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terça-feira, 9 de abril de 2013

Cara, decote e voz

Volto a publicar este post de 2012, agora que soube 
pelos jornais que a grande Sara Montiel nos deixou.

SARA MONTIEL

ou Sarita Montiel


Coisas boas em jornais

Texto de
Manuel S. Fonseca
Expresso, 21-03-1992


TINHA truques. Na Cinemateca, numa das maiores apoteoses com que o público de Lisboa brindou uma estrela convidada, Sara Montiel, 64 anos, muito pouco vestida, e toda em rosa, num estilo que Almodóvar copia em «mui-to-po-bre», contou um dos seus truques favoritos. Filmava com Gary Coper. A cena era iluminada por um gigantesco projector de arco. Os olhos de Cooper eram só um traço, incapazes de se abrirem, tão violenta era a luz. Sara, pelo contrário, lá estava de olho arregalado. Cooper quis saber como é que ela conseguia. «Tenho um truque», disse ela. «Diz-me qual é», pediu-lhe o galã. «Não é de dizer, é de fazer», explicou ela, levando-o para um canto. Puxou de um frasquinho e deitou umas gotas em cada um dos olhos de Gary Cooper. «Anestésico», segredou Sarita a um Cooper que, durante quatro horas, passou a ter faróis em lugar de olhos.


«Na Cinemateca, numa das maiores apoteoses com que o público de Lisboa 
brindou uma estrela convidada, Sara Montiel, 64 anos, muito pouco vestida» 
Foto copiada do Expresso.

A carreira de Sara Montiel deve-se começar a ver pelo meio. Os primeiros anos foram, com efeito, anos de chover no molhado, filmando para poder continuar a levar o pão à boca. De Ti Quiero Para Mi (1944), a sua estreia aos 16 anos de idade, até Pequñeces (1950), nem ela pareceu interessar a câmara, nem os espectadores viram nela, e no que dela se podia ver, motivos para sobressalto.
Essa primeira fase espanhola já estaria esquecida e enterrada, se o caso de popularidade de Sanita não tivesse explodido, inopinadamente, na fase que se iniciou com El Ultimo Cuplé. Maltratada e mal paga, Sarita Montiel deixou, em 1950, a ingrata, espúria e mesquinha Espanha, procurando emprego e papéis mais adequados no então florescente cinema mexicano. Começou com Necessito Dinero e acabou com Yo no Creo en los Hombres, passando por Cárcel de Mujeres, títulos suficientemente sugestivos para descrever o tipo de ficção populista e as personagens primárias que incarnou.

Capa da «plaquete», editada pela Cinemateca em homenagem a Sara Montiel em 1992.

Foi por esses anos, de 50 a 54, que a sua presença começou a ganhar na tela parte das qualidades eróticas que seriam trampolim para a fama ibérica e latino-americana, qualidades que entretanto pode exercitar em Hollywood, primeiro no conhecido Vera Cruz, de Robert Aldrich, ao lado de Burt Lancaster e Gary Cooper, e logo a seguir em Serenade, de Anthony Mann (com o qual se casou), e em Run of The Arrow, de Samuel Fuller. O sol da Califórnia foi, todavia, de pouca dura.
Em Espanha lembraram-se, então, dela, convidando-a, em 1957, para um filme que ninguém queria fazer e muito menos alguém queria pagar. O que ninguém adivinhava é que a carreira de Sarita Montiel estava, nesse momento, naquele ponto exacto onde repousa toda a virtude, a meio. E ainda menos poderiam adivinhar que esse filme, El Último Cuplé, parecendo ser durante a rodagem quase uma humilhação para quem o fazia, se iria converter no maior sucesso popular do cinema espanhol, obrigando a apreciar a nova luz tudo o que Sarita tinha feito para trás e, sobretudo, criando expectativas para tudo o que a actriz iria fazer daí em diante.



Sara Montiel cantando Quizàs, Quizàs, Quizàs no filme 
Noches de Casablanca (1963) com Maurice Ronet.


