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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

LUCINDA WILLIAMS, A MANIA DOS BEATLES!





















Em 1963, aos dez anos de idade e a viver a infância em Santiago do Chile, Lucinda Williams foi uma das muitas crianças fascinada com o fenómeno The Beatles. Ouvidos pregados ao rádio, posters colados na parede, recortes contínuos de notícias e fotografias dos jornais ou revistas e paixonetas por Paul McCartney ou George Harrison. Da Beetlemania, infecciosa, não mais se livrou... 

Não se estranha por isso que um disco chamado "Lucinda Williams Sings the Beatles From Abbey Road" tenha saído a semana passada, mais uma colecção, a sétima, de versões que a cantora de Nashville tem dedicado a bandas e artistas preferidos, um género de "jukebox series" iniciadas durante a pandemia e que já contemplou vénias a Bob Dylan, The Rolling Stones ou Tom Petty. Todas a funcionar como uma terapia curadora de um ataque cardíaco que nunca mais lhe permitiu tocar guitarra, mas que lhe manteve a força para continuar a compor, gravar e cantar. 

Aquando de um série de concertos em Londres, a sugestão do marido para que o registo fosse nos Abbey Road Studios, local mítico donde os The Beatles emanaram a maior parte dos hits planetários, parecia tola. Certo é que ela se tornou uma das primeiras a gravar os Fab Four na casa, na sala de estar, dos Fab Four, sendo a maior dificuldade escolher que canções eleger entre os dois centos que os de Liverpool germinaram. 

Doze era o número pré-definido e a melhor estratégia seria concentrar a seleccção no tal período inicial e de descoberta dos The Beatles, mas tornou-se irresistível e tentador estender a recriação a mais recentes fases, sendo por isso que o álbum contempla canções como "Something", "Let It Be", "While My Guitar Gently Weeps" ou "Yer Blues". Apesar de ouvidas milhares de vezes, Williams confessa a sua dificuldade em cantá-las. A classe, contudo, com que o faz é magistral e até surpreendente. Fab!



sexta-feira, 15 de novembro de 2024

THE BEATLES NA AMÉRICA!

A 7 de Fevereiro de 1964 os The Beatles chegaram pela primeira vez a Nova Iorque, E.U.A., e o mundo parece ter começado a rodar mais depressa. Martin Scorcese como produtor, David Tedeschi como director, fizeram um novo filme chamado "The Beatles 64", que estreia no canal Disneyplus dia 29 de Novembro, e está cheio de sequências inéditas dessa "maluqueira", entrevistas recentes e os habituais melhoramentos e restauros qualitativos. Mais do mesmo, mas, ainda e sempre, atraente...



Para fanáticos invertebrados, há agora também uma pequena introdução visual ao porquê da edição dos álbuns dos The Beatles em formato mono na América, motivo para mais uma luxuosa e massiva caixa já em pré-encomenda. Mais do mesmo, mas, ainda e sempre, caro...

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

THE BEATLES, A CANÇÃO QUE FALTAVA?

E se aos The Beatles ainda faltasse editar mais uma canção? Tudo é possível, vindo de um filão de infindável profundidade e recurso, estando a versão final de "Now And Then", a tal peça incompleta que recebeu tratamento recente e definitivo a partir de uma demo-tape já conhecida, pronta para audição e crítica a partir de hoje.  

A história está contada no pequeno mas significativo documentário abaixo e prometida está também a edição do tema em single de vinil de cor branca, azul ou preta. No lado B repousará "Love Me Do", a canção que tudo começou e que abre o "álbum vermelho" que será, ao lado do "álbum azul", sujeito a reforço de peso em novas edições previstas para dia 10 de Novembro, mesmo a tempo do Natal! 



quarta-feira, 5 de abril de 2023

ROCKY RACOON #17
















A 4 de Abril de 1963 os The Beatles deram um concerto em Stowe, um género de colégio privado de Buckinghamshire, sudoeste de Inglaterra, a pedido de um dos seus alunos nascido em Liverpool e mediante o pagamento de 100 libras. Em 2018, já algumas fotografias inéditas do espectáculo e da passagem pelas instalações tinham sido publicadas e agora, sessenta anos depois, surgiu a gravação do concerto feita em fita analógica e conservada em excelentes condições. 

Trata-se do primeiro registo de um concerto dos Fab 4 e que mereceu segunda-feira passada divulgação inesperada através do programa "Front Row" da BBC apresentado por Samira Ahmed, uma história captada no local com participantes e entusiastas coevos e com Mark Lewisohn, historiador da banda. 

Entretanto, a emissão radiofónica teve já diversos upgrades ilegais sempre bem-vindos, mesmo com sofríveis traduções como o de abaixo!

sábado, 1 de abril de 2023

(RE)LIDO #113





















OS BEATLES - Aventuras Pop Portuguesas
 
de Abel Soares da Rosa. Lisboa; Âncora Editora, 2022 
A façanha já com uma década continua a ser para o autor uma demanda obstinada - que raio se editou, publicou ou viu sobre os The Beatles e tudo à volta em Portugal? As respostas fazem já parte de, pelo menos, quatro livros a rondar os discos de vinil, as revistas, os jornais ou os filmes e as suas vicissitudes, um conjunto de imagens, documentos e textos que servem de fundo arquivístico revisitado de utilidade e prazer para aficionados, melómanos ou simples curiosos de uma temática eterna. O mais recente contributo é um género de best of das pesquisas anteriores às quais se juntam abordagens e averiguações inéditas que continuam a somar lanços saborosos às gavetas do arquivador. 

