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terça-feira, 2 de outubro de 2018

poesia de cascais #28













O LOPE DOS GALOPES

O Senhor Lopes
gostava de escalopes
e de cavalos
em trotes e galopes.
Um dia no Guincho
ouviu um relincho
e mesmo ao pé do mar
um cavalo a resfolegar.
Deixou de assinar Lopes
e passou a assinar
com letra cavalar:
GA-LOPES.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

linhas de cascais - Mário Cláudio

Porto, sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Morre em estranhas circunstâncias Bernardo Sassetti, o autor da música de "Retrato", cantado por Carlos do Carmo, sobre poema meu. Despenhado numa falésia da Praia do Guincho, quem sabe se voluntariamente, por por mal de amor, leu o que eu não li nas minhas linhas, e inventou-me um clima que afinal era meu.

«Diário», JL_Jornal de Letras, Artes e Ideias, #1110, Lisboa, 17 de Abril de 2013.

terça-feira, 31 de julho de 2012

linhas de cascais - Diogo Freitas do Amaral

No último JL, depoimentos sobre férias:
«O tempo de férias era passado, em Julho e Agosto, numa pequena casa alugada em Cascais e, em Setembro, na "Casa da Eira", perto de Guimarães. Em Cascais, ia à praia de Nossa Senhora da Conceição e, a partir dos 14 ou 15 anos, à magnífica praia do Guincho (para mim, a mais bonita do mundo e, quando não há vento, a melhor).
[...]
Como aluno da Universidade, tudo mudou: as férias do verão eram passadas (à parte o banho rápido no Guincho) a estudar para os exames de Outubro.»

«Descansar, estudar e preparar», JL # 1091, Lisboa, 25 de Julho de 2012.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

poesia de cascais #22 - Teresa Zilhão











MARÉ DO GUINCHO

Em frente a presença do Atlântico.
Nele o olhar dela avança. E aí
versos fundem-se às marés. Assustam trevas.
Seus azuis-esverdeados devastam oráculos
relincham à não-existência. Dialogam
com o Deus subatómico que, numa visão esculpida
cavalga enfurecido num começo
que nunca... nunca acaba.

foto daqui

segunda-feira, 29 de junho de 2009

poesia de cascais #17 - Fernando Grade



LUTÉCIA OU LUTH NO OUTRO VENTO DO GUINCHO
(Arte Maior)

«Não é justo antepor à sabedoria a mera força corpórea.»
(Xenófanes de Cólofon)


No fogo dos nervos, ao ranger dos ventos,
Todos os rostos são de palha em plena tarde:
Os olhos de malva ficaram cinzentos;
E o que foi gaivota torna-se leopardo.

«Queima os pulsos, foge de noite, ou esquece-a...»
-- Ouço uma voz lenta, ao longe nos sargaços.
Mas no sangue sinto a boca de Lutécia,
No bojo do seu corpo tenho os meus braços.

Como escapar (rápido) à fúria da foca?...
Pego em pedras, não, rasgo-lhe o púbis, cego-a,
Dispo-a, brutal, sim, com facas na boca.

Nos beijos fumados entre o lince e a égua,
Os olhos malvinos são (de novo) balas
-- E o nojo de Luth vai dentro das malas.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Cascais pintado

Alfredo Keil, Fitando o Mar Largo, Peninha
colecção particular

terça-feira, 23 de setembro de 2008

poesia de cascais #6 - Dick Hard



CONTO DE FADAS

A princesa estava fechada na torre
como é lógico
Lancelot foi salvar a princesa
como também é lógico

Como era de prever
Lancelot teve de matar um dragão mau
para poder salvar a linda princesa

Por coincidência
a princesa era loura de olhos azuis
Lancelot era valente e dedicado

Contudo, não viveram felizes para sempre
nem tiveram muitos meninos
Lancelot decidiu sair dos contos de fadas

Tomaram um atalho
foram para um quarto do Intendente
Lancelot sodomizou a princesa

Cá fora, miúdos jogavam ao berlinde
um homem vendia jornais na esquina
e Lancelot sodomizava a princesa

A princesa gemia e suava
os miúdos jogavam ao berlinde
um homem vendia jornais

Saíram do quarto e foram jogar bilhar
fumaram uma ganza
e viram o pôr-do-sol no Castelo

A princesa já não tinha véu
vestia jeans
Lancelot usava um blusão de cabedal

Meteram-se num buggy
bazaram para o Guincho
beberam bagaços numa tasca

Caiu a noite
a madrugada não tinha um lindo luar
nem o Jack, o Estripador tinha encomendado nevoeiro

Era apenas
uma madrugada normal
azar...

domingo, 17 de agosto de 2008

poesia de cascais #2 - Ruy Belo


Praia do Abano (ou outra praia)

Vejo subitamente recuares até à tua infância
cruzares ruas montras onde passo agora
e sofro sem remédio não haver saída
em minha vida que não seja a tua face
isenta dos meus olhos vista só por ti

A bola é louca, boca anónima infantil
Ó árvore plantada indiferente de cidade
à mesa onde amarro a minha vida
e corro sem correr para nenhum lugar
distante donde estou como se lá estivesse
A cara e o cansaço e os cilindros: prece

Tu és agora uma criança inacessível para mim
e em nenhum país alguma vez te vi
Estou de novo comigo e sofro levantado não haver ninguém
até que enfim deitado eu cumpra a minha condição
e não houve pessoa a que eu fizesse mal

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sob o signo do «Dragão da Crítica» - Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais (2)



Uma localidade distingue-se pela morfologia própria, como pelo conjunto patrimonial que se foi acrescentando ao longo dos tempos. Os grandes escritores, porém, dão-lhe carácter.
Não é difícil encontrar referências a Cascais; elas são múltiplas. Exemplos:
Eça de Queirós (1845-1900), em carta a sua mulher, datada de Cascais, em 11 de Maio de 1898, refere-se à característica nortada primaveril que costuma abater-se sobre a vila, rematando da forma que se segue (e que inspirou este blogue...):
«Cascais é a caverna do velho Éolo, rei dos Aquilões.» (6)

Raul Brandão (1867-1930), registando nas suas memórias a agonia da Monarquia e o clima de fim de festa que por cá se vivia:
«A Parada era a capital do reino de Cascais.» (7)

João de Barros (1880-1960), acompanhando o romancista inglês Somerset Maugham num passeio pela nossa orla marítima:
«Praia do Guincho -- últimas areias da Europa».(8)

Jaime Cortesão (1884-1960), banido pelo regime salazarista em 1940, exilado no Brasil, professor de diplomatas no Itamarati (Instituto Rio Branco), nomeado pelo governo brasileiro comissário da exposição do IV Centenário da Fundação de São Paulo, regressado a Portugal, temporariamente, com passaporte diplomático para pesquisar nos arquivos portugueses documentação que servisse esse importante evento, encontra-se exilado no seu país, numa terra de monarcas exilados, o Estoril, a que chama
«os Paços reais do exílio.» (9)


Notas:

(6) Eça de QUEIRÓS, Correspondência, vol. II, leitura, coordenação, prefácio e notas de Guilherme de Castilho, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983 : 442.
(7) Raul BRANDÃO, Memórias, vol. I [919] Lisboa, Perspectivas & Realidades, s.d. : 214.
(8) João de BARROS, Hoje, Ontem, Amanhã, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1950 : 177.
(9) Jaime CORTESÃO, «Estoril -- estância cosmopolita», Cascais e Seus Lugares, n.º 9, Cascais, Junta de Turismo de Cascais, 1956 : 28.
(continua)
 
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