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terça-feira, 18 de março de 2025

OLHAR AS CAPAS


O Jogador

Dostoievski

Versão portuguesa de Armando Luiz

Colecção Livros RTP nº 3

Editorial Verbo, Lisboa s/d

Passaram dois dias sobre aquela tarde tão estúpida, Quantos gritos, ruído, vozes e surpresas! Que desordem, que estupidez e vilania! E o culpado de tudo era eu! O que por vezes dá vontade de rir, a mim pelo menos. Não consigo compreender o que se passa comigo, se efectivamente me encontro num estado de alheamento ou, se, simplesmente, perdi a cabeça e provoco escândalos – isto, enquanto não for interditado. Às vezes parece-me que estou a ficar louco. Outras vezes, no entanto, convenço-me estar de regresso à infância, aos bancos da escola, e o que faço serem apenas grosserias de colegial.

Polina é que tem a culpa de tudo! Se não fosse ela, não tereia surgido em mim esse espírito de colegial. Quem sabe, talvez isto tudo se deva ao desespero (por mais estúpido que pareça). E não compreendo, não consigo compreender o que haverá de bom nela! Formosa, claro que é. Creio até que é sedutora. Porque também enlouquece outros além de mim.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Humilhados e Ofendidos

Fédor Dostoievski

Tradução: Maria Franco

Capa: Luiz Duran

Colecção Unibolso nº 65

Editores Associados, Lisboa s/d

O ano passado, a 22 de Março, à noite, aconteceu-me uma das mais estranhas aventuras da minha vida. Durante todo o dia eu percorrera a cidade em busca de alojamento. O antigo era muito húmido e nessa é poca já me queixava de uma tosse rebelde. Quisera mudar no começo de Outono, e já estávamos na Primavera! Por muito afã que fosse o desse dia, foi-me impossível descobrir qualquer coisa aceitável. 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

OLHAR AS CAPAS


Recordações da Casa dos Mortos

Fédor Dostoievski

Tradução: Fernanda Pinto Rodrigues

Colecção Livros de Bolso Europa-América nº 39

Publicações Europa-América, Lisboa, Setembro de 1972

Abril já começou e a Semana Santa aproxima-se. Pouco a pouco, iniciam-se os trabalhos de Verão. O sol torna-se cada dia mais quente, mais luminosos, e o ar cheira a Primavera e perturba os nervos. A chega do bom tempo influência até os homens agrilhoados, desperta neles desejos e ardores, uma tristeza nostálgica. Pensa-se mais ardentemente na liberdade quando o sol brilha do que durante as borrascas do Inverno ou os dias chuvosos do Outono. É facto comprovado entre os reclusos: um dia bonito e claro alegra-os, mas torna-os também mais propensos à impaciência e à irritação.