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domingo, 17 de janeiro de 2016

CODEPENDÊNCIA

Codependência

Alguns familiares, cônjuges e companheiros(as), se dedicam excessivamente aos parentes com alcoolismo, drogas ou outros transtornos da personalidade.
Família | Dependências |

Intrigante e até misteriosa, é a aparente perseverança com que alguns familiares, normalmente cônjuges e companheiros(as), se dedicam aos parentes com problemas de dependência, alcoolismo, jogo patológico ou outro transtorno grave da personalidade. Difícil entender como e porque essas pessoas suportam heroicamente todo tipo de comportamento problemático, ou até atitudes sociopáticas dos companheiros(as), como se assumissem uma espécie de desígnio ou “carma”, para o qual fossem condenados para todo o sempre.

Não se consegue compreender porque essas pessoas abrem mão da possibilidade de ser feliz ou de diminuir o sofrimento, permanecendo atreladas à pessoa problemática, suportando toda a tirania de sua anormalidade, como se esse fosse o único papel reservado pelo destino.
Os profissionais com prática no exercício da clínica psiquiátrica sabem das dificuldades existenciais dessas pessoas codependentes, ou seja, “dependentes” dos companheiros(as) problemáticos, quando estes deixam o vício. Parece que os codependentes ficaram órfãos, de uma hora para outra, perdidos e sem propósito de vida. Não é raro que passem elas, as pessoas codependentes, a apresentar problemas semelhantes àqueles dos antigos dependentes que cuidavam.
Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, e atualmente estendido também aos casos de alcoolismo, de jogo patológico e outros problemas sérios da personalidade.
Codependentes são esses familiares, normalmente cônjuge ou companheira(o), que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão diante do dependente e de seus problemas. São pessoas que têm baixa auto-estima, intenso sentimento de culpa e não conseguem se desvencilhar da pessoa dependente.
O que parece ficar claro é que os codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro. Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de alcoolistas, dependentes químicos, jogadores compulsivos, alguns sociopatas, sexuais compulsivos, etc.
O Codependente é Atado na pessoa problemaUma expressão que representa bem a maneira como o codependente adere à pessoa problemática é atadura emocional. Dizemos que existe atadura emocional quando uma pessoa se encontra atrelada emocionalmente a coisas negativas ou patológicas de alguém que o rodeia; seja esposo, filho, parente, companheiro de trabalho, etc. Devida a essas amarras emocionais o codependente passa a ser quase um outro dependente (da pessoa problemática).
Codependência se manifesta de duas maneiras: como um intrometimento em todas as coisas da pessoa problema, incluindo horário de tomar banho, alimentação, vestuário, enfim, tudo o que diz respeito à vida do outro. Em segundo, tomando para si as responsabilidades do outra pessoa. Evidentemente, ambas atitudes propiciam um comportamento mais irresponsável ainda por parte da pessoa problemática.
Percebe-se na codependência um conjunto de padrões de conduta e pensamentos (patológicos) que, além  compulsivos, produzem sofrimento. O codependente almeja ser, realmente, o salvador, protetor ou consertador da outra pessoa, mesmo que para isso ele esteja comprovadamente prejudicando e agravando o problema do outro.
Como se nota, o problema do codependente é muito mais dele próprio do que da pessoa problemática e, normalmente, a nobre função do codependente depende da capacidade de ajudar ou salvar a outra pessoa, que sempre é transformada em vítima e não responsável pelos próprios problemas.
Por causa do envolvimento de toda a família nos problemas do dependente ou alcoolista, considera-se que o alcoolismo ou o uso nocivo de drogas é uma doença que afeta não apenas o dependente, mas também a família.
Sintomas da CodependênciaCodependência é uma condição específica que se caracteriza por uma preocupação e uma dependência excessivas (emocional, social e a vezes física), de uma pessoa em relação à outra, reconhecidamente problemática. Depender tanto assim de outra pessoa se converte em uma condição patológica que caracteriza o codependente, comprometendo suas relações com as demais pessoas. Em pouco tempo o codependente começa a achar que ninguém apóia a pessoa problema (como ele), que ambos são incompreendidos, ele e a pessoa problemática, ambos não recebem o apoio merecido, etc.
Codependente tem seu próprio estilo de vida e seu modo de se relacionar consigo próprio, com os demais e com a pessoa problemática. Devido sua baixa auto-estima, ele sempre se preocupa mais com os outros do que consigo mesmo (pelo menos aparentemente).
A pessoa codependente não sabe se divertir normalmente porque leva a vida demasiadamente a sério, parecendo haver um certo orgulho em carregar tamanha cruz, em suportar as ofensas, humilhações e frustrações. Como ele precisa desesperadamente da aprovação dos demais, porque no fundo ele mesmo sabe que está exagerando em seus cuidados com a pessoa problemática, procura ter complacência e compreensão com todos por uma simples questão de reciprocidade (quer que os outros também entendam o que está fazendo).
Codependência se caracteriza por uma série de sintomas e atitudes mais ou menos teatrais, e cheias de Mecanismos de Defesa, tais como:
1. - Dificuldade para estabelecer e manter relações íntimas sadias e normais, sem que grude muito ou dependa muito do outro
2. - Congelamento emocional. Mesmo diante dos absurdos cometidos pela pessoa problemática o codependente mantém-se com a serenidade própria dos mártires.
3. - Perfeccionismo. Da boca para fora, ou seja, ele professa um perfeccionismo que, na realidade ele queria que a pessoa problemática tivesse.
4. - Necessidade obsessiva de controlar a conduta de outros. Palpites, recomendações, preocupações, gentilezas quase exageradas fazem com que o codependente esteja sempre super solícito com quase todos (assim ele justificaria que sua solicitude não é apenas com a pessoa problemática).
5. - Condutas pseudo-compulsivas. Se o codependente paga as dívidas da pessoa problemática ele “nunca sabe bem porque fez isso”, diz que não consegue se controlar.
6. – Sentir-se responsável pelas condutas de outros. Na realidade ele se sente mesmo responsável pela conduta da pessoa problemática, mas para que isso não motive críticas, ele aparenta ser responsável também pela conduta dos outros.
7. - Profundos sentimentos de incapacidade. Nunca tudo aquilo que fez ou está fazendo pela pessoa problemática parece ser satisfatório.
8. – Constante sentimento de vergonha, como se a conduta extremamente inadequada da pessoa problemática fosse, de fato, sua.
9. – Baixa autoestima.
10. - Dependência da aprovação externa, até por uma questão da própria auto-estima.
11. - Dores de cabeça e das costas crônicas que aparecem como somatização da ansiedade.
12. - Gastrite e diarréia crônicas, como envolvimento psicossomático da angústia e conflito.
13. - Depressão. Resultado final
Parece um nobre empenho ajudar a outras pessoas que se estão se autodestruindo, como no caso dos alcoolistas ou dependentes químicos, do jogo ou do sexo compulsivos. Entretanto, se quem ajuda se esquece de si mesmo, se entrega à vida da outra pessoa problemática, então estamos diante da Codependência. A dor naCodependência é maior que o amor que se recebe e se uma relação humana resulta prejudicial para a saúde física, moral ou espiritual, ela deve ser desencorajada.
Na realidade a codependência é uma espécie de falso-amor, uma vez que parece ser destrutivo, tendo em vista que pode agravar o problema em questão, seja a dependência química, alcoolismo, transtornos de personalidade, etc. Todo amor que não produz paz, mas sim angústia ou culpa, está contaminado de codependência, é um amor patológico, obsessivo é bastante destrutivo. Ao não produzir paz interior nem crescimento espiritual, a codependência cria amargura, angustia e culpa, obviamente, ela não leva à felicidade. Então, vendo desse jeito, a codependência aparenta ser amor, mas é egoísmo, medo da perda de controle, da perda da relação em si.
Disfunção FamiliarNa família da pessoa problemática as relações familiares e a comunicação interpessoal vão se tornando cada vez mais complicadas. A comunicação se faz mais confusa e indireta, de modo que é mais fácil encobrir e justificar a conduta do dependente do que discuti-la. Esta dificuldade (disfunção) vai se convertendo em estilo de vida familiar e produzindo, em muitos casos, o isolamento da família dos contatos sociais cotidianos. As regras familiares se tornam confusas, rígidas e injustas para seus membros, de forma que os deveres passam a ser distorcidos, com algum prejuízo das pessoas que não têm problemas e privilégios da pessoa problemática.
Como se vê, a conduta codependente é uma resposta doentia ao comportamento da pessoa problemática, e se converte em um fator chave na evolução da dependência, isto é, a codependência promove o agravamento da situação da pessoa problemática, processo chamado de facilitação. Mas, os codependentes não se dão conta de que estão facilitando o agravamento do problema, em parte pela negação e em parte porque estão convencidos de que sua conduta esta justificada, uma vez que estão “ajudando” o dependente a não se deteriorar ainda mais e que a família não se desintegre.
Costuma ser mais freqüente do que se pensa, as pessoas codependentes buscarem ajuda médica, porém, sem que tenham crítica de tratar-se de codependência. Antes disso, essas pessoas se queixam de depressão ou simplesmente de estresse.
Os profissionais de saúde que trabalham na área de dependências, correm sempre o risco de desenvolver codependência como resultado da exposição crônica à dependência dos pacientes.
As manifestações dessa codependência profissional são muito variadas, podendo dizer respeito à assumir franca e pesada responsabilidade pelo dependente, protege-lo das conseqüências de suas decisões, e dar-lhe sermões repetitivos, enfim, assumir atitudes que ultrapassam as funções do profissional.
Quando acontece a codependência em profissionais da área (médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, pessoal da enfermagem), normalmente não há uma crítica imediata da situação, senão a sensação de que todas as atitudes objetivam genuinamente ajudar o paciente. Entretanto, a codependência está longe de ajudar, sendo mais provável um agravamento da dependência ou uma facilitação.
O impacto que a família sofre com o uso de drogas por um de seus membros é correspondente as reações que vão ocorrendo com o sujeito que a utiliza. Este impacto pode ser descrito através de quatro estágios pelos quais a família progressivamente passa sob a influência das drogas e álcool:
1. Na primeira etapa, é preponderantemente o Mecanismo de Negação. Ocorre tensão e desentendimento e as pessoas deixam de falar sobre o que realmente pensam e sentem.
2. Em um segundo momento, a família demonstra muita preocupação com essa questão, tentando controlar o uso da droga, bem como as suas conseqüências físicas, emocionais, no campo do trabalho e no convívio social. Mentiras e cumplicidades relativas ao uso abusivo de álcool e drogas instauram um clima de segredo familiar. A regra é não falar do assunto, mantendo a ilusão de que as drogas e álcool não estão causando problemas na família.
3. Na terceira fase, a desorganização da família é enorme. Seus membros assumem papéis rígidos e previsíveis, servindo de facilitadores. As famílias assumem responsabilidades de atos que não são seus, e assim o dependente químico perde a oportunidade de perceber as conseqüências do abuso de álcool e drogas. ? comum ocorrer uma inversão de papéis e funções, como por exemplo, a esposa que passa a assumir todas as responsabilidades de casa em decorrência o alcoolismo do marido, ou a filha mais velha que passa a cuidar dos irmãos em conseqüência do uso de drogas da mãe.
4. O quarto estágio é caracterizado pela exaustão emocional, podendo surgir graves distúrbios de comportamento e de saúde em todos os membros. A situação fica insustentável, levando ao afastamento entre os membros gerando desestruturação familiar
Recuperação da Codependência
Codependência também pode ser agravante e desencadeante de depressão, suicídio, doenças psicossomáticas, e outros transtornos. Os grupos de ajuda para familiares de dependentes (químicos e alcoólicos) visam, principalmente, reverter este quadro, orientando os familiares a adotarem comportamentos mais saudáveis. Os profissionais acham que o primeiro passo em direção a esta mudança é tomar consciência e aceitar o problema.

