Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
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domingo, 1 de dezembro de 2013
Parágrafo teresiano
Quis o Senhor que viesse então algumas vezes esta visão. Via um anjo ao pé de mim, para o lado esquerdo, em forma corporal, o que não costumo ver senão por milagre. Ainda que muitas vezes se me representam anjos, é sem os ver. Nesta visão quis o Senhor que o visse assim: não era grande, mas pequeno, formoso em extremo, o rosto tão incendido, que parecia dos anjos mais sublimes que parecem todos se abrasam. Devem ser os que se chamam Querubins, que os nomes não mos dizem, mas bem vejo que no Céu há tanta diferença duns anjos a outros e destes outros a outros, que não o saberia dizer. Via-lhe nas mãos um dardo de oiro comprido e, no fim da ponta de ferro, me parecia que tinha um pouco de fogo. Parecia-me meter-me este pelo coração algumas vezes e que me chegava às entranhas. Ao tirá-lo, dir-se-ia que as levava consigo, e me deixava toda abrasada em grande amor de Deus. Era tão intensa a dor, que me fazia dar aqueles queixumes e tão excessiva a suavidade que me causava esta grandíssima dor, que não se pode desejar que se tire, nem a alma se contenta com menos de que com Deus. Não é dor corporal, mas espiritual, embora o corpo não deixa de ter a sua parte, e até muita. É um requebro tão suave que têm entre si a alma e Deus, que suplico à Sua bondade o dê a gostar a quem pensar que minto.
Os dias que isto durava, andava como alheada; não queria ver nem falar, senão abraçar-me com a minha pena, que era para mim maior glória que quantas há em tudo o criado. Isto me acontecia algumas vezes, quando quis o Senhor que me viessem estes arroubamentos tão grandes que, até mesmo estando entre muitas pessoas, não lhes podia resistir, e assim, com muita pena minha, se começaram a divulgar.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582)
LIVRO DA VIDA 29:13-14.
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Transverberação
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Parágrafo Teresiano
Depois de dois anos, aconteceu-me isto: estando um dia do glorioso São Pedro em oração, vi ao pé de mim ou senti, para melhor dizer, pois nem com os olhos do corpo nem com os da alma nada vi; mas parecia-me que Cristo estava ali mesmo junto de mim e via ser Ele que me falava, segundo me parece.
Como estava ignorantíssima que pudesse haver semelhante visão, deu-me um grande temor a princípio e não fazia senão chorar, embora, dizendo-me uma só palavra de segurança, ficasse sossegada com regalo e sem nenhum temor, como costumava. Parecia-me andar sempre a meu lado Jesus Cristo; e, como não era visão imaginária, não via sob que forma, mas sentia muito claramente estar Ele sempre a meu lado direito e que era testemunha de tudo quanto eu fazia; e de nenhuma vez em que me recolhesse um pouco, ou não estivesse muito distraída, podia ignorar que estava ao pé de mim.
Fui logo a meu confessor, muito aflita, a dizer-lho. Perguntou-me sob que forma O via. Eu disse-lhe que O não via. Disse-me como é que eu sabia que era Cristo? Eu disse-lhe que não sabia como, mas não podia deixar de entender que Ele estava ao pé de mim e O via e sentia nitidamente, e que o recolhimento da alma era muito maior que em oração de quietude e muito contínuo, e os efeitos muito diversos dos que costumava ter; e que era coisa muito clara.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) - LIVRO DA VIDA 27:2
Como estava ignorantíssima que pudesse haver semelhante visão, deu-me um grande temor a princípio e não fazia senão chorar, embora, dizendo-me uma só palavra de segurança, ficasse sossegada com regalo e sem nenhum temor, como costumava. Parecia-me andar sempre a meu lado Jesus Cristo; e, como não era visão imaginária, não via sob que forma, mas sentia muito claramente estar Ele sempre a meu lado direito e que era testemunha de tudo quanto eu fazia; e de nenhuma vez em que me recolhesse um pouco, ou não estivesse muito distraída, podia ignorar que estava ao pé de mim.
Fui logo a meu confessor, muito aflita, a dizer-lho. Perguntou-me sob que forma O via. Eu disse-lhe que O não via. Disse-me como é que eu sabia que era Cristo? Eu disse-lhe que não sabia como, mas não podia deixar de entender que Ele estava ao pé de mim e O via e sentia nitidamente, e que o recolhimento da alma era muito maior que em oração de quietude e muito contínuo, e os efeitos muito diversos dos que costumava ter; e que era coisa muito clara.
