Somos Carmelitas Descalços, filhos de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz, Ordem dos Irmãos da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Senhora do Sim, nossa Mãe e nossa Irmã, em Viana do Castelo, Alto Minho, Portugal, a viver «em obséquio de Nosso Senhor Jesus Cristo e a servi-l’O de coração puro e consciência recta».
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quarta-feira, 7 de maio de 2014
Exposição
Abriu esta tarde, nos claustros de S. Domingos, a Exposição Vida, Obra e Relíquias do Beato Bartolomeu dos Mártires. A visitar até ao fim do mês. Para reavivar a memória. Porque durante todo o Ano Jubilar toda a Diocese é a (velha) Ribeira, que tão bem conheceu e amou Frei Bartolomeu dos Mártires.
Na brochura da exposição, o Senhor D. Anacleto Oliveira escreveu:
Quanta vida se pode encontrar
por detrás das peças desta exposição!
A vida da personagem
por elas documentada:
vida que a sua obra exprime
e as suas relíquias evocam;
vida recebida de Deus
e comunicada aos homens.
De facto,
nenhum, de nós vive para si mesmo
e nenhum de nós morre para si mesmo.
Se vivemos, é par o Senhor que vivemos,
e se morre3mos, é para o Senhor que morremos.
Ou seja, quer vivamos quer morramos,
é ao Senhor que pertencemos
(Rm 14, 7-8).
Assim morreu e vive
Bartolomeu dos Mártires.
E assim vive e morrerá
quem contemplar a sua vida
por detrás desta exposição,
para pertencer ao Senhor.
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segunda-feira, 5 de maio de 2014
Frei Bartolomeu dos Mártires, modelo de renovação da Igreja
1. Celebramos, já no próximo dia 3 de maio, os 500 anos do nascimento do Bem- aventurado Bartolomeu dos Mártires, um dos mais insignes promotores da renovação da Igreja nos tempos modernos. Mergulhado em Deus e conduzido pelo Espírito, ele soube, num período particularmente conturbado da vida da Igreja, intercetar caminhos de grande degradação de costumes e encetar vias de rejuvenescida evangelização.
Dom Frei Bartolomeu nasceu em Lisboa, em 1514, na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, e entrou na Ordem Dominicana em 1528. Foi professor nos Conventos de S. Domingos de Benfica, Batalha e Évora. Foi depois também Prior do Convento de Benfica e finalmente Arcebispo de Braga (1559 1582). Encontra-se sepultado em Viana do Castelo no Convento de S. Domingos que ele próprio mandou construir e onde se recolheu até à sua morte em 16 de julho de 1590.
Foi decisiva a sua contribuição, na última sessão do Concílio de Trento (1561 1563), para reformas na Igreja que, no seu dizer, «estava para cair». Entre as Petições que apresentou neste Concílio, destacam-se duas, pela sua atualidade: a obrigação dos Pastores permanecerem próximos dos fiéis que lhes estão confiados, um dever para o qual o Papa Francisco repetidamente tem chamado a atenção; a criação de seminários, como obrigatórios para a formação humana e espiritual, teológica e pastoral dos sacerdotes, tão urgente naquela época e necessária nos dias de hoje.
O próprio Papa Pio IV, que ele visitou pessoalmente em Roma durante uma interrupção da sessão conciliar, qualificou assim, em carta enviada ao Cardeal Dom Henrique, a sua participação no Concílio: «Tal satisfação nos deu, no tempo em que participou, com a sua bondade, religião e devoção, que o ficámos tendo em grande conta, com tamanho conceito da sua honra e virtude que não poderão alterá-lo queixumes de ninguém».
2. Regressado à sua Arquidiocese, prosseguiu com reformas já antes iniciadas e, pelo menos algumas delas, confirmadas e oficializadas por decisões conciliares:
– Fundou o Seminário, o primeiro em toda a cristandade, para a formação dos presbíteros, uma novidade que o Papa S. João Paulo II fez questão de mencionar na celebração da sua beatificação.
– Para formação e uso dos sacerdotes, designadamente no seu ministério de instruir os fiéis e os consolidar na fé e prática de vida, escreveu o «Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais», dois anos antes de ter sido publicado o Catecismo do Concílio de Trento pelo Papa S. Pio V.
