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domingo, 25 de novembro de 2012

Histórias da História de Cascais

O livro será de 1998, mas só há pouco o li. Esplêndido livrinho de Maria da Graça Pessoa de Amorim e Isabel Minhós Martins, texto corrido e adequado para crianças a partir dos 8/9 anos; as ilustrações são um mimo e ganhariam em ser coloridas, como se vê pelo barrigudo D. Carlos da capa... Numa nova edição, que deverá ser um pouco mais cuidada, é conveniente identificar autoras: quem escreve e quem desenha.
Recomendo vivamente.

P.S. Se alguém quiser ver o verdadeiro rosto do grande Ibn Mucana, vá à página... Bolas, não estão numeradas! Mas vá, que a obrinha é pequena e encontra-o num instante. :)

sábado, 17 de março de 2012

Eça e os Vencidos da Vida em Cascais (1)

Vencidos em Cascais
[epígrafe:] Clamamos por aí, em botequins e livros, "que o país é uma choldra". Mas que diabo! Porque é que não trabalhamos para o refundir ao nosso gosto e pelo molde perfeito das nossas ideias?... Vossa Excelência não conhece este país, minha senhora. É admirável! É uma pouca de cera inerte de primeira qualidade. A questão toda está em quem a trabalha. Até aqui, a cera tem estado em mãos brutas, banais, toscas, reles, rotineiras... É necessário pô-la em mãos de artistas, nas nossas. Vamos fazer disto um bijou!...
                                                Eça de Queirós, Os Maias (1888)

Paço de Cascais, 19 de Outubro de 1889. D. Luís I morre na Cidadela. O príncipe D. Carlos sobe ao trono, e com ele a esperança de um grupo que não se revê num sistema político hegemonizado por dois partidos que alternam no Governo e detêm em simultâneo o controlo do estado.

Eça e os Vencidos da Vida em Cascais, Cascais, Câmara Municipal, 1998.



terça-feira, 7 de setembro de 2010

poesia de cascais #21 - Guerra Junqueiro



O CAÇADOR SIMÃO

A FIALHO D'ALMEIDA

Jaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente...
Corta a mudez sinistra o mar profundo...
Chora a rainha desgrenhadamente...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
-- É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado...
Morte tremenda, pavoroso horror!...
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d'amargura e dor...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
-- É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da Pátria a agonizar...
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
-- É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! a Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta.
Guarda a Infâmia o sepulcro dos heróis.

Papagaio real, diz-me, quem passa?
-- É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indomitamente a multidão...
Tocam clarins de guerra a Marselhesa...
Desaba um trono em súbita explosão!...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
-- É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!...

Viana do Castelo, 8 de Abril de 1890.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

D. Carlos I

na Cidadela de Cascais

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sob o Signo do «Dragão da Crítica»: Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais (6)


O Conde de Arnoso e a «Casa de S. Bernardo»

Arnoso e sua mulher, Matilde, à varanda
da «Casa de S. Bernardo»

Há, porém, aquelas casas que se mantêm como memória viva dum rasto, até pela discrição com que atravessaram os anos. É o que se passa com a «Casa de S. Bernardo», do Conde de Arnoso, por si projectada, um dos edifícios mais importantes de Cascais -- pelo que simboliza --, construído no início da década de 90 do século XIX (21) e que, pretendendo opor uma casa ao «estilo minhoto», uma arquitectura nacional, à habitação de veraneio de influência estrangeira, cujo exemplo mais notável é a famosa «Casa Palmela», de Thomas Henry Wyatt (22), inaugura a questão da casa portuguesa. (23)
Sucede que o Conde de Arnoso (Bernardo Pinheiro Correia de Melo, Guimarães, 1855 - Cascais [?], 1911) -- também ele escritor --, além de ocupar funções de Estado relevantíssimas no reinado de D. Carlos I, como seu secretário particular, foi um dos onze elementos dos Vencidos da Vida, grupo que existiu entre 1888 e 1893, em que, entre cortesãos e literatos, pontificaram Oliveira Martins e Eça de Queirós. Este era amigo dilecto de Arnoso, tendo prefaciado o seu primeiro livro, Azulejos (contos, 1886). Eça, amigo também do Conde de Sabugosa (1854-1923), do Conde de Ficalho (1837-1903) e de Carlos Lobo d'Ávila (1860-1895), filho do conde de Valbom, todos eles também homens de letras -- essencialmente erudito o primeiro, académico cientista e excelente contista o segundo, publicista o último -- (Eça) veraneava em Cascais, participando da vida social, frequentando as instalações da «Parada» -- Sporting Club de Cascais, de que foi sócio (24), hospedando-se muitas vezes na «Casa de S. Bernardo». Um fragmento duma carta do autor de Os Maias ao seu amigo «Bernardo, o bom», datada de Paris, em 25 de Julho de 1896, publicada pelo biógrafo brasileiro Luís Viana Filho, é a todos os títulos eloquente: «[..] não te digo a saudade com que penso na varanda de Cascais e nas preguiçosas manhãs passadas a pasmar para a luz e para a água, nas cavaqueiras com prima Matilde, e nas noitadas em que sob o silêncio e a penumbra propícia decidíamos os grandes problemas. Imagino que toda essa delícia aí se está repetindo, e que tem havido na varanda todas as cousas boas, vós, Sabugosas, luar, frescura do mar, e um bocado de guitarra. Dá mil saudades a todos esses queridos amigos da varanda.» (25)*
*Já depois de apresentado este texto, a família Arnoso, que até há pouco mantinha a propriedade da casa, alienou-a à empresa concessionária da Marina de Cascais.
Notas:
(21) Pedro FALCÃO, Cascais Menino, vol. III, Cascais, edição do Autor, s.d. : 240.
(22) Regina ANACLETO, «Um caso singular no goticismo nacional: o Palaceta Palmela», Arquivo de Cascais, n.º 11, Cascais, Câmara Municipal, 1992-94: 103-149.
(23)Raquel Henriques da SILVA, Cascais, Lisboa, Editorial Presença : 74.
(24) Ricardo António ALVES, Eça e os Vencidos da Vida em Cascais, Cascais, Câmara Municipal, 1998 : 58.
(25) Luís VIANA FILHO, A Vida de Eça de Queiroz, Porto, Lello & Irmão, 1983 : 277.
(continua)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Começa agora

D. Carlos I, Praia de Cascais (1906)
Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, Lisboa

 
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