SANTA TERESA DE JESUS (1515 - 1582) - LIVRO DA VIDA 27:2
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domingo, 27 de outubro de 2013
sábado, 14 de novembro de 2009
A influência da família em S. Teresa
A família de Santa Teresa terá alguma coisa a dizer-nos, hoje? Dom Alonso perdeu a sua primeira mulher. Ficou viúvo muito novo, com dois filhos, e voltou a casar. Teresa (28.3.1515) é filha do segundo casamento de Dom Alonso com Dona Beatriz de Ahumada (uma jovem de Olmedo, de 15 anos). Dois filhos do primeiro casamento, mais dez do segundo, fazem com que na família de Teresa haja 12 irmãos.
Teresa já é freira e os seus confessores mandam-lhe que faça um relato da sua vida espiritual, das mercês que o Senhor lhe faz. Ela remonta à infância. Começa por dizer: “O ter pais virtuosos e tementes de Deus me deveria bastar se eu não fosse tão ruim…, com o que o Senhor me favoreceu para ser boa” (V 1, 1).
Teresa reconhece que tudo o que é em adulta começou a forjar-se na infância, vendo como viviam os pais, relacionando-se com os irmãos, partilhando a amizade com os seus familiares. Vamos dividir esta reflexão em três alíneas: Pais, irmãos e familiares. Nascemos, vivemos e morremos entre eles. Deles e com eles, aprendemos a ser pessoas.
1. OS PAIS
Teresa reconhece a influência de seus pais, as suas virtudes, como viviam a sua relação com Deus…Para ela foram um dom de Deus e o espelho onde se revia.
1. Seu pai era afeiçoado “a ler bons livros, e por isso os tinha em vernáculo para que os filhos os lessem.” A mãe gostava dos “livros de cavalaria” (V 1,1). O resultado foi que estes costumes dos pais despertaram em Teresa o gosto pela leitura.
Quinhentos anos depois, muitos de nós continuamos a acreditar na influência educativa que tem a vida dos pais na dos filhos: as reacções, conversas, gestos, divertimentos, esperanças, crenças… tudo educa. Ser pai é transmitir vida e a tarefa não termina com dar à luz os filhos.
2. “O cuidado que a minha mãe tinha em nos fazer rezar e em sermos devotos de Nossa Senhora e de alguns santos, começou a despertar-me, na idade – segundo creio – de seis ou sete anos”.
Actualmente, muitos de nós continuamos a defender a necessidade de pôr os filhos em contacto com Deus, de educar a sua dimensão transcendente, de agradecer a Deus a vida, de rezar. Porque, nos nossos dias, manifestar publicamente a fé é um acto de coragem e coerência. E porque teremos de nos acobardar perante os que põem em ridículo a nossa religião? A vivência da fé na família continua a ser actual e necessária para o crescimento equilibrado dos filhos.
3. “Era meu pai um homem de muita caridade para com os pobres e de piedade para com os doentes (…), era de grande verdade. Nunca ninguém o viu jurar ou murmurar. Sobremaneira honesto”. “Ajudava-me não ver nos meus pais senão apoio para a virtude: tinham muitas” (V 1, 2).
Hoje, muitos de nós continuamos a apostar em recuperar o valor da verdade, da honradez e da honestidade. Se, na sociedade, respiramos mentira, egoísmo, deslealdade e ânsia de poder a qualquer preço, é porque na família não “se dá valor aos valores”. É urgente recuperar a eficácia da educação das virtudes: fortaleza, temperança, prudência, justiça, fé, esperança, caridade.
4. “A minha mãe tinha também muitas virtudes, e passou a vida com grandes enfermidades. Grandíssima honestidade (…), muito serena e de grande entendimento” (V 1, 3).
Quinhentos anos depois, continuamos a reconhecer a grandeza das nossas mães. E surpreendemo-nos a fazer coisas que elas faziam, usando expressões que elas diziam, admirando e agradecendo uma vida de entrega silenciosa e muitas vezes sacrificada.
Continuamos a acreditar que ser mãe significa defender a vida do filho, antes e depois de ele nascer. Continuamos a acreditar que o sacrifício é um valor vigente e necessário na família e na sociedade. E que a capacidade de sofrimento e de renúncia torna o homem forte face às dificuldades. Serão fortes e sofridos os nossos jovens?
5. “Lembro-me de que, quando a minha mãe morreu, tinha eu pouco menos de doze anos de idade. Quando comecei a compreender o que tinha perdido, fui-me aflita a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei-lhe com muitas lágrimas que Ela fosse minha mãe. Parece-me que, embora o tenha feito com candura, me tem valido” (V 1,7).
Quinhentos anos depois damo-nos conta de que o maior conflito, o maior sofrimento que existe numa família continua a ser a doença e a morte dos seres queridos.
