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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Visita do Provincial OCarm

 
O Provincial dos Padres Carmelitas Calçados, Frei Ricardo Reis Rainho, visitou hoje o Capítulo dos Descalços e confraternizou em ambiente ameno e sereno com os Padres Capitulares.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Reflexão sobre a Pastoral da Espiritualidade

 
Começa a reflexão sobre a pastoral da espiritualidade. E o aprofundamento da colaboração com a OCDS. - no XII Capítulo Provincial dos Carmelitas Descalços de Portugal.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ELE está connosco!


XII Capítulo Provincial dos Carmelitas Descalços de Portugal

Segunda mesa da presidência do Capítulo

 
XII Capítulo Provincial dos Carmelitas Descalços de Portugal

Conselheiros Provinciais

 
Na Terceira Sessão capitular, que teve lugar hoje ao início da manhã, o Padre Provincial apresentou a sua proposta para o novo Conselho Provincial. Seguidamente o Capítulo elegeu o Conselho Provincial que ficou composto pelos seguintes religiosos:
• P. Agostinho Leal, (I Conselheiro);
• P. Agostinho Castro, (II Conselheiro);
• P. João Rego, (III Conselheiro);
• P. Noé Martins, (IV Conselheiro).
Cabe-lhes assessorar o governo da Província de forma mais directa.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Eleito o Provincial


 
O XII Capítulo Provincial da Província Portuguesa dos Carmelitas Descalços ou de Nossa Senhora do Carmo está a decorrer e na II Sessão Capitular, que teve lugar ao início desta tarde (22/04/2014), foi reeleito o Frei Joaquim Teixeira de S. Teresa de Jesus para o cargo de Superior Provincial. Ele aceitou o desafio e renovou a sua profissão de fé e de fidelidade ao magistério da Igreja.
O Frei Joaquim Teixeira de S. Teresa de Jesus tem 49 anos, é natural de Rosém, Marco de Canaveses e frequentou os Seminários da Ordem em Viana do Castelo, Avessadas e Porto. É Mestre em Teologia pela Universidade Católica, na área da antropologia teológica. Desempenhou os mais variados cargos na vida da Província, tendo estado quase sempre ligado à formação dos candidatos a carmelitas descalços, além de trabalhar na animação missionária e na pastoral familiar. Após ser Provincial da Ordem do Carmelitas Descalços Portugueses durante o triénio 2011-2014 é reeleito para seguir à frente da Ordem no próximo triénio de 2014-2017.

Mesa inicial da presidência

 
XII Capítulo Provincial dos Carmelitas Descalços de Portugal

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A cara do pai Hoffman

Philip Seymour Hoffman morreu. Era actor. Famosíssimo. Católico. Esta é uma das fotografias do seu funeral: a mulher, as filhas e o filho mais velho. A dor. A fé.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

20.00 noivos no Vaticano no dia de São Valentim,

Sim, amar-se para sempre é possível. Digam sempre um ao outro: Com licença, obrigado, desculpa!
FRANCISCO

domingo, 29 de dezembro de 2013

Três palavras

Algumas semanas atrás, nesta praça, disse que, para levar por diante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!
FRANCISCO

Bem-aventuranças da Família

 
1. Bem-aventuradas as famílias que entendem a sua missão como uma arte de hospitalidade. Em família não somos donos de nada nem de ninguém: somos elos de uma corrente, companheiros. Acolhamo-nos, portanto, uns aos outros, na gratuidade, desinteressadamente e só assim, a família se tornará «porto de abrigo» para todas as marés.

2. Bem-aventuradas as famílias que diariamente combatem o analfabetismo dos afetos. Sejamos em família artesãos do afeto, num amor que nos aceita por inteiro, que abraça o que somos e o que não somos, o que nós já fomos e aquilo em que nos tornámos. Mesmo se as panelas ou os pratos andarem lá em casa pelo ar, ninguém se deite nem adormeça sem primeiro fazer as pazes!

3. Bem-aventuradas as famílias que compreendem a importância do inútil. Não deixemos que nenhum membro da família se torne descartável pelo facto de não ser útil ou lucrativo! Estar juntos, em casa, sem fazer nada, é tão necessário, como trabalhar, para ganhar o pão de cada dia. Os mais novos e os idosos, que não fazem nada, fazem-nos mais falta, do que o trabalho que nos dão! Saibamo-los ouvir e aprender com eles e seguir em frente, com sabedoria!

4. Bem-aventuradas as famílias que cultivam uma arte da lentidão. Na pressão de decidir, precisamos de uma lentidão, que nos proteja das precipitações mecânicas, de gestos cegamente compulsivos, de palavras fatais ou banais. Rezar, juntos, em família, também nos modera a pressa e nos modela na arte do amor paciente de Deus para connosco!