Cara, decote e voz foram os três vértices do sucesso de Sarita, por obra e graça de El Ultimo Cuplé, convertida em avatar do erotismo ibero-americano, para uso de quarentões a cauterizar casamentos no mínimo enfadonhos. La Violetera, Carmen la de Ronda, Mi Ultimo Tango e La Reina del Chantecler tornaram-na, no final dos anos 50 e no começo da década de 60, objecto de devoção e de peregrinação das classes mais desfavorecidas, nas tintas para os dramas ideológicos ou de acção social que a sociedade espanhola politizada vivia. Hoje, seja como fenómeno «camp» seja por recuperação cinéfila, mais ou menos historicista, Sara, a bela Sara, voltou a despertar as velhas «loucuras de amor». «Esa mujer»!

Manuel S. Fonseca
Expresso, 21-03-1992



Excerto da entrevista do Expresso a Sara Montiel, pouco 

antes da homenagem da Cinemateca Portuguesa em 1992.



EXPRESSO — Sempre proclamou em público as suas ideias políticas de esquerda?
SARA MONTIEL — Nunca fui muito dada a provocações gratuitas. Mas recordo que no princípio dos anos 60, com Franco ainda bem vivo, Manuel Vazquez Montalbán fez-me uma entrevista que quase nos levou  à prisão! Tivemos então sérios problemas, só porque eu havia manifestado ideias e preocupações simplesmente liberais! De todos os modos, nunca me considerei uma mulher política. Aliás, voto socialista, mas nunca tive nem terei o «carnet» do PSOE.
EXPRESSO — Como grande vedeta espanhola e universal, terá sido recebida ou convidada alguma vez pelo general Franco?
SARA MONTIEL — Uma só vez e chegou! Foi durante um encontro colectivo de artistas, numa daquelas sinistras festas-recepções do regime franquista. Não troquei uma única palavra com o ditador, somente um frio aperto de mão. De qualquer maneira, era um regime que não tinha nada a ver com o mundo da cultura e do espectáculo — um mundo que, segundo Franco, só podia estar «infectado» de intelectuais liberais e progressistas, ou seja, de «comunistas». Sinto-me feliz por ter assistido à morte desse regime e por viver enfim numa Espanha democrática.
EXPRESSO — Até que ponto se identifica com a Espanha folclórica, a Espanha de Carmen, simbolizada de algum modo por Lola Flores?
SARA MONTIEL — Se tenho inveja de alguém, esse alguém é Lola Flores! E um autêntico monumento nacional, um, exemplo único, inimitável. Ninguém lhe chega aos calcanhares! A Pantoja? Essa não serviria sequer para lhe limpar os sapatos! São artistas como Lola Flores que fazem a grandeza de um país como Espanha, com uma personalidade forte e ímpar, o que não impede que seja também um país moderno, dinâmico e com uma boa imagem no exterior. Pretender que Lola Flores dá uma imagem negativa de Espanha é uma estupidez.
EXPRESSO — Como recebeu a notícia da homenagem da Cinemateca Portuguesa à filmografia de Sara Montiel?
SARA MONTIEL — Com uma grande alegria. Com o meu marido Pepe Tous e com os realizadores do meu programa «Ven al Paralelo» na TVE2, procurámos logo conciliar as datas das gravações e dos ensaios com uma viagem a Lisboa, uma cidade pela qual tenho uma paixão particular. Sempre mantive uma estreita e secreta relação com Portugal, uma relação «underground». Não tive, infelizmente, grandes contactos com os meios artísticos portugueses, mas quando oiço Amália Rodrigues cantar o fado estremeço dos pés à cabeça!