A morte dos pais, quando os filhos são ainda pequenos, envolve a família num mar de incerteza e insegurança. A solidão converte-se em companheira absoluta, surgem com força as perguntas pelo significado da existência e a pessoa fica como que desvalida, desprotegida pela ausência do pai ou da mãe. Quando se tem fé, pode-se recorrer ao Senhor, à Virgem Maria, pode-se rezar mesmo que não se compreenda, mas a dor e as lágrimas são inevitáveis: “Supliquei-lhe com muitas lágrimas que Ela fosse minha mãe”.
Vivemos numa sociedade cheia de contradições. Por um lado, envolve-nos a violência e a morte nos telejornais, nos filmes, nas séries televisivas e nos jogos de vídeo. Por outro, evitamos falar da outra vida, do mais além. Habituando os filhos a brincar com a morte, tiramos valor à vida.
“Foi coisa para louvar o Senhor a morte que teve (meu pai), e o desejo que tinha de morrer, os conselhos que nos deu… encarregando-nos que o encomendássemos a Deus… que víssemos como tudo acaba” (V 7, 15).
II. OS IRMÃOS
1. “Éramos três irmãs e nove irmãos. Todos se pareciam com seus pais – pela bondade de Deus – em serem virtuosos” (V 1, 4).
Quinhentos anos depois, os investigadores e estudiosos da família descobrem que a relação entre os pais determina a relação entre os irmãos. Se vêem coerência de vida nos pais, aprendem a ser coerentes.
2. “Tinha um irmão quase da minha idade (…) Juntávamo-nos a ler vidas de santos. (…) Espantava-nos muito dizer que pena e glória era para sempre (…) Acontecia-nos estar muito tempo tratando disto e gostávamos de dizer muitas vezes: para sempre, sempre, sempre! Com pronunciar isto muito tempo era o Senhor servido que me ficasse impresso, na meninice, o caminho da verdade” (V 1, 5).
Hoje, continuamos a defender a importância das relações entre irmãos. Do ponto de vista social, são um ensaio, uma preparação para a inserção de crianças e jovens no grupo de amigos, na escola e na sociedade. Do ponto de vista pessoal, estas relações determinam o desenvolvimento e a configuração da personalidade e das crenças, porque os irmãos têm tendência a imitar-se.
3. “Dava esmola como podia, e podia pouco. Procurava solidão para rezar as minhas devoções, que eram bastantes, em especial o Rosário, de que a minha mãe era muito devota, e por isso nos fazia sê-lo” (V 1, 6).
Quinhentos anos depois, continuamos a observar que cada um sabe o que lhe ensinam. E que uma sociedade sem Deus, como a nossa, é fruto de uma série de causas que convergem, entre as quais está a educação na família e na escola. Em que momentos ou acontecimentos da vida reza a família de hoje? Quem vai ensinar os filhos a rezar quando desapareça a geração das avós? Que sinais religiosos vêem os nossos filhos nas suas casas? Em que celebrações da fé participa toda a família? Quem educa a dimensão transcendente das nossas crianças, adolescentes e jovens?
4. Teresa interessa-se pela sorte e negócios de seus irmãos: “Nada me dá tanto contentamento como o de que os meus irmãos, a quem tanto amo, tenham luz para querer o que é melhor. (E digo-lhes) agora que ponham todos os seus negócios em Suas mãos, que sua Majestade fará em tudo o que mais nos convém” (Carta 23, 3).
III. OS FAMILIARES1. “Tinha uns primos irmãos… Eram quase da minha idade, pouco mais velhos do que eu; andávamos sempre juntos… Recebi toda a má influência de uma familiar que frequentava muito a nossa casa”. Meu pai e minha irmã lamentavam muito esta amizade” (V 2, 4).
Quinhentos anos depois, assistimos ao efeito produzido por uma má companhia. “Sobretudo no tempo da mocidade deve ser maior o mal que causa” – diz Santa Teresa.
E a experiência diz-nos que isto continua a ser verdade. Muitos pais procuram com todo o cuidado uns bons amigos para os seus filhos e temem sempre que se juntem com más companhias.
CONCLUSÃODe tudo isto, fica-nos uma certeza: Santa Teresa teve a sorte e o dom da família. O ter pais virtuosos, irmãos com quem partilhava sonhos e esperanças… tudo isso fez dela uma mulher de fé firme, comprometida com a vida, dependente de Deus e com desejo de procurar e viver “a verdade de quando era menina”.
O testemunho da vida de Teresa de Jesus tem de nos dar forças para sermos defensores da família como sustentáculo e força da sociedade, como a melhor escola de valores. Tem de nos fortalecer na certeza de que a família é um valor para a sociedade e não podemos permitir que ninguém ponha em ridículo nem ataque a sua existência.