O tratamento da Codependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto ajuda, terapia familiar e em alguns casos, antidepressivos e ansiolíticos. Os grupos de auto ajuda para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Codependentes Anônimossão de grande utilidade no processo de recuperação familiar da codependência.
Codependentes Anônimos
Nos mesmos moldes dos Alcoólicos AnônimosCodependentes Anônimos são grupos de ajuda com metodologia de relato em grupo e do estímulo para observância de algumas recomendações disciplinares e de alguns passos importantes. As chamadas Doze Tradições dos Codependentes Anônimos foram adaptados das 12 Tradições de Alcoólicos Anônimos conforme abaixo:

1- Nosso bem-estar comum deve estar sempre em primeiro lugar; a recuperação pessoal depende da unidade de Codependentes Anônimos.
2- Somente uma autoridade preside, em última análise, ao nosso propósito comum – um Poder Superior amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; não têm poderes para governar.
3- O único requisito para ser membro da unidade de Codependentes Anônimos é ter um sincero desejo para relacionamentos saudáveis e amorosos.
4- Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que afetam outros Grupos, ou Codependentes Anônimos como um todo.
5- Cada Grupo tem um único propósito primordial – levar sua mensagem ao Codependente que ainda sofre.
6- Um Grupo de Codependentes Anônimos nunca deverá jamais endossar, financiar ou emprestar o nome de Codependentes Anônimos a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à irmandade, para que problemas de dinheiro, propriedade e prestígio não nos desviem de nosso propósito espiritual.
7- Cada Grupo deverá ser totalmente auto-sustentável, recusando assim contribuições de fora.
8- Codependentes Anônimos deverá permanecer sempre não profissional, embora nossos centros de serviços possam empregar trabalhadores especializados
9- Codependentes Anônimos, jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsáveis perante aqueles a quem prestam serviços.
10- Codependentes Anônimos não opinam sobre questões alheia à Irmandade, portanto, o nome de Codependentes Anônimos, jamais deverá aparecer em controvérsias públicas.
11- Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção; cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal em nível de imprensa, rádio e filmes.
12- O anonimato é a base espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades.
Vejamos agora os Doze Passos de Codependentes Anônimos, também adaptados dos12 Passos de Alcoólicos Anônimos
1- Admitimos que éramos impotentes perante os outros - que nossas vidas haviam se tornado incontroláveis.
2- Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós, poderia nos devolver a sanidade.
3- Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidado de Deus como nós O concebíamos.
4- Fizemos um destemido e minucioso inventário moral de nós mesmos.
5- Admitimos perante a Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6- Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.
7- Humildemente rogamos a Deus para que nos livrasse de nossas imperfeições.
8- Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9- Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem. 10- Continuamos fazendo o inventário pessoal, e quando nós estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
11- Procuramos através da prece e da meditação melhorar nosso contato consciente com Deus como nós O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e força para realizar essa vontade.
12- Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos levar esta mensagem para outros codependentes e praticar estes princípios em todos as nossas atividades.
American Society of Addiction Medicine propõe três fases para o tratamento de famílias de dependentes químicos, sendo que o nível de intervenção varia de acordo com a meta de tratamento estabelecida, bem como as necessidades da família. A tabela abaixo sumariza os níveis de intervenção familiar de acordo com as fases:
Fase I:
- 1. Trabalhar a negação;
- 2. Interromper o consumo de substâncias
Fase II:
- 1. Prevenir recaídas;
- 2. Estabilizar a família, melhorando seu funcionamento. 
Fase III:
- 1. Aumentar a intimidade do casal, no plano emocional e sexual.
Segundo a psicóloga Neliana Buzi Figlie, especialista em dependência química, a Fase Iobjetiva que o dependente a atinja a abstinência. Para tal é importante auxiliar as pessoas a assumir a responsabilidade sobre seus comportamentos e sentimentos. Por vezes, alguns membros podem ser atendidos conjuntamente, enfatizando a diminuição da reatividade do impacto de um familiar nos outros. Ao pensar no modelo de doença, nesta fase é trabalhado o conceito de Codependência.
No referencial sistêmico, o foco centra-se na esposa definir uma posição de modo a quebrar o circulo repetitivo do funcionamento familiar e desta forma, auxiliar o dependente em sua recuperação. O referencial comportamental trabalha com a perspectiva de visualizar comportamentos do cônjuge que reforcem o comportamento aditivo, almejando a substituição por comportamentos que reforcem a sobriedade.
Na Fase II, ainda segundo Neliana Buzi Figlie, o foco é identificar padrões disfuncionais na família como um todo, tanto na família de origem, quanto da família de procriação. Nesta fase é importante retomar rituais familiares e conforme o grau de dificuldade, o encaminhamento para uma psicoterapia familiar especializada pode ser realizado.
A Fase III é definida como uma nova fronteira no tratamento da dependência química, sendo uma das áreas menos exploradas e talvez uma das mais controversas. Muito tempo após a cessação do consumo de substâncias, alguns relacionamentos continuam desgastados. Nesta fase o tratamento tem como meta aumentar a intimidade do casal e a participação de ambos no processo é fundamental.
Em termos de modalidades de tratamentos psicológicos, Neliana Buzi Figlie discorre sobre 4 tipos:
Grupos de Pares, onde os membros da família são distribuídos em diferentes grupos dependentes químicos, pais, mães, irmãos, cônjuges, etc. A interação entre pares é facilitadora de mudanças, uma vez que escutar de um par não é o mesmo que escutar de um profissional, porque o par passa por situação semelhante e não é alvo de fantasias e idealizações como o terapeuta.
Grupos de Multifamiliares. Através de um encontro de famílias que compartilham da mesma problemática, cria-se um novo espaço terapêutico que permite um rico intercâmbio a partir da solidariedade e ajuda mútua, onde as famílias se convocam para ajudar a solucionar o problema de uma e de todas, gerando um efeito em rede. Todas as famílias são participantes e destinatárias de ajuda.
Psicoterapia de Casal, onde os casais podem ser atendidos individualmente ou também em grupos, uma vez que o profissional tenha habilidades para conduzir as sessões sem expor particularidades que não sejam adequadas ao tema focado.
Psicoterapia Familiar. Aqui a é a abordagem mais especializada segundo um referencial teórico de escolha do profissional para a compreensão do padrão familiar e intervenção. Nesta modalidade se reúne a família e o dependente químico.


para referir:
Ballone GJ - Codependência - in. PsiqWeb, Internet, disponível emwww.psiqweb.med.br, revisto
em 2008.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A questão das drogas no processo educativo

Luama Socio
 
1 – Tentaremos abordar a questão das drogas na adolescência sob o ponto de vista educativo da maneira mais direta possível. O fato é que grande parte dos adolescentes usam drogas e que nós, educadores, gostaríamos que eles não usassem.
 
