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domingo, 18 de fevereiro de 2024

REVISÃO DE NOTÍCIAS LIDAS


 O jornalista Nuno Pacheco no Público de 1 de Fevereiro,  chama a atenção para o centenário do nascimento de SAM e que uma exposição  sobre a obra do autor está patente no Museu Bordalo Pinheiro em Lisboa que ficará patente até ao dia 19 de Maio, uma exposição com cartoons, colagens e desenhos originais, algumas esculturas e também quatro dos 45 Filmezinhos do Sam que este produziu para a RTP, interpretados pelo genial Mário Viegas.

A exposição tem o apelativo nome de «NÃO RIA. O HUMOR È UM ASSUNTO MUITO SÉRIO: 100 ANOS DE SAM».

«Se fosse vivo, teria a estatura de um século, 100 anos completados há poucas horas, na quarta-feira, o dobro da “idade” desse 25 de Abril quase cinquentenário que ao seu traço muito deve. De nome completo Samuel Azavey Torres de Carvalho, foi com três letras (Sam) que entrou no nosso imaginário como cartoonista, ele que foi engenheiro por formação e profissão e também criador noutras artes, do design à escultura. Num tempo em que o único Sam que ainda mexe de modo crítico com o nosso quotidiano é o rapper Sam the Kid, lembrar o traço crítico e certeiro do cartoonista Sam é, em simultâneo, celebrar a força do cartoon como uma das maiores expressões de liberdade no mundo de hoje. Sam tinha disso consciência e usou-o para retratar o que o rodeava, quer em ditadura quer em democracia, com elegância mas sem complacências.»

domingo, 26 de junho de 2022

OLHAR AS CAPAS



Homenagem ao Caracol e Outras Cerimónias

SAM
Capa:Vitorino Martins

Numar Edições, Lisboa 1981

Deveria ter uns 60 anos de idade. O rosto magro, desenhado com vigor, o olhar macio, o cabelo grisalho, descuidado. Levemente curvado, caminhava sem pressa dentro de um comprido casaco cinzento usado de muitos anos. Subiu a escadaria e entrou no amplo e luminoso «hall» cheio de gente. À sua frente espreguiçava-se um longo balcão onde se alinhavam os «guichets» numerados e os cotovelos das pessoas que esperavam a vez de serem atendidos. Dirigiu-se ao «guichet» mais próximo: - Para recomeçar a vida, se faz favor…?

- «Guichet» número um  - foi a resposta do funcionário.

Colocou-se na bicha e aguardou. Algum tempo depois, atingiu o balcão. Baixou o tronco e a cabeça e disse ao funcionário que, do outro lado, da legalidade, se prontificou para o ouvir: - Queria recomeçar a vida.

O homem estendeu-lhe alguns impressos e uma pequena brochura, enquanto, displicente, ia explicando com a voz arrastada:

- Terá de preencher estes impressos. Deve justificar os motivos. É essencial. Este papel é para as testemunhas. Só gente importante, claro. Sem testemunhas, nem vale a pena cá voltar. Será bom que reconheça os seus direitos e deveres. Está tudo neste livrinho. Quando voltar com isso preenchido dirige-se ao «guichet» número dois. Depois espera uma primeira decisão, que lhe será comunicada no prazo máximo de seis meses. Boa tarde.