5. Bem-aventuradas as famílias que não deitam fora a caixa dos brinquedos. Em família, brincar é uma coisa tão necessária e tão importante como trabalhar e falar a sério! Brinquem a sério! A sério, brinquem mais uns com os outros.

6. Bem-aventuradas as famílias que arriscam fazer bom uso das crises. Mudar de vida, não significa tornar-se outro, ou, pior ainda, partir para outra… (para outra pessoa, outra experiência…). Quanto mais conscientes dos nossos entraves, limites e contradições, mas também das nossas forças e capacidades, tanto mais poderemos dar-nos conta de quem somos e do lugar que ocupamos, na vida dos outros! A crise não se destina a afundar, mas a aprofundar a relação!

7. Bem-aventuradas as famílias que se assumem como um laboratório para a alegria, uma escola do sorriso, um ateliê para a esperança, uma fábrica para o abraço e para a dança. Aquilo que mais pesa na vida é não receber um sorriso, é não se sentir querido. Em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, na maledicência, no lamento, cresçamos na alegria, na simplicidade, na gratidão e na confiança.

8. Bem-aventuradas as famílias que vivem abertas às surpresas do futuro e põem a sua confiança em Deus. O «sim» do amor, dado, pelo casal, e para sempre, «na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida» conta com a graça do Sacramento do Matrimónio. Esta graça, não é uma decoração para uma cerimónia bonita; é para tornar fortes os casais, para os fazer corajosos, a fim de que possam seguir em frente! Mas se o sonho do casamento se tornar um pesadelo, se algum de vós se sentir rejeitado, tende ainda esta confiança: Deus não desiste de nenhum de vós; o seu amor por cada um de vós não volta atrás!

José Tolentino Mendonça

sábado, 30 de novembro de 2013

Escapulário em Família


A Família Ramos, de Maria do Carmo e José, de Serreleis, veio hoje ao Carmo para receber a imposição do Escapulário da Senhora do Carmo. Era a véspera do Advento, esse tempo de preparação para o Natal, quando a Virgem Mãe envolveu o Menino com amor e com paninhos. Aqui fica a notícia, pela mão da filha Marisa:

Boa noite, Frei João:
Antes de mais permita-me agradecer-lhe a amabilidade com que me recebeu na Quinta-feira.
Senti-me acolhida, senti que realmente um irmão me recebia em sua casa, muito obrigada!

Muito obrigada também por ter expandido o convite a toda a família: foi uma celebração muito bonita e mais um  belo momento que todos guardaremos em nossos corações!
Quando iniciei a minha pesquisa sobre o Escapulário a primeira coisa que li foi: "Escapulário (do latim scapula, escápula) é um pedaço de pano que envolve integralmente os ombros de quem o veste". Pois para mim receber o Escapulário da Nossa Senhora do Carmo foi sentir que a Grande Mãe pousou sobre a minha alma o mais belo dos panos. Era mesmo esta protecção que buscava para o Camilinho, um manto bem quentinho que o proteja perante todas as adversidades que a vida tenha reservado para nós.
Bem sei que continuarão a soprar ventos lá fora, mas agora temos outra força! Agora estamos envolvidos nos panos que a nossa Mãe Celeste escolheu para nós!

Mais uma vez manifesto a minha gratidão em nome de toda a família; e como mãe, como filha, esposa e irmã sei que nunca na minha vida serei capaz de o compensar pelo que fez por nós! Muito grata mesmo!!!
Conforme prometido seguem em anexo algumas fotografias, envio-lhe o resto das fotos nos e-mails que se seguirão.
Que Deus o abençoe irmão!!!
Obrigada pelo abraço:

Marisa Ramos Gonçalves


domingo, 24 de novembro de 2013

Inquério do Papa Francisco

A experiência vital começa, para muitas crianças, com o cenário, feliz e curto, de um lar normal, de um filho pequeno com os seus pais. A esta breve etapa, segue-se outra, um pouco mais longa: esta mesma criança vivendo só com a mãe, separada ou divorciada. Uma terceira experiência é, talvez, a de um adolescente vivendo num novo lar com a sua mãe recasada e com uma figura menos atractiva, a de um pai adoptivo ou padrasto. Chegado à maioridade, esse jovem unir-se-á à sua noiva, vivendo com ela em união de facto. Num quinto ciclo vital, a maioria destes jovens acaba por se casar com o seu par e, depois de poucos anos, entram na sexta etapa, a dos divorciados. Irão passar por um tempo de solidão, mas voltam a casar. Chegados a esta etapa de maturidade, ficarão viúvos e irão para um lar ou residência de terceira idade, onde, esporadicamente, o filho ou a filha ou o neto o irão visitar.
É o que é. Mas não é o que eu quero. E por isso é que é bom ouvir o que diz a Igreja sobre a família.
(Fernando Vela López)

É por isso que interessa a Francisco ouvir o que é preciso dizer sobre a família...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Responda ao inquérito do Papa Francisco

O Papa Francisco quer saber a sua opinião sobre alguns temas candentes e que precisam ser melhor explicitados no seio da Igreja. Veja as perguntas e responda se quiser para os endereços abaixo elencados.