Deve tornar-nos críticos dos meios de comunicação e de todos o que se empenham em nos oferecer modelos de relações familiares em que não existe o respeito, nem o amor para com o outro, nem a defesa da vida e da dignidade humanas.
Basta-nos acender a televisão em qualquer dia, e até me atreveria a dizer a qualquer hora, para ver e escutar história de famílias em que tudo vale, histórias de jovens sem pudor, sem um questionamento sério sobre a vida. Onde está o direito da família a ser protegida pelo Estado se, na Televisão pública, se destrói a família?
A família actual vive num mar de incertezas. Assistimos a uma ausência de valores humanos, sociais e religiosos. Os pais preocupam-se com a educação dos filhos e do seu futuro. Os filhos vivem à margem dos pais. Perante este panorama, permitam-me que lhes diga:
Teresa escolheu viver na família carmelitana. Também nela havia grandes problemas para os quais era difícil encontrar solução. O que ela via na sua Ordem, vamos aplicá-lo ao que qualquer pai ou mãe vive na sua família.
“Estando um dia muito amargurada com o remédio da Ordem, disse-me o Senhor: ‘Faz o que estiver na tua mão e deixa-Me tu a Mim e não te preocupes com nada; goza do bem que te foi dado, que é muito grande; o meu Pai deleita-Se contigo e o Espírito Santo ama-te’ (CC 10ª,Toledo, Junho de 1570).
É esta a mensagem que eu gostaria de transmitir hoje aos pais e mães: que reconheçam o bem da família, que gozem dela, que agradeçam a Deus o dom dos filhos, que aproximem os filhos de Deus e os ponham nas Suas mãos. Que acreditem e vivam o amor que Deus lhes tem. Pusemos Deus fora dos nossos lares e até da nossa vida. Talvez esteja nisso todo o problema.
Que Teresa de Jesus nos sirva de modelo na oração, na fortaleza de vida, na confiança no Deus que nos salva e a Quem devemos tudo!
Júlia Villa Garcia
Trad. P. Vasco Nuno
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Ler e partilhar o Livro da Vida
“O objectivo que nos propomos alcançar com a escuta da leitura da palavra de santa Teresa é gerar nas pessoas e nas comunidades um fortalecimento da nossa vivência cristã, em clave bíblica e evangélica, e um enriquecimento da nossa vida de fé em comunhão com a Igreja. Como interlocutores actuais de Teresa, constatamos que os seus escritos contribuem para melhorar a nossa vida como carmelitas e como membros da grande família do Carmelo com uma eficácia análoga à que São Gregório Magno dizia da Sagrada Escritura: ela cresce naquele que a lê, em proporção à fé e ao amor do leitor. Por isso a nossa leitura mover-se-á não tanto por uma preocupação sistemática, mas antes pela atenção àquilo que nos escritos de Teresa é efectivamente relevante para a nossa vida”. (Cf. Para Vos nací, 40)
Metodologia básica:
“Assumamos o compromisso de dedicar todos os dias uma fracção do nosso tempo, por pequena que seja, à leitura de santa Teresa, e o resto também se fará. Somente esta frequência quotidiana nos pode voltar a trazer o sabor e o gosto do carisma de Teresa. Por experiência própria, sei que uma tal fidelidade não é possível se, por um lado, não houver uma “determinada determinação” de colocar este empenho pessoal e escondido entre as prioridades da agenda pessoal e se, por outro lado, não tivermos a capacidade de recorremos ao texto tal como somos, com os nossos problemas ainda por resolver e as nossas interrogações recorrentes, livres de apriorismos desorientadores” (P. Saverio, Prepósito Geral OCD, na introdução do documento capitular Para Vos nací).
Meios específicos:
Guiões com umas curtas e práticas orientações prévias à leitura de cada secção proposta, perguntas para a reflexão pessoal e partilha comunitária, partilhas e celebrações comunitárias acerca do que se leu.
Livro da Vida:
Guião de leitura e partilha dos capítulos 1 a 9
Orientações gerais:
Começaríamos por dizer que a santa Madre apresenta nesta primeira parte do Livro da Vida a obra salvífica de Deus contra a sua , e justifica-o narrando o bem que Ele lhe oferecia e, ao contrário, o mal com que ela se deixava enredar; concretamente: 1) as pessoas ou as companhias, 2) as propensões [e graças], 3) os livros. Portanto, num quadro sinóptico, é boa ajuda ir anotando : a) Quais os bons e os maus elementos; b) Quais os momentos em que ora, isto é, em que se dirige directamente ao Senhor ; c) Como se vai descrevendo a si própria: simpática? devota? descuidada? ...
