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sábado, 20 de julho de 2013

Bem-vinda, Peregrina da fé

Festa de Nossa Senhora do Carmo. Com simplicidade e momentos muito belos mas sem alarde, de muita interioridade onde todos puderam entrar, assim foi a Festa de Nossa Senhora do Carmo entre nós. Na véspera da Solenidade levamos a sua imagem pelas ruas do nosso bairro, numa procissão de velas plena de oração e de cânticos. À chegada da procissão o Prior do Carmo pronunciou a seguinte  alocução:


Sede de novo bem-vinda a vossa casa,Senhora do Carmo.
Os vossos filhos e filhas estamos agradecidos por terdes vindo percorrer connosco os caminhos das canseiras do nosso dia a dia.

Nos vos agradecemos termos podido contemplar o vosso rosto lado a lado com o nosso peregrinar, porque vos reconhecemos como A Peregrina da fé, e porque também nós vos confessamos como «bem-aventurada por terdes acreditado»!

Como sois bem-aventurada, ó Senhora do Carmo!

Pela fé gerastes em vosso seio com alegria o Autor da vida, e destes à luz o Filho de Deus.

Com fé e ante a admiração dos simples adorastes a Deus feito menino que dependia dos vossos peitos para se saciar, Ele que saiu do vosso ventre e como fruto bendito de luz, rasgou a nossa noite e iluminou o frio dos nossos dias. A fé afeiçoou o vosso coração delicado que se revelou um cofre forte onde guardáveis todas as coisas de Jesus, especialmente as que não compreendíeis.

(E quantas coisas vós não compreendíeis na vida e nas palavras de Jesus!)
 
Com fé vistes partir Jesus em missão e partindo-se o vosso coração decidistes segui-L’O em fé, acompanhando-O.

Vós, ó Mãe, fostes a primeira e a mais fiel discípula de Jesus, e qual discípula fiel o vosso coração sossegava escutando e guardando a palavra do Verbo.

Em fé permanecestes unida a Jesus, fosse na dureza dos caminhos ou no remanso dos beirais: ó companheira de Jesus, vós não fugistes a nenhum desconforto, a nenhuma dor, nem à hora da Cruz!

Em fé e contra toda a esperança aguardastes a ressurreição de Jesus e depois, entre a Ressurreição e o Pentecostes, saboreastes a frescura dos frutos da vitória.

Mas não reservastes para vós a alegria da vitória, antes, prontamente transmitistes a memória fiel de Jesus Cristo a todo o corpo da Igreja que estava a nascer.

Senhora, nós vos contemplamos e amamos em fé, porque sois do nosso povo, ó senhora das nossas vidas.

E assim vós, assim nós: vós caminhastes em fé e nós confiando na Luz que nos trouxestes e tendes em vosso regaço, caminharemos em fé, seja qual seja a noite.

Pela fé acreditamos que foste elevada ao Céu, onde agora sois Estrela que aponta o caminho.

Senhora de candeia na mão!

Vedes, Senhora da Luz, as nossas dúvidas?
Vedes as nossas crises, as nossas lutas diárias, os nossos sofrimentos, os nossos silêncios e as nossas lágrimas contidas?
Vedes as voltas trocadas da nossa vida pessoal, familiar, social e política?
Vedes quantas trocas e baldrocas?
Vedes como andam alguns à procura de mais um palácio donde governar?
E vedes como a nós nos basta o remanso do lar e o recosto num simples colchão?
Vedes que falta o pão em algumas casas, e que perto de nós há cães que comem à mesa?
Vede bem agora Senhora, por que bem tendes de nos ver com olhos de Mãe?

Ó Senhora da candeia que se manteve apagada para que a chama não vos queimasse as mãos nem ferisse a delicada pintura dos vossos dedos: Cobri-nos com o vosso manto e dai-nos a Luz que nos guie pelas duras trevas!

