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domingo, 27 de abril de 2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lázaro

Só o poder de Jesus pode ajudar-nos a sair dos nossos túmulos.
FRANCISCO

sábado, 5 de abril de 2014

Jesus chorou!

 
Morte. Pelo terceiro domingo consecutivo escutamos uma narração do evangelista João. E ouvimo-las uma a uma porque o objectivo de João não é ensinar-nos o que Jesus disse, mas dizer-nos quem é Jesus.
Jesus é a água viva como ouvimos na narrativa da Samaritana.
Jesus é a luz do mundo como ouvimos na do cego de nascença.
Jesus é a ressurreição e a vida, como ouvimos na ressurreição de Lázaro. Quem crê em Jesus é certo que morre, e certo é também que viverá, e todo aquele que vive e crê em Jesus não morrerá para sempre.
Jesus é amigo de Lázaro, de Marta e de Maria. E como amigo que é Jesus chorou a morte do amigo e a dor das amigas. E contam-se três contos breves que ajudam a nossa meditação deste domingo.
Como é difícil morrer!
Com os olhos em Jesus e em Lázaro, pergunto-me: Poder-se-á enfrentar a morte sem chorar, mesmo que seja a alheia?
Seguem três pequenos contos:
1. No fim da consulta o paciente surpreendeu o médico com esta pergunta:
– Doutor, tenho muito medo de morrer. Por favor, diga-me o que existe do outro lado!
O médico, de pé, respondeu que não sabia. E virando-se para o homem acrescentou:
– Então, o senhor é católico e não sabe o que existe do outro lado?
O médico tinha a mão no puxador da porta. Do outro lado ouviam-se ganidos a patadas de cachorro. Quando o médico finalmente abriu a porta um cachorro saltou cheio de alegria para o meio do consultório e lambeu as mãos do médico.
Então o médico falou novamente:
– Viu o meu cachorro? Nunca o deixo entrar no consultório. Mas ele sabia que eu estava aqui. A única coisa que ele sabia era que o dono estava aqui. E quando a porta se abriu ele entrou sem medo. Eu não sei o que está do outro lado da morte. Apenas sei uma coisa. Sei que o meu dono está do outro lado da porta. Desde lá Ele aguarda-
-me. Isso me basta.
2. Contam que pouco depois da Revolução Francesa uma alta personalidade, Reveillere Lépaux, protagonista do saque de tantas igrejas e da morte de tantos sacerdotes, pensou que havia chegado a hora de ocupar o lugar de Cristo e que lhe tocaria fundar uma nova religião baseada no progresso e na modernidade.
Conta-se que os meses passaram, mas que a ideia não progredia: enfim, R. Lépaux não tinha clientes. E por essa razão pediu audiência a Napoleão manifestando-lhe a sua decepção. Bonaparte respondeu-lhe:
– Cidadão, só existe uma solução se de verdade quereis competir com Jesus. Tereis de fazer o que Ele fez. Depois sereis crucificado num sexta-feira e tereis de ressuscitar no domingo seguinte!
3. Um homem foi visitar o seu pároco para lhe falar do funeral de seu pai. Disse ele ao sacerdote:
– O meu pai pediu que nos despedíssemos dele na igreja. Mas nós, os filhos, somos todos agnósticos. Pedia-lhe apenas um favor: poderá poupar-nos a todas as lamechices piedosas?
E começaram as exéquias.
O pároco leu como evangelho daquela missa o da ressurreição de Lázaro, por todos escutado com emoção. Ao terminar a missa o filho aproximou--se em lágrimas do sacerdote e disse-lhe:
– Obrigado.
Quão misteriosa é a morte! O evangelho de hoje introduz-nos no umbral do mistério e ajuda a abrirmo-nos a mistério tão vizinho e tão desconhecido de cada um de nós.
Estamos na recta final da viagem de Jesus para Jerusalém. Agora já sabemos a notícia: existe uma Água para além de todas as águas – a da Samaritana!
Existe um outro olhar para além de tantos e tantos do mundo – o do cego de nascença!
E, por fim: existe a Vida para além da vida!
Porém, sabemo-lo também a tragédia abateu-se sobre o lar de Betânia: Lázaro morreu! E as irmãs choram-no.
E Jesus chora com elas.
Há tragédia em nossas famílias. Qual é a família que tem tudo na boa? Porque, na verdade, ou há um pai ou um filho ou algum familiar doente. E ou há este ou aquele rasgão, ou então é um filho que se nega a acreditar e se afasta da Igreja.
E Jesus visita-nos e chora connosco.
Há tragédia no mundo: são muitos os desastres naturais, revoluções, guerras. Tantas são as injustiças e avarezas que intoxicam nossas vidas.
E Jesus chora pelo mundo.
Há tragédia em nossas vidas, porque para novos não vamos e tarde ou cedo seremos doentes terminais e acabaremos morrendo.
E Jesus já chora connosco e chora por nós.
Até a vida de Jesus foi tragédia. A crueza e a injustiça da sua morte na cruz abalam até os mais rijos fundamentos da terra.
E Jesus que chora abre-nos os olhos para o mistério da vida nova. Não nos poupa ao frio nem à dor das tragédias mas abre-nos para o (im)poder de Deus que se fez humano e pequenino como nós.
E Jesus chora porque ama.
Neste domingo Jesus chora, chora porque nos ama como amou o seu amigo Lázaro.