Neste particular, são deliciosos os pormenores contados por Hunter Davies, autor da única biografia autorizada sobre a banda, que de visita ao Algarve deu de caras com Paul e Linda (Eastman) McCartney e por ali se fixaria com a família em algumas temporadas até aos dias de hoje. A história e o convívio contados pelo próprio são uma preciosa panorâmica de um país em ditadura, mas também das suas incontornáveis virtudes climatéricas e gastronómicas ou da estranheza de alguns dos costumes. "Oh Happy Days...", no título do texto que Davies escreveu para o livro. 

É desta altura "Penina", canção nascida num bar de hotel que se fez plena pelos portugueses Jota Herre e que a receberam por oferta de um simpático Paul McCartney, conhecendo posterior edição oficial. O livro surpreende no número de edições e versões que o tema acabaria por receber ao longo dos anos um pouco por todo o mundo, uma compilação de referências rebuscada e inédita que confirma a teimosia salutar de Abel Rosa sobre uma das tais aventuras pop portuguesas, talvez a mais conhecida e inesperada. 

A monografia contempla a reprodução, já publicada, da totalidade dos discos/EP's de 45 rotações que os The Beatles editaram em Portugal, acrescentando-lhe edições das colónias e das carreiras a solo no mesmo formato, bem como a totalidade do selo Apple em território nacional. Mas há mais. São mais de oito dezenas as versões de canções dos de Liverpool ou em sua homenagem que artistas e bandas portuguesas registaram ao longo dos anos e elas cá estão - quinze páginas de capas de discos de uma variedade de estilos abrangente, do proto-pimba ao fado, do prog ao coro infantil, desde o Conjunto Mistério em 1963 ("I'll Get You"/"Sem ti Não Sei Viver") até José Cid em 2018 ("The Fab 4") de 2018. Uma verdadeira ode aos Beatles... sem data previsível de término. 

O relato inédito de César Faustino, jornalista do "Diário de Lisboa" que cobriu a passagem efervescente da banda por Estocolmo em 1964, onde já tinham estado no ano anterior, afigura-se uma leitura de aprazível novidade. Os pormenores da entrevista que então realizou, o convívio inesperado com o quarteto e os meandros da sua publicação no vespertino lisboeta, são um contributo flagrante para perceber o fenómeno ciclónico que, em turbilhão, varria a Europa e que atingia países frios sem contemplação, mas que não chegou a alcançar um jardim à beira-mar plantado, quase tropical, sem flores e próspero nos preconceitos, a criar bolor e a limitar ousadias como filmes com gente a gritar e a dançar à custa de música perigosa. Estas histórias e facetas cinematográficas o autor faz, outra vez e de passagem, questão de recordar. 

Ou seja, mais uma colectânea despretensiosa, mas oportuna que, para além de revelar o infindável esforço de um entusiasta, é um espelho das virtudes do coleccionismo e de uma paixão única - despertar admiração, motivar concorrência leal e ficar à espera de mais matéria "beatlesca". Nunca serão demais as "aventuras dos quatro"! 


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

(RE)LIDO #112





















LOVE ME DO! A ASCENSÃO DOS BEATLES
 
de Michael Braun. Lisboa; Guerra e Paz, 2022 
A chamada Beatlemania teve documentos cinematográficos que, da melhor maneira, expressam a extravagância vivida com a explosão dos The Beatles no Reino Unido, uma contaminação que se espalhou de imediato a outros países europeus e, logo a seguir, aos Estados Unidos. Quem viu "A Hard Day's Night" de 1964, realizado por Robert Lester, não tirou o sorriso dos lábios pela pantomina do enredo da própria banda a fugir de fãs, da imprensa ou da polícia... Se lhe juntarmos o documento ao vivo "Eights Days A Week" sobre o mesmo período bizarro em que a banda subia a um qualquer palco, desde o Cavern ao Budokan, o fenómeno alcança, a esta distância, laivos de incompreensão e difícil esclarecimento. 

Certo é que logo em 1964 foi editado um livro sobre o assunto, por sinal, o primeiro sobre os The Beatles. O seu autor, Michael Braun, era um escritor americano destacado para Londres para passar três meses com os quatro rapazes e respectiva entourage, desde a digressão de seis semanas pela Inglaterra de 1963, passando pela estreia em Paris e a primeira viagem aos E.U.A. (Fevreiro de 1964). 

Aproveitando o embalo e o sortilégio, reuniu sem cerimónias algumas memórias vivas sobre a ascensão dos Beatles com "Love Me Do", o primeiro single de sucesso e, logo depois, com "Please, Please Me" que se instala no primeiro lugar do top. A compilação dos eventos, dos corropios ou desabafos e das muitas facetas de um sintoma a que ninguém ficou indiferente foi descrita como "o melhor livro dos Beatles de todos os tempos" que a frase de Lennon de 1970 "um livro verdadeiro. Ele descreveu-nos como éramos, uns safados." acabaria por corroborar e fortalecer. 