Dai-nos força e alento para seguir o vosso rumo, ó cheia de luz e de graça!

Ó Mãe do Carmo e Senhora de Luz, Senhora pelo Espírito Santo iluminada!
Vós percorrestes connosco as nossas ruas iluminadas apenas por metade, vós percorrestes as entradas das nossas casas, as que são ninhos de calor e as que são calvários de dor:
sede a nossa força e o nosso caminho e protegei-nos quando caminhamos por montes e vales, por desertos e por ilhas, nas estradas do sofrimento e incompreensão!

Dai-nos força e alento para seguir o vosso rumo,  ó cheia de luz e de graça!

Ó Mãe! Cobri com a vossa glória todos quantos hoje visitastes:
Casas de família e casas comerciais!
Casas que ninguém quer e que ameçam ruína e comércios onde já não há dinheiro para ir comprar!
O Albergue de São João da Cruz dos Caminhos e a Comunidade de Inserção!
O GAF, o Lar de Santa Teresa e a Segurança Social!
O Centro Ozanam e a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima!
O Liceu e a Junta de Freguesia!
O Mercado e o Bairro do Jardim!
A creche da Misericórdia e o Cemitério!
O Centro Prisional e Extensão dos Serviços de Estrangeiros!
Os frades do Carmo e tantos outros vossos leais servidores!

Com o vosso olhar a todos cobri e iluminai, Senhora da Luz do Carmo!

Ó Mãe, nós não somos mais que meninos!
Cabemos todos no vosso colo!
Por isso, nós vos pedimos ainda, ó Mãe: levai-nos pela mão e ajudai-nos a ver em fé o que o olhar da cara não vê!

Ensinai-nos a acolher e a proteger a Luz que já se encontra em nosso coração!

Dai-nos indicações que nos ajudem a caminhar e nos amparem a fé, sobretudo, quando parece que a luz de Deus se eclipsa e a fé se escurece!

Ó Mãe acende a candeia,
que temos medo desta noite tão escura.
Ó Mãe acende a candeia,
pois temos medo do assombro da lonjura.

Senhora do Carmo, Senhora da Luz, Senhora da candeia apagada!
Mostrai-nos a alegria da fé e o gosto de servir e seguir Jesus!
Devolvei-nos o sabor do pão fresco e da frescura da Palavra.
Conduzi-nos à missão como testemunho feliz e nobre da fé.

Senhora, simplesmente Senhora e Mãe, nós, vossas filhas e filhos tantas vezes descuidados, humildemente nos consagramos a vós para que as nossas vidas jamais saiam apagadas da vossa casa!

Nós nos consagramos a vós para que em nós jamais impere a escuridão das trevas!

Nós nos consagramos a vós para que torneis belos os nossos passos que caminham para Jesus!

Nós nos consagramos a vós para que torneis forte a fé que ilumina o caminho por onde havemos de ir ao céu, para junto de vós, de Jesus e dos vossos amigos, os Santos de Deus!
Ámen.


Chama do Carmo I NS 198 I Julho 21 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