Orientações particulares:
Cap. 1-3: pela sua brevidade e clareza, é um exemplo perfeito para descobrir a estrutura referida [cf. nota 4]: despertar (cap. 1) – perder (cap. 2) – tornar a despertar (cap. 3). Importante anotar: 1) a que anos da sua vida se está referindo a santa; 2) em que é que consiste basicamente esse despertar ou descoberta fundamental; 3) demora muito tempo a vencer a crise de adolescência a que se refere?; 4) trabalhar a orientação geral apontada antes: Deus “contra” ela —companhias, livros e propensões; 5) trabalhar também as orientações gerais b y c.
Meditação após a leitura do texto:
1. Imitemos a Santa e utilizemos as suas próprias chaves: certamente que cada um de nós também tem que agradecer a Deus pessoas, propensões e graças, livros (obras musicais, cinematográficas…); inclusive más experiências em relação a elas, mas felizmente superadas e integradas. (Seria bom orar e partilhar em comunidade alguma coisa que extraímos daqui).
2. O texto teresiano é acção de graças e, ao mesmo tempo, exame de consciência, desejo sincero de conhecimento próprio e abertura à direcção espiritual: cuido essas dimensões da minha vocação: exame de consciência, direcção espiritual, confissão?
3. “A verdade de quando era criança” (3,5) é fundamental na origem da vocação da Santa Madre (e uma coisa a não perder de vista: cf. 15,12): é tida em conta na espiritualidade actual?; é assim que tu fazes?; por quê?
4. Vendo o cap. 2, é óbvio que S. Teresa se preocupa muito com a educação dos adolescentes e não cai no costume de desculpar-lhes os comportamentos errados pelo facto de se dizer que “são coisas da idade” (porque postos na ocasião, está o perigo ao alcance da mão: 2,6). No trabalho pastoral com os adolescentes ou seus pais, reduzes as respostas às suas perguntas ao “são coisas da idade”? Conheces casos que requeiram a mesma firmeza do pai da santa ou parecida? Crês que isto tem alguma coisa a ver com o êxito ou o fracasso das diversas pastorais juvenis? ... Aprofunda quanto puderes este tema.
5. Na linha do que se disse, constitui um caso particular a sua preocupação pela leitura de livros frívolos. Contudo, a sua sobrinha Maria Baptista atesta: “Quando me via a ler livros de cavalaria e outros parecidos, dizia que não se preocupava, porque tinha esperança que daqueles passaria a ler os bons, e deste gosto tiraria proveito, como aconteceu com ela” (EFRÉN-STEGGINK, Tiempo y vida de Santa Teresa, Madrid 1977, 183). Como avalias esta aparente contradição? Com qual dessas duas posições és mais partidário e por quê?
Perguntas para a leitura pessoal, para a partilha e para a celebração (Cap. 1-3)
O que diz o texto?
- A obra salvífica de Deus: Quais foram as obras de Deus em favor de Teresa?
- A resposta de Teresa: o que é que a ajuda e o que é que não a ajuda a corresponder a Deus? Em que consiste a crise da adolescência de Teresa?
O que o texto me/nos diz?
- Cultivo as dimensões da minha vida cristã de auto-conhecimento, confrontação pessoal e comunitária, sacramento da reconciliação?
- Para santa Teresa “a verdade de quando era criança” (V 3,5) foi uma marca fundamental na sua vida. Qual ou quais são as tuas marcas?
- No cap. 2, quais são as orientações que Teresa nos oferece para a educação dos adolescentes?
O que é que o texto me leva a dizer a Deus?
- As orações: Quais as citações onde encontras orações de Teresa? Poderias formular as tuas próprias orações?
- Quais foram as pessoas, as propensões, as graças e os livros da tua vida dos quais Deus se valeu para te ajudar?
Trad. do P. Vasco Nuno
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Guião de Leitura do Livro da Vida - Ficha 2
IntroduçãoPropomos que nos coloquemos diante do Livro da Vida diferentemente de quem tenciona ler um livro por curiosidade ou obrigação. Tomemos consciência de que nos encontramos diante de um bom livro, que nos interpela, que conta coisas que de algum modo sentimos como nossas: o que se relata no Livro da Vida, de alguma maneira está dentro de nós, acontece connosco.
O Livro da Vida pode ser lido de maneira participativa, porque a Santa Madre propõe-nos a sua história pessoal como um caminho de experiência para nós. O modo como ela se deixou conduzir é uma orientação adequada para a aventura interior que nos leva ao encontro com Deus. Ela di-lo explicitamente quando afirma que ao escrever é sua intenção “estimular as almas com um tão grande bem” (V 18, 8).