Chama do Carmo I NS 223 I Abril 6 2014

domingo, 30 de março de 2014

A Luz não abandona a quem A busca

Olhos. Na nossa caminhada para a Páscoa chegamos hoje ao quarto Domingo. Depois das Tentações e da Transfiguração, o Ciclo A em que nos encontramos propõe-nos três narrações do Evangelho de João: a da Samaritana (lida no domingo passado), do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, de sabor tão claramente pascal. Nelas brilha a água, a luz e a vitória sobre a morte e desta forma o Evangelista nos mostra quem verdadeiramente é Jesus Cristo, e ao mesmo tempo, quem é o cristão. Isto é, que cada cristão é um iluminado pelo Senhor; que cada cristão e cada cristã passa da morte para a vida através do Baptismo e através do Baptismo recebe a sua verdadeira identidade.
O quarto domingo de Quaresma que hoje celebramos chama-se Domingo “Alegrai-vos”, porque toda a liturgia deste domingo nos convida a experimentar uma alegria profunda, um grande gozo pela proximidade da Páscoa. Neste quarto domingo a chave da Palavra de Deus que nos disporemos a escutar é a luz.
(O olhar e) A luz é ainda hoje uma das mais fortes imagens para expressar a experiência religiosa. Deus é luz e a humanidade é convidada a fazer experiência de Deus, isto é, porque vive em trevas a humanidade é convidada a abrir-se para a luz. Acolhamo-la.
Talvez devêssemos ler uma e outra vez calma e demoradamente a narração do cego de nascença que a liturgia deste domingo nos propõe. É uma das páginas mais densas da Bíblia. É uma das páginas onde mais claramente se lê o confronto entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. É uma das páginas sagradas que mais trasparecem Deus como a mais pura e luminosa das graciosidades.
Ao lermos hoje a narração do Evangelho verificamos que Jesus foi causa de uma grande alegria para aquele cego de nascimento, a quem outorgou a vista corporal e a luz espiritual. Por que acreditou o cego recebeu a luz de Cristo. Porém, tal não sucedeu com os que se cuidavam sábios e religiosos: eles permaneceram cegos, e até ficaram mais cegos!, por causa da dureza do seu coração e pelo seu pecado. De facto, os judeus não acreditavam que ele tivesse sido cego e que de uma hora para a outra tivesse começado a ver, até que chamaram os pais para o confirmar.
É curioso verificar que por seis vezes o Evangelho refere que o cego o era desde nascença. (Incrível repetição! Refrão?) E de facto ele fora-o como todos o testemunham.
Porém, a mudança começou com um olhar.
O relato do evangelista João começa exactamente com um encontro inesperado no qual se cruzam o olhar de Jesus e a cegueira do cego. A luz e a noite onde o cego não vê e é visto. O cego, como um mudo, é incapaz de falar e nada pede, e a Luz é-lhe oferecida.
A primeira perplexidade é esta: o cego nada pede e a luz é-lhe concedida!
Mas o revolteio está apenas a começar.
Depois de untar-ungir os olhos com barro Jesus manda o cego lavar-se na piscina de Siloé. E o milagre da iluminação acontece.
(Cuidado: aqueles cristãos para quem João escreveu o Evangelho sabem bem que ungir e banhar-se na piscina é igual a baptizar-se!)
O milagre acontece no Baptismo e é ele que (nos) abre para a Luz! É o Baptismo que nos faz ver Jesus, confessar Jesus, aderir ao seu Evangelho e passar a ser seus anunciadores.
Os que não são ungidos nem baptizados não O vêem, não confessam Jesus, não aderem à sua Palavra, não são missionários de Jesus. Esse é o tal revolteio e confusão entre o que fora cego e agora é discípulo e os que eram religiosos e sábios mas não perceberam Jesus e portanto não podem aderir ao seu projecto!
Acreditar dá trabalho a todo o cego, mas sobretudo é um dádiva gratuita de Deus.
Aquele homem, pobre, pedinte, pontapeado para a berma do caminho da vida nada valia nem para os homens muito religiosos e sábios, mas valeu para Jesus que nele colocou o tão indelével sinal da luz até ao ponto de agora só poder dizer: Eu (já) sou alguém! Jesus acreditou em mim, eu acredito que ele é o Senhor!
Como imaginar maior oposição entre os que julgam ver e o que afinal vê mesmo? Aquele que vê tem (obrigatoriamente) um caminho empinado para trilhar. Os que (julgavam que) viam, afinal não viam. E se outrora haviam pontapeado o cego para a berma (porque era cego, isto é, julgam, pecador) agora escorraçam-no e maldizem-no por que vê (julgam eles) pela acção de um pecador. E se antes estava na margem, agora também permanece à margem dos que julgam ver. Os pontapés que lhe dão nas canelas e na cabeça são os mesmos, mas a diferença é que agora o cego vê e os que vêem (batem mas) são cegos!
Há apesar de tudo uma diferença: o cego é o único que vê! E então, sabendo Jesus, nossa Luz, que é o responsável pelas caneladas que os cegos dão ao que agora vêm, vai (de novo) ao seu encontro e confirma-o na luz da fé. E se no primeiro encontro o cego acolheu o milagre da luz, agora acolhe o da fé e confessa Jesus como o Senhor.
Confessar Jesus dá trabalho e custa caneladas. Mas jamais a Luz deixa em solidão quem se Lhe abandona e Lhe abre os olhos da alma.

