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domingo, 8 de agosto de 2010

Irlanda #7 - 11 de Junho

Acordar em Dublin é qualquer coisa de espectacular. Era capaz de me habituar a acordar em Dublin todos os dias. Era sim.

Começámos a visita do dia pelo Trinity College, a Universidade principal de Dublin, fundado em 1592 pela rainha Isabel I no lugar onde havia um mosteiro com monges Agostinhos. A ideia era que os anglicanos não abandonassem a Irlanda para estudar na Europa, onde predomina o Catolicismo.
Algumas das personagens mais famosas da Irlanda passaram pelo Trinity College. Só a partir de 1970 é que os católicos puderam começar a frequentar aquela Universidade.

Ao passarmos para o outro lado da ponte, avistámos um edifício antigo que é a Alfândega. Na outra margem há uma coluna de pedra calcária que marcou a chegada do povo viking.

A fachada principal do Trinity College tem duas estátuas de duas pessoas importantes: Burke e Goldsmith.
Já dentro da Universidade fomos visitar a biblioteca da Universidade e "Book of Kells", um livro onde estão os 4 Evangelhos que se pensa ter sido manuscrito na Escócia. Com o ataque dos vikings foi trazido para Dublin e guardado.






O espaço da Universidade é muito bonito, com construções antigas, dá mesmo aquele ar de Universidade cheia de história. Uma coisa muito curiosa que vimos nos jardins da Universidade foi caixotes do lixo que eles próprio fazem a compactação do lixo, funcionando a energia solar.

Seguimos a visita e andámos a passear nas ruas de Dublin, Marion Square - Oscar Wilde nasceu aqui, onde agora está a Irish American University, passámos pela National Gallery of Ireland, na Lyster House, onde desde 1945 funciona o Parlamento irlandês, até que chegámos às praças georgianas. As praças georgianas têm um propósito: como as casas não tinham jardim, era construído na praça um jardim comum fechado onde só entravam os moradores na praça. As portas de entrada das casas georgianas são uma de cada cor e têm um vitral por cima, em forma de leque, para dar luz ao hall de entrada. No rés-do-chão têm a sala de jantar e escritório. No primeiro andar está a sala de visitas. Na cave fica a cozinha e a despensa. A sala de visitas principal era o espaço mais amplo. No 2º andar estão os quartos e no último andar fica os aposentos da empregada e a sala das crianças brincarem. Esta topologia tem uma clara influência britânica. A Fitzwilliam Square é mais uma praça georgiana cheia de pequenas casas típicas. Só as casas que pertenciam à realeza é que tinham porta dupla. Numa outra praça georgiana, a St. Stephens Green, nos meses de Verão fazem-se concertos ao ar livre.



Em Dublin há um café histórico, o Bewley's, que é o nome da marca de chá mais famosa da Irlanda. Em Lawson Street  existe o pub mais pequeno de Dublin, é mesmo minúsculo. Na Grafton Street vimos a estátua de Molly Malone, uma vendedeira famosa na cidade.

O castelo de Dublin, construído em 1204, foi local de residência do Governador. A Catedral de Christ Church (protestante) estava ligada aos ingleses, enquanto a Catedral de St. Patrick (católica) estava ligada aos irlandeses católicos e pobres.






A paragem seguinte foi na Guinness para visitar a fábrica. A fábrica da Guinness ocupa 26 hectares. Arthur Guinness foi o responsável pela fundação da fábrica de cerveja. Teve 21 filhos e em 1759 assinou um contrato por 9 mil anos por uma renda anual para o espaço da fábrica de 45 libras. O local onde está a fábrica chama-se St. James Gate.


A cerveja baseia-se numa cerveja inglesa preta chamada Porter. A matéria prima utilizada para fazer a Guinness inclui: cevada malteada (torrada), água de Dublin, lúpulo e levedura. A cevada torrada é que dá a cor escura à cerveja. A água utilizada vem da Serra de Wicklow  que fica nos arredores de Dublin. Dizia-se, em tempos, que a cerveja era preta porque era feita com água do rio Liffey que tem as suas águas muito negras.





A cevada é transformada em malte (torrada), vai para o moinho triturar, junta-se água quente, filtra-se e junta-se o lúpulo que lhe dá um gosto picante. Ferve-se 90min, filtra-se de novo, arrefece e junta-se o fermento. Depois há o período de fermentação em que o açúcar se transforma em álcool e que dura cerca de 48h.





No final de todo o processo da visita fomos ao último andar da fábrica, ao Gravity Bar, o bar de provas da Guinness com vista a toda à volta para a cidade de Dublin.