Entrevista de José Alves em Madrid
Expresso Março 1992


Destaque na Visão, num trabalho sobre o cinema espanhol.



terça-feira, 12 de março de 2013

Silvana Mangano - A Vénus dos arrozais



Silva Mangano em Arroz Amargo (Riso Amaro, 1949) de Giuseppe De Santis.
Foto de theredlist.fr


Coisas boas em jornais


A Vénus dos arrozais que a Censura proibiu
Texto de Vítor Pavão dos Santos 
Jornal Se7e
21-02-80



"Tudo hoje quer cinema italiano
P'ra ver de perto as pernas da Mangano
Dantes a Rita é que era o chamariz
Hoje a Silvana é que dá que falar
E então nas ruas andam velhos
Andam novos, andam ginjas
Anda tudo a perguntar
Mas onde é que está o gato?
Sei lá! Sei lá!
Mas onde e que está o gato?
Sei lá! Sei  lá!"

Era assim que a revista, comentadora infalível da vida portuguesa, pela voz da grande Hermínia Silva, assinalava, em 1953, em Lisboa antiga, a loucura que então provocava o cinema Italiano e as suas vedetas. Tudo começara, quando, em 1951, Silvana Mangano surgira desafiadora, no écran do Tivoli, camisola colada ao peito farto, calções molhados e pernas nuas, mergulhadas, até ao joelho, nos arrozais, em Arroz Amargo (Riso amaro, 48), desencadeando o desejo do «bom» Raf Vallone e do «cínico» Vittorio Gassmann, tão próxima, tão verdadeira, logo conquistando o espectador lisboeta, derrubando as imagens technicoloridas das pin ups sofisticadas, como Rita Hayworth ou Betty Grable. Mas não seria por muito tempo que o público poderia gozar da beleza de Silvana, já que a vigilante censura salazarista, também visivelmente perturbada, mandou retirar o filme de exibição, 14 dias após a estreia, alegando, entre outras idiotices, abundância de «mulheres em roupagens sumárias». E lá se foi a Silvana mondadeira (...). O escândalo do filme não era facto inédito, pois nos Estados Unidos também a legion of decency condenara Bitter Rice. Só que lá, o caso até serviu de publicidade ao filme, que rendeu a considerável soma de seis milhões de dólares. Mas por cá, tudo era bem diferente — tirava-se a fita de circulação e não se davam mais satisfações. 

Silvana Mangano e Dino De Laurentiis com as filhas em Monte Carlo. 1966. Carlo Bavagnoli.


Porém, o que a censura não podia impedir era que a imagem avassaladora da belíssima Silvana ganhasse o prestigio do fruto proibido. E o público, que esperava ansioso noticias dela, lá a conseguiu ver, em 1952, moldada pela combinação preta, indispensável acessório das vamps neo-realistas, em O Lobo da Calábria (Il lupo della Sila, 49), disputada mortalmente por Amadeo Nazzari e Jacques Sernas. E não ficou desiludido. Porém, o sucesso louco, que fez Lisboa andar com a cabeça à roda e esgotar semanas e semanas o Império, foi Anna (Anna, 51), onde La Mangano, com aquele seu ar indiferente e um tanto enjoado, ora era desvelada freira-enfermeira, ora, de quando em quando, recordava o seu passado de provocante cantora de cabaret fumarento, mais uma vez dividida entre o «bom» fazendeiro Raf Vallone e o «cínico» barman Vittorio Gassmann. Dolente, em estudadas poses coleantes, Silvana cantava, com a voz emprestada por uma qualquer cantora ignorada, uma melodia melancólica, T'ho voluto bene, e um remexido balão, o célebre Balão da Ana, cantigas que causaram um furor tremendo, e a telefonia tocava a toda a hora, sendo até gravadas pela Amália, a primeira com versos em português, do jovem poeta David Mourão-Ferreira. Nesse ano de 1953, Hermínia estava, portanto, absolutamente certa, a Silvana é que dava que falar, a tal ponto que, num inquérito da revista Plateia, 82 por cento dos seus leitores declararam ser ela a sua preferida.

Silvana Mangano e sua filha em Voivodina, Jugoslávia, durante as filmagens 
de Tempestade (La Tempesta, 1958) de Alberto Lattuada. 1958. Gjon Mili.


