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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

RECADOS

Nunca se vê um filme da mesma maneira, há sempre maneiras diferentes de o ver.

Hoje, na Cinemateca, provavelmente, seria a última oportunidade para eu ver o Johnny Guitar numa sala de cinema, onde todos os filmes têm de ser vistos!

Outros afazeres não me permitirão esse prazer.

Não impede que, abusando da vossa paciência, deixe por aqui algumas das coisas que já foram ditas sobre o filme.

JOHNNY GUITAR

de Nicholas Ray

com Joan Crawford, Sterling Hayden, Mercedes McCambridge, Scott Brady, Ward Bond

Estados Unidos, 1954 - 110 min

legendado em português | M/12

Um dos westerns maiores da história do cinema, de cores agressivas e imagens barrocas (as fabulosas cenas de Joan Crawford no interior do saloon, o cenário deste com os fantomáticos croupiers e a roleta a rodar). Um filme “onde os cowboys desmaiam e morrem com a graça das bailarinas” (Truffaut). E um “duelo” sem tréguas entre as fabulosas Vienna (Crawford) e Emma (McCambridge). “Rever as imagens do JOHNNY GUITAR é rever a recordação delas. Para quem o vê pela primeira vez, é ainda de rever que se trata. Porque todas as personagens não fazem outra coisa. […] JOHNNY GUITAR é um filme construído em flashback sobre uma imensa elipse? Ou é uma imensa elipse construída sobre um flash que não pode come back? Ou será que é tudo a mesma coisa?” (João Bénard da Costa). 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

RECADOS


No dia da morte de Armando Silva Carvalho, deixei o registo de que O Livro do Meio, romance epistolar escrito por Armando Silva Carvalho e Maria Velho da Costa, é um livro fascinante que – tenho essa ideia… - passou um tanto ao lado de críticos – ainda há crítica literária?!... – e leitores.

Aguardava vez para entrar em «Olhar as Capas» e fiz agora a publicação, com o lamento que só agora aconteça porque o Armando nos deixou.

Obviamente, a capa leva textos de cada um dos autores.


O livro junta memórias de infância, de outros tempos, uma cumplicidade de anos e anos de vivências e que, dado o calibre dos autores, nunca poderia sair fruta bichada.

Pelas 412 páginas do livro, passeia uma série de gente, alguns vivos, outros já mortos, ódios, amores, quotidianos, tristezas, alegrias, leituras e notícias do quotidiano, histórias de escárnio e maldizer, amigos e inimigos, perdas e danos, um humor mordaz, venenoso q.b, mas inteligente.

Claro que o livro retém episódios e gentes que escapam ao leitor comum, que são vivências próprias dos autores, «afectos flutuantes», como algures deixa cair Maria Velho da Costa, a mesma Maria que deixa assinalada uma frase de Agustina Bessa Luís: «a amizade é confortável como uma almofada de penas», ou Armando Silva Carvalho que a páginas 322 cita um verso de Jorge de Sena: «sempre me soube a destino a minha vida».

Repito: um livro imperdivel, editado pela Caminho no tempo em que ainda não tinha sido devorada pela Leya.

Pode ser que ainda o encontrem na Feira do Livro, que fecha portas no domingo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

RECADOS


Diário de Lisboa, 9 de Maio de 1974.

domingo, 23 de abril de 2017

RECADOS


AO PROFESSOR S. R. K. GLANVILLE

Caro Stephen:

Foi você quem primeiro me sugeriu a ideia de uma história de detectives passada no antigo Egipto, e se não fosse a sua ajuda activa e o seu encorajamento este livro nunca teria sido escrito.
Quero testemunhar-lhe quanto apreciei toda a interessante literatura que me emprestou, assim como agradecer-lhe a paciência com que respondeu às minhas perguntas, o tempo que perdeu e os incómodos a que se sujeitou. O prazer e o interesse que experimentei ao escrever este livro já você conhece.
Sua amiga grata e afeiçoada.