Esta confissão espontânea dá-nos a chave de leitura que deve guiar a abordagem ao Livro da Vida e a todos os escritos teresianos. Santa Teresa é mediadora de uma Presença activa, a presença de Deus; tem a eficácia de propiciar o encontro pessoal, não só com ela, mas também com o seu interlocutor divino. Aliás, sempre que Teresa fala de Deus fala diante dEle, coram Dei, de maneira a que Ele apareça e Se manifeste por Si mesmo. Propomos, pois, uma leitura, receptiva e vibrante, como a que costumava fazer o seu primeiro editor, Fr. Luís de León: “Sempre que os leio os escritos teresianos volto a admirar-me e, em muitas passagens, parece-me que não é génio humano o que oiço; e não duvido que o Espírito Santo falava nela em muitos lugares, e que lhe guiava a pena e a mão, pois assim o manifesta a luz que põe nas coisas obscuras e o fogo que acende com suas palavras no coração de quem as lê”. Esta convicção multiplica-se nos seus filhos e filhas: como Carmelitas, somos chamados de um modo particular a encontrar a nossa verdade, a Verdade, nas páginas deste livro vivo.
Muitos dos nossos irmãos e irmãs confirmam explicitamente esta experiência ao contar-nos a sua vocação ou conversão. como fruto do encontro com Teresa e com Jesus, caminho, verdade e vida, através da leitura das suas obras, particularmente do Livro da Vida: casos de Francisco de Santa Maria Pulgar e Tomás de Jesus, no séc. XVI, até Teresa Benedita da Cruz, no séc. XX.
Assim no-lo recordam também as nossas Constituições: “A origem da nossa família no Carmelo e o sentido mais profundo da nossa vocação estão estreitamente ligados à vida espiritual e ao carisma de Santa Teresa, e sobretudo às graças místicas, sob cujo influxo ela concebeu o propósito de renovar a Ordem”.Além disso, se queremos fazer uma leitura verdadeiramente proveitosa, não esqueçamos o que nos dizia o Propósito Geral, P. Xavier Canistrà, no prefácio do documento “Para Vós nasci”, do 90º Capítulo Geral: “Assim que abrimos as obras de Santa Teresa deparamo-nos com o extraordinário prólogo do Livro da Vida, no qual ela adverte o leitor para que não esqueça o lado obscuro da sua pessoa, do qual não lhe é permitido falar, porque apenas lhe foi dada licença para escrever sobre o seu modo de orar e sobre as graças recebidas. É uma declaração que nos põe imediatamente fora do convencional estilo hagiográfico e nos reconduz à autenticidade de uma vida cristã em contínuo estado de conversão. Se Teresa escreve isto é precisamente para que ninguém se sinta excluído da possibilidade de percorrer o seu caminho e de receber graças semelhantes às que ela experimentou. Mas, se entre nós e Teresa se ergue uma barreira feita de estereótipos, mais conformes aos cânones de uma certa hagiografia ou de uma certa teologia espiritual do que à história real de Teresa, a escuta das suas palavras não poderá converter-se para nós em manancial de saudável renovação, e ameaça converter-se num piedoso exercício, do qual poderão resultar, na melhor das hipóteses, considerações de teor moralista ou espiritualista”.
1. Um livro vivoEste livro vivo é a primeira obra da Santa e carece de título autêntico. Foram os bibliotecários de El Escorial que escreveram o que chegou até nós na primeira página. De todas as suas obras, o Livro da Vida é o escrito mais extensa e nele Teresa se define como escritora. Trata-se, além disso, de um escrito profundo, arrebatador, uma autêntica revelação da sua alma, a ponto de ela mesma o chamar assim: “minha alma” (na Carta a Doña Luísa de la Cerda, 23 de Junho de 1568).
Santa Teresa fez neste livro um esforço por derramar nas suas páginas a totalidade da sua pessoa, o que leva os críticos literários a considerarem-no o livro mais pessoal de toda a literatura espanhola. Isto é assim, porque Santa Teresa não pretende simplesmente escrever uma autobiografia, mas contar ao leitor a sua vida como uma história de salvação, como um espaço de encontro com Deus. A Santa narra-nos o modo como Deus assume o protagonismo da sua vida, esperando-a (cfr Prólogo) e transformando-a pacientemente. Desta forma, o livro conta a intervenção de Deus na vida da mulher que é Teresa de Jesus, com uma intenção comprometedora, quer dizer animando o leitor a dispor-se para que Deus assuma também o protagonismo da sua própria vida.