2 – Nós sabemos e sentimos veementemente que as drogas, além de não auxiliarem no processo da construção humana do adolescente, da sua formação integral como pessoa, atrapalham este processo.
 
3 – E também sofremos quando vemos os jovens atirados aos cantos, pelo chão, na rua, adormecidos em plena luz do sol, ou sob a luz dos postes à noite, ou amortecidos, semiconscientes, dentro das casas, dos quartos, ou dentro dos bares, das festas. Sofremos com a juventude assassinada ou presa. Sofremos com os crimes que ela comete, sofremos quando ela é vítima dos crimes.
 
4 – E nós nos perguntamos como é que podemos intervir em favor desses jovens, no sentido de fazê-los despertar para a vida ou para uma consciência maior. Queremos preveni-los sobre a morte que as drogas representam e são. Temos a sensação de que, entregando-se às drogas, eles estão se entregando à morte porque vemos seus corpos se degradando, testemunhamos muitas vezes a sua confusão emocional e ausência de lucidez intelectual. Ou ainda estamos diante do adolescente em conflito com a lei, cumprindo medida socioeducativa por ter cometido crimes no contexto da problemática das drogas.
 
5 – Trata-se de um fato que envolve então a relação entre o educador, que reflete sobre isto, e o educando. A este fato deveremos somar mais um: o fato de que o uso das drogas, com todas as suas questões, na nossa sociedade atual, é um fato cultural. A relação entre educador e educando tem então essa espécie de fundo cultural; está inserida nessa espécie de caldo cultural.
 
6 – As pessoas que fazem parte dessa cultura, sejam adolescentes ou adultos, usam drogas. Usam drogas como remédio para várias doenças ou dores, ou usam drogas para se divertir; usam drogas para se sentirem de uma forma diferente da habitual, usam porque faz parte de um ritual ou porque são viciadas.
 
7 – Especialistas em saúde chamam a atenção para “a mania por pílulas” que tem acometido grande parte da população ocidental a partir dos anos 2000. Desde o século XIX filósofos vêm apontando as insuficiências e tragédias da era do progresso científico e da crescente valorização da materialidade nos modos de vida, que faz com que as pessoas, indiscriminadamente, acreditem, por exemplo, em explicações químico-físicas para problemas nos mais variados setores da vida.
 
8 – Nunca se deu tanta importância aos objetos tecnológicos desenvolvidos a partir da química, física, biologia ou outras ciências naturais, com vistas ao bem-estar da vida em geral. E a partir do século XX não faltam análises sobre a ideologia da sociedade de consumo e competitiva transformando toda essa materialidade em mercadoria. Assim, qualquer coisa, seja droga, arte ou comida é, – antes de ser algo com características específicas em si, – acima de tudo objeto de consumo. E sob a sociedade de consumo subentende-se uma pretensa democracia de direitos de acesso a todos os tais objetos, apoiada nas amplas redes de propaganda que impulsionam os desejos dos consumidores em direção ao consumo desses objetos.
 
9 – Então, o educador deve ser consciente desta esfera cultural, e deve ser capaz de articulá-la às dinâmicas dos contextos específicos envolvendo a questão das drogas.
 
10 – O ponto fundamental do processo educativo é sempre o encontro, a relação entre educador e educando, com base no amor, na responsabilidade e no compartilhamento do momento em que estão juntos. No entanto pensamos também que é importante ter sempre em vista o horizonte cultural em que um conteúdo, um problema ou uma questão – circunstancialmente envolvidos no encontro – se apóia, porque é este horizonte cultural que nutre o processo educativo com imagens e realidades necessárias aos instrumentos educativos.
 
11 – Proporemos portanto, à guisa de reflexão, tentativas de compreender de que maneira a questão das drogas, entre outros elementos culturais, invade o campo do processo educativo exigindo resposta do educador, e aqui especificamente, do arte-educador.
 
12 – Saber: o que são as drogas, do ponto de vista químico, morfológico ou sociológico; quais efeitos específicos na saúde dos órgãos do corpo as drogas provocam; as conseqüências para o futuro, que elas provocam no nível social da vida do adolescente; quais motivações ambientais, contextuais, sociológicas, antropológicas e históricas levam o adolescente a usar drogas; em quais circunstâncias históricas de organização social o uso das drogas se manifesta; quais drogas são legais ou ilegais, etc.
 
13 – Ter informações sobre estas coisas e muitas outras relacionadas às drogas, formam o corpo, o escopo de nosso repertório necessário ao tratamento da questão.
 
14 – Mas, não obstante a importância de todas as informações trocadas, buscadas, por entre quem se preocupa com a questão das drogas, o fundamental, para o arte-educador, é observar em que sentido a utilização das drogas dialoga, especificamente, com pontos metodológicos, com a experiência que se têm no convívio com alunos – coletivamente e individualmente – com a vivência no contexto escolar incluindo todos os colegas. É a partir desta observação, vivida concretamente, que o educador deve abordar a questão.
 
15 – Queremos aqui apontar alguns dos sentidos deste diálogo, que se mostram recorrentes na nossa experiência.
 
16 – Do ponto de vista pedagógico, os adolescentes estão numa fase muito específica de formação: a fase em que deverão desenvolver com maior ênfase as faculdades lógico-simbólicas. Nesta fase os adolescentes estão tentando, naturalmente, usar mais o intelecto, a razão. Estão na fase do questionamento de valores porque vivem um processo intenso de necessidade de firmar uma identidade, um eu com personalidade própria e capaz de se auto-afirmar com independência na vida adulta que se aproxima vertiginosamente.
 
17 – A adolescência é uma fase de auto-descoberta. E isto implica todos os desdobramentos da descoberta ou da construção de uma dimensão interior em que fica o eu. Subitamente o jovem descobre que existe nele uma espécie de “lado de dentro”, contíguo ao “lado de fora” comum, que sempre vivenciou. O lado de fora ele reconhece como sendo as cobranças dos pais e as exigências do mundo, a relação tantas vezes conflitante com os colegas, a espinha no rosto, o cabelo ridículo porque é ruim, queria ter um cabelo igual ao do Neymar, a vontade de ter um tênis de marca e o último celular. O que é realmente este lado de fora? O que está do lado de dentro? Quem sou eu? De repente o adolescente começa a perceber que existe uma coisa dentro dele, diferente das outras coisas, que é ele mesmo. Mas como saber se esta coisa é verdadeira, como fazer com que seja verdadeira?
 
18 – Há alguém ou alguma coisa que possa auxiliar o adolescente nesta descoberta? A arte-educação poderá auxiliá-lo?
 
19 – Encontra-se em grande parte do senso comum a opinião de que as drogas são estimulantes da criatividade artística. A despeito do que haja de superficial e equívoco nessa associação, talvez esta seja uma pista da importância da arte na educação. As atividades artísticas talvez tenham um potencial privilegiado de dar espaço para a originalidade da manifestação do eu do indivíduo, espaço para a criatividade. Mas aqui não se trata da arte substituindo as drogas. Porém é aqui que muitas vezes lidamos com a idéia das drogas como substitutas ilegítimas da arte.
 
20 – E os arte-educadores têm a responsabilidade de discernir o que de ilusório existe nesta idéia de criatividade artística ou capacidade inventiva associadas ao uso das drogas. Não se tem notícia de que alguém tenha se tornado um artista genial porque ingeriu drogas. Mas temos algumas notícias de que pessoas que ingerem drogas eventualmente se sentem mais artistas ou mais geniais do que se sentiriam normalmente.
 
21 – Ao contrário das possibilidades vivenciadas ativamente e integralmente em direção a uma dimensão interior, propostas algumas vezes pelo exercício das artes, o efeito ilusório da abertura da percepção através das drogas implica uma passividade da vontade que pode acabar em doença e morte. A ilusão da ampliação da percepção se dá através do efeito psicológico provocado artificialmente por moléculas químicas em contato com o organismo. Através da alteração, supressão ou redução da percepção dos sentidos físicos, a realidade objetiva se enfraquece e a sensação de realidade subjetiva prevalece como espaço existencial. Isso não tem nada a ver com a conscientização ativa da dimensão interior e subjetiva, pressentida pelo adolescente, através de uma ampliação real da consciência, do crescimento do ser, que deveria ser promovida pela educação através do desenvolvimento da vontade própria do educando.
 