– Promoveu e impôs uma rigorosa administração dos bens eclesiásticos, para os repartir equitativamente, «sem entesourar nada», como ele escreveu, fomentando e pondo em prática uma especial solicitude para com os mais pobres e desprotegidos. Costumava dizer que «em sua casa só ele era o estranho e os pobres eram os verdadeiros e naturais senhores dela».
– A sua proximidade ao povo que lhe estava confiado levou-o a calcorrear repetidamente toda a Arquidiocese de Braga, em periódicas visitas pastorais, percorrendo, com os limitados meios de então, um território cuja extensão compreendia também a atual Diocese de Viana do Castelo e partes das atuais Dioceses de Vila Real e Bragança-Miranda.
– Primariamente para sua própria orientação espiritual e pastoral, escreveu o famoso «Estímulo dos Pastores» que viria a ser editado por S. Carlos Borromeu, seu discípulo e apreciado amigo, e que, séculos mais tarde, iria ser oferecido pelo Papa Paulo VI a cada um dos bispos no encerramento do II Concílio do Vaticano.
3. Em todas estas e outras iniciativas e atividades mostrou a audácia, o ardor apostólico, a generosidade, a simplicidade e a santidade que fizeram dele um pastor exemplar para todos os tempos, incluindo os nossos. Assim o reconheceu explicitamente o Papa S. João Paulo II, ao beatificá-lo, a 4 de novembro de 2001, isto é, poucos dias depois de terminar o Sínodo dos Bispos que se dedicou à reflexão sobre a vivência do ministério episcopal, e ao referir-se às visitas pastorais do Beato Bartolomeu na Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores Gregis (n.º 46).
A sua vida e obra transpiram aquele dinamismo missionário sem fronteiras, aquela profunda convicção cristã que nascem da «Alegria do Evangelho» e são muito acentuadas pelo Papa Francisco: «O entusiasmo na Evangelização funda-se nesta convicção. Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir. É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo. É a verdade que não passa de moda, porque é capaz de penetrar onde nada mais pode chegar. A nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito» (Evangelii Gaudium, n.º 265).
4. Que os 500 anos que decorrem sobre o nascimento desta grande figura da Igreja e do nosso País, que foi o Bem-aventurado Bartolomeu dos Mártires, sejam uma oportunidade para mais o conhecermos e darmos a conhecer. Há pessoas que, pelos princípios e valores que pautaram as suas vidas, são permanentes modelos de referência de todos os tempos. O Beato Bartolomeu, tendo vivido em tempos de uma enorme crise epocal, dentro e fora da Igreja, pode e deve ser visto como testemunha para acreditarmos que a evangelização e as reformas na Igreja não só são necessárias como possíveis.
Conhecendo-o e imitando-o cada vez mais, invoquemos também a sua proteção para a Igreja e para o nosso País. E peçamos a Deus, de um modo especial, a graça da sua canonização, que o pode projetar, para além das nossas fronteiras nacionais, para aquela dimensão eclesial que, afinal, mais corresponde ao bem que Deus, por seu intermédio, fez e quer fazer pela sua Igreja.
Fátima, 1 de maio de 2014
Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa
Dom Frei Bartolomeu nasceu em Lisboa, em 1514, na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires, e entrou na Ordem Dominicana em 1528. Foi professor nos Conventos de S. Domingos de Benfica, Batalha e Évora. Foi depois também Prior do Convento de Benfica e finalmente Arcebispo de Braga (1559 1582). Encontra-se sepultado em Viana do Castelo no Convento de S. Domingos que ele próprio mandou construir e onde se recolheu até à sua morte em 16 de julho de 1590.
Foi decisiva a sua contribuição, na última sessão do Concílio de Trento (1561 1563), para reformas na Igreja que, no seu dizer, «estava para cair». Entre as Petições que apresentou neste Concílio, destacam-se duas, pela sua atualidade: a obrigação dos Pastores permanecerem próximos dos fiéis que lhes estão confiados, um dever para o qual o Papa Francisco repetidamente tem chamado a atenção; a criação de seminários, como obrigatórios para a formação humana e espiritual, teológica e pastoral dos sacerdotes, tão urgente naquela época e necessária nos dias de hoje.
O próprio Papa Pio IV, que ele visitou pessoalmente em Roma durante uma interrupção da sessão conciliar, qualificou assim, em carta enviada ao Cardeal Dom Henrique, a sua participação no Concílio: «Tal satisfação nos deu, no tempo em que participou, com a sua bondade, religião e devoção, que o ficámos tendo em grande conta, com tamanho conceito da sua honra e virtude que não poderão alterá-lo queixumes de ninguém».