AGATHA CHRISTIE

Dedicatória de Morrer Não é o Fim.

terça-feira, 18 de abril de 2017

RECADOS


Sou um leitor compulsivo.

Não preciso de grandes sinais para comprar um livro: pela capa, pelos começos, pelos finais, por tudo e mais alguma coisa.

Lembro-me que comprei Viver com os Outros da Isabel da Nóbrega pela leitura da parte final do discurso que Mário Dionísio proferiu no jantar da atribuição do Prémio Camilo Castelo Branco de 1964.

No meio de imensa papelada, fui dar com esse pedaço de recorte.

Comovi-me.

Já agora: numa carta, datada de 20 de Março de 1966, José Saramago escreve, a José Rodrigues Miguéis sobre esse jantar: 

Neste  triste país, o sage é o homem calado que não quer conhecer ninguém nem quer que o conheçam. Há dias fui ao jantar da entrega do Prémio Camilo À Isabel da Nóbrega: é de morrer. Tanta impostura, tanta falsidade, tanto esforço para parecer mais inteligente que o vizinho, e sobretudo mais célebre. E tudo isto sob a capa de modéstia jesuítica, uma capa cheia de buracos de orgulho e inveja. E esta gente é a nata, e esta gente conduz, orienta, dá entrevistas, pontifica, tem opiniões acerca de tudo e de coisa nenhuma. E todos, seja qual for a cor da epiderme, têm um lema: «Hors l'église (notre église) pas de salut!» E com medo de não nos salvarmos, lá vamos para a sombra do campanário do vizinho, não vá acontecer que a salvação não esteja afinal onde a supúnhamos. Há excepções, claro, há gente digna, sem dúvida, mas a balbúrdia não deixa que as suas vozes se oiçam, e quando, através da confusão, do burburinho, se ouve uma voz honesta, responsável,logo a irmandade se faz, logo os campanários afinam os rebates - e enquanto o intruso não se cala, justos céus, é ver quem mais bate.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

RECADOS



Contra capa de A Nau De Quixibá de Alexandre Pinheiro Torres.

Legenda: pormenor da capa de A Nau de Quixibá da autoria de Luiz Duran,

domingo, 2 de abril de 2017

RECADOS


Contra capa de Os Armários Vazios de Maria Judite de Carvalho.

domingo, 12 de março de 2017

RECADOS


O ano de 2017, assinala o centenário do nascimento de Carson McCullers, 19 de Fevereiro de 1917, bem como o cinquentenário da sua morte, 29 de Setembro de 1917.

Cumprindo as efemérides, a editora Relógio d’Água, publicou O Coração é um Caçador Solitário, numa tradução de  Diogo Vaz Pinto, seguindo-se A Balada do Café Triste, Relógio Sem Ponteiros, Reflexos nuns Olhos de Ouro e Frankie e o Casamento.

As “vidas invisíveis” que se revelam em páginas de uma prosa que parece tocar o silêncio segundo as flutuações de um blues. O ambiente do sul dos Estados Unidos, onde Lula Carson Smith nasceu há cem anos - 19 de fevereiro de 1917 - e cresceu, morrendo meio século depois sem nunca ter despido o vestido de menina. Nos seus livros vive toda aquela infância presa entre acordes de desolação, e uma adolescência tremida, partilhada com essas personagens que atravessam a juventude povoando cantos sombrios, numa timidez bravia. Um catálogo de inadaptados: figuras que carregam alguma deformidade, física ou íntima, algum estigma social, os seres errantes, as vidas presas por um fio.
E há os sonhos vigiados de perto pela vergonha, as contradições próprias das zonas mais agrestes desses territórios beirando o fim do mundo. O isolamento e com ele a suspeita de tudo, as comunidades como meios de clausura e castigo moral, a intolerância racial, a subjugação das mulheres aos maridos com existências sumidas em fundo doméstico, tudo isso comparece nos seus contos e romances. A sua é uma literatura da defesa dos espíritos desfeitos pelo embate num mundo que preza a forma do quadrado em que as suas dimensões se encerram.