22 – O psicanalista italiano Luigi Zoja, que escreveu o livro “Nascer não basta”, defende a interessante tese de que as drogas são, para os adolescentes de hoje, um análogo substituto dos ritos de iniciação à vida adulta que sempre existiram, muito bem definidos, na maioria das sociedades humanas de todas as épocas, com exceção desta nossa época.
 
23 – Nessa tese está implícita a existência da dor e do sofrimento envolvidos num processo psicológico de renascimento baseado na descoberta da dimensão interior. Zoja salienta o fato também de que alguns adolescentes de hoje em dia teriam necessidades específicas de desenvolvimento interior, necessidades com as quais a nossa sociedade atual, tão voltada ao materialismo, não está preparada para lidar. Tais adolescentes, ou seja, muito poucos deles, teriam a possibilidade, por exemplo, se vivessem em alguma sociedade primitiva, de serem pajés, xamãs ou monges. Como não têm esta possibilidade, eles muitas vezes recorrem às drogas para que estas forcem a percepção, pressentida, de um nível de realidade subjetiva diferente do frustrante estado de coisas até então experimentado. Zoja aponta também para a qualidade de objeto de consumo em que a droga se transformou atualmente, caracterizando a motivação de uso para uma maioria geral.
 
24 – A idéia é que, na falta de ritos de passagens estabelecidos como regra social definida, os jovens acabam criando seus próprios ritos, dos quais, muitas vezes as drogas fazem parte. E esta idéia parte do princípio de que o momento da passagem, com ou sem rito, é essencialmente uma fase dolorosa, conflitante, problemática, porque trata-se, para o adolescente, de passar para uma outra fase da vida.
25 – A associação entre rito de passagem e desenvolvimento do ser humano é apontada pelo filósofo Joseph Campbell no livro “As Máscaras de Deus” nas seguintes palavras: “A principal função da tradição mitológica e da prática ritualística de nossa espécie tem sido conduzir a mente, os sentimentos e o poder de ação do indivíduo através dos limiares críticos das duas primeiras décadas para a idade adulta e da velhice para a morte. Isto com o propósito de fornecer os estímulos sinais adequados para liberar as energias vitais naquele que, não sendo mais o que era, tem de assumir uma nova tarefa – sua nova fase – de maneira apropriada ao bem-estar do grupo”.
 
26 – No entanto não temos como atestar, em caráter de fato, se realmente as drogas são utilizadas como elementos substitutos de rituais de passagem ou como elementos substitutos da arte.
 
27 – Mas também não temos como atestar, em caráter de fato, que os adolescentes usam as drogas simplesmente porque “elas dão prazer”.
 
28 – O argumento do prazer é o mais comum na atual abordagem do assunto porque está relacionado com a idéia do prazer de consumir. A nossa sociedade de consumo está organizada como a sociedade do prazer condicionado à capacidade de ter coisas, revestida dos valores de competição pelos bens materiais. As drogas são uma mercadoria, colocada no mercado através das inteligentes estratégias de propaganda e de desnível entre demanda e oferta do produto. Trata-se de uma mercadoria como qualquer outra, que é consumida para dar prazer. É consumida como tudo o que é propagandeado, para satisfazer o desejo despertado pelas promessas implícitas na própria propaganda do produto.
 
29 – O fundo motivacional do indivíduo para a busca do prazer, neste contexto, poderia ser explicado com detalhes pela psicologia freudiana, que caracteriza o desenvolvimento do ser humano por entre marcas de satisfação e frustração de desejos na trajetória da vida pessoal.
 
30 – Este ponto de vista é insuficiente do ponto de vista educativo com relação aos adolescentes porque observa-se que raramente a questão do prazer está visivelmente envolvida na motivação inicial para o uso das drogas. É mais fácil encontrar o elemento do prazer representado no processo do vício em depoimentos de pessoas dependentes de drogas. Mas em relação à expressão prática do uso, na sua forma generalizada, quase sempre os relatos mostram uma primeira experiência de caráter extremamente desagradável, desprazerosa inclusive, e conseqüências mais desagradáveis ainda, quando o uso das drogas se torna freqüente.
 
31 – Temos aí então uma mistura de dor e prazer que delineará um tema à parte dentro do assunto. Segundo Kant, o jogo entre prazer e dor é o fundamento psicológico da percepção da própria vida. Em sua “Antropologia de um ponto de vista pragmático” o filósofo diz: “Contentamento é o sentimento de promoção da vida; dor, o de um impedimento dela. Todavia, a vida (do animal) é, como também já observam os médicos, um jogo contínuo do antagonismo entre ambos. Assim antes de todo contentamento tem de preceder a dor; a dor é sempre o primeiro. Pois que outra coisa se seguiria de uma contínua promoção da força vital, que não se deixa elevar acima de um certo grau, senão uma rápida morte de júbilo”?
 
32 – O viciado em prazer seria, para Kant, o indivíduo com uma necessidade patológica de sentir a vida intensamente e continuamente através desse jogo de dor e prazer, que corresponde a um trânsito vertiginoso entre morte e vida para poder sentir sempre com mais intensidade, a vida.
 
33 – O poeta francês Baudelaire, em seu livro “Paraísos artificiais”, corrobora mais ou menos essa visão de Kant, tentando mostrar que o uso das drogas é motivado pelo desejo de sentir a vida em toda a sua glória, plenitude e felicidade. O poeta porém dispensa inicialmente a questão da dor como elemento complementar do prazer. Segundo ele, essa sensação de plenitude pode ocorrer naturalmente na vida de todos nós, mas por algum motivo ela seria rara, daí recorrer-se às drogas para forjá-la artificialmente. O usuário descobrirá porém, quão ilusórios são os “paraísos artificiais” das drogas e arcará com nefastas conqüências.
 
34 – Como educadores estamos todos sempre do lado da vida e jamais do lado da morte. Sentimos que a valorização da vida deve ser algo total, e não apenas daquilo que se antagoniza com a morte num processo patológico. E embora os adolescentes de hoje não passem por ritos estritamente convencionados de iniciação à vida adulta, vemo-nos ao lado deles durante momentos cruciais do desenvolvimento que implica a passagem de uma vida de criança para uma vida de adulto.
 
35 – Conscientizemo-nos da necessidade de auxiliá-los na morte simbólica do menino que eram, para que renasçam homens. Essa “morte” não tem a ver com doença. Tem a ver com a experiência da vida total, que engloba muitas mortes simbólicas ao longo de seu curso. Queremos contribuir para a vida dos adolescentes no sentido de auxiliá-los a desenvolverem-se como pessoas integrais. No nosso método pedagógico este objetivo envolve o entrelaçamento das dimensões físico-corporal, afetivo-imaginativa e lógico-simbólica nas atividades que propomos aos nossos alunos durante as aulas.
 
36 – Ao invés de desejarmos que nossos alunos sejam apenas fortes, vencedores e espertos, preferimos contribuir para que sejam saudáveis, felizes e sinceros consigo próprios e com o mundo ao redor. E estes são valores de uma concepção educativa para o desenvolvimento do ser integral e não apenas do ser “consumidor”.

Fonte
http://www.gada.org.br/site-novo/index.php/a-questao-das-drogas-no-processo-educativo/

quarta-feira, 20 de março de 2013

CIGARRO


Adeus, cigarro: é hora de pensar na saúde!


Coração mais forte
"Quem vê cara não vê coração", diz o ditado popular, totalmente verdadeiro no caso do cigarro. A maioria dos fumantes não imagina que as conseqüências do fumo sobre o aparelho circulatório são devastadoras. Ao dar uma tragada, há um imediato aumento dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e constrição dos vasos, o que obriga o coração a exercer maior esforço para bombear o sangue. Com o tempo, eleva-se a probabilidade de desenvolvimento de doenças coronarianas, como angina, infarto, derrame, espasmo, arritmia cardíaca e morte súbita. Não é demais lembrar que quase todas as pessoas com até 35 anos que sofrem infarto são fumantes. "A quantidade de cigarros consumidos e os anos que a pessoa levou fumando vão determinar a freqüência e a extensão desses males", explica o Dr. Marcos Fábio Lion, cardiologista, fundador e ex-presidente da Sociedade Paulista de Cardiologia. "E o risco de desenvolvimento de uma doença cardiovascular em fumantes é igual para homens ou mulheres, mas se agrava na mulher quando ela toma anticoncepcionais", alerta o Dr. Lion. Quando se pára de fumar, o risco de infarto decresce rapidamente nos primeiros cinco anos, caindo 50% logo no primeiro ano. Para quem consumia menos de 20 cigarros diários, a chance de infarto se iguala às de não-fumantes no final de 10 anos. Porém, para os fumantes de mais de 20 cigarros por dia, serão necessários 15 anos de abandono do vício para ter as mesmas chances de uma pessoa que nunca fumou

Menor risco de doenças graves
Quem não gostaria de ganhar longevidade com boa saúde? Abandonar o cigarro é um grande passo para evitar doenças relacionadas ao tabagismo, tais como câncer (da boca, da faringe, da laringe, do esôfago, do pâncreas, do estômago, do rim e da bexiga), derrame cerebral (acidente vascular), úlcera péptica (no estômago e no duodeno), osteoporose e gangrena da perna (trombangeíte obliterante). Em mulheres, ocorrem ainda muitos casos de câncer do colo do útero. De um modo geral, pode-se afirmar que o cigarro ocasiona grande número de óbitos pelas doenças tabaco-associadas diretas e por mais de uma dezena de outras moléstias que surgem de forma indireta. Ou seja, o tabagismo diminui a expectativa de vida, e o risco de morrer cresce na razão inversa da idade em que se começou a fumar, sendo proporcional à quantidade de cigarros fumados. E mais, as conquistas da medicina e de melhores condições sociais, que visam ao aumento da vida média, estão sendo de certo modo anuladas pelo tabaco.