2. Regressado à sua Arquidiocese, prosseguiu com reformas já antes iniciadas e, pelo menos algumas delas, confirmadas e oficializadas por decisões conciliares:
– Fundou o Seminário, o primeiro em toda a cristandade, para a formação dos presbíteros, uma novidade que o Papa S. João Paulo II fez questão de mencionar na celebração da sua beatificação.
– Para formação e uso dos sacerdotes, designadamente no seu ministério de instruir os fiéis e os consolidar na fé e prática de vida, escreveu o «Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais», dois anos antes de ter sido publicado o Catecismo do Concílio de Trento pelo Papa S. Pio V.
– Promoveu e impôs uma rigorosa administração dos bens eclesiásticos, para os repartir equitativamente, «sem entesourar nada», como ele escreveu, fomentando e pondo em prática uma especial solicitude para com os mais pobres e desprotegidos. Costumava dizer que «em sua casa só ele era o estranho e os pobres eram os verdadeiros e naturais senhores dela».
– A sua proximidade ao povo que lhe estava confiado levou-o a calcorrear repetidamente toda a Arquidiocese de Braga, em periódicas visitas pastorais, percorrendo, com os limitados meios de então, um território cuja extensão compreendia também a atual Diocese de Viana do Castelo e partes das atuais Dioceses de Vila Real e Bragança-Miranda.
– Primariamente para sua própria orientação espiritual e pastoral, escreveu o famoso «Estímulo dos Pastores» que viria a ser editado por S. Carlos Borromeu, seu discípulo e apreciado amigo, e que, séculos mais tarde, iria ser oferecido pelo Papa Paulo VI a cada um dos bispos no encerramento do II Concílio do Vaticano.
3. Em todas estas e outras iniciativas e atividades mostrou a audácia, o ardor apostólico, a generosidade, a simplicidade e a santidade que fizeram dele um pastor exemplar para todos os tempos, incluindo os nossos. Assim o reconheceu explicitamente o Papa S. João Paulo II, ao beatificá-lo, a 4 de novembro de 2001, isto é, poucos dias depois de terminar o Sínodo dos Bispos que se dedicou à reflexão sobre a vivência do ministério episcopal, e ao referir-se às visitas pastorais do Beato Bartolomeu na Exortação Apostólica Pós-sinodal Pastores Gregis (n.º 46).
A sua vida e obra transpiram aquele dinamismo missionário sem fronteiras, aquela profunda convicção cristã que nascem da «Alegria do Evangelho» e são muito acentuadas pelo Papa Francisco: «O entusiasmo na Evangelização funda-se nesta convicção. Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular nem desiludir. É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo. É a verdade que não passa de moda, porque é capaz de penetrar onde nada mais pode chegar. A nossa tristeza infinita só se cura com um amor infinito» (Evangelii Gaudium, n.º 265).
4. Que os 500 anos que decorrem sobre o nascimento desta grande figura da Igreja e do nosso País, que foi o Bem-aventurado Bartolomeu dos Mártires, sejam uma oportunidade para mais o conhecermos e darmos a conhecer. Há pessoas que, pelos princípios e valores que pautaram as suas vidas, são permanentes modelos de referência de todos os tempos. O Beato Bartolomeu, tendo vivido em tempos de uma enorme crise epocal, dentro e fora da Igreja, pode e deve ser visto como testemunha para acreditarmos que a evangelização e as reformas na Igreja não só são necessárias como possíveis.
Conhecendo-o e imitando-o cada vez mais, invoquemos também a sua proteção para a Igreja e para o nosso País. E peçamos a Deus, de um modo especial, a graça da sua canonização, que o pode projetar, para além das nossas fronteiras nacionais, para aquela dimensão eclesial que, afinal, mais corresponde ao bem que Deus, por seu intermédio, fez e quer fazer pela sua Igreja.
Fátima, 1 de maio de 2014
Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa
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Nota pastoral
sábado, 3 de maio de 2014
Breves traços biográficos do B. Frei Bartolomeu dos Mártires
Frei Bartolomeu dos Mártires nasceu em Lisboa no dia 3 de Maio de 1514, na rua dos Tanoeiros.
