E aquele que garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo...
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Madeireiras e hackers inventam o ciber-desmatamento
Manaus, (AM) — Hackers contratados por 107 madeireiras invadiram o sistema de controle de transporte de madeira e estão sendo acusados de falsificaram os registros online para aumentar a quantidade permitida para comercialização. As multas aplicadas pelo Ministério Público superam os R$ 2 bilhões.
Destruir a Amazônia cortando árvores e ateando fogo na mata não tem nada a ver com alta tecnologia, certo? Errado. Madeireiras decidiram contratar hackers para invadir o sistema de controle de extração madeireira do Pará e fraudar os registros que autorizam o transporte de madeira, inundando o mercado com madeira ilegal “esquentada”.
Para monitorar a quantidade de madeira comercializada no Pará, o governo federal decidiu, em 2006, substituir as autorizações em papel por um sistema online. As madeireiras que destroem as florestas para produção de madeira e carvão só são autorizadas a retirar uma certa quantidade de madeira por ano. Na Amazônia, essa quantidade é controlada por dois sistemas eletrônicos, o Documento de Origem Florestal (DOF) do governo federal ou o Sisflora, gerenciado pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará.
Para ser exportado ou comercializado no sul do país, cada carregamento de madeira precisa de um documento eletrônico, emitido online, como numa operação de Internet banking. O volume de madeira de cada carregamento é deduzido da quantidade total anual permitida (a “conta-corrente” da empresa), de acordo com o plano de manejo de cada empresa madeireira. Quando o volume é reduzido a zero, nenhuma outra autorização é emitida e a empresa não pode mais explorar ou comercializar.
Ao menos deveria ser assim. Hoje, o Ministério Público Federal do Pará divulgou detalhes de como hackers contratados por 107 madeireiras e carvoarias invadiram o sistema de controle de transporte de madeira que, na época era o DOF. Eles estão sendo acusados de falsificaram os registros online para aumentar a quantidade permitida para comercialização. O Estado do Pará é conhecido nacionalmente por abrigar quadrilhas de hackers, especializadas em fraudar o sistema bancário.
Aproximadamente 1,7 milhão de metros cúbicos de madeira ilegal foram “esquentados” pelo esquema, o suficiente para encher 680 piscinas olímpicas. As multas aplicadas pelo Ministério Público Federal superam os R$ 2 bilhões. De acordo com o procurador Daniel Avelino, muitas destas empresas respondem a diversos outros processos por práticas ilegais. "Aproximadamente metade das empresas envolvidas neste escândalo têm outras acusações pendentes por crimes ambientais ou uso de trabalho escravo”.
A polícia começou a investigar hackers suspeitos em abril de 2007, culminando na prisão de 30 chefes da quadrilha meses depois. Escutas telefônicas registraram as conversas entre as madeireiras, os mentores do esquema e os hackers. O líder do grupo que conectou os hackers aos madeireiros, ainda está na cadeia. Os demais aguardam o processo em liberdade. No total, 202 pessoas estão sendo acusadas.
"O Greenpeace já tinha apontado que este método de controle do transporte de madeira era passível de fraude. E isso é só a ponta do iceberg, pois os sistemas adotados pelos estados e pelo governo federal não são seguros. Além disso, a quantidade de auditores não é suficiente para monitorar e evitar fraudes ", disse André Muggiati, da campanha da Amazônia. "Ao invadir o sistema, estas empresas transformam seus carregamentos ilegais em madeira legal, como se viesse de planos de manejo florestal. Na realidade, eles estão comercializando madeira de desmatamento ilegal. A falta de governança na região estimula este tipo de crime, e reforça a sensação de impunidade”, completa.
Além dos processos referentes ao esquema com hackers, o Ministério Público Federal no Pará também encaminhou ontem à Justiça Federal ações contra as empresas que até 2007 deviam as maiores multas aplicadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Estado. Entre elas está a madeireira Eidai, que já foi denunciada várias vezes pelo Greenpeace por compra e comercialização de madeira ilegal. As ações ajuizadas nesta quinta-feira compõem a maior quantidade de ações por irregularidades ambientais que a instituição já encaminhou de uma só vez à Justiça Federal no Pará. Os acusados também serão obrigados a reflorestar as áreas desmatadas, calculadas em um total de 364 quilômetros quadrados.
O município com maior número de empresas denunciadas é Paragominas, no sudeste paraense, onde também está sediado o empreendimento que, das 107 ações, é acusado de ser o responsável pelo maior prejuízo socioambiental, a U-Guazu Agropecuária. O MPF quer que a empresa pague R$ 90,8 milhões em indenização pelo desmatamento de uma área de 22 quilômetros quadrados, de onde foram retirados 88,3 mil metros cúbicos de madeira.Outro pedido da ação, coordenada pelo procurador da República Daniel César Azeredo Avelino, é que a Justiça Federal suspenda a atuação das empresas condenadas.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Plano de mudanças climáticas do governo: com metas, mas sem urgência
Apesar de serem consideradas um pequeno avanço, as metas de anunciadas pelo governo são insatisfatórias. Desmatamento Zero é o ideal. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima prevê redução de 40% do desmatamento ilegal entre 2006 e 2010, em relação à média do período 1996-2005, com aumento de 30% a cada quatro anos. Além de tímidas, as metas são condicionadas à obtenção de recursos internacionais.