A serena «signora» de Laurentiis

Mas esta loucura não acontecia só por cá, mas um pouco por toda a parte. Filha de pai italiano e mãe inglesa, Silvana Mangano estudara dança, fora manequim e tentara o cinema, até que, em 1948, conhecera o produtor Dino de Laurentiis, com quem logo casara, o qual, cuidadosamente, preparara o seu lançamento. E o produto mostrara-se de tão boa qualidade que o dificílimo mercado americano se mostrava muito receptivo, a ponto do New York Times afirmar entusiasmado, ser miss Mangano uma mistura de Anna Magnani, com menos 15 anos, Ingrid Bergman, com temperamento latino, e Rita Hayworth, com 12 quilos a mais.
Perante esta aceitação internacional, Silvana apareceu, em 1954, em duas grandes produções italo-americanas. Um era Mambo, tentativa pouco conseguida de explorar o filão de  Anna, onde se entregava a danças ardentes, com o  ballet  negro de Katherine Dunham, casava com Michael Rennie, um conde hemofílico, e era mais uma vez tentada por Vittorio Gassmann, o seu «cínico» privativo. O outro, Ulisses (Ulisse), onde se desdobrava num duplo papel, a paciente e tecedeira Penélope e a feiticeira Circe, enredando, nos seus encantos, Kirk Douglas, o herói homérico desta supercolorida odisseia de cartão e purpurina.

Silvana Mangano, durante as filmagens de Tempestade (La Tempesta, 
1958) de Alberto Lattuada. Voilodina, Jugoslavia. 1958. Gjon Mili.


Entretanto, a extrema sensibilidade com que Silvana viveu uma amargurada prostituta, num dos sketchs de Oiro de Nápoles (L'ro di Napoli, 54), dirigida pelo seu grande amigo Vittorio de Sica, valeu-lhe ser distinguida com o  Nastro d'argento, para a melhor actriz italiana do ano, prémio que novamente conquistou, em 1964, pela criação da figura da condessa Edda Ciano, a célebre filha de Mussolini, em Il processo di Verona, um filme, nessa época, proibido em Portugal, e que ainda por cá não correu. Embora estas distinções tenham dissipado o preconceito generalizado de que as mulheres que se impõem pela beleza têm, por força, que ser más actrizes, a signora Di Laurentiis, olhando pelos filhos, no conforto da sua villa  romana, mostrava-se pouco interessada em se assumir superstar, limitando muito as suas aparições, ainda por cima geralmente breves, apesar da sua presença, sempre belíssima, ser, com frequência, a melhor coisa de algumas superproduções do seu marido, como A revolta dos cossacos (La tempesté,  58), d'aprés Pushkin, também se revelando uma excelente comediante, em  Crime (Crimen, 60), ao lado dos experimentados cómicos Alberto Sordi, Nino Manfredi e o sempre presente e excelente Vittorio Gassmann.

Silvana Mangano durante as filmagens de Cinco Mulheres Marcadas 
(Five Branded Women, 1960) de Martin Ritt. Austria. 1959. Gjon Mili.


A presença de prestígio seguro

Em 1966, comemorando quase vinte anos de feliz casamento, De Laurentiis ofereceu á mulher um presente caríssimo, que consistiu num filme, em sketchs, todo centrado em Silvana, que interpretava cinco personagens muito diversas, dirigida por cinco dos mais importantes realizadores Italianos: Luchino Visconti, Mauro Bolognini, Pier Paolo Pasolini, Franco Rossi e Vittorio De Sica. Como geralmente acontece com encomendas deste tipo, A magia da mulher (Le streghe) foi uma tremenda decepção, em que apenas o episódio de Pasolini, La terra vista dalla luna, com Totó e Ninetto Davoli, se destacava, pela sua colorida invenção surrealizante.