GRUPO 1
Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

1.  Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, [da constituição pastoral] Gaudium et spes, [da exortação apostólica] Familiaris consortio e de outros documentos do Magistério pósconciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como são os fiéis formados para a vida familiar em conformidade?
2.  Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente? Há dificuldades de o pôr em prática? Quais?
3.  Como é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial o ensinamento da Igreja? Que tipo de catequese sobre a família é promovida?
4.  Em que medida – e em particular sob que aspectos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extraeclesiais? Quais são os factores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?

GRUPO 2
Sobre o matrimónio segundo a lei natural

5.  Que lugar ocupa o conceito de lei natural na cultura civil, quer nos planos institucional, educativo e académico, quer a nível popular? Que visões da antropologia estão subjacentes a este debate sobre o fundamento natural da família?
6.  O conceito de lei natural em relação à união entre o homem e a mulher é geralmente aceite por parte dos baptizados?
7.  Como é contestada, na prática e na teoria, a lei natural sobre a união entre o homem e a mulher, em vista da formação de uma família? Como é proposta e aprofundada nos organismos civis e eclesiais?
8.  Quando a celebração do matrimónio é pedida por baptizados não praticantes, ou que se declaram não-crentes, como enfrentar os desafios pastorais que daí derivam?

GRUPO 3
A pastoral da família no contexto da evangelização

9.  Que experiências surgiram nas últimas décadas na preparação para o matrimónio? Como se procurou estimular a tarefa de evangelização dos esposos e da família? De que modo se pode promover a consciência da família como “Igreja doméstica”?
10.  Conseguiu-se propor estilos de oração em família, capazes de resistir à complexidade da vida e cultura contemporânea?
11.  Perante a actual crise geracional, como são as famílias cristãs capazes de cumprir a sua vocação de transmitir a fé?
12.  De que modo as Igrejas locais e os movimentos de espiritualidade familiar souberam criar percursos exemplares?
13.  Qual é a contribuição específica que casais e famílias conseguiram oferecer para difusão de uma visão integral do casal e da família cristã credível nos dias de hoje?
14.  Que atenção pastoral a Igreja mostrou para sustentar o caminho dos casais em formação e dos casais em crise?

GRUPO 4
Sobre a pastoral para enfrentar algumas situações matrimoniais difíceis

15.  A convivência ad experimentum [coabitação antes do matrimónio] é uma realidade pastoral na sua igreja particular? Em que percentagem a calcula?
16.  Existem uniões livres de facto, sem o reconhecimento religioso nem civil? Há dados estatísticos confiáveis?
17.  Os separados e os divorciados recasados constituem uma realidade pastoral relevante na sua Igreja particular? Em que percentagem se poderiam calcular? Como se enfrenta esta realidade, através de programas pastorais adequados?
18.  Em todos estes casos: como vivem os baptizados a sua irregularidade? Estão conscientes da mesma? Simplesmente manifestam indiferença? Sentem-se marginalizados e vivem com sofrimento a impossibilidade de receber os sacramentos?
19.  Quais são os pedidos que as pessoas separadas e divorciadas dirigem à Igreja, a propósito dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Entre as pessoas em tais situações, quantas pedem estes sacramentos?
20.  A simplificação da práxis canónica em ordem ao reconhecimento da declaração de nulidade do vínculo matrimonial poderia oferecer uma contribuição positiva real para a solução das problemáticas das pessoas interessadas? Se sim, de que forma?
20.  Existe uma pastoral para ir ao encontro destes casos? Como se realiza esta actividade pastoral?
Existem programas a este propósito, nos planos nacional e diocesano? Como é a misericórdia de Deus anunciada a separados e divorciados recasados e como se põe em prática a ajuda da Igreja no seu caminho de fé?

GRUPO 5
Sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo

21.  O vosso país tem uma lei civil de reconhecimento das uniões de pessoas do mesmo sexo, equiparada de alguma forma ao matrimónio?
22.  Qual é a atitude das Igrejas locais, quer diante do Estado civil promotor de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, quer perante as pessoas envolvidas neste tipo de união?
23.  Que atenção pastoral é possível prestar às pessoas que escolheram viver em conformidade com este tipo de união?
24.  No caso de uniões de pessoas do mesmo sexo que adoptaram crianças, como é necessário comportar-se pastoralmente, em vista da transmissão da fé?