No catálogo da editora existe já uma selecção de contos de Carson McCullers traduzidos por Ana Teresa Pereira.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

RECADOS

Fernando Assis Pacheco em «Prontuário das Letras», habitual coluna que assinava no Suplemento Literário do «República» faz, aquando da publicação de «Quatro Paredes Nuas» uma curiosa abordagem, à prosa de Augusto Abelaira.
«República» 23 de Novembro de 1972.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

RECADOS


Scott Fitzgerald ainda viveu quatro anos depois de escrever A Fenda Aberta.
Esteve em Hollywood a fazer argumentos para o cinema (nunca filmados como os imaginou); mandou histórias curtas a jornais (todas incluíveis entre o mai banal da sua produção); iniciou The Last Tycoon, romance (que não teve fôlego para cabar; apaixonou-se por Sheilah Graham – perdi a faculdade de esperar nestes caminhos que levam aos asilos da Zelda, deixou escrito num caderno de notas – (versão pobre e oxigenada das elegâncias das suas heroínas); e em 21 de Dezembro de 1940 sofreu um ataque cardíaco (a que o seu corpo minado pelo álcool não soube resistir).
Foi poupado, no entanto, à morte de Zelda. Morte de oito anos mais tarde – ela doida, de não haver nada a fazer-lhe – sufocada e consumida por chamas num incêndio do manicómio que a internava.
Numa carta, Hemingway tinha-lhe certo dia dado um conselho difícil: esquece, esquece lá a tragédia pessoal… Não és personagem de tragédia. Nem eu. Não passamos, ambos, de escritores…

Aníbal Fernandes, posfácio em A Fenda Aberta.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

RECADOS


«Hoje na Sábado escrevo sobre Crónicas, de Bob Dylan (n. 1941), autor que corrobora o que a Antiguidade Clássica nos ensinou: todo o poeta é um cantor. Só um profundo desconhecimento do que é a poesia justifica a celeuma gerada em torno da atribuição do Prémio Nobel da Literatura. Afinal, a poesia começou por ser cantada. Crónicas, agora reeditado, é o primeiro volume das memórias do homem que deveio porta-voz de uma geração. Começa com a chegada a Nova Iorque em 1961: «O que quer que eu andasse a fazer estava a dar resultado, e eu tencionava continuar assim. Sentia que estava a chegar a algum lado.» Numa prosa escorreita, Dylan descreve peripécias da sua vida pessoal, o quotidiano de Manhattan, em especial o milieu do Village, encontros com artistas e poetas, detalhes relacionados com a música que escreveu, política americana, o activismo de Joan Baez, retratos de terceiros, provocações dos media, como quando a revista Esquire publicou «um monstro de quatro caras» — a sua, misturada com as de Malcolm X, Fidel e Kennedy.» [Eduardo Pitta, no blogue Da Literatura, a propósito de crítica a Crónicas, de Bob Dylan, na revista Sábado, 15-12-2016]

De Bob Dylan, a Relógio D’Água publicou também Canções, volumes 1 e 2, e Tarântula.

Tirado do site da Relógio d’Água

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

RECADOS


Na revista Ler nº 38 Primavera/Verão 1997 abordava meio século do movimento do surrealismo em Portugal, mais concretamente em Lisboa.

«Foi uma explosão de Liberdade. Isso não é coisa que se esqueça, irmãos! E eles, digo: o Cesariny, o Lisboa, o Seixas, o António Domingues, noutra banda o António Pedro, o França, o O’Neill, Moniz Pereira, tinham que lutar em duas frentes: a do regime e seus acólitos (pide, fachos) e a dos neo-relaistões e seus próceres, já lançados na correria para o sucesso e as coroas, as massinhas.»

