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sábado, 5 de dezembro de 2009

Um presente de Natal antecipado

Ao fim de oito dias, e depois de três noites ao relento, o Charlie reapareceu, graças a uma família que gosta de animais.
No sábado passado saímos todos em família para ver o «Up», que a minha filha mais nova andava a pedir há tempos. Deixei, inadvertidamente, o portão mal fechado. Quando chegámos, nem sinal do Charlie. Não sabíamos se desaparecera há muitas ou poucas horas. A primeira reacção foi metermo-nos no carro, eu com dois dos meus filhos, e gritarmos por ele nas povoações vizinhas ao Cobre: Birre, Pampilheira, Torre, Bairro Santana, Encosta da Carreira, Bairro da Assunção, Bairro da Caixa, Bairro J. Pimenta... Nada. Devemos ter andado perto, pois dois dias mais tarde soube que ele terá sido avistado no Bairro Santana, a correr pelo meio da estrada.
Graças à rápida assistência da Fundação São Francisco de Assis, que me encaminhou para o magnífico site Encontra-me, pude elaborar, sem a mínima dificuldade, os cartazes de ocasião. Sempre vi muitos espalhados por aí, e nunca acreditei grande coisa na sua eficácia. Enganava-me redondamente. Ainda só espalháramos meia dúzia, um dos quais posto por uma pessoa amiga no mini-mercado da Charneca, quando, hoje de manhã, tínhamos uma mensagem de alguém que recolhera o Charlie.
Sei agora que ele andou por aqui, num raio de dois-três quilómetros, indo parar a um local entre o Guincho, a Areia e a Charneca. Quando foi avistado por uma senhora desta última aldeia, estava esgotado e sem forças; passara três noites à chuva e ao frio. Uma família, com mais cães, recolheu-o; dias depois viu o anúncio e o Charlie cá está.
Agradeço a todos quantos se preocuparam, e, aqui na "Caverna", especialmente a A. João Soares, A. M. Sousa, Ana, Ana Abrantes, Ana V., Anamar, Austeriana, Brígida Rocha Brito, Carminho, José Manuel Fonseca, Manuel Matos Nunes, Maria, Maria de São Pedro, Nelson Reprezas, Nuno Lebreiro , O Ovo Estrelado, Papoila, Paulo Ferrero, Sofia
Um forte abraço.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

poesia de cascais #20 - José Jorge Letria



A TENTADORA VOZ

Passei ontem à porta da casa onde nasci.
Rés-do-chão, fachada de azulejos verdes.
Nada no interior me lembrou a minha
presença naqueles quartos
que foram os da felicidade de meus pais,
num tempo austero e inquieto.
Chamei, mas ninguém respondeu,
nem sequer o eco da minha voz distante
inquirindo ventos, marés e estrelas
sobre o destino dos seres amados.

Um homem pode desdobrar-se, multiplicar-se
até ao limite da imaginação.
Foi o que fiz. E lá estava eu suplicante,
ao colo da minha avó, a perguntar
se a morte tinha cor e cheiro
e se os lobos da sua aldeia longínqua
não eram tão temíveis como os das gravuras
dos livros que me assombravam as noites.

Eram os anos do pós-guerra,
da paz minguada pela tristeza dos dias.
Eu descia, apertando as mãos dos meus pais,
até ao centro da vila, e tinha, como sempre,
o mar em frente a chamar por mim
com a tentadora voz do que não tem nome.

domingo, 23 de setembro de 2007

Praia da Conceição

Uma das praias da minha infância, neste princípio de Outono melhor que nunca. As pessoas não se amontoam, estrangeiros compõem a paisagem, crianças brincam na areia, os meus filhos chamam-me a ver um cardume (!), com placidez, velas singram nas águas. Virado para a praia, no mar, à minha direita está, impante, a magnífica Casa Palmela; à minha frente, o seu sucedâneo, a Casa Faial (antigo Tribunal), continuo, dentro de água, a olhar para a esquerda: a velha Casa Mantero, agora um conjunto de apartamentos de luxo, a Casa Loulé (Hotel Albatroz), depois a Casa Seixas (Messe de Marinha), a esplêndida fieira de habitações da Avenida D. Carlos, até à Fortaleza de Nossa Senhora da Luz, com a Cidadela dentro, volto-me sobre mim, completamente, na marina largam os barcos, outros estão fundeados ao largo.
O meu paraíso ainda existe.

sábado, 15 de setembro de 2007

Um poeta popular




Celestino Costa, nascido na Abóbada em 1933, poeta popular, canteiro de profissão. É o último representante duma linhagem de artistas da pedra, iniciada pelo seu trisavô, Felismino Luís, também natural da mesma localidade. Trabalha, como profissional liberal, no Cemitério da Guia e noutros do concelho. Há décadas que executa trabalhos também para a minha família. Além deste A Minha Terra e Eu, sei que publicou mais uma colectânea poética, que desconheço, mas espero poder aqui referir proximamente.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Um caso de família

Uma boa parte da minha família materna é de Cascais. Tive uma trisavó que viveu no Alto do Moinho Velho. Toda a vida aqui morei, entre Cascais e o seu termo -- onde está a antiga aldeia saloia do Cobre, a que há pouco regressei passado um quarto de século -- e o Estoril, «um mundo fora do mundo», como lhe chamou Jaime Cortesão uma década antes do meu nascimento, e que, cosmopolita e arejado, nesse ano de 1964 pouco tinha que ver com o resto do país. O Cemitério da Guia vai sendo, por sua vez, uma morada de família que surpreendentemente encaro de forma apaziguadora.
Este blogue é pessoalíssimo e não tem agenda. Nem interesse ou veleidades de intervenção cívica, o que não significa que não possa vir a tomar posição em favor de algo que lhe diga respeito e necessite ser defendido ou apoiado. Cá virei sem datas marcadas; somente quando me apetecer, ou tropeçar em algo que goste de partilhar. O que me importa é continuar aqui o que noutros locais fiz: encontrar-me no Cascais e no Estoril que me pertencem: o da escrita, do património, do jazz, do rock, da história, dos pescadores, dos reis, dos saloios, do mar, da minha memória e da dos meus neles.
 
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