GRUPO 6
Sobre a educação dos filhos no contexto das situações de matrimónios irregulares

25.  Qual é nestes casos a proporção aproximativa de crianças e adolescentes, em relação às crianças nascidas e educadas em famílias regularmente constituídas?
26.  Com que atitude os pais se dirigem à Igreja? O que pedem? Somente os sacramentos, ou inclusive a catequese e o ensino da religião em geral?
27.  Como as Igrejas particulares vão ao encontro da necessidade dos pais destas crianças, em oferecer uma educação cristã aos próprios filhos?
28.  Como se realiza a prática sacramental em tais casos: a preparação, a administração do sacramento e o acompanhamento?

GRUPO 7
Sobre a abertura dos esposos à vida

29.  Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da encíclica Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?
30.  Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?
31.  Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da encíclica Humanae vitae?
32.  Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?
33.  Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?
34.  Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?

GRUPO 8
Sobre a relação entre a família e a pessoa

35.  Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?
36.  Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?
37.  Em que medida as crises de fé incidem sobre a vida familiar?

GRUPO 9
Outros desafios e propostas

38.  Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis?

Envie as suas respostas para:

Conferência Episcopal Portuguesa
Campo dos Mártires da Pátria, 43
1150 - 225 LISBOA

ou

Nunciatura Apostólica
Av. Luís Bivar, 18
1069 - 147 LISBOA


domingo, 10 de novembro de 2013

Ninguém nasce padre!


Seminários. Começa neste Domingo a Semana de Oração pelos Seminários. É uma semana de intensa sensibilização e oração pelos seminaristas, formadores, pessoal auxiliar. (Pelas famílias, comunidades cristãs e pela Igreja em geral.) Não é de somenos tanta intensidade. Para estas ocasiões os serviços da Igreja costumam preparar um guião de apoio que nos oriente. O deste ano tem por título: «Para que Cristo se forme em nós», e tem subsídios muito oportunos que pode baixar em http://www.ecclesia.pt/semanaseminarios2013. Passe por lá que vale a pena visitar.

Cada um tem a sua história. Cada família e cada padre também. De há anos a esta parte acostumei-me a ouvir dizer: «Na minha família chegaram a juntar-se à mesa doze padres do mesmo apelido»! (A coisa dita assim nem soa a família, mas a diocese — pois hoje as há mais escassas de sacerdotes!)
Eram coisas de outros tempos, que agora já serão poucas as mesas capazes de doze comensais! Noutros tempos era orgulho ter padres na família e juntá-los em quási celestial repasto, hoje, porém, a ideia de comer à mesa em família diluiu-se tanto que já são muitos os que não lhe conhecem nem a prática nem o significado. E menos ainda os que cuidam em ser padres...
Salvaguardando, porém, mui prudentemente, que só o Senhor é senhor dos dons e do chamamento, e que uns e outro são irrevogáveis, salvaguardando, pois, o senhorio de Cristo, que chama quem quer, quando quer e como quer, podemos, sem medo, dizer que é ainda na família que nascem as vocações de serviço à Igreja, como a do sacerdócio.
Ainda precisamos da família para nascer e crescer, também na fé, e no desejo de servir a comunidade de fé.
Ainda precisamos de olhar para a Família de Nazaré, para a humildade de Maria e José, tão pobres, tão jovens, tão puros e com um regaço bem fofo para receber a Deus — dar a Luz à luz! —, ajudá-lO a crescer até ser homem e se mostrar capaz de nos revelar a novidade do amor do Pai Eterno, a fonte donde jorra toda a vida que nos inunda e inebria.
Ainda continuamos a precisar da família. Assim como para Jesus, assim ainda hoje, para todos, é na família onde melhor se cresce e se amadurece até que a gratuidade do amor chega ao ponto rebuçado e se debruça ou derrama — ou ambos... — sobre todos.
É na família que se acende a vocação. Ela é o ninho de Deus, do qual Deus se serve para amparar a vida e dali, com naturalidade, chamar os mais jovens de cada tempo para outros voos sempre os mesmos e sempre novos.
A família é irrenunciavelmente a primeira comunidade de fé: a fé dos pais acende a dos filhos, acalenta-a e amadurece-a; o testemunho de proximidade de todos cristãos da comunidade cristã local suporta a fé dos mais jovens e alça-os para a novidade do voo mais ousado: o sacerdócio!
É muito difícil crescer sem família, é talvez impossível crescer sem comunidade. Também na fé, porque a fé mama-se. E ampara-se. Será por isso que decresceram os candidatos ao sacerdócio?
Dificilmente haverá vida maior que a do sacerdote! Quantas vezes o sacerdote é ao mesmo tempo mãe e pai, irmão mais velho, conselheiro, amigo, confidente, testemunha privilegiada de tentativas de êxito! Quantas vezes o sacerdote é ponte única, mas não a única, entre o céu e a terra! Quantas vezes...
Que a vocação para servir a Igreja é ainda uma doença isso o dizem muitos. E muitos pais existem que adoecem com a loucura dos filhos que querem ir para o Seminário, quem é que não conhece casos desses?
Porém, é ainda e sempre a família a terra mais fecunda onde podem reverdescer primaveras de vocações ao sacerdócio. Sim, é na família! É talvez na sua família onde pode nascer um padre — ou quem sabe, um bispo ou um patriarca, ou... —, porque é nas famílias ousadas e generosas que os sacerdotes primeiro nascem. E depois crescem. Como os outros filhos e os filhos de todos.
Sim, porque os padres não nascem padres: nascem bébés que apetece comer de beijos como todos os bébés. E no coraçãozito deles vem uma semente chamada vocação. A princípio não sabemos distingui-la ou reconhecê-la, embora os pais sejam mais capazes disso que os próprios filhos. Enfim, se lhe nascesse um filho ou um neto você seria capaz de lhe abafar a força da sementinha da fé e da vocação?
Sim, porque os padres não nascem padres. Mas bébés...
(Entretanto, com gratidão, reze pessoalmente e em família a oração da Semana dos Seminários:)