Solenidade de Nossa Senhora do Carmo

 
Queridos irmãos e irmãs carmelitas, é com profunda alegria e esperança que me dirijo a todos vós neste dia da Solenidade da nossa Mãe e Irmã, a Senhora do Carmo.
A alegria da mãe resulta da alegria e felicidade dos seus filhos. Como carmelitas, pedimos muitas vezes a Maria que «nos seja propícia, que nos conceda graças e privilégios», mas também a Virgem Mãe nos dirige muitas vezes os seus pedidos. Que me está a pedir nesta encruzilhada da história a Virgem Maria? Que Carmelita leigo, consagrado ou sacerdote espera que eu seja? Que alegrias tenho para dar à Virgem Maria, esposa de José? Como bom filho que quero ser, não fico indiferente às alegrias e tristezas de tão boa Mãe.
Alegramos Maria quando fizermos o que Jesus nos disser (Jo 2, 5). As alegrias de Maria são as mesmas do Seu Filho Jesus. A fidelidade no seguimento é fonte de alegria para todos os discípulos. E o Autor de toda esta obra, o guia do caminho, é o Espírito Santo que sempre foi o guia da Virgem Mãe e inspirador de todas as suas obras! D’Ela disse o nosso Pai S. João da Cruz: “Eram assim as [obras] da gloriosíssima Virgem Nossa Senhora, a qual, estando desde o princípio elevada neste alto estado, nunca teve gravada na sua alma forma alguma de criatura, nem se moveu por ela, mas foi sempre movida pelo Espírito Santo (S III, 2, 10).
O Espírito continua a sua acção. Os ventos deste momento histórico pedem-nos renovação e revitalização. Já não aguentamos, nem temos que aguentar, estruturas do passado porque já não respondem às necessidades dos nossos tempos. Para vinho novo, odres novos (Mc 2, 22). Nós que nos revestimos do manto da Virgem Mãe do Carmo, sob a forma de hábito ou escapulário, somos também revestidos do Espírito que a cobriu com a sua sombra. E é sob a acção do Espírito que podemos deixar a inércia, o nosso estilo morno de vida e nos aventurarmos nos caminhos da conversão radical e profunda; de contrário, impediremos o kairós que está constantemente a bater à nossa porta (Cf. Ap 3, 20). Sopremos a cinza para que a chama do Espírito que ainda fumega não se apague. Do pouco, Deus pode fazer muito, reacendendo esta chama do Espírito nos nossos corações. Todos nós, protegidos, acolhidos e amados por Maria, sentimos a chama da fé que ainda dá luz e calor, que não se apagou, mas está à espera de ser refrescada pela Palavra, pelo reencontro com Jesus na Eucaristia e na Reconciliação, pelo contacto com a Chama Viva de Amor que ardia no coração dos nossos fundadores, Teresa e João da Cruz. Não deixemos extinguir o Espírito! (1 Tes 5, 19)
Sob o olhar terno e materno de Maria, nossa Mãe, podemos identificar e interpretar com realismo e esperança os desafios do nosso tempo. Aponto três desafios e coloco-os em paralelo com alguns quadros da vida da Virgem Maria que nos poderão servir de guia e inspiração à sua resposta.
Em primeiro lugar, temos o desafio da simplicidade e humildade; para tal, contemplemos Maria, rezando o seu cântico de Magnificat. No seu cântico de louvor, a Virgem Maria, cheia do Espírito Santo, constata como o Senhor «derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes». Penso que os nossos tempos pedem-nos uma vida mais pobre e mais simples, mais próxima dos pobres, literalmente falando. O Papa Francisco não se cansa de nos convidar para as periferias. Ora, se nos deixamos invadir pelo Espírito, a nossa vida tornar-se-á pobre e próxima dos pobres, como a da Virgem Maria. A grande acção do Espírito é empobrecer para nos encher das riquezas de Deus. Estamos no grupo dos poderosos a derrubar ou dos humildes a exaltar? Esta profecia revolucionária de Maria é sinal de esperança para os desempregados, emigrados, injustiçados dos nossos tempos com os quais queremos percorrer os necessários êxodos para atingir a liberdade e dignidade de filhos. Só um coração derrubado do seu orgulho pelo Espírito, empobrecido por Ele, tornado pobre e humilde, se torna companheiro de viagem de todos os pobres e humildes deste mundo e dispensador para eles de todos os bens materiais e espirituais.