Almoçámos na Dame Street num pequeno restaurante, e adivinhem lá, comemos o quê? Puré, pois claro!

A tarde foi livre para passear por Dublin e adquirir as últimas recordações.









À noite jantámos em Temple Bar, no bar do Hotel Arlington onde assistimos a um espectáculo de música tradicional irlandesa, uma das músicas europeias que manteve a sua vivacidade. Assistimos ainda a um espectáculo de sapateado. A Irlanda é um país com grande tradição musical, foi o único país que venceu 7 vezes o Festival da Eurovisão e obteve 2 segundos lugares. Usam-se alguns instrumentos em particular: melodeon (uma espécie de acordeão), a gaita de foles, a harpa, o banjo (uma espécie de guitarra redonda), a flauta irlandesa e a rabeca (violino). A harpa constitui o símbolo da Guinness por ser tão tradicional da Irlanda.







Depois de jantar, aproveitando que já estávamos em Temple Bar, fomos passear pelos pubs, ouvi música ao vivo, ver a alegria contagiante daquela gente e despedimo-nos de Dublin. Regressámos no dia seguinte a Portugal e eu trouxe a Irlanda, e em especial Dublin, no coração.

sábado, 7 de agosto de 2010

Irlanda #6 - 10 de Junho

Ao 6º dia deixámos Cork e tínhamos como objectivo chegar a Kilkenny - capital medieval da Irlanda que esteve muitos anos nas mãos da família Butler.
A auto-estrada entre Cork e Dublin foi terminada apenas há ano e meio e é a única estrada decente que se pode comparar às nossas estradas.

Pelo caminho aprendemos ainda alguma coisa sobre a política da Irlanda: o actual Primeiro Ministro, Brian Cohen, está no poder há cerca de 2 anos. De 5 em 5 anos escolhe-se novo Primeiro Ministro. O Presidente da República, também ele eleito, escolhe de 7 em 7 anos mas se o Parlamento o aprovar pode ser eleito por mais um mandado. O presidente da República mais famoso foi Éamonn de Valera que teve um papel importante na invasão inglesa, participou activamente na independência, cuja leitura de proclamação de independência foi feita no GPO em Dublin (General Post Office). Foi uma tentativa de golpe militar mas foi o primeiro passo para a autonomia da República da Irlanda. O Tratado Anglo-Irlandês marca o início da independência irlandesa, assinou-se em Londres a 6 de Dezembro de 1921. Entre os signatários que representavam o Governo Britânico estava David Lloyd George, chefe da delegação, enquanto a delegação da República Irlandesa estava representada por Michael Collins e Arthur Griffith. Esse tratado permitia ainda uma influência inglesa na política interna.
Em 1922-23 instala-se uma guerra civil. O Governo Britânico altera a pena de De Valera para prisão perpétua em vez de condenado à morte como os outros porque ele nasceu americano e isso criava desconforto entre o Reino Unido e os EUA.
Em 1932, o primeiro Governo livre da Irlanda é fundado por De Valera.
Apesar de a Irlanda ter alguma neutralidade, na 2ª Guerra Mundial, devido à proximidade com o Reino Unido, De Valera perde o poder e andou a ser eleito e a perder uma série de vezes.
A Irlanda é uma nação antiga, no entanto é um país independente recente.
O salário mínimo para trabalhos menos especializados é de 8.65€/hora. O valor é estipulado em função das horas porque há muita gente que não tem horário completo. Se tiverem o horário completo, fica em mais de 1300 euros por mês.

A caminho passámos pelo Castelo de Cahir que vimos apenas do exterior.


Kilkenny é a cidade capital do condado com o mesmo nome, com cerca de 10000 habitantes. Foi fundada no século VII quando St. Kenny chega e constrói uma igreja de madeira que, no século XI, foi reduzida a cinzas num incêndio. A actual catedral, St. Canices Cathedral, edifício gótico, foi construída entre 1202 e 1285. Está num ponto alto da cidade. À volta da catedral está o cemitério e uma torre de 30m de altura, construída entre o século VIII e X. Ao longo do século XIV, a torre caiu e houve uma senhora acusada de bruxaria, Alice Kytler, que fugiu para Londres para não ser condenada.



No século XVII a cidade apoia os ingleses católicos e Cromwell veio causar estragos na cidade quando a cercou por estar sob controlo de católicos.

Há duas catedrais, uma católica e uma anglicana. A Catedral anglicana, aquela que visitámos, tem a forma da cruz latina, tem 3 naves e 2 transeptos. A cruz latina tem os braços mais pequenos que o comprimento do corpo da cruz, enquanto que a cruz católica tem os braços iguais ao comprimento do corpo da cruz.
Visitámos ainda a Black Abbey, que é católica.



