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terça-feira, março 02, 2010

Do outro lado do rio Uruguai


Há muito tempo eu não tirava férias e viajava por aí. Morando na praia, o verão acaba sendo a época de mais movimento na casa durante todo o ano. Mas este fevereiro foi diferente. Quando fui com minha irmã levar nossos pais de volta pra Ijuí, depois de uma temporada deles na praia, minha outra irmã teve a ideia de passearmos na Argentina, afinal, é tão pertinho (de lá).

Quando eu era criança, meu pai dirigia um caminhão tanque e, com frequência, eu e minhas irmãs viajámos com ele nas férias , quando ele ia entregar gasolina e diesel pelo oeste do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná. Este turismo peculiar nos permitiu conhecer todas as cidades perto de onde morávamos - e algumas um pouco mais distantes. As missões jesuíticas, estações de águas termais, o rio Uruguai, e, do outro lado, a Argentina. Apesar da fonteira com a Argentina ficar a pouco mais de 100 quilômetros de onde nasci e passei toda minha infância e adolescência, com o tempo perdi esta referência. Na década de 60, tanto os caminhões quanto as estradas eram muito diferentes, e, na minha memória de criança, a distância era muito grande. Depois que saí de Ijuí para estudar em Porto Alegre, a Argentina que ficou na minha memória foi a de Buenos Aires, que conheci mais tarde, já na vida adulta. Cosmopolita, europeia, B.A. não tem muito a ver com as minhas memórias de infância, de cidadezinhas pequenas e empoeiradas na fronteira.


Em fevereiro deste ano, quando estava em Ijuí, minha irmã teve e ideia de irmos para Oberá, cidade argentina a cerca de 50km além do rio Uruguai. Como não existe ponte entre Porto Mauá e Alba Posse, nosso tempo de permanência do outro lado do rio estava condicionado pelo horário da última balsa. (Ah, a barca! Outra lembrança da infância - atravessar o Uruguai sobre uma barca, bem pertinho da água.) Com pouco tempo para ficar no país vizinho, foi uma pena esperar numa fila durante quase uma hora na aduana. Na estrada de novo, fiquei impressionada com as plantações de chá, no caminho até Oberá.


Cidade pequena, com cerca de 60 mil habitantes, Oberá tem muita semelhança com Ijuí - ruas largas, construções baixas, terra vermelha e cidade criada com imigrantes de muitos países, principalmente europeus. Lá, como também em Ijuí, existe um parque onde estão construídas casas típicas dos países de onde vieram os imigrantes e onde, a cada mês de setembro, é realizada uma festa do imigrante. (Em Ijuí, a festa das etnias é realizada em outubro em parque semelhante). Ao lado do parque, um hotel oferece cabanas em meio à natureza. Tudo muto bonito!Com um real valendo dois pesos, era inevitável comprar algumas coisinhas, principalmente alfajores e doce de leite. Mas azeite, azeitonas e alimentos em geral, levam brasileiros a lotar os supermercados, onde vão fazer compras para o mês e abastecer o tanque de combustível do carro. Azeitonas, balas de leite, azeites, vinhos, chás, biscoitos, pratas, roupas, cremes, dá vontade de comprar tudo! E, pra quem gosta, ainda tem um cassino! A cidade tem largos canteiros centrais nas avenidas, transformados em praças, com muitas árvores, bancos, esculturas e monumentos.

Depois de uma visita rápida, hora de pegar a balsa de novo. Quase chegando à divisa, paramos outra vez para fotografar o rio, que forma um U e desenha uma bela paisagem.



Agora, definitivamente, as férias acabaram. A praia já está civilizada de novo, os veranistas foram embora, e depois de um mês com temperaturas infernais, apareceu o vento minuano, trazendo dias muito agradáveis. Ótimo para costurar. Aliás, muito trabalho me espera! Mas antes de mostrar minhas costuras, ainda vou falar mais sobre as minhas férias. Até mais!