A seguir, o desafio da conversão à comunidade; para tal, contemplemos Maria reunida com os discípulos no Cenáculo, em oração (Act 1,14). Os nossos tempos pedem-nos que sejamos construtores de comunidades coesas e bem alicerçadas. Só o Espírito une e cria comunhão! Estes tempos de desnorte que absolutizam os egoísmos em detrimento do bem comum, exigem dos cristãos a conversão à comunidade, à proximidade e relação com os que nos são naturalmente mais próximos: a família, a fraternidade dos carmelitas seculares, a comunidades religiosas das irmãs e irmãos carmelitas. A todos nós se nos pede que acompanhemos estas comunidades de base e de referência. A nossa família carmelita é uma grande comunidade de comunidades, onde cada pessoa se sente apoiada e desafiada a crescer como crente e como carmelita. Acolhamo-nos sob a protecção de Maria, nossa Mãe e, como outrora no Cenáculo, imploremos incessantemente com Ela, a vinda às nossas comunidades, do Artífice da Comunhão. Para isso, Cristo e a Virgem Maria, Sua e nossa Mãe, sempre nos estão a convidar para a mesa da eucaristia a partir da qual se recebe o Espírito e se reconstrói e renova a comunidade. Aceitemos o seu convite.
Em terceiro lugar, o desafio da missão; neste sentido, contemplemos Maria que caminha apressadamente para as montanhas, sob o impulso do Espírito que n’Ela havia descido na Anunciação. Os nossos tempos convidam-nos à evangelização, que é sempre antiga e sempre nova, com propostas claras de vida espiritual, mediante o acolhimento, o testemunho e a proposta de formação de carmelitas e comunidades orantes; mediante o atendimento na reconciliação e no acompanhamento espiritual, nas ofertas de iniciativas de mistagogia e pedagogia da oração. A nova evangelização é a grande obra-prima do Espírito! Pede a criatividade e ardor que nascem da experiência de Deus que nos permite ir ao encontro das necessidades pastorais dos que estão perto, e já pertencem ao rebanho, mas também dos que estão longe geográfica ou espiritualmente. Neste tempos abraçamos de forma explícita a missão ad gentes com os projectos fundacionais em Angola e Timor Leste. Maria possuída pelo Espírito tornou-se enviada e missionária e por isso é nosso modelo. Ela correu apressadamente para as montanhas para ir ao encontro de Isabel para lhe levar a sua alegria e lhe prestar os seus serviços. Deixemo-nos tomar pela alegria e a pressa do Espírito, que não tem tempo a perder, pois o cristão e o carmelita são estruturalmente missionários, estão sempre a sair e a partir ao encontro dos que ainda não experimentaram a alegria do encontro com o Deus vivo.
Que ao celebrarmos a Solenidade de Maria, Alegria e Formosura do Carmelo, regressemos às fontes mais genuínas da nossa vocação e missão, para que movidos em tudo pelo Espírito, como Maria, nossa Mãe, sejamos úteis e significativos nesta Igreja e neste mundo.


Fátima, 16 de Julho de 2013
Pe Joaquim Teixeira, prov.



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alakrana

A Estrela do Mar é Nossa Senhora do Carmo. Em Espanha os marítimos da Galiza e do País VCasco, entre outros, têm-na por padroeira. Num dos portos viscaínos (perdoem-me erros político-histórico-geográficos, se os há.) existe uma capela subaquática dedicada a Nossa Senhora do Carmo. Não há barco de pescadores que por ali passe que não se sinta abençoado por tão boa padroeira. E também é costume que uma imagem do Carmo presida a cada navio. É a tradição.
O Alakrana é um pesqueiro basco. Nos últimos tempos foi aprisionado ao largo da Somália. O seu capitão Ricardo Blach narrou ultimamente que depois do pesqueiro ter sido sequestrado por piratas samalis estes lançaram borda fora a imagem de Nossa Senhora do Carmo, que agora descansa no fundo dos oceanos.
Mas podia ter sido pior. O capitão contou que os sequestradores ainda se mostraram benignos, «porque se fossem os daquele clã (que se encontrava ao largo) tínheis morrido».
«Verdade ou mentira não sei, disse o capitão, pois passamos por tanto que até deliramos!».