Quase sessenta anos depois, o relato mereceu edição portuguesa e, sim, foram essas as frases que se estamparam na capa a sobrepor uma fotografia da época dos tais quatro safados em pose de borga, certamente, perante uma multidão de máquinas fotográficas. Confirmamos, desde já, o que Lennon sentenciou de forma sincera, e será muito difícil existir um outro livro que se possa ler que o ultrapasse. Mantem-se fresco, apurado e incisivo na escolha dos factos e circunstâncias a que se junta uma selecção frenética de incidentes, piadas ou conversas privadas que se vão interpondo com cartas verdadeiras das fãs, relatos dos jornais, comentários de corredor ou anúncios de rádio. Tudo ritmado de forma eficaz e em que os ambientes são quase sempre de euforia e festa mas também de troça, humor negro e muita pândega vigiada por agentes, managers, forças policiais ou até embaixadores. 

Os Fab Four eram, já aí, geniais e mesmo imbatíveis no avolumar de um novelo que não sabiam quando iria parar mas que queriam continuar a enrolar com prazer e satisfação. Não há por aqui lugar a tristezas, desgraças ou traições. O rolo compressor do relato é, de certa maneira, asfixiante e propositado ou não fosse a pressão vivida uma incontrolável alienação colectiva que, mesmo sem querer, mudaria muitas mentalidades, hábitos e padrões. Estamos, assim, perante um verdadeiro clássico da literatura, do rock e até da sociologia da cultura.. e da loucura. Obrigatório!


sábado, 11 de fevereiro de 2023

(RE)VISTO #107





















JOHN & YOKO: ABOVE US ONLY SKY
de Michael Epstein. Reino Unido; Eagle Rock Film Productions, 2018
Tv Cine Edition, Portugal, 5 de Janeiro (arquivo)
Num resumo injusto, a história do álbum "Imagine" de 1971 seria um simples relato da colaboração criativa entre John Lennon e Yoko Ono. Escusado será dizer que tamanha obra prima esconde óbvias e encastráveis circunstâncias que se multiplicam em cumplicidades profissionais, artísticas e ocasionais que uma ou mais câmaras de filmar registaram intencionalmente para memória futura. Muitos desses colaboradores foram entrevistados para este documentário numa selecção de testemunhos, obviamente, controlados e supervisionados por Yoko Ono, ela própria com participação activa no filme. São, no entanto, essas imagens nunca vistas do processo de gravação e revelação dos disco que nos apelaram ao seu visionamento. Só elas devem merecer, por si só, a vossa atenção. 

Estamos em Inglaterra dita rural onde John, Yoko e o filho Julian se refugiam numa espectacular propriedade de quarenta e cinco hectares chamada Tittenhurst Park, fugindo aos dias de finados e agitados dos The Beatles, vida boa de alguma preguiça e leitura para, sem pressas, ir compondo temas para um novo disco. Num dos anexos, montou-se um estúdio sofisticado, convidou-se Phil Spector para comandar a produção e, a custo, foi-se dando a ouvir proto-canções a alguns amigos entusiasmados. Ao local chegou a nata instrumental da época para se juntar ao processo, de Alan White na bateria, a Klaus Voorman no baixo, passando pelo parceiro George Harrison, sim, esse, nas guitarras, e o resto é história. São notáveis as sequências interiores do colectivo a uma mesa entre chã e tostas, a ouvir pela primeira vez o "Imagine" ou "Oh My Love" ou a ler as respectivas líricas que Yoko escrevinhava sentada. 

Tudo parece um descontrolo controlado, assente numa onda de partilha assumida perante jornalistas deslocados para o local sem saber ao que iam e de quanto tempo tinham para a descoberta ou para obter respostas a tantas dúvidas. Arrufos não são notados, a não ser indirectas a Paul McCartney na letra de "How Do You Sleep?" mas há inesperados momentos como a presença à porta de um ex-combatente no Vietnam à procura de explicações do ídolo para letras de canções ou opções filosóficas. Nada que umas bolachas e um copo de leite não tivessem resolvido!

Floresce do documento uma intencional alteração do mito de "bruxa má" que Yoko Ono sempre aguentou, uma estrangeirada que "separou os nossos Beatles", aproveitando-se para traçar uma abordagem nada inocente à sua vida artística e pessoal de forma a melhor se perceber muitas das raízes que brotaram em "Imagine", a canção, mas também em parte substancial do álbum e que, contrariando a imagem de esposa sempre sentada e silenciosa em estúdio, se revelou parte colaborativa importante no crescimento e colheita de um disco notável. 

Os incontornáveis "The bed-ins", a Plastic Ono Band, a estranheza das perfomances mas também a sua infância traumatizada pela II Guerra Mundial e consequentes privações, ajudam a que no documentário se assuma como importante, fundamental, o papel de Ono mas também a sua ousadia conceptual e visionária que, de imediato, chamou atenção de Lennon - o seu livro "Grapefruit" (1964) continua a ser hoje, como testado propositadamente, um ensaio de entendimento ou percepção enigmática, nonsense, mas a difícil e metafórica imagem da capa do álbum só ela a conseguiu.  

