quinta-feira, 6 de novembro de 2025
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
AH! SIM, O NEGÓCIOZINHO...
Quiosque na Alameda.
Em outros
dias, os preços escarrapachados não são os praticados.
Mas
estamos na semana da Jornada da Juventude.
Vá de
enfiar mais umas moedas no bolso.
Na baixa
de Lisboa os restaurantes não aderiram ao Menú do Peregrino, apenas alguns
pequenos restaurantes nos bairros populares o praticaram.
Aparentemente
ninguém explicou a esta gananciosa raça de pseudos empresários da restauração
que a malta da Jornada era jovens que não vinham à procura de lagosta ou bifes
à Marrare.
Serão
sempre uns reles e oportunistas chicos-espertos.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
CAIS DO SODRÉ 77
Para completar as “Memórias” de ontem, ficam aqui três fotografias.
A da“Livraria Anglo-Americana”, hoje está lá a “Caneças”, boutique do pão, uma fotografia do “British Bar” e outra do “English-Bar”.
Foram tiradas no mesmo dia cinzento, provavelmente no ano de 1977, mas nunca depois desse ano.
Quando José Cardoso Pires desenha para a “Expo 98” o seu “Lisboa
Livro de Bordo”, já o “English-Bar” não existia.
Transformara-se na cervejaria que ainda hoje lá está. Daí que, no que ao Cais
do Sodré diz respeito, Cardoso Pires apenas referir o “British-Bar” e
o “Bar Americano” que ainda por lá se encontra mas não é nada do
que era e que de bar só ficou o nome. Situa-se em frente à “Caneças”.
Esta fotografia do “British-Bar” é de
antes da remodelação que se verificou após as filmagens de A Cidade Branca de
Allain Tanner.
Ponto de encontro, a qualquer hora do dia e da noite, de trabalhadores de
agentes de navegação e agentes transitários, “ship-chandlers”, um
pouco de tudo que à navegação, naquele tempo, dizia respeito.
O antigo dono levou o papagaio (ou arara?), bem como o relógio com os ponteiros
a andarem em sentido contrário, relógio que aparece no filme A Cidade
Branca.
O problema do relógio, o Silva resolveu: mandou vir um outro de Copenhague.
Papagaio (ou arara?) nunca mais houve.
José Cardoso Pires no seu "Livro de Bordo":
“No British Bar os anos passam, as gerações mudam, vêm literatos, vêm
contrabandistas, vêm estivadores à mistura com meninas de civilização, mas o
espírito e a cor local mantêm-se inconfundíveis. Tem um sabor a cais sem água à
vista, este lugar.”
O “English-Bar” era uma sala espaçosa
com maples de couro, como nos velhos clubes ingleses, um ambiente mais calmo,
mais respeitável que o do “British”.
Para simplificar, dizer que era ali que parava o patronato das agências de
navegação.
Também tinha balcão e no bengaleiro estava pendurada uma bolsa com tacos de
golfe.
Texto publicado em 5 de Junho de 2010.
CAIS DO SODRÉ 79
O "Bar Americano" era
diferente do “British” e do “English”.
Uma sala pequena, um balcão de madeira, também paredes de madeira. Um bar de
silêncios.
Como todos os bares do Cais do Sodré, a clientela era constituída por
trabalhadores de agências de navegação e similares.
Uma conclusão simples: dos três bares o “British” era o bar
popular, o bar de toda a gente.
E para que o retrato fique um pouco mais composto, voltamos ao “Livro
de Bordo” do José Cardoso Pires, ele que um dia disse que um “barman” é
um comandante do prazer:
Não há dúvida, os bares são realmente navegações pessoalíssimas. Do outro
lado da rua tenho “O Americano” que, como figura de proa, não ostenta um
relógio de intrigar mas um possante urogalo embalsamado num altar de parde. Em
tempos foi um balcão de suevos, daneses e britânicos, funcionários, todos eles,
das agências de navegação do Cais do Sodré, e aqui, hoje que o dia está de
feição, torno a tropeçar noutro poeta: Pessoa. O Pessoa, sempre o Pessoa, o
Pessoa, nosso fadário. Também ele, nos gloriosos anos trinta, frquentava “O Americano”
às horas litúrgicas dos “morning drinkers”. Navegações é o que eu digo. Nos
bares do Cais do Sodré ninguém está livre de apanhar com uma porta à deriva
pela proa.
Hoje “O Americano” perdeu lastro, balança à tona dum passado de bebedores em inglês, reflectidos no “gin-tonic” ou no “sling”. Está quase em seco, como se vê, sem esses navegantes de balcão; e a emoldurar a sua solitude exibe calendários de “shi-chandlers” com navios de grande curso a fumegarem nas paredes.
José Cardoso Pires sentado a uma mesa do "Bar Americano". Desconheço a data da fotografia, que foi retirada de um número da revista "Ler" editada pelo "Círculo de Leitores."
Texto publicado em 4 de Junho de 2010.