Apesar de ter sido escrito em diferentes períodos (1562-1565), trata-se de uma obra muito pensada e com uma estrutura bem definida, alternando a narração de acontecimentos biográficos com a exposição de carácter doutrinal. Este ritmo entre o narrativo e o didáctico é uma característica muito peculiar da escritora e nota comum a todos os seus escritos. Ela, que é uma narradora excepcional, não se limita a transmitir uma crónica mas, levada por uma imparável ânsia de comunicar, prefere exercer o ofício de directora espiritual, fazendo da narrativa biográfica uma plataforma para o doutrinal, procurando acolhimento para as suas palavras, mais do que resposta às mesmas.
2. Estrutura do livro e pistas de leitura
O livro desenvolve-se em quarenta capítulos, que dão lugar a cinco diferentes secções temáticas:
Secção I (cap. 1 a 9)
A primeira parte do livro abarca os capítulos 1 a 9, nos quais Santa Teresa traça um retrato autobiográfico de quarenta anos de existência, desde a infância até ao acontecimento fundante da sua experiência mística. Ao longo da narração, Teresa parece desdobrar-se em dois sujeitos: narrador e personagem; o narrador possui a perspectiva que ela tem ao escrever, enquanto que a personagem actua e se relaciona segundo a perspectiva que a própria Teresa tinha quando sucederam os factos narrados. A secção é de um dramatismo crescente no qual o leitor se vê claramente envolvido, até chegar ao episódio da conversão, que a Santa descreve como o acontecimento chave da sua vida, aquele que marca um antes e um depois.
Pistas de leitura da secção INeste conjunto de capítulos, Teresa fala-nos verdadeiramente de si mesma e da sua família: conta-nos a sua vida de criança, adolescente e jovem, a sua primeira vocação, o seu encontro com a vida carmelita, etc. Mas, acima de tudo, fala-nos de Deus, da acção de Deus nela, de um Deus dinâmico e activo que não deixa nada por fazer no Seu desejo de aproximar-Se do ser humano, de Se abaixar para partilhar a sua vida e o transformar, para além de qualquer crise. Baseada na sua experiência pessoal, Teresa ensina-nos que Deus é uma presença positiva, que melhora a pessoa, encoraja os seus bons desejos e perdoa a suas culpas.
Para mostrar de maneira ainda mais clara a grandeza de Deus e o Seu desejo inesgotável de transformar a pessoa, Teresa apresenta-se a si mesma como ingrata, resistente à acção divina. Não se trata, porém, de uma visão pessimista ou negativa da pessoa humana, apenas pretende manifestar bem o carácter inigualável da iniciativa divina, fazer-nos ver que a acção de Deus não depende dos nossos méritos, (embora valorize as nossas boas intenções) mas única e exclusivamente da Sua misericórdia.
Secção II (cap. 10 a 22)
O capítulo 10 é um capítulo de transição. E os capítulos 11 a 22 são uma exposição detalhada dos quatro graus de oração, através do uso de uma imagem alegórica: as quatro maneiras de regar o horto, que correspondem à oração de meditação (c. 11-13), a oração de recolhimento infuso e de quietude (c. 14-15), a oração do sono das potências (c. 16-17) e a oração de união (c. 18-21). O capítulo 22 resume e coroa todo o itinerário espiritual, com a mediação insubstituível de Jesus Cristo “por Quem nos vêm todos os bens.” (V 22:7) Esta secção irá preparar-nos para compreender melhor a vida nova que ela experimenta desde a sua entrada na experiência mística.
Pistas de leitura da secção II
A oração é o âmbito de encontro privilegiado entre Deus e a pessoa humana, no qual se realiza o milagre da transformação. Deus senta-Se à mesa do homem e da mulher, gosta de passear com eles, com o objectivo de lhes comunicar a Sua própria natureza. Por sua vez, parte da pessoa, exige-se, no âmbito da oração, uma disposição desapegada e amorosa. A oração não é uma prática em que nos buscamos a nós mesmos ou em que procuramos consolações espirituais. É antes a porta aberta para a acção de Deus que, ao Seu ritmo e não ao nosso, nos irá dando a conhecer a Sua amizade e o Seu amor, tomando as rédeas da nossa vida. Jesus Cristo, a Sua sacratíssima Humanidade, tem um papel insubstituível neste processo: nEle fomos salvos e por Ele Deus concede-nos todas as graças necessárias à nossa transformação à Sua imagem; abandoná-lO é fechar-se a qualquer progresso espiritual.