No entanto, a partir de então, Silvana Mangano alcançaria um enorme prestigio, passando a ser indispensável ás obras de dois grandes realizadores, já desaparecidos, Pasolini e Visconti, que finalmente saberiam compreender e usar plenamente a sua beleza, o seu talento, e, mais do que tudo, a sua estranha presença. Dirigida por Pasoloni, ela seria uma Jocasta, primitiva e misteriosa, em Edipo Re (67), um filme multo belo, incompreensivelmente ainda inédito em Portugal; uma reprimida mãe de família, da alta burguesia, que, tocada pelo anjo desencadeador (Terence Stamp), desabrocha numa maravilhosa ninfomaníaca, em Teorema (68); e, numa breve aparição, a Virgem Maria, no esplendor da visão final de Giotto, em Decamerone (71)


Jeanne Moreau e Silvana Mangano brincando durante as filmagens de Cinco Mulheres 
Marcadas (Five Branded Women, 1960) de Martin Ritt. Austria. 1959. Gjon Mili.


Dirigida por Visconti, vestida com suprema elegância por Piero Tosi, marcaria três figuras inesquecíveis de mulher distante e requintada: a mãe, anos 10, do jovem Tadzio, em Morte em Veneza (Morte a Venezia, 70); Cosima Lizt, a enigmática companheira de Richard Wagner, em  Luís da Baviera (Ludwig II, 72); a snob riquíssima e inquieta mantedora do gigolo Helmut Berger, em Violência e paixão (Gruppo  dl  famiglia in un interno, 74), a sua última aparição no cinema, até  à data. Semi-retirada desde há seis anos, apesar de apenas em Abril próximo completar 50 anos, semi-separada de Dino De Laurentiis, actualmente um dos mais poderosos produtores do cinema americano, a trajectória de Silvana Mangano, de mondadeira, explosiva força da natureza dos arrozais neo-realistas, a delicadíssima e serena aristocrata, movendo-se entre rendas e suspiros, é uma das mais fascinantes de quantas o cinema tem para nos oferecer.

Vítor Pavão  dos Santos
Texto e Titulos
Jornal Se7e
21-02-80

Vera Miles, Barbara Bel Geddes, Carla Gravina, Silvana Mangano e Jeanne Moreau em Cinco 
Mulheres Marcadas (Five Branded Women, 1960) de Martin Ritt. Austria. 1959. Gjon Mili.


Silvana Mangano (1930-1989). Jugoslávia. 1958. Gjon Mili.


(Fotos LIFE Archive, excepto a primeira)


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Memórias do Aeroporto de Lisboa


Amália e o Duo Ouro Negro (Raul Indipwo e Milo MacMahon) junto de um avião Caravelle da TAP em 1968.
Foto encontrada em www.sabado.pt

Em 2012, o aeroporto de Lisboa organizou uma mostra (Memórias do Aeroporto de Lisboa) fotográfica de Amado dos Santos, (fotógrafo oficial do aeroporto), para assinalar os 70 anos de vida do Aeroporto de Lisboa. Amado dos Santos, fotografou durante décadas, inúmeras personalidades nacionais e internacionais que passaram pelo Aeroporto de Lisboa.


O bailarino russo Rudolf Nureyev à chegada ao Aeroporto da Portela a 7 de Junho de 1968 rodeado por jornalistas.
Foto encontrada em www.sabado.pt

"Durante muitos anos o Aeroporto de Lisboa teve um fotógrafo oficial, o único autorizado a acompanhar e a fotografar de forma permanente os acontecimentos, as personalidades e todos os espaços. António Amado dos Santos foi o homem por detrás da máquina que registou a evolução do Aeroporto de Lisboa e que compôs, com essas imagens, uma história documental, patente nesta exposição. Maria Callas, Amália Rodrigues, Pelé, Eusébio, Princípe Rainier e filhas, Reis de Espanha e filhos, Álvaro Cunhal, Mário Soares, Humberto Delgado, António de Oliveira Salazar, Cardeal Cerejeira, foram algumas das individualidades que passarem pela lente de António Amado dos Santos." In, janelaurbana.com