AH! SIM, AS LOJAS COM HISTÓRIA...
Tive sempre o pressentimento de que as Lojas com História era apenas uma ideia, talvez se possa dizer uma ideia interessante. mas apenas isso ou histórias para camelos como diria o Fernando Assis Pacheco
Quando chegasse a
especulação do imobiliário, adeus lojas, adeus história, adeus ideias
interessantes, adeus Lisboa.
Chegou agora a vez do
Bar Americano, ali ao Cais do Sodré.
Do site das Lojas com História, retiro este paleio:
O Bar Americano é um dos três bares de influência anglo-saxônica da região -
entre Corpo Santo e Cais do Sodré. Cardoso Pires, frequentador destes bares,
escreveu numa crónica intitulada De bar em bar.»
Foi aí que ouvi que,
em conversa pacata e feliz, a descrição do que é um barman: «o que ouve é como não tivesse ouvido, o que
vê é como não tivesse visto.»
Naquele enorme
quarteirão nascerá mais um Hotel.
Deixo-vos a seguir umas
memórias de tempos que já foram, notáveis tempos.
Estamos a tentar
sairmos vivos, mas o galho está difícil!
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
CHÁ NUM ABRIL CHUVOSO
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
OLHARES
quarta-feira, 23 de agosto de 2017
OLHARES
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
OLHARES
O Abelaira telefonou-me, alarmado, a dar-me a notícia fantástica.
"Não estamos em Itália, não há grappa alla ruta, não há comoções nocturnas da Zé, não há nada. Nem sequer o direito ao vómito. Não há nada, mas ainda há vida. Ainda estrebucho, minha senhora. Ainda digo merda e embarco no tudo ou nada do amor. Ainda me jogo inteiro no real e no possível, no confronto entre o que sou e o que podia ser. Ainda simpatizo (ao longe é certo) com as lutas históricas do proletariado de todo o Mundo.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
OLHARES
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...
Ao fim de 61 anos o Restaurante Palmeira, na Rua do Crucifixo, fechou portas na antevéspera de Natal.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
OLHARES
terça-feira, 15 de setembro de 2015
FADO PARA SUECOS
Na minha rua existe a Drogaria do Sr. Carvalho.
Mas vende tudo, tudo mesmo.
O Sr. Carvalho e a mulher a Elisa, são gente de uma simpatia desarmante. Têm de tudo, mas se não tiverem tratam de arranjar: «Passe por cá amanhã!».
Tenho um gosto especial em ir lá, mesmo que não tenha nada para comprar.
Dizer bom-dia, encontrar gente que só ali encontro. Saber da saúde de vizinhos de rua, gente que, de repente, deixámos de ver e receamos o pior.
À porta da loja o Sr. Carvalho tem uma pequena estante com livros, DVDs, cassettes de video, coisas várias.
Coisas que os clientes lhe dão e o Sr. Carvalho disponibiliza.
Cada um paga o que entender e fica a saber que esse dinheiro o Sr. Carvalho destina-o a quem dele necessita.
Foi lá que encontrei esta verdadeira enciclopédia do Fado.
Pena estar escrita em sueco.
Mas como gosto de Fado não resisti a trazer.
Não percebo mas, para mim, o livro vale pelas fotografias.
Perece-me algo de bem interessante e dá para perceber que além do Fado o autor aborda também Adriano Correia de Oliveira.
Será que existe uma tradução deste livro?
Por mera curiosidade irei deixar algumas das fotografias do livro.
domingo, 13 de setembro de 2015
OLHARES
sábado, 1 de agosto de 2015
TRANSUBSTÂNCIAS
quarta-feira, 15 de abril de 2015
CERVEJARIA DA TRINDADE
Por uns santos trinitários
depois maçons libertários
fizeram da noite o dia
de amarelo-sulfamidas
avança com grandes dentes
e propósitos suicidas
de gasolina barata
pneumático e arrabenta
um alfarrabista escapa
água terra fogo e ar
e velhos jornais cinzentos
começam a navegar
e um barril a estibordo
com cotão nas entretelas
grandes histórias a bordo
dez reputações se fazem
É o espírito em cuecas
que os terramotos arrasem
benedictino e ogival.
Desgraças, sabiás e fado:
cervejas de Portugal
terça-feira, 21 de outubro de 2014
É PERMITIDO AFIXAR ANÚNCIOS
segunda-feira, 12 de maio de 2014
COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...
quinta-feira, 6 de março de 2014
COISAS EXTINTAS OU EM VIAS DE...
Cada vez se vêem menos as lojas em que se tiravam aquelas fotografias género artista de cinema, também as fotografias dos filho-quando-bebés-em-pelota, ou os miúdos mascarados em tempo de Carnaval.
As novas tecnologias têm liquidado todos esses pequenos negócios.
Este fotógrafo ainda tem portas abertas na Avenida Mouzinho de Albuquerque e com a curiosidade de ao lado da montra ter a mensagem Viva o Amor.