Seus pais, Domingos Fernandes, tanoeiro de profissão, e Maria Correia, doméstica, eram naturais de Verdelha, Lisboa. Tinham mais uma filha que também foi para a vida religiosa, com o nome de Catarina do Espírito Santo, no mosteiro do Rosário – Lisboa.
Aos 14/15 anos de idade, entrou na escola do Convento de São Domingos, em Lisboa, onde aprendeu as primeiras letras e lições de gramática e rapidamente dominou o latim, além da ciência de querer bem a Deus e ao próximo, sobretudo aos pobres.
Salientou-se pla sua inteligência e compostura e pelo interesse revelado pelas coisas de Deus, tendo os frades aconselhado os seus pais a que o mandassem seguir estudos.
Por vontade própria continuou naquele Convento, sentindo um cada vez maior apelo à vida religiosa, tendo-lhe sido explicado, por Frei Jorge Vogado, o rigor e a austeridade da Ordem.
Admitido ao Convento, recebe o hábito dominicano a 11 de Novembro de 1528 e faz a sua profissão a 29 de Novembro do ano seguinte, tomado o nome de Frei Bartolomeu dos Mártires. Com esta decisão renuncia aos apelidos “Fernandes” e “Vale” para homenagear Nossa Senhora Rainha dos Mártires, padroeira da igreja paroquial onde fora baptizado.
Concluiu os estudos filosóficos e teológicos em 1538.
De 1538-1557, ensina nos conventos de Lisboa, “da Batalha” e Évora. Entretanto, vai aprofundando o seu percurso académico, tendo feito um interregno na leccionação para, em Salamanca, preparar e apresentar provas de doutoramento na Faculdade de Teologia (28 de Março de 1591). Entre Agosto de 1557 e Maio de 1558, foi eleito Prior do Convento de S. Domingos de Benfica, em Lisboa.
Neste último ano, é apresentado pela rainha Catarina para suceder a D. Frei Baltasar Limpo, da Ordem do Carmo, como Arcebispo da Arquidiocese de Braga.
Apesar da resistência em aceitar a Mitra de Braga, “obrigado” pelo seu Provincial a aceitar, ainda antes de ser ordenado, começou a estudar a situação daquela região pastoral.
Só uma ano mais tarde o Papa Paulo IV o haveria de confirmar como Arcebispo, com a Bula “Gratiae divinae praemium”, data de 27 de Janeiro de 1559. É ordenado bispo em 3 de Setembro em S. Domingos de Lisboa.
Inicia a sua actividade na vastíssima Arquidiocese no dia 4 de Outubro de 1559.
A sua actividade apostólica é multifacetada. Recordemos alguns elementos mais sugestivos. Notabilizou-se pela realização de3 actividades pastorais; empenha-se na evangelização do povo, tendo para o efeito, preparado um “Catecismo ou doutrina cristã e práticas espirituais”; a solicitude pela cultura e santificação do clero leva-o a instituir aulas de teologia moral em vários locais da Diocese e a escrever. Entre as 32 obras doutrinais merece particular relevo o “Stimulus Pastorum”,distribuído aos Padres dos Concílios Vaticano I e II, que já conhece a vigésima segunda edição.
A concretização do empenho de reforma encontra-se, também, em espaços estruturais a que deu vida, como o Convento de S. Domingos, em Viana do Castelo, para nele fundar uma escola de Moral. Verdadeiramente inovador, o Arcebispo descentralizou a formação com escolas em diversas partes da Arquidiocese.
Em 24 de Março de 1561 sai de Braga para Trento, cidade italiana que acolhe a realização do Concílio de Trento, entre 1562 e 1563, convocado por Pio IV, cujos padres sinodais foram brindados com 268 petições como síntese das interpelações de Reforma para a Igreja.
Para concretizar as Reformas Tridentinas efectuou um Sínodo Diocesano, em 1564, e outro Provincial, em 1566.
Em 1571 ou 1572, dá início à construção do Seminário Conciliar do Campo da Vinha, não sem enfrentar uma forte oposição no seio da hierarquia bracarense.
Em 23 de Fevereiro de 1582 renuncia ao Arcebispado e recolhe-se ao convento dominicano da Santa Cruz, na cidade de Viana do Castelo, nascido por seu empenho (1561) para favorecer os estudos eclesiásticos e a pregação.