Mas, neste artigo, Luiz Pacheco fala particularmente do Mário-Henrique Leiria:

«Não referi atrás um nome principal: Mário-Henrique Leiria. Propositadamente, deixei-o esquecido. Mas a fingir. O Mário morreu em 1980. Não sei quem, nem como, nem para quê, teceram-lhe uma legenda de morte na miséria, no abandono. Não dei por tal. Da última vez que o visitei na Vivenda Xavier, em Carcavelos, estava doente, acamado. Mas dotado do humor mordaz que sempre lhe conheci. Rimo-nos muito, como de costume. Não viveria no luxo, tão-pouco caíra no lixo. Diminuído no físico, alerta e destro no espírito. E com obra feita e com obra por publicar. O Mário-Henrique Leiria, em matéria escrita, é o único surreal que resistiu e ganhou público. As várias, sucessivas edições dos seus livros na editorial estampa, os Contos do Gin-Tonic e os Novos Contos do Gin, será a melhor prova de que ele atingiu uma massa de leitores muito mais novos, aos quais o Surreal e surrealismo lisboeta ou estranja, é mera etiqueta a desprezar. Mas não já o feroz humor, o total non-sense das historinhas que o Mário foi colhendo numa vivência de trota-mundos e Aventura sem igual nos companheiros de 1947. E uma turbulência revolucionária – quem, agora, o poderá capazmente recordar? Viajou, lutou, terá andado metido em múltiplas causas perdidas, pois tal era o seu feitio e o seu destino. Há dois livros dele que prefiro e, até, pensei em reeditar. São obras únicas: Conto de Natal e Lisboa ao Voo do PássaroOra, por mão do Artur Manuel do Cruzeiro Seixas recebi há pouco uma edição espanhola, bilingue, e lindíssima, do poema Claridade Dada pelo Tempo. A ser editada como convinha, era mister, o Leiria e nós merecíamos, custava uma fortuna. Mesmo assim, é livro a ler, a ter no recanto dos reservados preciosos. O Mário-Henrique, com uma personalidade vincada e nada disposto a grupelhos e mentores, em 1947 e nos anos seguintes, ficou Bastante isolado. Que se fale nele, portanto. E noutro morto, também votado ao silêncio: o suicida João Rodrigues que tem, segundo suponho, por aí família e ninguém lhe liga nenhuma.»

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

RECADOS


Para além da restante e variada obra de António Gedeão, é muito importante conhecer as Memórias do professor e cientista Rómulo de Carvalho, do poeta António Gedeão, um livro a todos os títulos notável que, volta e meia, visito e onde, folheando ao acaso, me perco e me delicio numa escrita cheia de graça, num português modelar.

Interessante também, por um conhecimento único, o livro Rómulo de Carvalho/António Gedeão, Príncipe Perfeito, escrito pela sua filha Cristina Carvalho.

Um livro simples, quero ser muito simples, repleto de amor e admiração:

Não é, pois uma biografia exaustiva, repleta de datas e acontecimentos que tornariam, seguindo a minha intenção, a escrita dura e a informação espessa. Este livro não pretende ser objecto de estudo mas sim um espreitar documentado, embora simples, da sua longa vida. Refiro aqui alguns trechos mais significantes enquanto homem de ciência, professor e poeta. Fases de uma vida intensa. Intervalos da existência de alguém que muito amei.
Quero ser simples, quero ser muito simples. Gostaria que todos compreendessem que acredito totalmente no poder das palavras e nos seus arranjos finais, esses tais que formam as frases. Nada de rebuscado, poucas sentenças e o que mais me nascer do espírito e o que mais me vier ao pensamento. Acredito no fervilhar das emoções que podem ser traduzidas em páginas e páginas de leitura. Acredito na simplicidade da transmissão do meu pensamento que, desejo, vá ao encontro de todos. Afasto a sofisticação palavrosa que não deixa nem ler nem compreender o que se leu.

Por estes dias, e outros, irei deixando, aqui, pequenos extractos que possibilitem um outro conhecimento sobre este português notável.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

RECADOS


Carson McCullers não produz em ritmo acelerado. Não se sente coagida pela ideia popular e ridícula de que um grande romancista tem de escrever anualmente um livro. Cinco anos decorreram entre o seu segundo romance e o terceiro. Consta-me que está a compor outro. Não há notícia literária mais grata do que esta para quem, como eu, encontra nos seus livros intensidade e nobreza de espírito como não possuíamos desde Herman Melville. Entretanto, pode a escritora convencer-se de que a sua obra já realizada não se eclipsará com o tempo, antes irradicará cada vez com mais fulgor.

