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17 outubro 2012

para sempre

São poucas, mas há pessoas que são para sempre, no matter what.
No meu caso, são pelo menos duas.
Hoje, falei com uma delas, já não lhe ouvia a voz nem via a cara há semanas.
Sem que no momento me desse para pensar nestas coisas, sei que senti algo especial, particular, que muito dificilmente se descreve e mais dificilmente ainda se explica. Por isso, nem vale a pena tentar explicar, basta sentir e guardar cá dentro o momento e essa realidade, com a certeza de que vai ser para sempre, vai ser sempre no matter what.
Sentido e guardado o momento de hoje, não consegui deixar de o relacionar e comparar com outros momentos e situções bem diferentes, protagonizados por mim e por quem está na minha posição. E, mais uma vez, não consigo entender como é que se sente, como é que se permite, como é que se consegue. E como é que não se sente.
Talvez daquele lado também haja quem seja para sempre, no matter what.
Naquele caso, devem ser no máximo duas. E talvez não haja mais espaço para amar.

12 dezembro 2011

the immortals

No man can be too careful in the choice of his enemies.



Oscar Wilde

31 março 2011

"Next of kin, strangers in blood;
They will sin and surface the mud"

08 novembro 2010

aquele abraço

Quando num dia como aquele, em que vamos fazer uma viagem destas e encetar uma etapa como esta, parece-me que resumir num sms “que tenhas um bom dia, faz boa viagem e que tudo te corra bem por lá” é motivo suficiente para desistir.
Foi o que fiz. Com maior sucesso do que desistir do tabaco.
Passaram-se meses até que rumei de volta para matar saudades daqueles de quem mais gosto. E, mesmo passados todos estes meses e apesar de todos esses meses depois da minha decisão, apesar da minha decisão, estive todos os dias tentado a restabelecer o contacto, a falar, a dizer “estou cá” para poder abraçar aqueles que, consta no BI, são os que me são mais próximos.
Uma vez “cá”, os dias passavam e eu hesitava, até perceber que, mais do que abraçar, o que eu queria era mesmo era que me abraçassem – mais uma vez, era só isso que eu queria. E percebi que não valia a pena, que esse abraço, por mais que eu peça, por mais que eu fuja, por mais que eu me lamente, por mais que eu sofra, aquele abraço não iria chegar. Não chegou há um ano, quando fui a correr quando me chamaram, quando tinham pressa para despachar a conversa; não chegou há dez anos, quando daquele processo destrutivo e doloroso, em que era mais importante preservar a imagem junto da empregada; não chegou ainda há mais tempo, porque não era preciso, porque “um homem não chora”.
Aquele abraço não iria chegar.
Foi o que fiz, desistir.
Porque não basta que eu queira, não basta que eu precise, não basta que eu peça: é preciso que do outro lado me queiram, é preciso que do outro lado entendam que eu preciso. Seria até bom que do outro lado precisassem, mas parece que não, estão bem assim, muito obrigado, são menos telefonemas que se fazem, basta um sms, basta esquecer, afinal há mais, daqueles que precisam, daqueles que fazem por precisar. Ou por um par de tostões.
Do outro lado, desistiram.

Por isso, foi o que fiz, até com maior sucesso do que com a desistência do tabaco.
E ao menos esse diz explicitamente no maço que faz mal. Não tem a obrigação de gostar de mim.

29 setembro 2010

mais frangos

Esbarro com todo o tipo de pessoas.
A algumas, por nelas acreditar, talvez por demasiado crédulo, dou aquilo entendo que devo dar, que é, dentro das minhas evidentes limitações, geralmente muito: importância, atenção, dedicação - e informação. Para o bem e para o mal.
Infelizmente, é apenas depois do dia em que não posso mais dar e em deixo de dar - porque deixou de existir motivo e motivação para tal - que verdadeiramente se revela quem recebeu: pela pouca memória que demonstra sobre o que efectivamente recebeu e pela demasiada sobre aquilo que lhe foi confiado, usando-o. Para o mal.
Esse mal, para o qual talvez consiga entender a necessidade, mas para o qual honestamente falho em vislumbrar utilidade, é tentado de todas as formas e por todos os meios, dos mais simples e tentativamente anónimos aos mais sofisticados, dependendo naturalmente da simplicidade ou da sofisticação de quem entende que esse mal lhe faz algum bem - aqui, embora possa conseguir criar um ranking de sofisticação, não consigo deixar de os colocar a todos no quadro de honra da estupidez.
Esse mal tentado, é por vezes sucedido. Não com a dor, vergonha, embaraço, nem qualquer outra das que julgo serem as intenções, antes com a interrogação sobre a reserva a que nos deveremos remeter em futuras ocasiões.
Que aquilo que não nos mata torna-nos mais duros.