Chama do Carmo I NS 222 I Março 30 2014

domingo, 23 de março de 2014

Dá-me de beber


Eu te peço dessa água que Tu tens,
és água viva meu Senhor.
Tenho fome, tenho sede de amor
e acredito nessa fonte de onde vens.
Vens de Deus estás em Deus, também és Deus
e Deus contigo faz um só.
Eu, porém, que vim da terra e volto ao pó
quero viver eternamente ao lado teu.
És água viva
és vida nova
e cada dia me sacias outra vez,
me fazes renascer,
me fazes reviver.
Eu quero água dessa fonte de onde vens.

 Pe. Zezinho

O infinito


Sempre cara me foi esta colina
erma, e esta sebe, que de tanta parte
do último horizonte, o olhar exclui.
Mas sentado a mirar, intermináveis
espaços além dela, e sobre-humanos
silêncios, e uma calma profundíssima
eu crio em pensamentos, onde por pouco
não treme o coração. E como o vento
uço fremir entre essas folhas, eu
o infinito silêncio àquela voz
vou comparando, e vêm-me a eternidade
e as mortas estações, e esta, presente
e viva, e o seu ruído. Em meio a essa
imensidão meu pensamento imerge
e é doce o naufragar-me nesse mar.

Giacomo Leopardi

Socorro: temos sede!