Eusébio com uma das filhas ao colo na área das chegadas do Aeroporto de Lisboa em 1969.
Foto encontrada em www.sabado.pt

Chegada de passageiros num avião da Varig, a companhia aérea do Brasil, em 1971.
Foto encontrada em www.sabado.pt

Duas hospedeiras da companhia Alitalia em 1969 com os novos uniformes.
Chegada do cantor norte-americano Frank Sinatra a Lisboa na década de 60.
Fotos encontradas em www.sabado.pt

O jogador brasileiro Pelé à chegada ao aeroporto em 1965.
Foto encontrada em www.sabado.pt

Maria Callas aterrou em Lisboa em Março de 1958. 
Foto encontrada em www.sabado.pt

Um grupo de modelos fazem publicidade às corridas Martini 
Racing nas escadas de um Boeing B-707 da TAP, em 1976.
Foto encontrada em www.sabado.pt

Chegada de convidados para a famosa festa que o milionário 
boliviano Antenor Patiño deu em Setembro de 1968, em Colares.
Foto encontrada em www.sabado.pt

A equipa de manutenção junto a um avião Lockheed Super Constellation 
da TAP em reparações num dos hangares da companhia em 1964.
Foto encontrada em www.sabado.pt


António Amado dos Santos. 
Foto de bloaranav.blogspot.pt


"António Amado dos Santos com que eu convivi bastante, para além dos outros funcionários do “velho” aeroporto de Lisboa, era sobretudo uma excelente pessoa de fácil relacionamento. Lembro-me do cheiro dos seus rudimentares estúdios onde revelava as fotos, primeiro no 4º piso, e depois, junto ao bar do pessoal.
O Santos, como era conhecido, foi um excelente fotógrafo de um grande profissionalismo, dava gosto estar com ele no estúdio e ver das tinas onde tinha os produtos para revelação, saírem os trabalhos de grande qualidade que os seus rolos a preto e branco tinham registado com grande mestria.
O Aeroporto de Lisboa tem na sua posse um inigualável e excelente arquivo fotográfico e documental inédito, do que foram algumas das suas raízes, esta exposição serve igualmente para mostrar a várias gerações, muito da história em que o Aeroporto fez e fará parte, graças, a António Amado dos Santos (o Santos)."
Francisco Baudouin em bloaranav.blogspot.pt

Aeroporto de Lisboa. Fotografia aérea anterior a 1942.
Foto Arquivo fotográfico da CML.


Aeroporto de Lisboa. Fotografia aérea anterior a 1971.
Foto encontrada em digitarq.cpf.dgarq.gov.pt