Leia artigo completo em

http://www.impacto.org/drogas/art5.htm
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

DIA INTERNACIONAL DE COMBATE ÀS DROGAS

26 de Junho
Drogas?... Diga não.
A magnitude do problema do uso indevido de drogas, verificada nas últimas décadas, ganhou proporções tão graves que hoje é um desafio da saúde pública no país. Além disso, este contexto também é refletido nos demais segmentos da sociedade por sua relação comprovada com os agravos sociais, tais como: acidentes de trânsito e de trabalho, violência domiciliar e crescimento da criminalidade.

Os motivos que podem levar uma pessoa a se entregar ao vício de drogas são vários e vão desde a necessidade de aceitação por um grupo até um problema de cunho familiar ou emocional. Da mesma forma são inúmeras as pessoas que se aproveitam disso para traficar e obter lucros com as fraquezas alheias.

Mas como resolver essa situação? O tráfico cresce porque cresce o número de usuários de drogas.
Este número aumenta porque aumenta o tráfico de drogas.

Isso significa que não adianta combater às drogas simplesmente como um "problema de polícia".
Não adianta lutar contra o tráfico, enquanto crime, e esquecer de lutar contra às causas que levam as pessoas ao consumo e a dependência química. O combate às drogas deve se dar também no âmbito educacional, psico-social, econômico e até mesmo espiritual.

Muitos setores da sociedade já perceberam isso e, em conseqüência, aumentam as campanhas de combate às drogas e as organizações que visam a recuperação de dependentes químicos e sua reintegração na sociedade. Exemplo desse esforço social foi a campanha da Fraternidade de 2001, da Igreja Católica, cujo tema foi, "Vida Sim, Drogas Não".

Saiba como agir - Tente conversar e mostrar ao dependente químico quais os danos que o vício está causando na vida dele, bem como apresentar-lhe soluções viáveis. Caso o viciado já esteja numa fase crônica, não relute em encaminhá-lo para uma clínica de recuperação; mas não deixe de comunicá-lo anteriormente.

A ajuda e as dicas de um profissional competente, como um psicólogo ou psiquiatra, são de extrema importância para o próprio dependente e para aqueles que têm que lidar com um. Outro fator relevante é tornar o dependente ciente de seu comportamento quando está sob efeito da droga e as conseqüências que ele traz para si e para as demais pessoas.

Fonte:UFGNet


Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/junho/dia-internacional-do-combate-as-drogas.php#ixzz1yukLajOY

quarta-feira, 25 de abril de 2012

DROGAS, UM GRANDE PERIGO!!!!

Perigo devastador que ronda nossas crianças e adolescente são as drogas. Precisamos aprofundar o assunto e assim poder ajudar os que são abatidos por este mal. Achei o texto abaixo interessante e quero compartilhar com todos os pais e educadores interessados no assunto.



Celina Missura

 

Texto encontrado em:http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20091029110511AAQuRpJ


Os efeitos da cocaína no corpo do ser humano depende das características da droga que está sendo consumida já que, como em seu processo de refino são misturados diversos produtos como cimento, pó de vidro e talco, a droga perde em pureza ficando mais ou menos poderosa.

Euforia, excitação, sensação de onipotência, falta de apetite, insônia e aumento ilusório de energia são as primeiras sensações que o consumidor de cocaína tem. Esse efeito inicial dura cerca de meia hora e logo a seguir vem uma forte depressão que leva o usuário a consumir nova dose da droga para renovar as sensações. Meia hora depois da segunda dose, a depressão volta e o usuário busca uma terceira dose, que, com certeza, vai ser seguida por uma nova depressão e assim o consumidor entra em um perigoso ciclo que o transforma em um dependente químico da droga.

O consumo de cocaína traz sérios danos ao organismo do usuário. Os problemas começam nas vias de entrada da droga, como a necrose (morte dos tecidos) da mucosa nasal ou das veias, dependendo da forma como é consumida. A quinina, uma substância que pode estar misturada à cocaína, pode levar à cegueira irreversível. Infecção sangüínea, pulmonar e coronária também estão na lista de conseqüências do uso contínuo da cocaína.

Fonte(s):

www.brasilescola.com/drogas/cocaina

sábado, 14 de janeiro de 2012

DROGAS E GOVERNO

Conselho Federal de Psicologia
repudia estratégia "dor e sofrimento" na cracolândia


O Conselho Federal de Psicologia questiona
objetivos e métodos adotados na chamada Ação Integrada Centro Legal, em curso
desde o dia 3 de janeiro de 2012 na cracolândia, em São Paulo. O CFP entende que
a estratégia, da forma como vem sendo executada, baseada na ostensiva ação
policial, não só não resolve o problema, como provoca a violação dos direitos
humanos dessas pessoas já fragilizadas.

O CFP defende uma política sobre
drogas baseada no fortalecimento da rede pública de saúde, com a ampliação de
consultórios de rua e dos Centros de Atenção Psicossociais, que realizam
atendimento de forma intersetorial, envolvendo psiquiatras, enfermeiros,
psicólogos e assistentes sociais e outros profissionais da saúde.Por isso,
orienta que psicólogas e psicólogos denunciem qualquer violação aos direitos
humanos em ações de combate ao crack e espera que a ação baseada na “dor e
sofrimento” não se repita em outros Estados.

O Conselho Regional de
Psicologia de São Paulo acompanha a situação. Na quarta-feira, 11 de janeiro, o
CRP-SP participou da reunião realizada na Câmara dos Vereadores de São Paulo, e
ao lado de outras entidades da sociedade civil, repudiou a ação militar.


O Conselho Federal de Psicologia questiona
objetivos e métodos adotados na chamada Ação Integrada Centro Legal, em curso
desde o dia 3 de janeiro de 2012 na cracolândia, em São Paulo. O CFP entende que
a estratégia, da forma como vem sendo executada, baseada na ostensiva ação
policial, não só não resolve o problema, como provoca a violação dos direitos
humanos dessas pessoas já fragilizadas.

O CFP defende uma política sobre
drogas baseada no fortalecimento da rede pública de saúde, com a ampliação de
consultórios de rua e dos Centros de Atenção Psicossociais, que realizam
atendimento de forma intersetorial, envolvendo psiquiatras, enfermeiros,
psicólogos e assistentes sociais e outros profissionais da saúde.Por isso,
orienta que psicólogas e psicólogos denunciem qualquer violação aos direitos
humanos em ações de combate ao crack e espera que a ação baseada na “dor e
sofrimento” não se repita em outros Estados.

O Conselho Regional de
Psicologia de São Paulo acompanha a situação. Na quarta-feira, 11 de janeiro, o
CRP-SP participou da reunião realizada na Câmara dos Vereadores de São Paulo, e
ao lado de outras entidades da sociedade civil, repudiou a ação militar.

Fonte: http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_120113_001.html

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

COMO A MACONHA AGE NO ORGANISMO

Texto completo em: http://www.areaseg.com/toxicos/maconha.html

Como a Maconha Age no Organismo

Onde a droga aje

1-Cortéx Frontal.Controla o comportamento.A euforia tem origem aqui.

2-Núcleo Acumbenspode sediar o mecanismoque causa dependência.

3-HipocampoÉ o setor que guarda informações.Se atingido perde-se a memória.
4-CerebeloResponde às alteraçõesda coordenação motora.

Quando um psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de um neurotransmissor, provocando as sensações de prazer. À medida que o uso vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para absorver os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Desse modo, uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se em pouco tempo inócua. O usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha.

Por isso, acaba aumentando a dose, para uma dose maior para obter o mesmo efeito. A dependência vai assim se agravando continuamente. Como o psicotrópico imita a ação dos neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los.

A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. E quando falta o “impostor” químico, o sistema nervoso fica abalado. É o que popularmente se conhece como a síndrome da abstinência da droga. Os neurotransmissores são substâncias químicas capazes de transmitir um sinal elétrico de um neurônio a outro.