O poder das canções, a sua consequente apropriação como arma política de reivindicação em tempos conturbados de guerra e agitação social, leva a dupla inseparável para as ruas de Londres e depois Nova Iorque, cidade adoptiva, vibrante e, afinal, o palco de manifesto e intervenção consciente - "power to the people" ou "war is over / happy christmas" - transformada em casa-mãe de um amor sufocante, ilimitado e agrilhoado a uma outra canção-prima. Nas palavras de Ono, "Jealous Guy" poderia ser o motivo único porque se conheceram e se amaram, mas ela é a prova cimeira de um ser superior e de uma respiração espiritual nunca perceptível em nenhum dos outro Beatles. Mais de cinquenta anos depois, ver esse talento a trabalhar é, a partir deste proveitoso documentário, um enorme privilégio de que o próprio Lennon se orgulharia no legado e poder. Imaginem...         



terça-feira, 6 de dezembro de 2022

BRAD MEHLDAU, (QUASE) SÓ THE BEATLES!





















Das vezes que estivemos numa sala de concertos com Brad Mehldau os The Beatles nunca foram esquecidos. A tradição e eterno entusiasmo deu origem a um espectáculo com muitas canções dos de Liverpol que culminou na Philarmonie de Paris em Setembro de 2020 e que foi filmado e emitido pelo canal Mezzo. Junta-se agora o disco quase obrigatório perante o êxito da interpretação. 

Assim, a Nonesuch Records publicará em Fevereiro do próximo ano o álbum "Your Mother Should Know: Brad Mehldau Plays The Beatles", onde assentam nove canções ao vivo de John Lennon e Paul McCartney e uma de George Harrison captadas no referido espaço parisiense. A escolha recaiu no período compreendido entre a edição de "Rubber Soul" (1965) e "Let It Be" (1970) e onde, diz, transparece na composição dos The Beatles uma surpreendente estranheza que permitiu a sua longevidade e contínua modernidade. A capa remete ainda para "Abbey Road" e para sua mítica imagem dos quatro numa passadeira. Junta-se, no final, uma versão de "Life On Mrs" de Bowie, um outro mestre das canções pop. 

Para o lançamento do disco foi ainda registado no Village Vanguard de Nova Iorque um pequeno testemunho do próprio e uma interpretação especial do tema título (ver abaixo).


terça-feira, 22 de novembro de 2022

ROCKY RACOON #16





















Imaginem-se jovens aficionados dos The Beatles há cinquenta e três anos e, numa ida a um quiosque de jornais para comprar cigarros, depararam com a capa da revista espanhola "Triunfo" do dia de hoje com a interrogação, traduzindo, "Paul Morreu?" e a imagem da capa do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" de 1967... 

Irresistível, a dúvida levantada faria gastar as 15 pesetas de capa ou os 20 escudos (?) para a trazer para casa (sim, a publicação tinha distribuição em Portugal) no sentido de ler o artigo de cinco páginas a cargo de Gonzalo Zaragoza. As certezas, já na altura, seriam muitas quanto à falsidade da notícia mas se quiseram podem ler os argumentos e os indícios que o jornalista se deu ao trabalho de compilar e testar (a revista têm um eficaz arquivo digital), tal como outros o fizeram em diversas publicações um pouco por todo o mundo. Uns dias antes, a incontornável "Life" tinha feito do assunto motivo de capa mas para descansar fãs desconfiados com uma fotografia de família coeva e um apaziguador "Paul Is Still With Us". 

A lenda, que fez correr tanta tinta, têm um conjunto de explicações e sinais rebuscados quanto ao suposto desaparecimento de Paul McCartney que nunca tivemos paciência e pachorra para ir confirmar (discos a andar para trás, fotografias premonitórias, etc. etc. ) mas ficamos sempre com saudades de um filme alemão com o mesmo nome ("Paul Is Dead") que nos divertiu num Fantasporto longínquo e a que gostaríamos de pôr os olhos outra vez. A aspiração parece difícil e o que existe é o simples e pequeno excerto abaixo. Há também uma curta-metragem inglesa de 2018 ainda com o mesmo título mas que não têm piada nenhuma

O assunto é, de quando em vez, motivo de insistências interessantes como a que a Rolling Stone publicou em 2019 e onde descobrimos que não há só filmes feitos a partir do episódio. Há, pelo menos, quase uma dúzia de canções nele inspiradas e de que “We’re All Paul Bearers” por uns tais Zacherias and the Tree People é um feliz acaso com direito a single de vinil mais tarde incluído numa colectânea temática


sexta-feira, 11 de novembro de 2022

PAUL McCARTNEY, CONTENTOR ABSURDO!





















Um verdadeiro festim de rodelas pequenas de vinil é o que o octogenário Paul McCartney propõe como forma de gastar o subsídio de Natal mesmo em tempos de inflação alta e crises de liquidez. A estratégia parece ter resultado já que os três mil exemplares de uma caixa com todos os singles em nome próprio e com os Wings, prevista para sair no início de Dezembro, se encontram, desde já, esgotados. Preço: 740€! 

Vamos a contas. O baú contêm 80 exemplares datados entre os anos 70 e a década passada, sendo 65 recreações de singles e discos promocionais com as capas originais de 15 países diferentes (talvez haja por lá algum português) e 15 nunca editados no formato 7", incluindo temas só saídos em 12”, picture discs, CD singles/promos, downloads ou videos e ainda um test pressing aleatório colhido em fábrica. 

Tudo, dizem, remasterizado em Abbey Road, o que fica sempre bem, a que se junta um livro exclusivo com palavras do próprio, um ensaio a cargo de Rob Sheffield da revista Rolling Stone e notas sobre posições alcançadas nos tops, datas de edição ou detalhes da gravação. A carga pronta e metida no contentor custa mais 195€ de correio para Portugal! Silly...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

THE BEATLES, QUEM?



