Oração
Senhor nosso Deus e nosso Pai,
Obrigado pelo dom de Jesus Cristo,
Teu Filho e nosso Irmão.
Ele vem aos nossos corações,
Converte-nos e transforma-nos,
Faz de nós Teus filhos bem amados.
Ajuda-nos a crescer no amor filial,
Até à estatura do Homem Perfeito,
Até às alturas do amor e do serviço.
Fortalece os nossos seminaristas,
Com o dom do Teu Espírito,
Para que sejam imagens de Jesus,
Vejam com o Seus olhos,
Amem com os Seus sentimentos,
Sirvam com as Suas disposições filiais.
Nesta Semana dos Seminários,
Nós te suplicamos,
pela intercessão de Maria:
Concede à Tua Igreja
Muitas e santas vocações sacerdotais.
Ámen.

Chama do Carmo I NS 202 I Novembro 10 2013

sábado, 2 de novembro de 2013

Olhares sobre vidas (sem) abrigo


Missão. Há 19 anos atrás, iniciava esta caminhada dos Padres Carmelitas, com o Gabinete de Atendimento à Família - GAF, rumo à inclusão, desenvolvimento e cidadania de famílias desfavorecidas. Caminhada que persiste enquanto tal realidade existir e enquanto o GAF puder cumprir a missão que tem designada: “Desenvolver respostas sociais de qualidade, com um espírito humanista e solidário, que promovam os direitos, a qualidade de vida, a inclusão e a cidadania de indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social e/ou económica.”
Desde então, o GAF tem dado respostas a famílias de todo o Distrito e de outros pontos do país.  Intervindo em áreas como a inserção sócio-profissional de pessoas em situação de sem-abrigo,  carência económica, violência doméstica e toxicodependência, o GAF promove estratégias de intervenção comunitária que vão desde a prevenção com crianças e jovens em idade escolar (intervindo também com pais e professores) à intervenção de última linha e reinserção.
Com múltiplos serviços, e projetos, o GAF conta com cerca de 60 colaboradores, voluntários e estagiários de diversas escolas e universidades. Tratando-se de respostas que abordam direitos, liberdades e garantias, o seu financiamento deriva de contratualizações públicas com os Ministérios, donativos e prestação de serviços que contribuem para a sustentabilidade do GAF como é exemplo a empresa de lavagem manual de automóveis, Washgaf.

Olhares sobre vidas (sem) abrigo
Esta iniciativa designada “Olhares sobre Vidas (Sem) Abrigo”, do serviço de Unidade de apoio na Toxicodependência (UAT) do  Gabinete de Atendimento à Família (GAF), deriva da necessidade sentida pelos serviços para a adoção de novos olhares sociais, quer acerca da problemática da toxicodependência, quer acerca da problemática dos sem abrigo.
Assim, com a colaboração do Pintor Mário Rebelo de Sousa, do Convento do Carmo em Viana do Castelo e de diversos pintores, escultores e fotógrafos pretendemos concretizar esta exposição “ Olhares sobre Vidas (Sem) Abrigo” onde as fotografias retratam  a realidade sem abrigo e as pinturas e esculturas a sua representação simbólica. Procuramos através de várias formas de expressão sensibilizar a comunidade em geral para esta problemática de “Vidas (Sem) Abrigo”.
As obras estarão disponíveis para venda, cujo valor reverte para o Gabinete de Atendimento à família. A exposição estará patente nos claustros do Convento do Carmo entre os dias 03 e 30 de Novembro.
Dr. Miguel Fernandes