Assemelham-se a um eletrólito de bateria, o qual permite que a corrente elétrica circule pelas placas. Depois de retransmitir o sinal elétrico o neurotransmissor normalmente é reabsorvido, para não ficar estimulando indefinidamente os outros neurônios, permitindo que eles possam reagir rapidamente a novas exigências. As drogas que provocam euforia, como a cocaína, impedem essa reabsorção, de modo que o cérebro fica super-ativado.

Não é difícil perceber o estrago que essa intervenção antinatural pode provocar, quando se sabe que num minuto ocorrem trilhões de trocas neuroquímicas no cérebro. Não é sem razão que muitos especialistas em drogas chamam esse estado de "prazer espúrio"... Os especialistas costumam dividir as drogas em dois tipos: leves e pesadas.

Drogas leves são as que causam "dependência psíquica", que significa o desejo irrefreável de consumir a droga. Drogas pesadas são aquelas que além da dependência psíquica causam também a física, ou seja, a sua falta acarreta uma síndrome de abstinência tão violenta, com sintomas físicos tão dolorosos, que o viciado procura desesperadamente pela droga a fim de aliviar a ânsia de consumo.

Por essa razão, fumo e álcool podem ser considerados como drogas pesadas, apesar de serem socialmente aceitas.
Efeitos no organismo


Ao chegar na corrente sangüínea, a maconha passa por todos os tecidos do organismo. As sensações experimentadas variam com o teor de Delta 9THC das preparações (que varia de acordo com a parte da planta utilizada e o modo como são preparadas), via de introdução e absorção do Delta 9THC.

Os efeitos variam muito de indivíduo para indivíduo e dependem da personalidade e mesmo do grau de experiência do indivíduo no uso da droga. Os efeitos são os mais diversos possíveis, a seguir listados, estão alguns efeitos e males causados pelo uso da maconha: A curto prazo, os efeitos comportamentais típicos são:
período inicial de euforia (sensação de bem-estar e felicidade, seguido de relaxamento e sonolência).


quando em grupo, ocorrem risos espontâneos(risos e gritos imoderados como reação a um estímulo verbal qualquer).
perda da definição de tempo e espaço: o tempo passa mais lentamente (um minuto pode parecer uma hora ou mais), e as distâncias são calculadas muito maiores do que realmente são (um túnel de 10 metros de comprimento.Pôr exemplo pode parecer ter 50 ou 100 metros).


coordenação motora diminuída: perda do equilíbrio e estabilidade postular.

alteração da memória recente.
falha nas funções intelectuais e cognitivas.
maior fluxo de idéias
pensamento mais rápido que a capacidade de falar,dificultando a comunicação oral, a concentração, o aprendizado e o desenvolvimento intelectual.
idéias confusas.
aumento da freqüência cardíaca (taquicardia).
hiperemia das conjuntivas (olhos vermelhos).
aumento do apetite (especialmente por doces) com secura na boca e garganta. Doses mais altas de podem levar a:
alucinações, ilusões e paranóias.
pensamentos confusos e desorganizados.
despersonalização.
ansiedade e angústia que podem levar ao pânico.
sensação de extremidades pesadas.
medo da morte.
incapacidade para o ato sexual (até impotência). A longo prazo, a extensão dos danos, bem caracterizados,se restringem ao sistema pulmonar e cardiovascular.
maior risco de desenvolver câncer de pulmão.
diminuição das defesas, facilitando infecções.
dor de garganta e tosse crônica.
aumenta os riscos de isquemia cardíaca.
percepção do batimento cardíaco
.


Observação:A mulher que amamenta passa as toxinas da droga para a criança através do leite materno.

MACONHA

Maconha



(Texto completo em: http://www.areaseg.com/toxicos/maconha.html



Introdução




Muito se fala em drogas, mas como saber o que é droga? Tudo depende do objetivo a qual se deseja atingir e as formas de uso. Seria a maconha um mal absoluto ou poderia ser usada para fins benéficos como remédio ou como matéria prima para a indústria textil? Muito tem que se discutir sobre isso. Não podemos agir precipitadamente, mas sabemos de antemão que os efeitos da planta no organismo são avassaladores. Apresentamos aqui uma abordagem técnica da planta e uma análise social do seu uso, bem como seus efeitos no homem.




Descrição da Planta




Canabis Sativa




Nome: MaconhaOrigem do Nome:do Quimbundo* MA’KAÑA, que significa erva santaNome Cientifico: Cannabis sativa ( lia-se: kânabis sativa)Família: CanabáceasOrigem: Àsia Central ou Oriente PróximoFormas de Uso:Pode ser usada como fumo ou por ingestãoPrincipio ativo:THC (Tetrahidrocanabiol)Descrição: Planta arbustiva, possui folhas em forma serrilhada e verdes.Pode atingir ate 2,50 metros de altura.Status Legal: proibido uso, trafego e comércio.* Quimbundo: língua do grupo Banto, falada em Angola.




Histórico




A maconha (palavra de origem angolana) é uma das drogas extraídas de plantas mais antigas, os registros mais remotos datam de 2723 a.C., quando foi mencionada na Farmacopéia chinesa. Outras informações históricas evidenciam a existência da maconha em uma cerâmica com marcas da fibra do vegetal encontrada há mais ou menos 4.000 a.C. no norte da China central. Difundiu-se gradualmente para a Índia, Oriente médio, chegando a Europa somente nos fins do século XVIII e início do XIX, passando pelo norte da África e atingindo as Américas. Até então, era utilizada principalmente por suas propriedades têxteis e medicinais.



Os romanos valorizam a planta principalmente por causa das resistentes cordas e velas para navio produzidas com sua fibra.Após a viagem de Vasco da Gama, navegadores portugueses introduziram na África e na Ásia o tabaco. Em troca, seus navios trouxeram escravos acostumados a fumar maconha para o Brasil. Aqui ela também foi utilizada para produção de fibras, na mesma época, nos Estados Unidos, George Washington, Thomas Jefferson e fazendeiros importavam da Europa a semente para o plantio.



As carroças dos pioneiros na conquista do oeste americano eram protegidas com lonas feitas a partir das fibras da maconha. Navios portugueses, espanhóis, holandeses, franceses e ingleses dependia tanto das velas e cordas de maconha que seus governos espalharam sementes da planta por todo o planeta. Até o século XX a maconha era mais famosa nas Américas como fibra têxtil e como planta medicinal. De meados do século XIX até os anos 40 a maconha constava na farmacopéia oficial de vários países.



Remédios a base de maconha eram disponíveis em qualquer farmácia. No ocidente a maconha começou a ser usada como psicotrópico por escritores e artistas no século XIX, como os poetas franceses Rimbaud e Baudelaire, mas sua utilização restringia-se a pequenos círculos boêmios das grandes cidades e as colônias de imigrantes asiáticos e africanos.Em meados do século XX, porém, os cientistas identificaram os efeitos colaterais da maconha e seu uso acabou restringido ou excluído nas farmacopéias, sendo proibido por lei em vários países.



O consumo da maconha, entretanto, passou a ser disseminado no mundo nos anos 60. A difusão do Rock e de Woodstock, bem como o avanço hippie em muito colaborou para que a maconha se espalhasse pelos Estados Unidos e desde este país fosse dissiminada para o mundo todo. Seu uso era freqüente entre as classes mais baixas e mais tarde foi difundido entre os jovens de todas as classes.



Na década de 1960 a maconha era usada em shows de rock, juntamente com outras drogas e atingiu grande abrangência entre os jovens, sendo inclusive usada por soldados americanos na Guerra do Vietnã. No Brasil a droga é usada principalmente no pela população jovem de classe baixa, média e alta. Nos últimos anos as estatísticas mostram que a maconha está sempre entre as drogas ilícitas mais consumidas pelos jovens estudantes colegiais e universitários.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

DROGAS

(Foto crédito Celina Missura)



(Fonte:
http://www.impacto.org/drogas/art6.htm


O avesso do barato

A curiosidade matou o gato", diz o dito popular. A droga é uma armadilha fatal que aprisiona o curioso na dependência química e, para sair dessa cela, quase sempre paga-se um preço alto demais, enfrentando o avesso do barato. Para não entrar nessa viagem, que muitas vezes deixa seqüelas irreversíveis no corpo e na mente dos dependentes, é bom saber como atuam no organismo as drogas mais conhecidas.

A curiosidade matou o gato", diz o dito popular. A droga é uma armadilha fatal que aprisiona o curioso na dependência química e, para sair dessa cela, quase sempre paga-se um preço alto demais, enfrentando o avesso do barato. Para não entrar nessa viagem, que muitas vezes deixa seqüelas irreversíveis no corpo e na mente dos dependentes, é bom saber como atuam no organismo as drogas mais conhecidas.

É importante saber também que o uso contínuo de drogas afeta o mecanismo natural do sistema imunológico, reduzindo as defesas orgânicas contra infecções. E para quem está, naturalmente, no nível fronteiriço de alguma doença psíquica, qualquer droga pode potencializar essa tendência. Nesse caso, instala-se um quadro complexo, de tratamento muito mais difícil.

