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sábado, 3 de março de 2012

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (4)

O visconde da Luz gostava da vila, e por cá se demorava. À sua acção, enquanto director das obras Públicas, ficou a dever-se a abertura da velha estrada para Oeiras, via que, mais tarde, Pedro Borges Barruncho, nos Apontamentos para a Historia da Villa e Concelho de Cascaes (Lisboa, 1873), considerou ter tido como consequência a «regeneração de Cascais». Em 1863, ainda se não instituíra o hábito da vinda da corte a banhos, Barreiros edificou a sua casa no Alto da Bela Vista, cuja fotografia foi publicada por Guilherme Cardoso no Cascais Passado a Preto e Branco (Cascais, Associação Cultural de Cascais, s.d.).

sábado, 17 de julho de 2010

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (3)

Ao contrário, porém, do que seria de esperar, as relações relativamente próximas entre Garrett e Barreiros -- oficial do exército chegado a Saldanha, tendo travado conhecimento com o poeta quando do desembarque do Mindelo -- não foram, ao que parece, afectadas pela infidelidade da viscondessa da Luz. Prova-o a correspondência trocada entre ambos, datada de 1851, sobre assuntos de mútuo interesse, cujos excertos foram recentemente revelados por José Calvet de Magalhães na excelente biografia Garrett -- A Vida Ardente de um Romântico (Lisboa, Bertrand, 1996/.

Jornal da Costa do Sol, #1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998, p. 14.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (2)

Foi uma ligação tempestuosa. Apesar dos cuidados de ambos, Lisboa era demasiado pequena para que a conseguissem ocultar. Rosa Montúfar tinha também outros amantes, circunstância que provocava em Garrett penosas crises de ciúme.

Jornal da Costa do Sol, n.º 1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998, p. 14.
(continua)


Gravura retirada do magnífico blogue O Divino Almeida Garrett, de Cristina Futscher Pereira.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Uma tela e uma sinfonia para o «Cascais» de Garrett (1)

Publicado no Jornal da Costa do Sol, n.º 1550, Cascais, 22 de Janeiro de 1998.
Aos 47 anos, Almeida Garrett (1799-1854) viveu uma intensa relação amorosa com Rosa Montúfar Infante, mulher de Joaquim António Velez Barreiros (1803-1865), 1.º barão e 1.º visconde da Luz.
As cartas arrebatadas do poeta à musa, vinte anos mais nova, e o último livro Folhas Caídas (1853), trazem-nos o eco dessa paixão que teve por cenário não só os salões e os arrabaldes lisboetas, mas também estes sítios românticos dum Cascais ainda inóspito, entre o mar e a serra.
(continua)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Sob o Signo do «Dragão da Crítica» - Romancistas, Poetas, Ensaístas e Historiadores em Cascais (4)

O Cânone Poético de Cascais

Cascais passou a ser diferente quando Almeida Garrett (1799-1854) publicou Folhas Caídas (1853). O poema «Cascais», poderosa expressão lírica do romantismo, pela intemperança, volubilidade, transgressão que encerra, veio acrescentar algo ao património cultural cascaense. Não vemos Cascais do mesmo modo depois de lermos este poema, pois a nossa relação com o espaço será inevitavelmente condicionada por ele. A composição tem assim uma dimensão ontológica que altera a percepção, a vivência, em suma a sensibilidade de quantos a lêem em face duma realidade geológica com milhões de anos, até então apreendida sempre da mesma forma pelo homem -- ou, mais rigorosamente, nunca uma estesia semelhante fora manifestada e comunicada desta maneira: «Inda ali acaba a Terra, / Mas já o céu não começa; / Que aquela visão da serra / Sumiu-se na treva espessa, / E deixou nua a bruteza / Dessa agreste natureza.» (16) Garrett, foi, portanto, uma espécie de patrono literário de Cascais, um autor citado sempre que se pretendia mostrar como «estes sítios» (outro poema de Folhas Caídas sobre o espaço cascaense) haviam sido um estímulo para um grande escritor.
Em meados so século XX, o poeta moçárabe (17) Abu Zayd 'Abd ar-Rahman ibn Muqãna (al-Qabdaqi al-Lixbuni), século XI, natural do lugar de Alqabdaq, surge como autor a (re)descobrir. Para além do interesse histórico-cultural da sua poesia -- em que encontramos «uma das mais antigas referências literárias aos moinhos de vento, situados na Europa» (18) -- trata-se também de um excelente poeta do Andaluz. Com a inauguração do monumento que o evoca, da autoria do escultor António Duarte (autor também da estátua de D. Pedro I, no coração da vila), Ibn Muqãna (ou Mucana) foi talvez o primeiro poeta -- em especial com o conhecido «Poema de Alcabideche», objecto de várias versões -- a ser incorporado na bagagem cultural do grande público, mercê também das disciplinas escolares orientadas para as realidades locais que vigoram nos programas de há algumas décadas para cá.
Em meados do anos 60 Cascais tinha dois ex-libris poéticos que ultrapassavam a condição de meras referências literárias, sendo antes dois textos canónicos absolutamente definitivos e adquiridos pela população estudantil e de média formação cultural.
Notas:
(16) Almeida GARRETT, Folhas Caídas, Mem martins, Publicações Europa-América, s.d. : 56.
(17) María de Jesus RUBIERA MATA, Ibn Muqãna de Alcabideche, 2.ª edição, Cascais, Associação Cultural de Cascais, 1996 : 7-8.
(18) Fausto do Amaral de FIGUEIREDO, «Abú Zaíde Ibne Mucana», Cascais e os Seus Lugares, n.º 20, Estoril, Junta de Turismo da Costa do Sol, 1966 : 16.
(continua)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O Vinho de Carcavelos nas «Viagens Minha Terra»

Nas Viagens na Minha Terra (1845/46), Garret discorre sobre o gosto britânico pelos nossos vinhos, referindo-se brevemente ao Carcavelos, entre outros, designando-o primeiro por «Lisboa» -- tal como os ingleses faziam: Lisbon Wine. Queixava-se o nosso autor da preferência que os velhos aliados estavam a dar à «jacobina zurrapa de Borgonha»:
«[..] Quem tal diria da conservativa Albion! Como pode uma leal goela britânica, rascada pelos ácidos anárquicos daquelas vinagretas francesas, entoar devidamente o God save the King em um toast nacional! Como, sem Porto ou Madeira, sem Lisboa, sem Cartaxo, ousa um súbdito britânico erguer a voz, naquela harmoniosa desafinação insular que lhe é própria e que faz parte do seu respeitável carácter nacional [..]
O que é um inglês sem Porto ou Madeira... sem Carcavelos ou Cartaxo?»

Viagens na Minha Terra, Publicações Europa-América, Mem Martins, 1976, pp. 37-38.

Sobre Garrett:
na blogosfera, O Divino Almeida Garrett, de Cristina Futscher Pereira, infelizmente já falecida;
e também na Wikipedia.

Sobre o Carcavelos:
na blogosfera, João à Mesa.
 
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