Mostrar mensagens com a etiqueta Seara Nova. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Seara Nova. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

uma fotografia histórica com Luís Cardim

No blogue de António Quadros Ferro, dedicado ao seu avô, o escritor e filósofo António Quadros -- muito ligado a Cascais, quer através dos seus pais, António Ferro e Fernanda de Castro, e já na vida adulta (recordo-me de me cruzar com ele várias vezes na Rua Direita, na Avenida Valbom) --, deparei-me com esta histórica fotografia dos corpos docente e discente da Faculdade de Letras do Porto, no ano lectivo de 1927-28,  pouco antes do seu encerramento compulsivo, e na qual figura, como não podia deixar de ser, o Prof. Luís Cardim (último na terceira fila, à direita, de pasta e bengala), cascaense emérito que Cascais continua alegremente a ignorar, além da sua filha, Ana Cardim (2.ª fila, 2.ª mulher a contar da esquerda), então aluna.
A nata da cultura portuguesa, a Norte, na década de 1920, está aqui representada (ver o post) ; junte-se-lhe o grupo da Seara Nova, em Lisboa,  e o mais audaciosamente subversivo e eminentemente literário grupo da presença, em Coimbra.

domingo, 17 de outubro de 2010

Cascais no campo da «Seara»: Proença, Cortesão e Reys (2)

Quando no princípio dos anos vinte um grupo de intelectuais resolveu criar uma revista doutrinária independente, em defesa da República -- mas pugnando pela sua reforma --, o país vivia num assustador clima de perturbação. Ao assassínio de Sidónio e às perplexidades de um inglório desfecho da Grande Guerra, seguiu-se não só um período de instabilidade, como de radicalização da vida política. A um monárquico na Presidência, Canto e Castro -- não obstante o escrupuloso cumprimento do seu juramento --, sucedeu a última bandeira do 5 de Outubro, António José de Almeida. Temperanças de um e outro foram, porém, insuficientes para travar desmandos como a leva da morte (1918) ou a noite sangrenta (1921), tentativas restauracionistas como a Monarquia do Norte (1919), pulverização e descrédito dos partidos e dirigentes tradicionais, ressurgimento activo dos extremos, pela via doutrinária e pela acção directa -- os anarco-sindicalistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), cujo órgão era o diário A Batalha; a persistência do Integralismo Lusitano, movimento tradicionalista monárquico e antidemocrático, que se exprimia na Nação Portuguesa. (4)

(4) Sobre o contexto sócio-político em que surgiu a publicação, socorri-me da entra de David Ferreira, «SEARA NOVA», in Joel Serrão (dir.), Dicionário de História de Portugal, vol. V, Porto, Livraria Figueirinhas, pp. 503-508.

Sol XXI, #29-30-31, Carcavelos, Junho/Setº/Dezº de 1999. 

terça-feira, 8 de junho de 2010

Luís Cardim (Cascais, 1879 -- Porto, 1958) - OS PROBLEMAS DO «HAMLET» E AS SUAS DIFICULDADES CÉNICAS (1949)

Intróito
A ideia motriz da série de artigos que, depois de publicados na Seara Nova, se reuniu sob novo e talvez mais justificado título, no presente livrinho, veio-nos realmente ao espírito, como se deduz do seu subtítulo, ao vermos a película de Sir Laurence Olivier, e por ela nos ter despertado reminiscências de antigas leituras.
Luís Cardim, Os Problemas do Hamlet e as Suas Dificuldades Cénicas (A Propósito do Filme de Sir Laurence Olivier), Lisboa, Seara Nova, 1949, p. 9.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cascais no Campo da »Seara»: Proença, Cortesão e Reys (1)

A Bernard Emery
«Só há uma maneira de ter
cultura -- é fazê-la»
Raul Proença (1)
«Venho de percorrer muitos dos
caminhos do mundo.
Mas, através de hesitações e quedas,
sempre a luz me bateu de frente
no rosto. Já me sacrifiquei pelos
homens todos, pela beleza da
vida. Posso falar.» (2)
1. A Seara Nova: ou o patriotismo emergente do lodo
Cascais e o Estoril mereceram algumas linhas a três membros proeminentes da Seara Nova, que se constituíram ao mesmo tempo como «comissão política» da publicação. Raul Proença (1884-1941), Jaime Cortesão (1884-1960) e Câmara Reys (1885-1961). O primeiro, nas páginas do Guia de Portugal; o segundo, numa crónica ao seu melhor estilo épico; o último, numa obscura e para nós inexplicável edição de autor, ilustrada por Carlos Botelho. Motivos mais do que suficientes para sobre eles (textos e autores) nos debruçarmos brevemente, dando sequência a uma tentativa de levantamento do património literário cascaense.
(1) Apud José Rodrigues Miguéis, Uma Flor na Campa de Raul Proença, Lisboa, Bilbioteca Nacional, 1985, p. 21.
(2) «Cartas à Mocidade.I -- Queres ser um homem?», Seara Nova, n.º 3, Lisboa, 20 de Novembro de 1921, in Sottomayor Cardia (ed.), Seara Nova. Antologia. Pela Reforma da República, 1921-1926, vol. II, Lisboa, Seara Nova, 1972, p. 151.
Sol XXI, n.º 29-30-31, Carcavelos, Jun./Set./Dez. de 1999, p. 96.

domingo, 21 de junho de 2009

Sete cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (2)

Esta crítica foi causa próxima de um ensaio de Luís Cardim, publicado também na Seara, durante cinco números, entre 16 de Abril e 24 de Maio desse ano, sob o titulo «É o Hamlet representável?», posteriormente editado em volume, ligeiramente aumentado e com outro título: Os Problemas do «Hamlet» e as suas dificuldades cénicas. (A propósito do filme de Sir Laurence Olivier), Seara Nova, Lisboa, 1949 -- facto que a publicação anuncia em manchete (manchete ao estilo da Seara, claro está...), saudando o autor: «incontestavelmente a nossa primeira autoridade em língua e literatura inglesa, como o Dr. Paulo Quintela o é para a língua e literatura alemã.» (1)
(1) 25 de Junho de 1949.

Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996, p. 95.
Postado também no Ferreira de Castro.
(continua)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sete Cartas de Luís Cardim a Roberto Nobre (1)

Publicado na Boca do Inferno, n.º 1, Cascais, Câmara Municipal, 1996
São sete as cartas de Luís Cardim que integram o espólio epistolográfico de Roberto Nobre, que agora apresentamos na íntegra, mantendo a ortografia e respeitando escrupulosamente a pontuação. Escritas entre 22 de Maio e 20 de Setembro de 1949, tiveram origem na crítica do autor de Horizontes de Cinema ao filme «Hamlet» (1948), de Laurence Olivier, estreado em Portugal no cinema Tivoli, em 24 de Janeiro do ano seguinte.
O texto de Nobre foi publicado na Seara Nova de 26 de Fevereiro de 1949 e constituiu um rasgado elogio da adaptação, enfileirando-a o crítico com A «Fera Amansada», de Fairbanks, «Romeu e Julieta», de Cukor, «Sonho de uma Noite de Verão», de Reinhardt e «Henrique V», do mesmo Olivier. Estas versões, que ele, do ponto de vista da «estética dinâmica», acolhe jubilosamente, haviam-no já levado a observar parecer ter Shakespeare escrito «não para o teatro, mas para o cinema».
(continua)
 
Golf
Golf