Aeroporto de Lisboa

O Aeroporto da Portela também chamado de Aeroporto de Lisboa, situa-se em Lisboa e é o maior aeroporto português com maior volume de tráfego. Foi aberto ao tráfego em 15 de Outubro de 1942. É servido, desde 1962, por duas pistas. Dispõe de dois terminais civis e ainda de um terminal militar, conhecido como Aeroporto de Figo Maduro. Até à inauguração do Aeroporto da Portela, Lisboa era servida por um aeroporto primitivo denominado Campo Internacional de Aterragem situado em Alverca, que entrou em funcionamento em 1919 e foi desactivado em 1940. Nos anos 1930 os voos transatlânticos entre a Europa e a América eram feitos em hidroaviões por motivos de segurança. Só depois de atravessarem o Atlântico os passageiros mudavam para aviões com base terrestre que os levavam ao seu destino final. Sendo Lisboa a capital mais ocidental da Europa, a cidade era o terminal ideal do lado europeu dessas ligações transatlânticas. Por essa razão, o Governo Português entendeu transformar Lisboa numa grande plataforma aérea para voos internacionais. Para isso foram projectados dois aeroportos para Lisboa: um marítimo, para hidroaviões e outro terrestre para aviões convencionais. Outra razão para a construção destas infraestruturas era o facto de ir ser realizada em 1940 a grande Exposição do Mundo Português que se previa ir atrair a Lisboa muitos voos com turistas estrangeiros (isso acabou por não acontecer devido ao início da 2.ª Guerra Mundial). Em 1938 iniciaram-se as obras dos dois aeroportos, que foram concluídas em 1940. Como aeroporto terrestre construiu-se o Aeroporto da Portela, em homenagem à Quinta da Portela que aí existia, e como aeroporto marítimo, construiu-se o Aeroporto de Cabo Ruivo, à beira do Rio Tejo e a cerca de 3 km do primeiro. Para uma ligação rápida por automóvel entre os dois aeroportos construiu-se uma via rodoviária denominada Avenida Entre-os-Aeroportos (actual Avenida de Berlim). O sistema de voos transatlânticos funcionava com os hidroaviões vindos da América, amarando no Rio Tejo e desembarcando os seus passageiros em Cabo Ruivo. Daí, eram transportados por automóvel até à Portela. No Aeroporto da Portela eram distribuídos pelos diversos aviões que os iam levar aos diferentes destinos na Europa. Os passageiros que iam da Europa para a América faziam o percurso inverso. O Aeroporto de Cabo Ruivo, que se localizava onde é hoje a Doca dos Olivais no Parque das Nações, foi desactivado com o fim completo dos voos regulares de passageiros por hidroavião, no final dos anos 1950. Desde essa altura manteve-se apenas o Aeroporto da Portela. Dada a sua localização, na parte norte de Lisboa, faz com que exista uma espécie de barreira entre o Alto do Lumiar e a zona do Parque das Nações, tendo esta ligação de ser feita pelo centro de Lisboa ou pelos concelhos limítrofes. Porém, está prevista uma ligação directa por metropolitano, da zona da Gare do Oriente até ao Lumiar, passando este em linha recta por baixo das pistas do aeroporto. (In, wikipedia)

Varanda do bar do Aeroporto da Portela, na pista distinguem-se 
aviões Superconstellation. anos 50. António Passaporte.
Foto Arquivo Fotográfico da CML

sábado, 17 de novembro de 2012

Amália em fotos da LIFE

COISAS DO FADO


Estava eu, vasculhando os arquivos da LIFE Magazine (já nem me lembro do que procurava), quando dei com uma fotos de Allan Grant (Fotografo da revista LIFE), que só diziam: "Edith Piaf & Amolia". Cliquei para ver as fotos, pensando que ia encontrar fotos da Edith Piaf, já que o nome Amolia não me dizia nada, quando se me depara um monte de fotos de Amália, apenas com a indicação da data (setembro de 1952) e do fotografo. Algumas das fotos são de excelente qualidade, outras nem por por isso. Aqui ficam para quase todos.

 Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.


Em 1952 Amália actua pela primeira vez em New York, no Night-Club, La Vie en Rose, onde ficará 14 semanas em cartaz. Torna-se no ano seguinte, na primeira artista portuguesa a cantar na televisão americana no famoso programa Coke Time with Eddie Fisher, onde interpreta Coimbra. Actua em festas e na rádio. Chegou a receber convites para actuar na Broadway, cantando cantigas em Inglês. No ano seguinte editou o seu primeiro LP nos EUA (as gravações anteriores eram em discos de 78 rotações), "Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco From Spain", lançado em 1954 pela Angel Records, assinala a sua estreia no formato do long-play, a 33 rotações, criado apenas seis anos antes e, na época, ainda longe de conhecer a expressão de mercado que depois viria a conquistar. O álbum, que seria editado em 1957 em Inglaterra e, um ano depois, em França, nunca teve prensagem portuguesa. Por exigência do mercado americano, Amália gravou alguns flamencos e a propósito conta-se que Orson Welles perguntou um dia, em Madrid qual era a maior cantora de flamenco e os madrilenos responderam que era portuguesa, vivia em Lisboa e chamava-se Amália. (Fontes: wikipedia.org e www.portuguesetimes.com)


  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

   Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

  Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.

Amália. Nova York. Setembro1952. Allan Grant.


(Fotos LIFE Archive)