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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Faleceu Nuno Rebocho


      Faleceu Nuno Rebocho, radialista, poeta, escritor, cronista, insurrecto, cabo verdiano emprestado e boémio. Fomos amigos no princípio do milénio. Ele morava em Cascais velho. Conhecemo nos porque ele comprou um fanzine meu e escreveu me uma carta.

     Quando o encontrei chamei lhe "senhor" ao que ele respondeu "não é por ser mais velho que sou um filho da puta". Tipico Nuno. Participei numa revistinha dele "Os Cadernos de Ibn Mucana" e noutras coisas. E em compensação publicámos lhe o "vida de djon de nha bia" na Chili com Carne. Que eu apresentei. A última x que o vi foi há uns anos num lançamento de um livro dele ali ao Calhariz.
O Nuno Rebocho teve vários acidentes graves de saúde nos últimos anos. Depois de um deles encontrei me na Baixa, ele chegado de Cabo Verde. Dois ou três cafés, cigarros, um uísque. Ele gostava dos prazeres. Típico Nuno.


      Ele ultimamente, creio, estava a viver em casa da irmã, Ericeira. Nunca o fui visitar. (O meu pai teve acamado mais de dez anos, o meu avô morreu aqui em casa, a minha irmã também.... o que faz com que me custe mesmo muito ir ver pessoas mal. )

    
       De qualquer modo devo lhe um enorme agradecimento em termos sido amigos. Abriu me a cabeça. e ele interessou se pelo que eu escrevia, mas era sempre frontal. Já não me lembro de qual era o livro que ele disse "é o teu pior livro"; acho que era o Fausto. Mas ele gostava de muitas escritas e das pessoas que escreviam, era generoso nas suas apreciações e nos seus intercâmbios, numa cultura viva de trocas e amizades.

      Ainda apanhamos umas boas bebedeiras aqui em Cascais e em Lisboa. Uma vez à frente de casa dele tivemos uma conversa longa, negra e pesadissima; o desespero perante a sua existência estava extremado. Estávamos também com os copos, claro. Mas felizmente aquilo passou, não parou ali. Estava mal de amores.

       Mas, regra geral ele era muito animado, bem disposto, risonho, divertido, imaginativo, embora critico de tudo "sou um radical do centro". Era desiludido das esquerdas mas enojavam lhe as direitas. Tinha estado preso durante o Fascismo e orgulhava se de ser o jornalista da terceira república com mais processos por parte das entidades patronais. Tipico Nuno

      E era também um amante profundo da literatura, das artes e especialmente da poesia. Ele o que escreveu mais foi poesia, e deve estar muita coisa por publicar.
      Em Cabo Verde casou. Acho que teve um ou dois casamentos cá, antes. Dizia que a mulher é que lhe dava saúde. Tipico.
 
     Olha... Tchau, meu! Espero que agora estejas num arquipélago semi imaginado onde anda o Djon, o Ómi Cabra, a Apòstola e os outros personagens. Um mundo quente de poesia e alegria, onde se bebe umas coisas e se come uma cachupa

Rafael Dionísio 




quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Segunda Vida de Djon de Nha Bia / ESGOTADO



Este livro de Nuno Rebocho é uma obra maior da literatura lusófona. É uma grande alegoria das relações de poder entre os homens. A narrativa passa-se num arquipélago imaginário, onde de tudo um pouco acontece. É uma obra que, além de muito divertida, tem um conteúdo político (no sentido nobre, aristotélico, da palavra) muito agudo. Além disso, sendo escrita num português de latitudes mais quentes, é uma lufada fresca de palavras e expressões novas. Um grande livro, sem dúvida!

sobre o autor: Nuno Rebocho nasceu em 1945; opositor do salazarismo, foi jornalista e interventor cultural antes e depois do 25 de Abril. Foi jornalista na RDP, Antena 1 e 2, durante muitos anos. Recentemente passou a viver em Cabo Verde, enraízando-se nesse arquipélago lusófono. Publicou vários livros de poesia e de crónicas. Ultimamente tem desenvolvido uma poderosa linha narrativa em que o Djon é um dos primeiros títulos a ser revelado ao público.