Conta-se que certo barco navegando pelo sul do Oceano Atlântico começo a fazer sinais para outro barco que navegava por ali, dizendo: — Ajudem-nos. Não temos água. Estamos a morrer de sede.
O outro barco respondeu também por sinais: — Atirem aí mesmo o balde à água!
os do barco continuaram: — Socorro. Não temos água. Morremos de sede!
A resposta era sempre a mesma: — Atirem aí mesmo o balde à água!
Desesperados, atiraram, por fim, os baldes à água seguindo o conselho e encheram-nos de água clara, fresca e doce da foz do Rio Amazonas!

sábado, 22 de março de 2014

sábado, 15 de março de 2014

Transfiguração

Segundo domingo da Quaresma, Domingo da Transfiguração. Porque a transfiguração é possível.

domingo, 9 de março de 2014

A muralha



[...]

À rosa e ao cravo,
abre a muralha.

Ao sabre do coronel,
fecha a muralha.

À pomba e ao loureiro,
abre a muralha.

Ao lacrau e à centopeia,
fecha amuralha.

Ao coração do amigo,
abre a muralha.

Ao veneno e ao punhal,
fecha a muralha.

Ao mirto e à hortelã,
abre a muralha.

Ao dente da serpente,
fecha a muralha.

Ao rouxinol em flor,
abre a muralha.

[...]

Nicolás Guillén

domingo, 2 de março de 2014

Aos filhos


Fitai as aves na amplidão celeste,
A garça branca que nos ares vai…
Nem uma pena da plumagem cai
Sem permissão de Deus, que assim as veste…

Vede os lírios do campo; quem reveste
Seu ouro de lavor? Considerai
Que, lá no céu, tendes um Deus que é Pai
E faz chover amor no solo agreste…

Por que trazeis vossas feições tão graves?
Não valeis, porventura, mais que as aves?
Mais que os lírios do campo não valeis?
Desventura é viver sentindo o travo,

O gosto amargo de um viver escravo,
Sem saber que sois filhos… que sois reis…
Orai sem cessar: “Senhor, a tua mão direita me sustenta!” (Sl. 63,9)

A. S. Santini

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Regresso

Jesus faz-nos sempre regressar a casa, nunca nos deixa sós no caminho.
FRANCISCO

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Alegria do pecador


Foi-te dito:

Tem um nome sem mancha
como um bom fariseu.
Tu jejuas e economizas
nos dias assinalados,
e os papéis de tua vida
estão assinados e absolvidos.
Livra-te de dar a mão
ao doente de Sida
saudando seu passado,
ou perguntando o seu nome
olhando-o nos olhos.
Os pobres são um abismo
de ignorância e preguiça
que devora ao que se aproxima
com seu tempo e seus bens.
A ansiedade do solitário
pode envolver a tua companhia
como um redemoinho de naufrágio.
Talvez baste uma esmola
depositada por telefone
na mão fria
de uma conta de banco.

Mas a Palavra diz:

Os pecadores e excluídos
chamam a Deus,
e Deus desce até eles.
Nós os descobrimos juntos
no mesmo encontro:
prostitutas de avenida,
emigrantes sem papéis,
presos sob grades.
Deus enlodado com fracasso
de pecadores perdidos,
sobrenome divino
triturado por mecanismos
de aço mercantil
e de confusões pessoais.
Aí descobrimos
a dignidade indestrutível
dos chamados
a escória da terra.
Um Deus tão solidário
rouba-nos o coração
e nos oferece a alegria
de entregar a vida
para a festa universal
que a tudo refaz.

Autor desconhecido

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O extraordinário está ao teu alcance!