Morre nesse convento a 16 de Julho de 1590, reconhecido e aclamado pelo povo como o Arcebispo Santo, pai dos pobres e dos enfermos. O seu túmulo é venerado na antiga igreja dominicana em Viana do Castelo, Monserrate.
Foi declarado Venerável por Gregório XVI em 23 de Março de 1845.
O Papa João Paulo II reconheceu em 7 de Julho de 2001 o milagre proposto para a beatificação, celebrada a 4 de Novembro deste ano, dia litúrgico de São Carlos Borromeu, com quem trabalhou arduamente na prossecução dos objectivos do Concílio de Trento.
in Notícias de Viana, 1 de Maio de 2014, p.5
Seus pais, Domingos Fernandes, tanoeiro de profissão, e Maria Correia, doméstica, eram naturais de Verdelha, Lisboa. Tinham mais uma filha que também foi para a vida religiosa, com o nome de Catarina do Espírito Santo, no mosteiro do Rosário – Lisboa.
Aos 14/15 anos de idade, entrou na escola do Convento de São Domingos, em Lisboa, onde aprendeu as primeiras letras e lições de gramática e rapidamente dominou o latim, além da ciência de querer bem a Deus e ao próximo, sobretudo aos pobres.
Salientou-se pla sua inteligência e compostura e pelo interesse revelado pelas coisas de Deus, tendo os frades aconselhado os seus pais a que o mandassem seguir estudos.
Por vontade própria continuou naquele Convento, sentindo um cada vez maior apelo à vida religiosa, tendo-lhe sido explicado, por Frei Jorge Vogado, o rigor e a austeridade da Ordem.
Admitido ao Convento, recebe o hábito dominicano a 11 de Novembro de 1528 e faz a sua profissão a 29 de Novembro do ano seguinte, tomado o nome de Frei Bartolomeu dos Mártires. Com esta decisão renuncia aos apelidos “Fernandes” e “Vale” para homenagear Nossa Senhora Rainha dos Mártires, padroeira da igreja paroquial onde fora baptizado.
Concluiu os estudos filosóficos e teológicos em 1538.
De 1538-1557, ensina nos conventos de Lisboa, “da Batalha” e Évora. Entretanto, vai aprofundando o seu percurso académico, tendo feito um interregno na leccionação para, em Salamanca, preparar e apresentar provas de doutoramento na Faculdade de Teologia (28 de Março de 1591). Entre Agosto de 1557 e Maio de 1558, foi eleito Prior do Convento de S. Domingos de Benfica, em Lisboa.
Neste último ano, é apresentado pela rainha Catarina para suceder a D. Frei Baltasar Limpo, da Ordem do Carmo, como Arcebispo da Arquidiocese de Braga.
Apesar da resistência em aceitar a Mitra de Braga, “obrigado” pelo seu Provincial a aceitar, ainda antes de ser ordenado, começou a estudar a situação daquela região pastoral.
Só uma ano mais tarde o Papa Paulo IV o haveria de confirmar como Arcebispo, com a Bula “Gratiae divinae praemium”, data de 27 de Janeiro de 1559. É ordenado bispo em 3 de Setembro em S. Domingos de Lisboa.
Inicia a sua actividade na vastíssima Arquidiocese no dia 4 de Outubro de 1559.
A sua actividade apostólica é multifacetada. Recordemos alguns elementos mais sugestivos. Notabilizou-se pela realização de3 actividades pastorais; empenha-se na evangelização do povo, tendo para o efeito, preparado um “Catecismo ou doutrina cristã e práticas espirituais”; a solicitude pela cultura e santificação do clero leva-o a instituir aulas de teologia moral em vários locais da Diocese e a escrever. Entre as 32 obras doutrinais merece particular relevo o “Stimulus Pastorum”,distribuído aos Padres dos Concílios Vaticano I e II, que já conhece a vigésima segunda edição.
A concretização do empenho de reforma encontra-se, também, em espaços estruturais a que deu vida, como o Convento de S. Domingos, em Viana do Castelo, para nele fundar uma escola de Moral. Verdadeiramente inovador, o Arcebispo descentralizou a formação com escolas em diversas partes da Arquidiocese.
Em 24 de Março de 1561 sai de Braga para Trento, cidade italiana que acolhe a realização do Concílio de Trento, entre 1562 e 1563, convocado por Pio IV, cujos padres sinodais foram brindados com 268 petições como síntese das interpelações de Reforma para a Igreja.