Num reencontro domingueiro com jovens sobrinhos e primos que a pandemia separou do convívio habitual, reparamos na sweetshirt e hoodie vistosos de dois deles - uma dos Guns N'Roses e o outro dos Sex Pistols, uma tendência de moda adolescente que logo confirmamos se estende aos AC/DC ou The Rolling Stones. 

Parece fixe mas, ao contrário da longínqua atitude da nossa geração em que vestir uma qualquer t-shirt de uma banda era sinónimo de acérrimo conhecimento das canções e dos discos, questionados qual a música preferida de tão assumidos grupos a resposta simultânea e inocente foi "não sei, nunca ouvi"! 

Por isso, não se admirem se um puto sorridente de camisola dos The Beatles, que está agora à venda numa conhecida cadeia espanhola em pendant com um par de meias, vos responder à pergunta "gostas dos Beatles?" com um breve e lacónico "quem?"... I feel fine!

terça-feira, 16 de novembro de 2021

BRAD MEHLDAU E OS THE BEATLES!

Fez-nos água na boca a passagem a solo do pianista maravilha Brad Mehldau pela Philarmonie de Paris em Setembro do ano passado para tocar canções dos The Beatles, uma da suas confessadas paixões ao lado de outros monstros da música como Nick Drake, Paul Simon, Jeff Buckley, Radiohead, Nirvana e até Chico Buarque. 

O incontornável canal Mezzo fará o obséquio de, a partir de quinta-feira, 18 de Novembro (19h30, mas com repetição programada em vários horários da próxima semana), emitir uma selecção de cinquenta minutos referente a esse longo reportório que inclui ainda, na emissão original, passagens por versões de Bowie, Beach Boys, Billy Joel e The Zombies. Se não quiserem esperar, nada como o recurso, mesmo que ilegal, ao canal generalista para uma supervisão total...

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

PAUL MCCARTNEY, TRÊS PONTOS DE !!!






















O terceiro álbum a solo de Paul McCartney editado no final de 2020 recebeu, naturalmente, o nome sequencial de "III" e confirmou que, mesmo em isolamento ("Rockdown"), as canções e os arranjos continuam irrepreensíveis e imbatíveis. O disco auto-produzido e auto-tudo fez furor entre gerações de aficionados onde nos incluímos mesmo que a versão em vinil especial "333" editada em parceria com a Third Man Records de Jack White no último Natal nos tenha, por todas as razões, passado ao lado... 

Há agora um pequeno documentário sobre a materialização desse pedaço de história que aporta uma série de questões comerciais e ambientais. O vinil amarelo com apontamentos a preto (as cores da Third Man Records como é visível nas fardas dos seus funcionários) resultou da reciclagem (!) de vinis antigos dos discos "I" e "II" de McCartney (não devem ter sido poucos, o que pressupõe que a sua disponibilidade advém de más vendas) mas as queixas quanto à qualidade do resultado final são, invariavelmente, negativas - som deficiente ou prensagem descuidada - para as 333 rodelas produzidas que custavam cerca de 50€ cada quando foram para as lojas e que hoje atingem transacções entre 2500 e 4500 euros!!! 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

WILCO E OS THE BEATLES, ESSES DECONHECIDOS!















Aproximam-se (já lá estamos!) tempos em que os The Beatles serão notícia. Nada de novo, já que o fenómeno é frequente e sempre fascinante e diz respeito desta vez à reedição do álbum "Let It Be" em versão luxuosa, o que no caso do vinil comporta quatro discos e uns trocos... Se lhe juntarmos a estreia prometida do documentário de Peter Jackson "Get Back" marcada para dia 25 de Novembro no canal Disney+, depois de vários adiamentos, o buzz vai continuar. 

Neste âmbito promocional, a Amazon Music lançou uma campanha mensal chamada "[Re]Discover" onde artistas e bandas dão a volta a originais dos Fab Four da época de "Let It Be", tendo o convite chegado aos Wilco. No mês passado, reunidos numa pausa da digressão no estúdio The Loft de Chicago, as escolhas recaíram sobre a dupla de originais "Don't let Me Down" e "Dig a Pony" pertencentes "a essa obscura banda cool The Beatles" nas palavras do guitarrista Nels Cline ("maybe you've heard of them?!", como sublinhado no facebook oficial). 

O sinal já tinha sido dado por Jeff Tweedy em Julho, apresentando a versão de "Don't Let Me Down" num encore de um concerto ao vivo no Illinois mas ao longo dos anos são já muitas as covers que os Wilco ou Tweedy fizeram dos de Liverpool como a recente "God" (Lennon), "I'm Only Sleeping", "And Your Bird Can Sing" ou "Tomorrow Never Knows".


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

PAUL MCCARTNEY, O ESCRITOR!
















Lá para Novembro, mesmo a tempo do Natal, será publicado um apelativo volume duplo (960 páginas!) contendo as letras escritas por Paul McCartney ao longo da carreira, qualquer coisa como 154 líricas que acabaram em tantas outras canções! Em "The Lyrics: 1956 to the Present" estarão ainda cartas, fotografias ou manuscritos inéditos do seu arquivo pessoal a que, na impossibilidade confessada de escrever uma autobiografia à custa de nunca ter tido o hábito de anotar diários ou lembranças, se acrescentam comentários paralelos e forçosamente biográficos editados pelo irlandês Paul Muldoon, autor da introdução e com quem McCartney manteve largos períodos de conversa ao longo de cinco anos. 