Perdoar. Aos amigos a amizade, aos inimigos o desprezo. Essa é lei que todos cumprimos com gosto. Essa é a forma antiga de Lei; mas não tão antiga que tenha sido esquecida e ultrapassada. O Evangelho deste domingo abre--nos para uma nova era do relacionamento humano, que ultrapassa esses tais limites usuais que costumam ser impostos entre os seres humanos. É que Jesus convida-nos a viver o amor muito para além das peias e dos critérios humanos. O Primeiro Testamento mandava amar o próximo, porque entendia o amor como algo que se restringia aos da mesma religião e da mesma raça, ou seja, aos amigos. Por isso, se desprezava, como sempre, os inimigos. Nisso não havia distinção com as outras raças e religiões. Mas Jesus não pensou nem ensinou a pensar assim!
O que a seguir contarei é verídico. Passou-se no Canadá há uns anos atrás. É a história de dois vizinhos lavradores e amigos. Um dia o cão de um soltou-se, saltou a cerca e matou o filho de dois anos do vizinho.
O pai do menino morto, angustiado, cortou a comunicação e a relação com o seu vizinho. Os anos seguintes foram de uma atroz e infecunda inimizade.
Até que um certo dia um incêndio arrasou a propriedade do agricultor dono do cão. O incêndio queimou-lhe a propriedade e as alfaias. O lavrador tinha terra mas já não podia lavrá-la: o futuro era negríssimo. Porém, uns dias depois, apercebeu-se que as suas terras tinham sido lavradas e estavam preparadas para a sementeira. Saiu a informar-se da autoria da façanha e soube que a benfeitoria fora do seu inimigo e angustiado vizinho. Então, encheu-se de humildade e foi à sua procura; encontrando-o perguntou-lhe por que o fizera. E obteve como resposta: —Lavrei as tuas terras para que Deus continue vivo!
(Acredite se quiser!)
Sim, se quiser, mas, o certo, é que isto dá que meditar, pois, afinal, o amor cristão, é muito mais que o afecto, é muito mais que a amizade, é perdão e reconciliação, é graça e ressurreição.
No domingo passado falávamos entre nós de Lei e Mandamentos.
E ouvíamos Jesus comentar as Dez Palavras animando os seus seguidores a superar o espírito da letra e a aprofundá-lo, isto é, a vivê-las desde a sua autêntica dimensão: o amor!
Repare: Jesus não manda nada; jamais Jesus se constituiu como um legislador. Jamais se aproximou de nós com um sólido código de leis numa mão e espada na outra. Sim, Jesus não veio com ameaças! Jesus veio como inspirador, veio animar-nos a viver em plena harmonia com Deus; veio dizer-nos que a harmonia com  todos é possível. Aliás, já dizia o agricultor da história: Para que Deus continue a viver é necessário destruir os muros que nos separam!
Oh, valha-me Deus, pois somos tão cegos! Então, não é que ainda não vimos, ainda não caímos na conta: Deus perdoa! O ofício de Deus é perdoar!
Imagine-se a si mesmo como é, como quem é, oficial do seu ofício qualquer que seja. Imagine-se a si mesmo trabalhando devotamente com zelo. Você é bom trabalhador(a), não é? Pois, Deus também o é. E o ofício de Deus é perdoar: isso é o que ele faz bem e com gosto! Perdoar!
E você, perdoa?
Você consegue amar e perdoar os seus inimigos, aqueles que o(a) ferem com palavras e acções?
Para nós, cristãos, perdoar, é mais que um verbo que encontramos nos livros de auto-ajuda.
(«Perdoai e sereis perdoados», disse.)
Perdoar é o nosso saber e o nosso ofício. Enfim, em algo nos podemos parecer a Deus: no perdão! Os seguidores de Jesus deveriam saber perdoar sem reservas e sem condições. E seríamos como Jesus, parecidos com Ele, vestindo a sua camisola!
Por que carregas o peso do ódio um dia atrás doutro? Porque te amarras a histórias e a pessoas que odeias? Porque te cansas quando poderias perdoar mansamente?
Perdoar inteiramente pode até nem fazer bem algum à pessoa que é odiada, mas liberta aquele que odeia! Dá paz e libera de fardos duríssimos!
Perdoar é difícil, mesmo sabendo que (me) liberta. Pelo que só é possível perdoar amando, e o amor, segundo Jesus, é mais que um sentimento de pacificação; é uma decisão de querer bem. Amar ao estilo de Jesus é querer o bem-estar dos próximos e dos longínquos, dos amigos e dos inimigos, é desejo sincero de que estejam bem, de que nada de mau lhes suceda, e, já agora, que mudem de vida e de coração.
Amar é um acto sublime. O habitual entre nós é que amemos quem nos ame, visto que quem meus filhos beija minha boca adoça. E como não há dar sem dar, naturalmente, eu dou aos que me dão, e já isso é grande. Mas Jesus ensina mais, sugere--nos que voemos mais alto. Pede-nos que sejamos extraordinários: que sejamos como o Pai que faz nascer o sol para os bons e para os maus!
O extraordinário é o estilo de Deus: Ele perdoa a todos, espera que perdoemos a todos, que soframos a injustiça, oremos pelos que nos perseguem, amemos os inimigos, demos com generosidade. A nossa marca d’água é o extraordinário: sermos como Jesus, o homem mais extraordinário que só soube ser para os outros. Eis a nossa distinção: (Fazer o bem e) perdoar sem olhar a quem! É difícil, mas é um treino que vale a pena. E como nunca se fizeram campeões treinando só ao fim de semana, olhe, isso lhe peço, treine com afinco, pois não lhe faltarão ocasiões!

