Mostrar mensagens com a etiqueta Graham Greene Livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Graham Greene Livros. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

OLHAR AS CAPAS


Monsenhor Quixote

Graham Greene

Tradução: Maria Georgina Segurado

Capa: Manuel Dias

Círculo de Leitores, Lisboa, Setembro de 1984

- Não gosto nada de Roma. Não se vê mais nada nas ruas senão peúgas cor de púrpura.

- Roma tem um presidente comunista, Sancho.

- Não gosto mais dos eurocomunistas que o senhor de um protestante. O que se passa, padre? Está preocupado com alguma coisa?

- O primeiro vodka deu-me um sonho e o outro vodka o levou.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

OLHAR AS CAPAS


Os Comediantes 

Graham Greene

Tradução: Bertha Mendes

Capa: Aguinaldo A. Maria 

Volecção: Biblioteca Universal Unibolso   nº 110

Editores Associados, Lisboa s/d

- Como está o Luís?
 - Na mesma - respondeu ela. - Sempre na mesma.
 Contudo, eu pensava que ela já o amara. Este é um dos espinhos do amor ilícito: as mais voluptuosas provas de amor da nossa amante são o testemunho de que o amor não é durável.

Contudo, eu pensava que ela já o amara. Este é um dos espinhos do amor ilícito: as mais voluptuosas provas de amor da nossa amante são testemunho de que o amor não é durável. Vi Luís pela segunda vez num cocktail da embaixada, quando eu estava no meio de trinta outros convidados. Parecia-me que o embaixador – aquele homem forte, quase com cinquenta anos, cujo cabelo luzia como uns sapatos bem engraxados – não reparasse quantas vezes os nossos olhos se cruzavam por entre os convidados, como disfarçadamente ela me tocava com a mão sempre que passava por mim. Mas Luís mantinha o seu aspecto de distinta superioridade: era a sua embaixada, era a sua mulher e eram os seus convidados. As carteiras de fósforos tinham as suas iniciais, que se repetiam nas cintas dos charutos.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

OLHAR AS CAPAS


O Agente Secreto

Graham Greene

Tradução: Carlos Malta

Capa: Júlio Pedro

Editorial Notícias, Lisboa s/d

O sr. K. tinha perdido toda a combatividade. Saiu do táxi sem boquejar e desceu as escadas da cave. Na saleta, D. acendeu a luz e pôs a funcionar o aquecimento a gás. Debruçado sobre o radiador, com um fósforo na mão, perguntou-se se iria de facto cometer um assassínio. Fosse quem fosse a tal Glover, não tinha sorte – a casa de uma pessoa tem uma espécie de inocência. Quando, numa explosão, rui a fachada de uma casa e deixa ver a cama de ferro, as cadeiras, os maus quadros no seu ambiente, o penico, temos a impressão de uma violação: entrar clandestinamente numa casa desconhecida é como um acto brutal de posse sexual. Mas que fazer? Temos de empregar os métodos do inimigo. Lançam-se as mesmas bombas e bombardeiam-se as mesmas existências. Voltou-se para K. com súbito furor:

- A culpa do que lhe acontece é sua. 

terça-feira, 23 de março de 2021

OLHAR AS CAPAS


O Cônsul Honorário

Graham Greene

Tradução: Maria Ondina Braga

Capa: José Cândido

Livraria Bertrand, Lisboa, Outubro de 1973

O doutor Plarr, criado pelo pai com os livros de Dickens e de Conan Doyle, achava os romances do doutor Jorge Julio Saavedra difíceis de ler, mas considerava o esforço como parte das suas obrigações de médico. Dentro de alguns dias teria um dos seus usuais jantares com o doutor Saavedra no Hotel Nacional e devia aprontar-se para fazer qualquer comentário sobre o livro que ele lhe tinha tão calorosamente dedicado: «Ao meu amigo e conselheiro doutor Plarr, este meu primeiro livro para lhe mostrar que nem sempre fui um romancista político, e para revelar, como só se pode fazer a um amigo íntimo, o primeiro fruto da minha inspiração.» O doutor Saavedra, na realidade, não era nada taciturno, mas o doutor Plarr suspeitava de que ele se considerava um Moreno manqué Talvez fosse significativo o facto de ter dado a Moreno um dos seus nomes de baptismo…

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

OLHAR AS CAPAS


O Ministério do Medo

Graham Greene

Tradução: Maria Lucília Rebocho Filipe

Capa: Antunes

Círculo de Leitores, Lisboa, Novembro de 1985 

Quando uma pessoa apaga uma marca de lápis, deve ter o cuidado de verificar se a linha desapareceu. Porque se um segredo é para guardar, nenhum cuidado é de mais. Se o doutor Forester não tivesse apagado tão mal os traços de lápis, nas margens da obra de Tolstoi, o senhor Rennit nunca teria sabido o que acontecera a Jones, Johns teria permanecido o adorador de heróis e era possível que o major Stone tivesse definhado lentamente para maiores profundidades da loucura, entre as paredes almofadadas do seu quarto, na zona dos doentes. E Digby? Digby teria permanecido Digby.

Porque foram as marcas de lápis, apagado, que mantiveram Digby acordado, a pensar, ao fim de um dia de solidão e aborrecimento. Não se podia respeitar um homem que não se atrevia a sustentar as suas opiniões abertamente e quando o respeito pelo doutor Forester desapareceu, muita coisa desapareceu com ele. O nobre rosto tornou-se menos convincente. Até as suas qualificações se tornaram questionáveis. Que direito tinha ele de proibir os jornais… acima de tudo, que direito tinha de proibir as visitas de Anna Hilfe?

domingo, 21 de outubro de 2018

OLHAR AS CAPAS


O Fim da Aventura

Graham Greene
Tradução e Prefácio: Jorge de Sena
Capa: João Machado
Colecção Letras do Mundo
Edições Asa, Porto, Fevereiro de 1995

Escrevi ao princípio que era isto um memorial de ódio; e, caminhando ali ao lado de Henry, em direcção ao copo de cerveja da tarde, descobri a única oração que parecia contentar a tristeza do Inverno: Ó meu Deus, já fizeste bastante, já me roubaste bastante, sinto-me por demais cansado e velho para aprender a amar, deixa-me em paz para sempre.

domingo, 3 de novembro de 2013

OLHAR AS CAPAS


O Americano Tranquilo

Graham Greene
Tradução: P.J. de Morais
Colecção Clássicos do Romance Contemporâneo nº 55
Editora Ulisseia, Lisboa Novembro de 1986

- Está disposto a fazer-nos isto, senhor Fowler?
- Não sei. Não sei.
- Mais tarde ou mais cedo – disse Heng, e eu lembrei-me do capitão Trouin na casa de ópio – seremos forçados a tomar partido. Isto é, se pretendemos continuar a pertencer à raça humana.