Álcool – Droga lícita, aceita pela sociedade, no início provoca euforia e desinibição. Quando ingerida regularmente, a impressão de tolerância estimula a beber cada vez mais. A conseqüência física mais imediata é a impotência, seguida de problemas circulatórios, egestivos e neurológicos (o álcool atinge a área frontal do cérebro, região da cognição, causando desde perda de memória até alucinações).

O que caracteriza a dependência do álcool é a necessidade de beber para poder realizar qualquer tarefa. Alguns conseguem manter a abstinência de segunda a quinta-feira e passam de sexta a domingo bebendo. Na segunda, talvez faltem ao trabalho.

A progressão do alcoolismo é bem delimitada: no início, o bebedor se sente extrovertido, se exibe e se julga brilhante; na segunda fase, fica mais solto, brincalhão; depois, vira um leão, quente, agressivo após algumas doses, quer brigar, quebrar tudo o que vê pela frente; já completamente dominado pelo álcool, o dependente perde a noção de honestidade e pode roubar a própria família para comprar bebida; entra na fase de perda da auto-estima, deixando até de cuidar da higiene pessoal; e finalmente chega ao fundo do poço, tomando álcool puro e caindo pelas ruas – para ele só resta a internação clínica.

Xarope – Muito usado por adolescentes e crianças de rua, diminui os batimentos cardíacos e provoca um estado letárgico, também chamado de marcha-a-ré. A dependência caracteriza-se quando o consumo diário chega a alguns vidros do remédio (às vezes, 20). O uso contínuo provoca alta tolerância e sua supressão brusca leva a uma síndrome de abstinência.

Outros medicamentos – Aspirina (combinada com álcool vira bolinha e inverte sua função sedativa, deixando o usuário ligado); inibidores de apetite (sua fórmula reúne anfetamina, um diurético, hormônio tireoideano, anestésico, entre outros ingredientes que provocam dependência); artane, remédio para o mal de Parkinson (em altas doses ou em coquetel com outra substância, traz a sensação de que se está em chamas e o usuário leva algumas horas para sair do transe); calmantes, como o Lexotan (dão ao usuário a sensação de estar fora do corpo e, em caso de dependência, não pode ser suspenso de uma vez, pois pode levar até ao coma); elixir paregórico (contém ópio).


O uso contínuo de drogas afeta o mecanismo naturaldo sistema imunológico
Maconha – Em geral, utilizada por deprimidos ou tímidos, é a droga dos iniciantes. Anestesia o cérebro e provoca estados alucinatórios que distorcem a realidade. Tem como característica básica a quebra do senso de tempo e espaço, o que se comprova até ao assistir um programa de TV, com alteração nas cores e nos sons. Provoca sérias dificuldades no desempenho de tarefas que exigem atenção, como dirigir. Definitivamente, não é uma substância natural, sem efeitos nocivos ao organismo: é mais tóxica do que o cigarro e 22 vezes mais nociva hoje do que a fumada na década de 60. A longo prazo, produz alterações hormonais e infertilidade masculina (diminui em 25% a produção de espermatozóides).


Cocaína – Em forma de pó, tem efeito rápido (de dois a três minutos depois de aspirada). É a droga dos extrovertidos e hiperativos, dando ao usuário uma falsa impressão de poder e onipotência. Mas, passado o efeito, provoca uma disforia (queda) duas vezes maior do que a euforia, o que induz ao consumo compulsivo e progressivo. Pode produzir danos irreversíveis ao cérebro, pois a cada tragada destrói vários neurônios, chegando ao ponto de diminuir o volume da massa encefálica, além de vários pontos negros. Em geral, o dependente de cocaína perde o senso crítico e pode tornar-se uma personalidade perversa, caminho para o quadro psicótico, com alucinações e delírios de perseguição – diante de qualquer situação negativa, sente raiva e procura a droga como saída. Na área sexual, provoca impotência no homem e frigidez na mulher, além de trazer riscos de deformação do feto na gravidez de mulheres dependentes.

O ataque cardíaco induzido pela cocaína é o resultado de uma violenta contração das artérias, e não apenas devido à excessiva demanda de oxigênio, como se pensava até agora. Esta foi uma das conclusões de uma pesquisa realizada na Universidade de Munique, na Alemanha, coordenada pelo médico Rainer Arendt.

Crack – Derivado da cocaína, em forma de pedra, para ser fumado em cachimbo. Dez vezes mais forte que a cocaína, logo nas primeiras tragadas destrói estruturas nobres dos pulmões, podendo levar a uma bronquite crônica em seis meses. A partir daí, os alvéolos pulmonares podem se cristalizar e a base dos pulmões, petrificada, adquirir o aspecto de um coral bruto. Em dois anos, no máximo, o dependente perde a capacidade de respirar e morre. Esta droga vicia rapidamente e causa grande compulsão. Já na primeira tragada, provoca um violento impacto no cérebro, com espasmos musculares que dão início a uma sensação terrível, chamada fissura. Em seguida, vem um estado de depressão insuportável que leva o dependente a consumir várias pedras de crack em seguida, até não ter mais forças de sair do lugar.

Haxixe – Por enquanto, só consumido em São Paulo. É uma erva parecida com a maconha, mas com efeitos potencializados. Causa tantos estragos à saúde quanto a maconha.
Heroína – O ópio retirado da papoula ao ser beneficiado desdobra-se em morfina e heroína, drogas que também causam dependência. No primeiro estágio, a heroína é aspirada e, depois, diluída em soro fisiológico para ser aplicada na forma de injeção subcutânea e, finalmente, sob a forma endovenosa, injetada às vezes, até na carótida. Causa violenta dependência e danos cerebrais irreversíveis, levando rapidamente a um quadro psicótico. O índice de recuperação não vai além dos 14%, segundo estudos americanos. Felizmente, devido ao seu altíssimo custo, não é consumida em larga escala no Brasil.


Ecstasy – Conhecida também como êxtase ou pílula do amor, é uma droga relativamente nova, cujos efeitos e danos à saúde ainda não foram bem pesquisados. Sabe-se que sua fórmula (metilenedioxometaanfetamina) já carrega as conseqüências perigosas da anfetamina e que um de seus ingredientes corresponde ao antigo Pervitin, vendido como inibidor de apetite, mas utilizado pelos hippies na década de 60 para que ficassem ligados, sem sono e cansaço e com maior fluência verbal.
Seus usuários, em geral, já utilizaram outros tipos de droga e procuram no Ecstasy maior ampliação dos sentidos com grande excitação sexual e inquietação motora, por isso é bastante consumida em festas e discotecas.

Devido ao grande desgaste muscular que causa, acaba exigindo enorme reposição de água para o organismo – um usuário morreu de parada cardíaca depois de uma noite de êxtase e dança, em que bebeu cerca de 16 litros de água.

Solventes – Cola, gasolina, éter, acetona, entre outros produtos químicos, são de fácil acesso e relativamente baratos, por isso costumam ser drogas de iniciação. Inalados pela boca (já que muitos produtos são corrosivos e queimam a cartilagem nasal), provocam sensação de torpor, às vezes seguida de desmaio e até parada cardíaca. Para as crianças de rua, costuma ser uma válvula de escape, uma anestesia, forma de esquecer a fome, o frio e o abandono. Causa danos cerebrais gravíssimos e leva à morte por parada respiratória e cardíaca.

LSD – É o ácido lisérgico, muito consumido por artistas nas décadas de 60 e 70. Seu uso produz longa alucinação, ainda que não desperte compulsão, mas causa danos cerebrais graves, atingindo áreas chamadas sinapses, que formam as ligações entre os neurônios.

Chá de cogumelo – Mais utilizado nas zonas rurais, já que é facilmente cultivado no campo e a planta tem ótimo desenvolvimento quando adubada com esterco de boi. Provoca um tipo de viagem semelhante à do LSD, porém mais curta e angustiante, com alucinações terríveis. Pode levar a um quadro psicótico.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

POR QUE É DIFICIL DIZER NÃO ÀS DROGAS

Fonte: Sandra Scivoletto, psiquiatra do Grupo Interdisciplinarde Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo

(http://veja.abril.com.br)

Quem usa drogas pela primeira vez não vê os amigos se acabando nas sarjetas e não acredita que vai ser um viciado

As campanhas contra o uso de drogas e a exibição na televisão do efeito devastador que elas têm sobre a vida dos viciados deveriam ser suficientes para riscar esse mal da superfície do planeta. Não é o que acontece. Num desafio ao bom senso, um número enorme de adolescentes continua dizendo sim às drogas.


Pesquisa recente mostrou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas. A idade do primeiro contato com esse tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos em uma década. Tais dados sinalizam um futuro bem ruim. Quanto mais cedo se experimenta uma droga, maiores são os riscos de se tornar viciado. As pesquisas também revelam que a maioria dos jovens sabe que as drogas podem se transformar num problema sério. Mas isso não basta para mantê-los longe de um baseado ou de um papelote de cocaína.