O sem abrigo é
toda a pessoa que não possui residência fixa, pernoita na rua, carros e prédios abandonados, estações de metro ou de combóio, contentores, ou aquele indivíduo que recorre a alternativas habitacionais precárias como albergues nocturnos, quartos ou espaços cedidos por familiares, ou que se encontra a viver temporariamente em instituições, centros de recuperação, hospitais ou prisões. Em termos mais precisos, a tónica é assente na falta de uma habitação digna e estável.
Todos os seres humanos têm direitos e deveres. Encarar o fenómeno dos sem abrigo como “coitados dos pobrezinhos” não ajuda ninguém a sair do ciclo reprodutivo da pobreza: “Filho(a) de sem abrigo será sem abrigo”. A visão paternalista de lidar com as questões da pobreza não promove a eliminação da mesma. A igualdade de oportunidades para todo(a)s exige o exercício pleno de uma democracia participativa. Quem detém alguma responsabilidade sobre estas questões da pobreza deverá encará-la como uma questão humanista. Todos os humanos independentemente da sua condição socioeconómica têm direito à felicidade, ao amor, à ternura, ao bem estar de um lar. Não se trata de dar comida e cama, trata-se de se criar estruturas que possam conferir ao ser humano que se encontra na situação de sem abrigo o acesso à felicidade, ao amor e ao exercício pleno da cidadania de acordo com as suas reais capacidades. Não podemos exigir a um ser humano que nasceu nas piores condições (sem acesso à saúde, à educação, à cultura, ao desporto, ao trabalho e a um lar) o mesmo que exigimos a quem sempre teve tudo à nascença. Cada ser humano é único e todos merecemos que nos tratem com a dignidade que as constituições e os direitos humanos nos conferem.
Antes de serem sem abrigo são pessoas.
Bem hajam todos(as) os(as) que dedicam a sua vida a dignificar seres humanos.
Ana Ferreira Martins