A edição prevista para E.U.A., a da imagem acima, encontra-se já indisponível e sem preço mas a versão inglesa aceita, desde já, encomendas ao preço de 66£ e com uma capa de desenho diferente. Quanto a preferências aqui da casa de maravilhas saídas da pena de Sir McCartney, não temos dúvidas quanto à primeira ("For No One"), à segunda ("She's Leaving Home") e à terceira ("Fool On the Hill"), três enormes canções!




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

(RE)LIDO #91






















OS BEATLES E A CENSURA EM PORTUGAL
 
de Abel Soares da Rosa. Lisboa: Âncora Editora, 2020
Vivemos tempos em que conceitos como liberdade de expressão, liberdade de imprensa ou opinião pública conduzem a inevitáveis discussões acaloradas onde a palavra "censura", qual maldição, serve levianamente ambos os lados da arguição. A vigência da censura, pura e dura, imposta em período de ditadura, foi em Portugal motivo de estudo ao longo das últimas décadas e, depois da abertura à consulta da totalidade dos arquivos da PIDE e de Salazar (1995), o manancial de informação conduziu necessariamente a uma maior especialização das abordagens e temáticas, embora o cinema, em particular, cedo tivesse motivado a curiosidade e demanda de alguns como Lauro António, autor largamente citado na corrente obra e para qual escreveu um texto introdutório, concretizado no incontornável "Cinema e Censura em Portugal" (1977). O assunto continua, mesmo assim, a ser um novelo sem fim de reconhecido interesse colectivo como se pode confirmar numa mais recente investigação académica (2013) coordenada por Ana Cabrera e que se estende também ao teatro ou neste livro dedicado aos filmes dos The Beatles

À pergunta se "os Beatles foram censurados em Portugal?" a resposta é "Sim!". Prova-o o conteúdo transcrito e largamente reproduzido por Abel Rosa de forma exaustiva quanto às películas estreadas em território português, como também o provam, certamente, muitos cortes a notícias e críticas aos mesmos filmes, aos seus discos, atitudes ou comportamentos como, aliás, já atestamos por aqui anteriormente e que sustentam a ideia que os Beatles metiam medo, sim, muito medo! 

O receio dos censores e, implicitamente, do regime quanto ao fenómeno, levou ao arrastamento da estreia da comédia "A Hard Day's Night" ou "As Quatro Cabeleiras do Após Calipso" em português, agendada para 1964 mas só concretizada no ano seguinte, anomalia noticiada em jornais de Liverpool que deram conta que a película tinha sido parcialmente censurada e destinada a maiores de 17 anos! Por incrível que pareça, o "problema" maior eram as expressões de êxtase e felicidade - "Atitudes descompostas e esgares" - que o(a)s jovens expressavam ao ouvir as canções da banda em cima do palco, uma suposta histeria que poderia conduzir a indesejadas manifestações da juventude portuguesa. A liminar proibição de exibição do filme pairou durante algum tempo pois seria bastante complicado - impossível! - realizar estes cortes em plena canção, passando depois a uma suspensão bastante comprometedora das aspiração da distribuidora Rank que via o lucro do negócio a fugir entre mãos alheias e que culminou, após bastantes insistências, numa tardia reclassificação etária (12 anos)... mas mantendo os cortes!  

Todo este folhetim, documentado ao pormenor com a reprodução de alguns dos documentos originais, constitui, por si só, uma incrível e rocambolesca história que carimba a insensatez e ridículo a que qualquer actividade de controle totalitário foi e é sujeita, traduzida noutras minudências risíveis como uma piada parva sobre adultério, um decote feminino, uma dança do ventre ou a autorização sem cortes do filme "Yellow Submarine" em 1969 sem qualquer tipo de restrições, uma daquelas pérolas que questionam toda a credibilidade do sistema atendendo a que, mesmo sendo em desenho animado, o argumento e uma boa parte dos diálogos feriam notoriamente (basta o exemplo de "Eleanor Rigby") os valores exemplares tão cegamente defendidos pelo regime instalado. 

Outros dois filmes - "Help! - Socorro!" de 1965 mas estreado em 1967 e "Let It Be - Improviso" de 1970 - são também motivo de análise documental pelo autor e que se alarga até a outras películas mais tardias e menos conhecidas onde participam músicos da banda. Em quase todos se percebe os contínuos empecilhos e subterfúgios que a Censura lançou sobre a promoção e difusão das imagens "perigosas" supostamente associadas aos The Beatles, adiando decisões ou inventando mal-entendidos para que "esses guedelhudos" se mantivessem à distância do cantinho sagrado desde que isolado. Houve quem quisesse contratá-los para um concerto em Lisboa em 1965 mas, sabe-se agora e confirma-se no livro, as sapientes autoridades portuguesas não permitiram tamanha afronta agitadora dos bons costumes e uma ameaça à dita "normalidade".