Por que é assim? É claro que quem experimenta pela primeira vez não deseja virar viciado. Um estudo do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (Grea) diz que a curiosidade é a motivação que leva nove em cada dez jovens a consumir drogas pela primeira vez. Em seguida vem o desejo de se integrar a algum grupo de amigos.

No momento da iniciação das drogas, o adolescente não vê os amigos morrendo, sendo pressionados por traficantes nem se acabando nas sarjetas. Também é difícil perceber a importância que a droga pode assumir em sua vida no futuro. A maioria das drogas só provoca dependência depois de algum tempo de uso. Ou seja, quem entra nessa só percebe tarde demais que está num caminho sem volta. Apenas uma parcela dos usuários se torna dependente grave, do tipo que aparece nas novelas de TV. Apostar nesse argumento para usar drogas é uma loteria perigosíssima, porque ninguém sabe ao certo se vai virar viciado ou não.

Há alguns fatores que contribuem para que um jovem tenha maiores probabilidades de se viciar. O primeiro é genético. Já se provou que pessoas com histórico familiar de alcoolismo ou algum outro vício correm maiores riscos de também ser dependentes. Os demais estão relacionados com a personalidade. Adolescentes tímidos, ansiosos por algum tipo de reconhecimento entre os amigos, apresentam maior comportamento de risco para a dependência. Eles acreditam que as drogas os ajudarão a ser mais populares entre os colegas ou que serão uma boa maneira de vencer a travação na hora de se declarar e namorar, tarefa sempre complicada para quem é introvertido. Jovens inseguros, que sofrem de depressão ou ansiedade, costumam procurar as drogas como alívio para seus problemas. É ainda uma forma de mostrar aos pais que algo não vai bem com eles ou com a vida familiar. No extremo oposto, aqueles que parecem não ter medo de nada e que buscam todo tipo de emoções também correm grande risco de se envolver com drogas.

O melhor jeito de dizer não às drogas é entender que ninguém precisa ser igual ao amigo ou repetir padrões de comportamento para ser aceito no grupo. É por isso que a prevenção em casa funciona melhor que os anúncios do governo. "Dá para fazer uma boa campanha doméstica sem falar necessariamente em droga", diz o psiquiatra Sérgio Dario Seibel, de São Paulo. Em outras palavras: é natural o adolescente repelir reprimendas e conversas formais sobre esse assunto. Imediatamente fecha a cara e os ouvidos a quem lhe diz em tom grave: "Precisamos conversar sobre drogas", seja o pai, a mãe, seja o governo ou qualquer instituição. A situação ainda é pior quando o pai bebe todo dia sob o pretexto de relaxar ou quando está nervoso e deprimido. Ele pode passar para o filho a idéia de que a bebida é um poderoso aliado para enfrentar obstáculos. A mãe que toma comprimidos para dormir também está dando ao filho a falsa idéia de que as substâncias químicas garantem a felicidade. Daí a ele achar natural usar drogas é apenas um passo.

Elas fazem muito mal

Muita gente acredita que o consumo esporádico de drogas não faz mal. Errado. Todas as drogas são de alto risco: prejudicam a saúde, perturbam os estudos e alteram o humor para pior. E ninguém sabe de antemão se vai ou não se tornar um viciado.
ÁLCOOLProvoca cirrose e hepatite alcoólica, hipertensão, problemas cardíacos. Causa danos cerebrais e provoca perda de memória. Leva à dependência física, com graves crises de abstinência e, em grandes doses, provoca coma.
MACONHACausa apatia e perda de motivação, prejudica a memória e o raciocínio. Estudos mostram que quem fuma maconha está mais sujeito a sofrer de insuficiência cardíaca e esquizofrenia.
Milton Carello
COCAÍNAO risco de overdose é alto, o que pode levar à morte. O uso contínuo causa degeneração muscular, perda do desejo sexual, alucinações e delírios. Uma em cada cinco pessoas que experimentam a droga se torna dependente
Ricardo D'Angelo
ECSTASYInduz a ataques de pânico e ansiedade. Provoca danos nas células nervosas, o que leva à depressão crônica.




Teste



O que você sabe sobre seu filho?


Muitas vezes os pais são os últimos a saber dos problemas dos filhos. Confira se você conhece bem seu filho e está em condições de perceber se ele precisa de ajuda

1. Você conhece o melhor amigo de seu filho? Sim Não

2. Sabe qual é a coisa que ele mais teme? Sim Não


3. Conhece o seu programa de TV favorito? Sim Não


4. Sabe se ele gosta mais de matemática que de geografia? Sim Não


5. Saberia dizer qual a cor que ele gostaria de ter nas paredes do quarto? Sim Não


6. Conhece qual é o herói de seu filho? Sim Não


7. Sabe se ele se sente querido pelos colegas na escola? Sim Não


8. Saberia dizer o que ele mais gostaria de fazer nas próximas férias? Sim Não


9. Sabe qual é o objeto pessoal a que ele dá mais valor? Sim Não
10. Saberia dizer qual a comida de que ele mais gosta? E a que detesta? Sim Não


11. Sabe o que seu filho considera ser seu maior talento ou habilidade específica? Sim Não


12. Conhece qual é o aspecto ou detalhe de aparência de seu filho que ele menos gosta? Sim Não


13. Sabe o que ele deseja para si mesmo profissionalmente? Sim Não


14. Conhece qual dos afazeres ou tarefas domésticas ele menos aprecia? Sim Não


15. Sabe de qual acontecimento, momento ou ocasião familiar ele mais gosta? Sim Não


16. Conhece os apelidos que os outros adolescentes dão ao seu filho? Sim Não


17. Conhece os feitos ou realizações de que seu filho mais se orgulha? Sim Não


18. Sabe qual a maior queixa ou reclamação que seu filho tem da família? Sim Não

19. Conhece seu estilo favorito de música? Sim Não

20. Sabe quais esportes ele tem mais prazer em praticar? Sim Não


21. Sabe qual seu estilo ou tipo de roupa favorito? Sim Não


22. Sabe o que seu filho gostaria de mudar ou modificar nele mesmo? Sim Não


23. Saberia dizer qual a situação que o deixa mais embaraçado? Sim Não


24. Conhece a pessoa, fora do âmbito familiar, que mais influenciou ou tem influenciado seu filho? Sim Não

Pontuação

Resultado
• Entre 24 e 19 pontos: você conversa bastante com ele e o conhece bem


• Entre 18 e 12 pontos: você o conhece razoavelmente bem, mas pode melhorar


• Menos de 12 pontos: você precisa ficar mais tempo com ele e ouvi-lo mais

terça-feira, 5 de outubro de 2010

DROGA E DEPENDÊNCIA


Celina Missura
O jovem quer ser independente e busca seu objetivo por todos os meios. Mas qual independência? Muitos, num momento de crise existencial e rebeldia buscam sua independência no álcool e na droga e passa a ser dependente.


Essa dependência tem várias faces e gera escravidão. Toda vez que o cérebro é estimulado por alguma substancia a pessoa passa a sentir sensações fortes e a falsa idéia de liberdade. E cada vez mais a pessoa necessita de aumentar a dose para repetir o estimulo. Surge então a compulsão que é o desejo de ir além.


“Existem muitas pessoas com um desejo constante de alterar
o estado de consciência recorrendo ao uso de drogas. Usam
drogas estimulantes de modo a permanecerem acordadas e
dançarem a noite inteira. Outras usam sedativos para
ficarem mais calmas, ou mesmo substâncias que lhes
permitem experimentar novas formas de consciência e
esquecer os problemas diários. Todas as drogas interagem
de modo particular com neurotransmissores e outros
sistemas de mensageiros químicos. Em muitos casos, as
drogas tomam conta de sistemas cerebrais envolvidos no
prazer e recompensa – processos psicológicos importantes
no ato de comer, beber, relações sexuais e até
aprendizagem e memória.” (
http://www.braincampaign.org/Common/Docs/Files/2780/ptchap4.pdf)


O abuso no uso de drogas leva a pessoa a ficar volúvel, e provoca mudança do comportamento e humor. A droga e o álcool derrubam a censura e momentaneamente dá uma sensação de bem estar, liberdade e independência produzindo intenso prazer.
É uma doença progressiva e fatal! Transforma o usuário em outra pessoa e prejudica as relações interpessoais.


“Com grande facilidade o consumidor pode tornar se
viciado ou até dependente. Ele, ou ela, passa então a sofrer
sintomas de sofrimento físico e psicológico quando interrompe
o consumo de drogas. Este estado de dependência pode levar os
consumidores a desejar a droga, apesar de com isto estarem a
prejudicar o seu trabalho, saúde e família. Em casos extremos,
o consumidor pode afundar-se socialmente e dedicar-se ao
crime para poder continuar a pagar a droga. (
http://www.braincampaign.org/Common/Docs/Files/2780/ptchap4.pdf)

Todo usuário deveria se perguntar: “Eu gostaria de ver a pessoa que eu amo usando álcool, droga?
(Foto: jornalcrpd.vilabol.uol.com.br)