terça-feira, 16 de julho de 2013

Solenidade de Nossa Senhora do Carmo

 
Queridos irmãos e irmãs carmelitas, é com profunda alegria e esperança que me dirijo a todos vós neste dia da Solenidade da nossa Mãe e Irmã, a Senhora do Carmo.
A alegria da mãe resulta da alegria e felicidade dos seus filhos. Como carmelitas, pedimos muitas vezes a Maria que «nos seja propícia, que nos conceda graças e privilégios», mas também a Virgem Mãe nos dirige muitas vezes os seus pedidos. Que me está a pedir nesta encruzilhada da história a Virgem Maria? Que Carmelita leigo, consagrado ou sacerdote espera que eu seja? Que alegrias tenho para dar à Virgem Maria, esposa de José? Como bom filho que quero ser, não fico indiferente às alegrias e tristezas de tão boa Mãe.
Alegramos Maria quando fizermos o que Jesus nos disser (Jo 2, 5). As alegrias de Maria são as mesmas do Seu Filho Jesus. A fidelidade no seguimento é fonte de alegria para todos os discípulos. E o Autor de toda esta obra, o guia do caminho, é o Espírito Santo que sempre foi o guia da Virgem Mãe e inspirador de todas as suas obras! D’Ela disse o nosso Pai S. João da Cruz: “Eram assim as [obras] da gloriosíssima Virgem Nossa Senhora, a qual, estando desde o princípio elevada neste alto estado, nunca teve gravada na sua alma forma alguma de criatura, nem se moveu por ela, mas foi sempre movida pelo Espírito Santo (S III, 2, 10).
O Espírito continua a sua acção. Os ventos deste momento histórico pedem-nos renovação e revitalização. Já não aguentamos, nem temos que aguentar, estruturas do passado porque já não respondem às necessidades dos nossos tempos. Para vinho novo, odres novos (Mc 2, 22). Nós que nos revestimos do manto da Virgem Mãe do Carmo, sob a forma de hábito ou escapulário, somos também revestidos do Espírito que a cobriu com a sua sombra. E é sob a acção do Espírito que podemos deixar a inércia, o nosso estilo morno de vida e nos aventurarmos nos caminhos da conversão radical e profunda; de contrário, impediremos o kairós que está constantemente a bater à nossa porta (Cf. Ap 3, 20). Sopremos a cinza para que a chama do Espírito que ainda fumega não se apague. Do pouco, Deus pode fazer muito, reacendendo esta chama do Espírito nos nossos corações. Todos nós, protegidos, acolhidos e amados por Maria, sentimos a chama da fé que ainda dá luz e calor, que não se apagou, mas está à espera de ser refrescada pela Palavra, pelo reencontro com Jesus na Eucaristia e na Reconciliação, pelo contacto com a Chama Viva de Amor que ardia no coração dos nossos fundadores, Teresa e João da Cruz. Não deixemos extinguir o Espírito! (1 Tes 5, 19)
Sob o olhar terno e materno de Maria, nossa Mãe, podemos identificar e interpretar com realismo e esperança os desafios do nosso tempo. Aponto três desafios e coloco-os em paralelo com alguns quadros da vida da Virgem Maria que nos poderão servir de guia e inspiração à sua resposta.
Em primeiro lugar, temos o desafio da simplicidade e humildade; para tal, contemplemos Maria, rezando o seu cântico de Magnificat. No seu cântico de louvor, a Virgem Maria, cheia do Espírito Santo, constata como o Senhor «derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes». Penso que os nossos tempos pedem-nos uma vida mais pobre e mais simples, mais próxima dos pobres, literalmente falando. O Papa Francisco não se cansa de nos convidar para as periferias. Ora, se nos deixamos invadir pelo Espírito, a nossa vida tornar-se-á pobre e próxima dos pobres, como a da Virgem Maria. A grande acção do Espírito é empobrecer para nos encher das riquezas de Deus. Estamos no grupo dos poderosos a derrubar ou dos humildes a exaltar? Esta profecia revolucionária de Maria é sinal de esperança para os desempregados, emigrados, injustiçados dos nossos tempos com os quais queremos percorrer os necessários êxodos para atingir a liberdade e dignidade de filhos. Só um coração derrubado do seu orgulho pelo Espírito, empobrecido por Ele, tornado pobre e humilde, se torna companheiro de viagem de todos os pobres e humildes deste mundo e dispensador para eles de todos os bens materiais e espirituais.
A seguir, o desafio da conversão à comunidade; para tal, contemplemos Maria reunida com os discípulos no Cenáculo, em oração (Act 1,14). Os nossos tempos pedem-nos que sejamos construtores de comunidades coesas e bem alicerçadas. Só o Espírito une e cria comunhão! Estes tempos de desnorte que absolutizam os egoísmos em detrimento do bem comum, exigem dos cristãos a conversão à comunidade, à proximidade e relação com os que nos são naturalmente mais próximos: a família, a fraternidade dos carmelitas seculares, a comunidades religiosas das irmãs e irmãos carmelitas. A todos nós se nos pede que acompanhemos estas comunidades de base e de referência. A nossa família carmelita é uma grande comunidade de comunidades, onde cada pessoa se sente apoiada e desafiada a crescer como crente e como carmelita. Acolhamo-nos sob a protecção de Maria, nossa Mãe e, como outrora no Cenáculo, imploremos incessantemente com Ela, a vinda às nossas comunidades, do Artífice da Comunhão. Para isso, Cristo e a Virgem Maria, Sua e nossa Mãe, sempre nos estão a convidar para a mesa da eucaristia a partir da qual se recebe o Espírito e se reconstrói e renova a comunidade. Aceitemos o seu convite.
Em terceiro lugar, o desafio da missão; neste sentido, contemplemos Maria que caminha apressadamente para as montanhas, sob o impulso do Espírito que n’Ela havia descido na Anunciação. Os nossos tempos convidam-nos à evangelização, que é sempre antiga e sempre nova, com propostas claras de vida espiritual, mediante o acolhimento, o testemunho e a proposta de formação de carmelitas e comunidades orantes; mediante o atendimento na reconciliação e no acompanhamento espiritual, nas ofertas de iniciativas de mistagogia e pedagogia da oração. A nova evangelização é a grande obra-prima do Espírito! Pede a criatividade e ardor que nascem da experiência de Deus que nos permite ir ao encontro das necessidades pastorais dos que estão perto, e já pertencem ao rebanho, mas também dos que estão longe geográfica ou espiritualmente. Neste tempos abraçamos de forma explícita a missão ad gentes com os projectos fundacionais em Angola e Timor Leste. Maria possuída pelo Espírito tornou-se enviada e missionária e por isso é nosso modelo. Ela correu apressadamente para as montanhas para ir ao encontro de Isabel para lhe levar a sua alegria e lhe prestar os seus serviços. Deixemo-nos tomar pela alegria e a pressa do Espírito, que não tem tempo a perder, pois o cristão e o carmelita são estruturalmente missionários, estão sempre a sair e a partir ao encontro dos que ainda não experimentaram a alegria do encontro com o Deus vivo.
Que ao celebrarmos a Solenidade de Maria, Alegria e Formosura do Carmelo, regressemos às fontes mais genuínas da nossa vocação e missão, para que movidos em tudo pelo Espírito, como Maria, nossa Mãe, sejamos úteis e significativos nesta Igreja e neste mundo.