Orgulhosamente só mas, definitivamente, mais decadente e autocrático, o Estado Novo têm nestes exemplos de coação cinematográfica, que em boa hora foram reunidos neste simples mas prestimoso livro, um espelho da sua galopante e lastimável podridão, imagens proibidas que, quem sabe, acabem recuperadas ao jeito da sequência final do inesquecível "Cinema Paraíso"... 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

(RE)LIDO #90






















COM OS BEATLES CARO JÓ
 
de Luís Pinheiro de Almeida. Lisboa; Sistema Solar (Documenta), 2019 
A história da música costuma acentuar que os The Beatles não pertencem a nenhuma geração. Que são imortais, facilmente permeáveis a idades ou géneros e, por isso, intergeracionais e populares. Certo, mas há uma dessas linhagens iniciais que, vivendo/bebendo pela primeira vez de forma simultânea e apaixonada a explosão, constitui o traço alfa de um fenómeno planetário a que Portugal não escapou mesmo apertado num regime controlado de ditadura e isolamento. São, por isso, não muitos os vestígios sobre o vendaval que os de Liverpool subtilmente provocaram na juventude portuguesa mas que se traduziu inevitavelmente numa influência arterial em bandas-réplica, modas ou costumes que o regime se apressava a negar e combater. É essa raridade, traduzida numa selecção de relatos epistolares resguardados como tesouros, que este livro faz o favor de eternizar evitando esquecimentos e lapsos e, já agora, motivando o destapar e revelação de outros testemunhos que forçosamente se encontrem ainda por "escavar". 

A paixão de Luís Pinheiro de Almeida pelos The Beatles é conhecida e facilmente confirmável noutros livros e experiências, mania saudável a que desde a juventude deu corda infindável e inquebrável traduzida numa partilha com os irmãos e os amigos da natalícia e pacata Coimbra da década de sessenta. Estudante em Lisboa aos 17 anos, uma cidade "chata" nas suas palavras, o quebrar do "exílio" e das distâncias e cumplicidades com os do Mondego fez-se por carta ao compincha Jó a quem passou a escrever regularmente, correio religiosamente salvado durante quarenta anos pelo destinatário e onde relata sem fôlego a vida na capital num concentrado de informações sobre os filmes vistos, os discos ouvidos, as idas a concertos e, principalmente, o despertar dos programas da rádio mais aventureiros na explosão do yé-yé e da pop music. Os Beatles ganham óbvia predilecção e primazia mas há referências a tantas outras bandas e artistas com destaque nas páginas das revistas e jornais recortados com devoção, fobia que alcança números avassaladores num curto período de tempo. A narração dos "acontecimentos" é quase sempre interrompida pela referência à canção que, naquele momento, a rádio transmitia preferencialmente em período nocturno, um tom coloquial de genuíno vernáculo português a motivar a jocosa bola vermelha da capa, e cujo conteúdo era lido em voz alta ou à vez pelos companheiros distantes mas, alegremente, ansiosos. 

Escritas da casa de Lisboa ou da veraneante Mira, sobressai nelas um empolgamento crescente e quase complusivo na obtenção dos discos, das canções, das fotografias, das letras, das histórias ou boatos sobre "os 4 cabeleiras do após-calipso" e o seu mundo vertido pela imprensa ou confirmado em plena rua que alcança múltiplos exageros ou brincadeiras, desde uma informação em maiúsculas "vi agora à venda umas carteiras para rapariga com as fotografias e os autógrafos dos Beatles" (carta de 1 de Outubro de 1964) ao gozo pela chacota invejosa noticiando a presença num concerto dos próprios Beatles no Monumental, descrevendo a suposta proximidade com os músicos, as suas qualidades e uma suspirada sessão de autógrafos donde saiu triunfante (carta de 24 de Julho de 1964). 

Estamos, assim e quase sem querer, a vaguear numa panorâmica sociocultural de uma Lisboa cinzenta mas onde a força da música saída de uma rádio próxima ou distante, em onda curta ou média, permitiu a alguns "passar a palavra" pela partilha de fitas gravadas a custo, pelo empréstimo circular dos vinis ou a arrojada promoção de concertos. Trata-se, afinal, de uma saborosa homenagem à amizade juvenil motivadora da descoberta, da aventura ou da coragem como sinónimo de lealdade e fraternidade. E pensar que, quase sempre, tudo começa numa canção, neste caso esta "Do You Want To Know a Secret" cantada, sem ainda o saber, por um tal George Harrison...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

(RE)VISTO #84






















THE BEATLES
EIGHT DAYS A WEEK - THE TOURING YEARS
de Ron Howard. UK/E.U.A., Apple Corps/Imagine Entertainment, 2016
TVCine Edition, Portugal, 25 de Dezembro de 2020
São talvez incontáveis os documentários realizados sobre os The Beatles quer de forma oficial quer jogando num risco desalinhado. Essa imensidão traduz um interesse eterno por um fenómeno que ultrapassa a música e se estende a abordagens complementares focadas na sociologia e história e que se abre muitas vezes a exageros, banalidades e até inutilidades. Não é o caso deste filme que, embora controlado na sua essência por McCartney, Ringo e as viúvas Ono e Harrison, acrescenta à enciclopédia dos de Liverpool algumas anotações e recensões curiosas e particularmente interessantes para o entendimento daquilo a que se convencionou chamar a Beatlemania.       