Chama do Carmo I NS 217 I Fevereiro 23 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

À luz da vela!

Luz e sal. O evangelho deste domingo situa-nos no contexto do Sermão da Montanha. Estamos, portanto, no início da aventura de Jesus. Na Galileia recrutara discípulos, agora, a caminho, vai instruindo-os com palavras provocadoras e inauditas. Hoje escutamos da sua boca que somos luz e somos sal para para o mundo. Para o mundo, não para nós! Somos sal e somos luz para que por nós, pela nossa luz, Cristo ilumine o mundo! Sim, através de nós Cristo deve chegar a todos, iluminar a todos, dar sabor a todos, dar a todos o sentido para a vida.
A liturgia deste domingo poderia resumir-se numa frase. Uma só frase que condense todo o ser e fazer do cristão. Os textos da palavra de Deus que nos são propostos foram reunidos em torno a uma ideia-programa para cada cristã e cada cristão: a ideia de fazer o bem. E nem é preciso fazer muitas coisas, nem grandes coisas. Basta alumiar o mundo à nossa volta com simplicidade e dar sabor com suavidade e discrição.
Nem tudo o que está à vista se vê. E obviamente que sobressai mais o que se destaca por elevação que aquilo que permanece nivelado. Pode, por isso, ocultar-se mais facilmente o que está no chão que o alcandorado num monte.
Assim é para Jesus a vida de um cristão! Por isso, jamais um cristão deveria ocultar-se.
Todos precisamos de chão e de raízes bem fundas na terra; nós, cristãos, porém, desde a origem, somos mais habitantes de montanha que de planícies. Um cristão jamais deveria ocultar-se, por que, afinal, a nossa vida deve brilhar bastantemente, deve resplandecer bastantemente. É óbvio, que sim.
Subamos, cristãos, para os montes, e, claramente, brilhe a nossa vida. Por que a verdade não pode esconder-se nem calar-se. Se a luz é verdadeira, se a vida é verdadeira, não se esconda, pois, jamais. Se a santidade de vida existe iluminada pelo Evangelho, então ela não pode ser ocultada.
Um cristão não pode nunca esconder a sua vida, porque a luz brilha e a vida dum cristão é luz. Pode a noite ser muito escura, muito escura mesmo!, mas por mais escura que seja a noite nela há sempre luz desde que por perto viva um cristão!
Pode o mundo andar mal, que anda. Pode andar muito escuro, que sim, anda. Sim, o nosso mundo atravessa uma noite muito dura. Mas brilham nele clarmente tantas vidas muitíssimo abastadas de luz.
Há hoje cada vez mais pessoas fazendo o bem sem serem iluminadas pelo Evangelho. E andam também cada vez mais pessoas longe do Evangelho. Porém, a vida vivida com a autenticidade do Evangelho será sempre como o farol que guia os marinheiros em noite escura.
A luz brilha e ilumina mesmo que a noite esteja escura. Ou melhor: quanto mais escura for a noite mais brilha e ilumina a pequenina chama cristã!
O homem de hoje pode negar a Deus, pode até afirmar que não existe. Porém, enquanto existir alguém disponível para viver de verdade a experiência de relação com Deus, Deus, Ele--mesmo, resplandecerá e ninguém poderá nega-Lo. Por que a luz é mais forte que as trevas e que as mais densas sombras. E por que até quando acendemos o mais pequenino fósforo ele vence sozinho a escuridão que o rodeia!
Poderemos ignorar o que Jesus nos diz: «Vós sois a luz do mundo»? Não, não podemos. E havemos de arregalar bem os olhos, porque, um dia,  Ele disse também: «Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não anda nas trevas»! Obviamente, claramente: o que Jesus diz de si, diz de nós. Que somos luz como Ele!
É então que aqui me soa duramente uma campainha na cabeça e me faz perguntar com seriedade: Por que razão, então, os cristãos iluminam tão pouco? Por que passamos tão desapercebidos onde quer que nos encontremos e trabalhemos? Por que tão raramente os demais têm tanta dificuldade em reconhecer em nós a luz de Cristo? Será que a nossa lanterna tem as pilhas do Evangelho já gastas? Será que o Evangelho em que dizemos acreditar está apagado em nossas vidas? Será que de tão mortiço em nós já o Evangelho nada ilumina? Será que levamos mesmo a sério a iluminação que recebemos no nosso Baptismo? Será por isso que a nossa fé não brilha? Por não levarmos Deus – o nosso sol! –  a sério?
Um cristão que não é luz e não alumia não é cristão de verdade. A luz é para ser vista e se a do cristão se não vê tem de reacender-se. A escuridão do mundo precisa de cristãos que aqueçam e alumiem a noite. Mesmo em pleno dia! Os cristãos apagados não são precisos, apenas os que irradiem luz. Não temos direito a ser baços, mas obrigação de sermos brilhantes!
Não temos outra vocação que a de ser luz!
No calor do verão a nossa pele liberta suor, assim também ao longo dos nossos dias a nossa vida deve resplandecer a luz do Evangelho!
A Igreja é lumen gentium, luz das gentes, disse-o o Vaticano II. Quer dizer: a Igreja não nasceu para se alumiar a si mesma, à sua própria casa. Porém, existe para desde a debilidade da chamazinha da fé iluminar em nome de Jesus o coração de todos os povos. Poderíamos nós desejar melhor objectivo para a nossa vida – ser vela que dá luz?