Sinopse O livro conta as aventuras de um tipo que sai para fora do caixão no seu próprio velório. Desse acontecimento só há uma testemunha meio bêbeda. A partir daí, o herói desta espécie de fábula irá percorrer a sua ilha, primeiro, e outras ilhas em busca do sentido de estar morto. Nessas ilhas acontece de tudo um pouco: os mortos votam nas eleições, o diabo aparece, há um doutor que faz chantagem e até uma das ilhas tem um rei. Enquanto o herói percorre as ilhas, na sua ilha de origem desenvolve-se todo um culto em torno da sua figura ressuscitada, com templos, restaurantes, e todo um conjunto de actividades económicas associadas ao fenómeno de um local sagrado.

Excerto Quando a carapinha lhe emergiu do caixão, Djon percebeu que estava morto. Fora da sala era a rua e de lá vinha a batida da tabanka, oca e ondeada, e uma voz narradora que entretinha a comezaina aconchegante do velório. Família e demais abancavam no terreiro, digerindo a noite antecedente ao funeral, que seria pela manhã.

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Nono volume da Colecção CCC editado por Marcos Farrajota e Rafael Dionísio, prefácio de Luíz Carlos Amorim, capa de Jucifer, design de João Cunha, ISBN: 978-989-8363-01-5
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ESGOTADO
talvez encontre ainda exemplares na Fábrica Features e Tortuga
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E-BOOK: todoebook.com
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Historial: Lançado na XVI Feira Laica ... Apresentação pelo Prof. Dr. Luís Filipe Tavares (Universidade Piaget) na Cidade da Praia, Cabo Verde (08/07/10) ... Apresentação por Rafael Dionísio no Centro Interculturacidade (16/09/10)
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Feedback: 

primeiro romance da autoria de Nuno Rebocho, escritor português radicado em Cabo Verde. Trata-se de estória salgada de crioulidade, onde o mágico e as driabruras se entrecruzam em artimanhas que envolvem mortos ressuscitados em revolta e o derrube de poderes vivos, santos sem vocação, fundamentalistas irredentos e muita tropelia que fez a vivência de um país chamado Arquipélago, igual a tantos arquipélagos que são países e a países que são, por isso mesmo, arquipélagos. Com humor e ironia, o autor traduz o insólito como realidade, mas onde quaisquer semelhanças com realidades conhecidas são mal-deliberadas coincidências, numa escrita colorida e cáustica para o novo acordo ortográfico adoptado pelos países lusófonos. 
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alegoria política de quem quem quer ajustar contas com o mundo, como "Animal Farm", de Orwell, ou "Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira.
Os Meus Livros

domingo, 9 de dezembro de 2012

E porque todos falam disso...





Todos falam dos "e-books" e o fim dos livros impressos... Entre as mentiras que se vão pregando sobre a ecologia dos e-books em contraponto às óbvias vantagens de portabilidade do digital acreditamos que é possível trabalhar os dois formatos sem histerias e dramas, tanto que várias das nossas edições já tem versões digitais. Começámos já em 2007 por colocar zines esgotados para descarga gratuita em formato PDF: Mesinha de Cabeceira #13 (de Nunsky), Allen (de Isabel Carvalho) e o Chili Bean - é só seguir as respectivas ligações.
Scorpio Rising (...) de Ondina Pires, A Segunda Vida de Djon (...) de Nuno Rebocho e Cadernos de Fausto e Algumas pessoas depois, ambos de Rafael Dionísio não estão ainda esgotados mas existem como "e-books" na plataforma todoebook - a metade do preço que a versão papel. Os títulos mais velhos estão disponíveis desde Agosto de 2010.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

troca de galhardetes


Este mês na revista Os Meus Livros destacam A Segunda Vida de Djon de Nha Bia de Nuno Rebocho, e este escreve sobre Rafael Dionísio como uma "aposta" da literatura portuguesa...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010