Sobre esse auge de popularidade obtido entre 1962 e 1966 em duzentos e cinquenta concertos nos cinco continentes, os próprios trataram na altura (1964) de começar a documentar através de "A Hard Day's Night", um guião fílmico de corrosiva troça ao próprio exagero traduzido no acompanhamento simulado mas verosímil do grupo por um enxame contínuo de aficionado(a)s ao longo das trinta e seis horas que antecipavam a participação numa suposta emissão televisiva. O resultado de êxito comercial assinalável, acaba em jeito de comédia por prestar homenagem involuntária ao evidente - o grito feminino... A pergunta de um jornalista "Porque gritam?" continua, até hoje, sem resposta ou explicação plausível embora seja esse agudo brado que, de princípio ao fim, percorre esta compilação de imagens dos Fab Four em cima de um estrado de estúdio de TV, um qualquer palco de um teatro ou, pela primeira vez, na cabeceira imensa de um estádio!

Das primeiras aparições no The Cavern de Liverpool ao último concerto em St. Louis, o ritmo da narrativa cronológica imposta pelo realizador acentua uma certeza - a de que a amizade e a união artística dos quatro músicos foram as argamassas insolúveis para aguentar tamanha pressão mediática e, simultaneamente, compor e registar canções para singles e álbuns meticulosamente preparados pela estratégia comercial de um Brian Epstein visionário e um George Martin protector. Não se fala em números, em valores de contratos ou sequer em como se gastou o dinheiro, mas quando a droga e os seus múltiplos efeitos brotaram sem culpados assumidos pelas praias das Bahamas ou nas montanhas da Áustria aquando da rodagem de "Help", o filme seguinte, a corda salvadora começou a desenrolar-se lentamente para dentro de um poço sufocante imposto pela avidez dos agentes ou a sofreguidão do restante negócio e que Lennon sem disfarces acabaria por confessar na canção com o mesmo título - "Help me if you can, i'm feeling down".

Os The Beatles mudavam, ganhavam medo e esmoreciam no gosto de tocar, e mal, ao vivo sem se ouvirem uns aos outros à custa da gritaria e da parca amplificação mas que uma digressão japonesa, mais silenciosa, acabaria por pôr a nu no seu vazio. Adiar o inadiável tornou-se então impossível. Abandonar os palcos e apostar nos estúdio como motivação única para se manterem unidos na tarefa imbatível de fazer canções, traduzida em seis obras primas em quatro anos, mostrou-se uma estratégia sábia e ganhadora de um período invejável de talento e arrojo que a história da música popular, qualquer uma delas, terá sempre de consagrar como dourada. Talvez por isso, sempre preferimos esta mania do Beatles em fazer obras primas à Beatlemania do "toca e foge" que este documento coloca definitivamente na prateleira. Quanto à primeira, aproxima-se mais uma boa dose de prazer curiosamente culminada em concerto... no telhado de um estúdio. Get Back!            


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

PAUL McCARTNEY, POM POM POM... PAIIIÁ!






















Não somos dos que fogem a sete pés quando ouvem Paul McCartney a cantar com um coro de sapos. É certo que serão centenas as vezes que ouvimos na altura o tema "We All Stand Together" na rádio e vimos o video na RTP sem mudar de emissora ou desligar o aparelho mas compreendemos que muitos de vós percam a paciência num instante... Temos o respectivo single lá para casa, o original da Parlaphone/Valentim de Carvalho de 1984 e até que gostávamos de lhe juntar um género de upgrade saído recentemente.

O ursinho Rupert fez cem anos (8 de Novembro de 1920) desde que apareceu nas páginas do inglês "Daily Express" numa criação da artista Mary Tourtel e, aproveitando a comemoração, foi relançada uma versão em picture disc recortado um pouquinho maior com a icónica imagem da dupla onde cabem as duas versões originais do tema produzida por Sir George Martin mais uns bónus, mas o goodie está já esgotado em território europeu, o que só confirma que não estamos sós neste guilty pleasure

Aproveitando o embalo, o referido video oficial foi remasterizado em resolução 4K, o trecho mais famoso da curta-metragem "Rupert and the Frog" dirigida por Geoff Dunbar para a qual McCartney compôs a célebre "canção do sapo" e que teve também direito ainda a uma inédita apresentação pelo coro juvenil LIPA4-19 no exterior do Auditório Paul McCartney do Liverpool Institute For Performing Arts. 
Pom, pom, pom... estamos juntos!



segunda-feira, 26 de outubro de 2020

PAUL McCARTNEY, FEITO NO ROCKDOWN!



















Passaram já cinquenta anos (1970) sobre "McCartney I", o primeiro álbum a solo de Paul McCartney, quarenta anos (1980) sobre "McCartney II", o segundo e, por isso, estava na hora do terceiro anunciado para o próximo dia 11 de Dezembro. Em nome próprio, contudo, McCartney editou já dezoito discos!

Escrito, tocado, cantado e produzido em regime solitário de "Rockdown", "McCartney III" é o resultado de seis semanas de baixa por doença no início do ano aquando de uma passagem ao vivo pelo Japão, oportunidade de descanso a que se juntou a chegada da pandemia e o consequente isolamento forçado. O amor e liberdade que polvilham as novas canções parecem sugerir uma semelhança com as temáticas expressadas na referida estreia a solo depois do término dos The Beatles mas onde se acrescenta uma maior dose de optimismo, o que, atendendo às circunstâncias, será sempre de elogiar...