Depois das Catedrais, visitámos o Castelo e os seus jardins a perder de vista. O castelo tem um jardim francês à frente, isto é, tem uma fonte ao centro e os canteiros estão dispostos quase de forma geométrica.





Almoçámos em Kikenny num hotel à beira do rio com vista para o castelo, na foto acima, e depois seguimos viagem para Dublin, a última cidade desta viagem.

Dublin é a capital e a maior cidade da República da Irlanda. O rio Liffey divide Dublin em duas partes e desagua no mar da Irlanda. A O'Connel Bridge faz a ligação das duas margens e, seguindo pela ponte, para um dos lados, fica a O'Connel Street, rua onde ficava o nosso hotel. O nome da cidade está ligado a uma palavra de origem gaélica que significa "águas escuras".

Os celtas instalaram-se nesta região no ano 500 a.C. e viveram pacificamente até chegarem os vickings. Na época dos normandos foi considerada uma cidade importante, foi nessa altura que se fez o Castelo. Foi a partir do século XVII, com a "plantation" que a cidade começa a sofrer ataques porque era maioritariamente católica e chegam os escoceses e os ingleses. Os católicos são afastados do centro da cidade e passam a viver na periferia.

No século XIX, no período da Grande Fome, começa a renascer o espírito de mandarem na própria casa, isto é, na Irlanda.

É em Dublin que, em 1916, com a revolta do Domingo de Páscoa, pela primeira vez é proclamada a independência da Irlanda - movimento militar organizado pelo IRA. Essa revolta acaba num fracasso porque muitos dos que participaram foram apanhados pelos ingleses e condenados à morte.

Dublin tem 1 milhão e 400 mil habitantes, a contar com a zona metropolitana.

Assim que chegámos a Dublin fomos visitar o Phoenix Park , o maior parque urbano de toda a Europa, com 712 hectares, 5 vezes maior que o Hyde Park de Londres e até maior que o Central Park de Nova Iorque. No Phoenix Park habita uma família de animais semelhantes aos veados (gamos) que andam à solta pelo parque. Visitámos o Obelisco de Wellington, com 62m de altura, sendo o segundo mais alto depois do de Washington, que fica dentro do parque e que é um monumento de homenagem ao Duque de Wellington. No parque existem castanheiros das índias e plátanos. Foi projectado no século XVII para colocar 500 veados para a nobreza inglesa vir caçar. Existe ainda um Zoológico dentro do parque.


No interior do parque está situada a residência oficial do Presidente da República. O parque não tem portões mas tem lá os apoios dos portões que foram guardados numa conferência e ninguém sabe onde. Também a residência do embaixador dos EUA fica dentro do parque.


Existe uma cruz papal no parque que mede 27m de altura que marca o local onde João Paulo II celebrou a missa em 1972 que reuniu 1200000 pessoas.

Ao sábado são distribuídos 525 bilhetes para a visita ao interior da residência oficial do Presidente da República, que neste caso é uma senhora, Mary McAleese, eleita em 1998 que já vai no 2ºmandato.

No parque há ainda campos onde se jogam jogos tradicionais como hóquei irlandês, desporto que a partir de 2010 tem como obrigatório o uso de capacete. O futebol gaélico usa uma bola como a de voleibol mas mais pesada e em algumas situações pode-se jogar com as mãos. Há também um campo de pólo.

O People's Garden é o único sítio do parque onde são plantadas flores.

Seguimos para a visita panorâmica pela cidade, passámos na Heuston Station - a maior estação de Dublin, de onde saem comboios para as cidades da Irlanda. Dublin tem ainda um metro de superfície. Passámos ao lado de Temple Bar, o bairro onde estão situados os pubs da cidade. Passámos pelo Trinity College, criado pela Rainha de Inglaterra para receber estudantes protestantes. Na O'Connel Street existe uma agulha de 120m de altura cujos últimos 9m tem aço perfurado para oscilar e que é um projecto de vários países: Irlanda, Alemanha, França e Escócia. Ficámos no Hotel Gresham, um edifício georgiano mesmo na O'Connel Street.





À noite, depois de jantar, fomos para Temple Bar, o bairro dos pubs. Cada porta da rua é a porta de um pub. O espírito irlandês é de festa, copos e alegria. Foi assim que encontrámos a zona, com muita animação. Os pubs têm praticamente todos música ao vivo e as pessoas lá parecem gostar disso. Acompanham sempre os músicos que estão a cantar, brindam às músicas, cantam, gritam e divertem-se sempre com um fino dos grandes à frente. Nessa noite apaixonei-me por Dublin.