10 junho 2010

não faz mal

Não sei que faça, não sei que diga; não sei se devo estar zangado, triste ou irritado. Talvez devesse estar feliz por sentir que posso fazer o que quero e o que me dá na gana, mas a verdade é que não estou.
Agora, que posso e que sei que tudo o que possa fazer é quase inconsequente, dadas as circunstâncias, não o faço. Nem sei porque não, mas na realidade não o faço - mesmo que me apeteça mesmo ir atrás e fazer, com aquele sorriso manhoso na cara, que não me deixa mentir sobre o que sinto ao fazê-lo. Mas não o fiz e continuo sem o fazer.
Não faz mal, não tarda estou a milhas e deixo de sentir culpa, a culpa que me tem acompanhado em todos estes anos, que não sei de onde vem e que não sei para que serve - a não ser mesmo para me fazer sentir culpado. E, a milhas, com a culpa ausente em parte incerta, poderei ser e acontecer sem que tenha que olhar por cima do ombro para verificar se efectivamente eu não estou a perseguir-me e a ajuizar-me; e, a milhas, talvez nem valha a pena olhar por cima do ombro, apenas porque ninguém vai estar lá para me ver e dar juízo.

13 outubro 2009

dentro de casa

Nunca entendi as motivações de quem, a partir de determinado momento, confunde valores com valores, colocando em primeiro lugar aqueles que trazem um aparente maior conforto; e também não entendo que alguém entenda que o conforto do conforto possa alguma vez confortar mais que a paz de espírito que nos permite dormir descansados todas as noites.
Contam-nos histórias, diferentes versões de uma mesma realidade que aparentemente não tem explicação, que ouvimos com um sorriso distante: acontece sempre aos outros. Até porque aqueles que estão perto de nós seriam incapazes de tais acções, afinal sabemos bem quem são, foi uma vida inteira de convívio e sempre estiveram do nosso lado quando, connosco, ouviram as mesmas tais histórias e as condenaram mais amiúde e com maior veemência do que aquela indicada pelo nosso distante sorriso. Até ao dia.
Até ao dia em que verificamos que é mesmo verdade que o conforto do conforto conforta mais que dormir à noite, que verificamos que continuam mesmo a dormir à noite, quando nem querem saber que é deste lado, afinal, que não se dorme a essa hora. A esta hora.
Afinal, se pensarmos bem, sempre soubemos quem são, apenas nunca nos questionámos a esse respeito, nunca colocámos as personagens no cenário das diferentes versões da tal realidade que nos contam: talvez encaixassem bem, estivessemos atentos aos exemplos passados. Talvez na perfeição.
Ou talvez seja eu que sou um anormal.


A outro propósito, mas agora mesmo a propósito, tinha ali este post guardado como draft. Nada como colocá-lo "cá fora" agora.

03 abril 2009

zombies

Esta merda deve suceder-se em ciclos.
Depois de meses sem quaisquer notícias de algumas das ex-pessoas da minha vida, eis que num espaço de apenas 24 horas sou assediado com telefonemas e com discussões telefónicas de que já quase não tinha nem memória. Não é a sobrevivência de tais personagens que me incomoda, que todos temos direito a viver: mas a insistência em não viver longe e, particularmente, em não deixar viver é algo que constitui fonte de forte irritação.
Sim, isto passa, daqui a umas horas já nem me lembro do episódio nem da forma como a cegueira desta gente sem carácter prejudica bystanders do mais inocente que há. Sim, daqui a umas horas já me passou; entretanto e enquanto não passa, alivia dizer, nem que seja só aqui, faz-te à vida e vê se deixas de viver pendurada em mim, já bastaram os anos em que viveste à minha conta.
Pronto, já está.