Chama do Carmo I NS 215 I Fevereiro 9 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Uma vendedora de maçãs

Uma antiga história fala de uma vendedora de maçãs. A boa mulher dirigia-se todas as manhãs ao mercado para vender a sua mercadoria. Apesar de lá estar muitas horas, era pouco o que vendia. O passar do tempo e o pouco êxito das suas vendas provocaram nele um forte desânimo. Uma manhã aproximou-se dela um jovem. Ao vê-la triste e desanimada, perguntou-lhe o que se passava. «Não vês — respondeu a mulher —, todas as manhãs venho a este mercado para vender as minhas maçãs, mas quando cai a tarde apenas vendo uma pequena parte das maçãs. As minhas maçãs não devem ser boas».
De repente, e sem que lhe pedisse, o jovem começou a gritar: «Comprem, comprem as melhores maçãs do pomar. Recém-colhidas para irem direitas para a sua mesa... comprem». Ao som dos gritos foram-se juntando muitas pessoas ao redor da vendedora e muitas foram as que pediram ansiosamente alguns quilos das maçãs. Ao fim de poucas horas a mulher tinha vendido tudo. «Como foi que fizeste? — perguntou a mulher. Durante muitas semanas vim a este mercado e nunca consegui vender a mercadoria. E tu, num par de horas, conseguiste vender mais do que eu vendi em todo este tempo». «Foi fácil — respondeu o jovem. As tuas maçãs eram muito boas, mas nem tu nem eles sabiam. Alguém tinhas de o dizer».

Quando João Batista viu Jesus que se aproximava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: ‘Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim’. Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água».

domingo, 24 de novembro de 2013

O Papa encerrou o Ano da Fé

(Durante a recitação do Credo o Papa sustentou as relíquias de São Pedro.)
 
Quero tantas vezes ser bom, e não posso. Sou pecador. Porém, Senhor, lembra-te de mim. Tu podes... Digamo-lo hoje. Muitas vezes. Lembra-te de mim, Senhor, tu que estás no centro.
FRANCISCO