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sábado, 19 de julho de 2008

João Cabral


É um lugar-comum, mas nem por isso menos verdadeiro: com a morte de João Pedro Cabral, ocorrida no dia 12, o património histórico e cultural de Cascais fica mais pobre -- mas também mais vulnerável.
Pouca gente conhecia tão bem o concelho de Cascais e o seu património, em relação ao qual era de uma postura de defesa intransigente.
Tive o gosto de trabalhar com ele durante quatro anos, em condições não muito fáceis para si. O nosso relacionamento inicial não foi inteiramente pacífico. Ele era um osso duro de roer e eu, felizmente, não sou muito diplomata. Mas rapidamente as coisas se esclareceram entre nós: o principal interesse de ambos era a história e o património de Cascais -- a nossa história, o nosso património --, a sua defesa e a sua valorização.
Esses anos de trabalho, que resultaram em amizade, foram exemplares de lealdade, colaboração e enriquecimento mútuo.
Deixa-me saudades o João Cabral.
foto e evocação aqui

domingo, 11 de novembro de 2007

Alexandre Babo

Alexandre Babo (1916-2007) morreu no passado dia 2 de Novembro no Hospital de Cascais. Natural de Lisboa, foi um destacado oposicionista, membro da Maçonaria e militante do PCP. À frente da editora Sirius, publicou Esteiros de Soeiro Pereira Gomes, com capa de Álvaro Cunhal. Homem de teatro, foi um dos fundadores do Teatro Experimental do Porto. Autor de várias peças, ensaios, traduções e do interessantíssimo livro de memórias Recordações de um Caminheiro (1993), uma fonte em primeira mão para a história da oposição ao Estado Novo.
Vivia na Parede. Recordo-me de vê-lo assiduamente nas «Conversas de Cascais», iniciativa que coordenei no Museu Condes de Castro Guimarães, entre 1994 e 1997.

domingo, 23 de setembro de 2007

Praia da Conceição

Uma das praias da minha infância, neste princípio de Outono melhor que nunca. As pessoas não se amontoam, estrangeiros compõem a paisagem, crianças brincam na areia, os meus filhos chamam-me a ver um cardume (!), com placidez, velas singram nas águas. Virado para a praia, no mar, à minha direita está, impante, a magnífica Casa Palmela; à minha frente, o seu sucedâneo, a Casa Faial (antigo Tribunal), continuo, dentro de água, a olhar para a esquerda: a velha Casa Mantero, agora um conjunto de apartamentos de luxo, a Casa Loulé (Hotel Albatroz), depois a Casa Seixas (Messe de Marinha), a esplêndida fieira de habitações da Avenida D. Carlos, até à Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, com a Cidadela dentro, volto-me sobre mim, completamente, na marina largam os barcos, outros estão fundeados ao largo.
O meu paraíso ainda existe.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Um caso de família

Uma boa parte da minha família materna é de Cascais. Tive uma trisavó que viveu no Alto do Moinho Velho. Toda a vida aqui morei, entre Cascais e o seu termo -- onde está a antiga aldeia saloia do Cobre, a que há pouco regressei passado um quarto de século -- e o Estoril, «um mundo fora do mundo», como lhe chamou Jaime Cortesão uma década antes do meu nascimento, e que, cosmopolita e arejado, nesse ano de 1964 pouco tinha que ver com o resto do país. O Cemitério da Guia vai sendo, por sua vez, uma morada de família que surpreendentemente encaro de forma apaziguadora.
Este blogue é pessoalíssimo e não tem agenda. Nem interesse ou veleidades de intervenção cívica, o que não significa que não possa vir a tomar posição em favor de algo que lhe diga respeito e necessite ser defendido ou apoiado. Cá virei sem datas marcadas; somente quando me apetecer, ou tropeçar em algo que goste de partilhar. O que me importa é continuar aqui o que noutros locais fiz: encontrar-me no Cascais e no Estoril que me pertencem: o da escrita, do património, do jazz, do rock, da história, dos pescadores, dos reis, dos saloios, do mar, da minha memória e da dos meus neles.
 
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