Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia Florbela Espanca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia Florbela Espanca. Mostrar todas as mensagens

20080921

Pelo dia...




Deixa dizer-te os lindos versos raros

Que a minha boca tem pra te dizer!

São talhados em mármore de Paros

Cinzelados por mim pra te oferecer.


[...]

Florbela Espanca,
Os versos que te fiz
Imagem(C) Rebecca Hardin




20070706

Voz do dia...


Quem fez ao sapo o leito carmesim


De rosas desfolhadas à noitinha?


E quem vestiu de monja a andorinha,


E perfumou as sombras do jardim?



Quem cinzelou estrelas no jasmim?


Quem deu esses cabelos de rainha


ao girassol? Quem fez o mar? E a minha


Alma a sangrar? Quem me criou a mim?




Quem fez os homens e deu vida aos lobos?


Santa Teresa em místicos arroubos?


Os monstros? E os profetas? E o luar?



Quem nos deu asas para andar de rastos?


Quem nos deu olhos para ver os astros


- Sem nos dar braços para os alcançar?!...



Florbela Espanca, Poesia Completa

20070705

Pela rua...


A noite empalidece. Alvorecer...
Ouve-se mais o gargalhar da fonte...
Sobre a cidade muda, o horizonte
É uma orquídea estranha a florescer.



Há andorinhas prontas a dizer
A missa d'alva, mal o sol desponte.
Gritos de galos soam monte em monte
Numa intensa alegria de viver.



Passos ao longe...um vulto que se esvai...
Em cada sombra Columbina trai...
Anda o silêncio em volta a q'rer falar...


E o luar que desmaia, macerado,
Lembra, pálido, tonto, esfarrapado,
Um Pierrot, todo branco a soluçar...


Florbela Espanca, Poesia Completa

20070704

Desejos Vãos


Eu q'ria ser o mar d'altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu q'ria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu q'ria ser o sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu q'ria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza...
As Árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras...essas...pisa-as toda a gente!...

Florbela Espanca, Poesia Completa