 1937


No início dos anos quarenta, a Europa assistiu ao crescimento de tensões internas. Margaret foi enviada para a Rússia e, quando a 22 de julho de 1941 caíram as primeiras bombas em Moscovo, era o único fotógrafo estrangeiro no local. Foi o seu maior furo jornalístico e, consequentemente, também o da revista Life. Durante os quatro anos seguintes, continuou a fotografar cenários de guerra, desde mortos dos campos de concentração a líderes, tendo mesmo chegado a voar nos bombardeiros americanos durante os ataques para registar imagens da destruição. Já depois da Segunda Guerra Mundial, mais especificamente em 1946, a Life enviou-a para a Índia e para o Paquistão. Foi nesta missão que conseguiu fotografar Mahatma Gandhi durante uma entrevista, precisamente uma hora antes do seu assassinato. Uma destas imagens do líder da causa independentista da Índia acabaria por ficar para a História.

Parte da família Krupp (um dos maiores financiadores de Hitler) na biblioteca da Villa Hugel após requisição dos bens dos Krupp pelos aliados para uso por pessoal militar, 1945.

Moradores da cidade de Weimar andando de olhos afastados enquanto eram forçados pelos militares aliados a caminhar passando por uma pilha de cadáveres no pátio do campo de concentração de Buchenwald, 1945.

Vista aérea dos danos na cidade de Colónia na Alemanha 
após os ataques aéreos dos ingleses e americanos. 1945.


Em 1956 descobriu que tinha a doença de Parkinson e foi submetida a uma cirurgia experimental com vista a atenuar os efeitos da doença. A operação foi bem sucedida e Margaret regressou de novo ao trabalho na Life, embora como jornalista. Juntamente com o seu colega e amigo Alfred Eisenstaedt, fez uma história sobre o tipo de cirurgia a que tinha sido submetida que acabou por ser publicada alcançando grande popularidade. Depois de uma nova cirurgia começou a escrever a sua autobiografia, "Portrait of Myself". Em 1971 foi hospitalizada e a 21 de agosto desse ano morreu, com 67 anos. 
(In, Infopédia)

Mulheres ucranianas na colheita de trigo em uma fazenda coletiva em Kharkov, 1941.

Silhueta do Kremlin iluminada por balas tracejantes e explosões, após sete pára-quedistas 
nazis terem descido para fornecer luz para guiar os bombardeiros alemães, 1941.

A bailarina Semionova atando o seu sapato no Grande Teatro Bolshoi. 1931.

Gandhi sentado de pernas cruzadas no chão, enquanto lia o jornal na sua casa, 1946.


Sem titulo, Russia. 1941.

 Ensaio na África do Sul, 1950.

  Ensaio na África do Sul, 1950.

  Ensaio na África do Sul, 1950.

 Ensaio na África do Sul, 1950.





(Fotos de Margaret Bourke-White e LIFE Archive)