Tennessee Williams no prefácio a Reflexos Nuns Olhos de Oiro

terça-feira, 8 de novembro de 2016

RECADOS


Este Três Vezes Deus, se a alguma família espiritual se liga, é à do inconformado Job, que de solidão em solidão enfrenta o Inominável, e à de Jacob quando, na travessia de uma nocturna fronteira, é ferido em luta mortal com o Anjo ou à de Cristo que, no silêncio insuportável do horto, sua o sangue de abandono de que não estão isentos os filhos de Deus.

José Tolentino Mendonça no prefácio a Três Vezes Deus

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

RECADOS


A crítica de cinema é sempre maçadora e repetitivamente sobre os filmes, nunca sobre ir ao cinema. Ora, as cadeiras do Londres são o que me faz sair de casa para ir ao cinema. Que eu me recorde, Luís Miguel Oliveira nunca escreveu sobre as cadeiras do Londres. As cadeiras do Londres são a razão pela qual, não fosse o estúpido do KingKard, iria ao cinema sempre ao Londres, independentemente do filme. Sim, a qualquer filme, a todos os filmes. Acho que não ir ao cinema só porque não está em cartaz nenhum filme de jeito é uma estupidez. João Lopes, que uma gloriosa vez deu, acertadamente, cinco estrelas ao «In bed with Madonna», nunca abordou a temática do frio no Quarteto. O som do Quarteto justifica volumes. O Quarteto, em si, justifica um acordo com a Médis. António Cabrita nunca falou das pipocas que mais gosta. O cinema não é para comer pipocas, nem para beber refrigerantes. Se é para isso, se é para estar à vontade, então, como uma vez disse o Esteves Cardoso, que se possa fumar e beber um uísque. Cerveja, não. Por que razão Augusto M. Seabra não faz recensão de trailers? Senhores críticos, digam coisas sobre o que sentiram ao ver o filme. Falem-nos por metáforas. Digam-me que um filme vos fez sentir como quando, no final da sessão, se saía do Condes para o lado, para a rua, através das portas abertas de par em par, para a luz da rua, que eu dispenso as estrelas e o google.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

RECADOS


O Recado hoje, aponta para o livro de George Simenon, O Homem Que Via Passar os Comboios.

Se o encontrarem por aí, não fiquem a ver passar os comboios.

Quem o diz é Maria do Rosário Pedreira no Horas Extraordinárias.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

RECADOS


Da nota introdutória de Vitor Silva Tavares, também tradutor e editor de Esboço Para Um Retrato do Verdadeiro Libertino de Roger Vailland:

Aqui temos, brevemente enunciado, todo o percurso da obra que ora se apresenta ao leitor português – obra  exemplarmente reveladora da exactidão mental e formal de um dos mais legítimos herdeiros dos grandes libertinos do séc. XVIII, tanto pela audaciosa “austeridade” das relações amorosas como pelo empenhamento político vincadamente progressista.

domingo, 18 de setembro de 2016

RECADOS

Quando Keble desceu do pódio e, antes de voltar para o seu lugar, passou a apertar a mão a cada um dos filhos de Coleman, esse simples gesto só serviu para intensificar a emoção quase violenta ateada pelo seu discurso. Que iria acontecer a seguir? Durante um momento, foi como se não houvesse nada além do silêncio, do caixão e da embriaguez emocional da multidão. Depois Lisa levantou-se, subiu os poucos degraus e disse, da estante do couro:
- O último movimento da Terceira Sinfonia de Mahler.
E pronto. Valeu tudo. Tocaram Mahler em toda a sua imponência.
Bem, há ocasiões em que não podemos ouvir Mahler. Quando ele nos agarra para sacudir, não pára. No fim, estávamos todos a chorar.

Philip Roth em A Mancha Humana