Para concretizar as Reformas Tridentinas efectuou um Sínodo Diocesano, em 1564, e outro Provincial, em 1566.
Em 1571 ou 1572, dá início à construção do Seminário Conciliar do Campo da Vinha, não sem enfrentar uma forte oposição no seio da hierarquia bracarense.
Em 23 de Fevereiro de 1582 renuncia ao Arcebispado e recolhe-se ao convento dominicano da Santa Cruz, na cidade de Viana do Castelo, nascido por seu empenho (1561) para favorecer os estudos eclesiásticos e a pregação.
Morre nesse convento a 16 de Julho de 1590, reconhecido e aclamado pelo povo como o Arcebispo Santo, pai dos pobres e dos enfermos. O seu túmulo é venerado na antiga igreja dominicana em Viana do Castelo, Monserrate.
Foi declarado Venerável por Gregório XVI em 23 de Março de 1845.
O Papa João Paulo II reconheceu em 7 de Julho de 2001 o milagre proposto para a beatificação, celebrada a 4 de Novembro deste ano, dia litúrgico de São Carlos Borromeu, com quem trabalhou arduamente na prossecução dos objectivos do Concílio de Trento.
in Notícias de Viana, 1 de Maio de 2014, p.5
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Arranque do Jubileu do Beato Bartolomeu dos Mártires
As comemorações que vão assinalar o 500º aniversário do nascimento do Beato Bartolomeu dos Mártires arrancam este sábado com a primeira iniciativa de um programa que se prolonga até 18 de Julho de 2015.
O Dia de Aniversário do nascimento de Frei Bartolomeu dos Mártires, precisamente 3 de Maio, será assinalado com um concerto de música sacra na Igreja de S. Domingos, às 17h.
A sessão solene de abertura deste Jubileu realiza-se no dia seguinte. No Auditório Lima de Carvalho, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, às 16 horas, vai dissertar sobre a figura e obra daquele que teve um papel de destaque neste território, então integrado na arquidiocese de Braga. Será, ainda, apresentado um conjunto de selos postais comemorativos da efeméride.
Duas horas mais tarde, D. Anacleto Oliveira, preside à celebração eucarística, seguida de procissão com as Relíquias do Beato Bartolomeu dos Mártires entre a Igreja de S. Domingos e a catedral diocesana. Abre-se, assim, a peregrinação das relíquias do Arcebispo Santo, por todas as paróquias da diocese.
O Convento de S. Domingos acolhe, a partir do dia, a exposição «Vida, Obra e Relíquias do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires».
A programação incluiu ainda, a 9 de Maio, a comédia «Valha-nos Frei Bartolomeu!», no Teatro Municipal Sá de Miranda, às 22h, a cargo da Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço.
in Notícias de Viana, p.5
O Dia de Aniversário do nascimento de Frei Bartolomeu dos Mártires, precisamente 3 de Maio, será assinalado com um concerto de música sacra na Igreja de S. Domingos, às 17h.
A sessão solene de abertura deste Jubileu realiza-se no dia seguinte. No Auditório Lima de Carvalho, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, às 16 horas, vai dissertar sobre a figura e obra daquele que teve um papel de destaque neste território, então integrado na arquidiocese de Braga. Será, ainda, apresentado um conjunto de selos postais comemorativos da efeméride.
Duas horas mais tarde, D. Anacleto Oliveira, preside à celebração eucarística, seguida de procissão com as Relíquias do Beato Bartolomeu dos Mártires entre a Igreja de S. Domingos e a catedral diocesana. Abre-se, assim, a peregrinação das relíquias do Arcebispo Santo, por todas as paróquias da diocese.
O Convento de S. Domingos acolhe, a partir do dia, a exposição «Vida, Obra e Relíquias do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires».
A programação incluiu ainda, a 9 de Maio, a comédia «Valha-nos Frei Bartolomeu!», no Teatro Municipal Sá de Miranda, às 22h, a cargo da Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço.
in Notícias de Viana, p.5
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domingo, 24 de novembro de 2013
Ano Jubilar do Nascimento do Bem-aventurado Frei Bartolomeu dos Mártires
No fim da Eucaristia de Encerramento do Ano Cristão foi anunciado que no próximo dia 4 de Maio de 2014 se iniciará o Ano Jubilar do Nascimento de D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Nasceu há 500 anos!
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