Fátima, 16 de Julho de 2013
Pe Joaquim Teixeira, prov.



sábado, 7 de novembro de 2009

Quem sai aos seus

No ano passado falando do frio invernio do Seminário em que vivo alguém leu saudosismo. Mas se ele continuar vazio e não surgirem alternativas, quem me virá falar de primavera?
Por estes dias percorri os corredores do Seminário Diocesano projectado há poucos anos para cem alunos: agora tem quatorze e algumas esperanças, poucas, no Seminário em Família. Também não vejo ali primavera alguma. De novo chegou a Semana dos Seminários e não estou mais esperançado. Por isso volto ao mesmo tema e ao mesmo tom, que é de quase rebate. Enquanto há quem o possa ouvir, enquanto há quem o possa reconhecer.
Enquanto...
Não sei se acontece assim com todos, mas quando acordei só vi a minha mãe e assim foi que comecei a gostar do que ela gostava. Aliás, comecei gostando do leite dela, sem saber o que era. E como para quase tudo há idade, também para mim chegou o momento de gostar de coisas diferentes. Diferentes dela e das que ela gostava. Outras muitas continuei gostando. Quando meu pai entrou nesta história vi que havia outros gostares.
E também existiam irmãos e primos e tios, pelo que as coisas, os gostos e as vidas, sendo embora muito parecidos, não eram de todo iguais. E à medida que o mundo cresceu, vi que havia mais além para além das fronteiras. Passado tempo não vi muito, nem demais, nem tudo. Porém, depois do que vi continuo a gostar da sopa da minha mãe e do barulho bom do rio da minha terra que me corre por debaixo da janela.
Existem muitas mães e pais, muitas famílias e rios, mas em lado algum nada me refresca como ali, quando ali vou.
Se assim começo hoje é para me ilibar de escrever algo mais científico sobre a família, de que todos sabemos bastante e bastantemente carecemos viver. Não existe terra mais fofa e aprazível onde melhor desperte a semente da vida. Mil beijos não substituem um olhar terno da mãe, nem dez mil âncoras são tão seguras quanto as mãos dum pai. Falte-nos a família: pais, irmãos, avós, primos, a família mais alargada e não passaremos de árvores cujas raízes teimam em agarrar-se ao solo pedregoso e pouco nutritivo.
(O resto que o digam melhor os cientistas e investigadores das ciências humanas.)
A S. Teresa de Jesus pediram os superiores que se narrasse, e ela ofereceu-nos o Livro da Vida. Sobre a sua família e o que ela teve de fundante na sua vida e na eleição das suas opções, ela recordou que seu pai
era afeiçoado «a ler bons livros, e por isso os tinha em castelhano, para que os filhos os lessem», e que sua mãe gostava de ler «livros de romances». O resultado foi que isto despertou nela o gosto pela leitura e que em chegada a época das grandes realizações sempre os livros lhe serviram de suporte para se renovar, crescer e decidir.
Sobre a mãe ressaltará ainda «o cuidado que tinha em nos fazer rezar e em sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns santos.» E diz mais: «tinha também muitas virtudes, e passou a vida sempre doente. Era de grandíssima honestidade, muito serena e de grande entendimento.»
Por sua vez, do amado pai, dirá: «Era um homem de muita caridade para com os pobres e de piedade para com os doentes. Nunca ninguém o viu jurar ou murmurar. Era sobremaneira honesto.»
Também falou dos irmãos: «Éramos três irmãs e nove irmãos. E por Deus, todos nos parecíamos a nossos pais na virtude.»
Lá diz a sabedoria popular: Quem sai aos seus não degenera.
É verdade que os caminhos e as escolhas se elegem muitas vezes à margem da família, surpreendendo-a até; mas o mais natural é que brotem do laboratório familiar. A vocação é sempre mais serena e forte quando todos a apoiam e reforçam. Falando aqui de vocação fala-se no geral e também da de consagração a Deus e à Igreja e no contexto próximo da Semana do Seminários. Vivemos tempos em que os filhos são bens escassos, pelo que em pouco tempo se lhes define o rumo mais rentável, que, não passa pelo sacerdócio. O que vá lá, sem se ser bota de elástico, se entende, mas o que já não tem muita lógica é como depois as famílias se sentem no direito de exigir a presença e a acção do sacerdote! É que lá diz outro adágio: não há dar sem dar.
Chama do Carmo I NS 43 I 08 Nov 09