Secção III (cap. 23 a 31)
Ao longo dos capítulos 23 a 31 a Autora regressa à narração autobiográfica, mas já não como na primeira secção. Agora a distância de que falávamos entre o sujeito narrador e a personagem reduz-se ao mínimo, confluindo ambos numa mudança de identidade que se anuncia desde o princípio com expressão e experiência similares às de S. Paulo “É outro livro novo, digo, outra vida nova: até aqui era a minha; a que tenho vivido desde que comecei a declarar estas coisas de oração vivia Deus em mim.” (V 23:1)
Pistas de leitura da Secção IIINesta secção, Deus faz-Se ainda mais protagonista da vida de Teresa, que é uma vida nova. A tal ponto que a pessoa, como aconteceu com Teresa, chega a surpreender-se por reconhecer Deus tão perto, tão enamorado, concedendo constantemente graças à alma que Ele ama. Um Deus tão amoroso e concedendo tantas graças, consegue, por fim, vencer a resistências e as dúvidas e a pessoa chega a mover-se em harmonia com Deus, que Se converte em centro, raiz e objectivo único do homem e da mulher. As graças recebidas por Teresa (visões, locuções, etc.) sendo importantes, não constituem o essencial da experiência mística; o essencial é o ensinamento que por meio delas se recebe, o aprofundamento da experiência de comunhão com Deus, próximo e amigo da pessoa. Teresa fará constar os frutos das suas experiências místicas: riqueza pessoal, mudança moral, crescimento no amor de Deus e dos outros, humildade, rejeição do mal, etc. Ao lado deste panorama tão rico de graças e mercês, aparecem as provações, tentações e rejeições, incompreensões e durezas. A perfeição não se alcança rapidamente, nem o caminho que a ela conduz está isento de dificuldades, interiores e exteriores. Acima de tudo, a Santa chamará a atenção para o desânimo que pode causar a própria fraqueza: porém, não existe outra saída senão confiar no Senhor e ter paciência connosco mesmos; não nos cansarmos; aguardar no Senhor; perseverar na oração e fazer cada um o que está ao seu alcance, até que os desejos se tornem obras.
Secção IV (cap. 32 a 36)
A quarta parte vai dos capítulos 32 a 36, onde aparentemente a Santa se desvia do discurso sobre a sua vida para tratar de acontecimentos exteriores: a fundação do mosteiro de S. José de Ávila. Mas o acontecimento e a crónica são, segundo a própria autora, mercê do anteriormente narrado, fruto e efeito da sua experiência mística, convertida em fonte de vida para os outros. A sua história pessoal de salvação encadeia-se na História da Salvação e Santa Teresa, juntamente com o grupo das suas primeiras seguidoras, dispõe-se no Carmelo de S. José de Ávila a servir a Cristo e a sua Igreja. As graças recebidas revelam-se, portanto, não como um privilégio particular de que Teresa desfrutará pessoalmente, mas como um dom eclesial do qual todos hão-de beneficiar.
Pistas de leitura da Secção IV.Deus nada dá apenas a quem dá. Fazemos parte da comunidade humana e fazemos parte da Igreja, posta no meio da humanidade como luz que alumia, como uma cidade no alto de um monte. Levedura e fermento para uma sociedade que corre o risco de voltar as costas a Deus. A experiência de Santa Teresa, que ela nos convida a fazer própria, é a de que todas as graças místicas recebidas são em favor dos outros, para a humanidade e para a Igreja. Deus põe a Sua mão na história como toque salvador através de Teresa, animando-a à fundação do mosteiro de São José. E do mesmo modo, põe a Sua mão sobre nós a fim de nos convidar a deixar de lado qualquer projecto pessoal e a abraçarmos em Seu Nome até mesmo aquilo que nos parece completamente incompreensível.
Secção V (cap 37 ao 40)
A última parte é constituída pelos capítulos finais do Livro da Vida, do 37 ao 40, nos quais a Santa, animada pelo P. Garcia de Toledo, retoma a narrativa autobiográfica para completar a sequência da terceira parte com o que naquele momento está a viver. Contrastando com os temores e perplexidades de então, manifesta-se aqui um sentimento de serenidade e segurança interior que a leva a contar novas experiências com absoluta convicção.
Pistas de leitura da Secção V
Como comunidade, contemplamos com Santa Teresa as maravilhas operadas por Deus, que continua a fazer nascer espaços de oração, pobreza e fraternidade. Contemplamos a nossa comunidade e tentamos edificá-la à imagem do sonho teresiano tornado realidade no Carmelo de S. José. Somos chamados pela Madre a dar-nos pressa a servir sua Majestade, para que se realizem em nós e por nós milagres semelhantes àqueles que por meio de Santa Teresa se realizaram, dos quais ela nos fala neste livro da sua vida. “Desta maneira vivo agora, Senhor e Padre meu [P. García de Toledo]. Suplique V. Mercê a Deus que me leve para Si ou que me dê em que O sirva.” (V 40,23)
Trad. P. Vasco Nuno
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