“Num momento de crise internacional como o que vivemos, essa condicionante, deixa uma justificativa pronta para o governo descumprir as metas, além disso documento limita-se ao combate do desmatamento ilegal - missão que, com ou sem PNMC, é obrigação do Governo”, diz o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. “O Brasil está na direção certa, mas na velocidade errada”, avalia.
Zerar o desmatamento é a forma mais rápida e barata de conseguir a queda das emissões globais. Estudos do IPCC (sigla para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apontam que o mundo pode atingir o pico de emissões até, no máximo, em 2015, ano em que os índices têm que começar a cair para que o processo de aquecimento global não entre em um ciclo irreversível.
O anúncio do plano coincide com o primeiro dia da Conferência das Partes (COP), que reúne, em Poznan, na Polônia, governos de todo o mundo, até o dia 12 de dezembro para negociar o acordo que entrará em vigor quando o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012. “A maior contribuição brasileira para a luta contra as mudanças climáticas é zerar o desmatamento até 2015”, afirma Leitão.
Para atingir essa meta, o Greenpeace defende que o governo brasileiro lidere a formação de um fundo internacional de preservação de florestas, que permita que os países ricos alcancem parte de suas metas de redução com financiamentos de mecanismos de proteção de florestas em países em desenvolvimento. “Mas as metas de redução de desmatamento não podem ser condicionadas a neste mecanismo”, completa Leitão.
Vulnerabilidade
O capítulo sobre vulnerabilidade se resume a indicações de estudos sobre o tema, não há medidas efetivas que indiquem que o país está se estruturando para proteger a população dos impactos das mudanças climáticas.
As mortes causadas pelas chuvas em Santa Catarina já podem ser consideradas uma consequência do aquecimento global, resultado do desmatamento da Mata Atlântica na região. “Já alertávamos para o problema desde o furacão Catarina, em 2004. E continuamos a alertar: se medidas mais efetivas contra o aquecimento global não forem tomadas urgentemente, outras calamidades acontecerão”, afirma Leitão. Enquanto Santa Catarina contabiliza suas perdas, os deputados da bancada ruralista se articulam para votar mudanças no Código Florestal que incentivam o desmatamento.
Energia
Sobre o tema energia, o plano continua sem metas de longo prazo para a produção de energias renováveis. Já para a eficiência energética, ganhou uma: 8%, bem abaixo dos 20% sugeridos pelo Greenpeace. “O Brasil tem todas as condições geográficas e climáticas para fazer uma verdadeira revolução energética, mas está perdendo essa oportunidade”, diz Leitão.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Carvão não vale quanto polui: solução está em renováveis e eficiência
Varsóvia, Polônia — Novo relatório do Greenpeace calcula os impactos do combustível fóssil na poluição do ar, saúde pública e vida de trabalhadores.
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O custo global do carvão foi, em 2007, de 360 bilhões de euros, levando-se em conta os danos causados pelo combustível fóssil ao meio ambiente e à saúde pública, além de acidentes em minas. É o que revela o novo relatório do Greenpeace, O Verdadeiro Custo do Carvão, lançado nesta quinta-feira (27/11), em conjunto com o instituto independente holandês CE Delft.
O relatório foi lançado no mesmo momento em que ministro da indústria de pelo menos 20 grandes emissores de CO2 se reúnem em Varsóvia com as empresas mais poluidoras do mundo.
"A expansão incessante da indústria de carvão é uma grande ameaça aos planos de combate às mudanças climáticas. Carvão é combustível fóssil mais poluente que temos, responsável por um terço de todas as emissões de CO2 do planeta", afirmou Joris Thijssen, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Internacional, durante o lançamento do relatório. "Deixar de lado o carvão não beneficia apenas o clima, mas também reduz outros impactos que têm de ser pagos por todos."
Momentos antes do lançamento do relatório, ativistas do Greenpeace despejaram carvão na porta do hotel onde se realiza a reunião entre representantes da indústria e dos governos, exigindo apoio dos presentes a cortes nas emissões de gases do efeito estufa, e menos proteção à indústria do carvão.
Os impactos do carvão não estão apenas relacionados às mudanças climáticas. O carvão também polui as fontes de água e o ar, e causa doenças respiratórias. O relatório traz histórias coletadas em 12 países que descrevem, por exemplo, como os direitos humanos são violados na Colômbia por conta da mineração de carvão, como picos de montanhas são destruídos nos Estados Unidos e como o carvão provoca a poluição do ar na China.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Indústria de eletrônicos ainda reluta em se comprometer com cortes de CO2
A indústria de eletrônicos precisa enfrentar o problema do lixo eletrônico e cortar emissões de CO2 de sua produção para ajudar no combate às mudanças climáticas.
Amsterdã, Holanda — É o que revela a 10a. edição do Guia dos Eletrônicos Verdes, que tem mais uma vez a empresa Nokia na liderança do ranking.
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A disputa pela liderança no mercado de eletrônicos é acirrada, mas poucas empresas do setor têm se destacado quando o assunto é cortes de emissões de CO2 na produção dos aparelhos. É o que revela a 10a. edição do Guia de Eletrônicos Verdes, do Greenpeace, lançada nesta segunda-feira.
Apesar do discurso cada vez mais verde, gigantes dessa indústria como Dell, Microsof, Lenovo, LG, Samsung e Apple não promoveram cortes significativos em suas emissões de gases do efeito estufa na produção de seus computadores, celulares e TVs.
Das 18 empresas listadas nessa nova versão do Guia, apenas Sharp, Fujitsu Siemens e Philips têm dado apoio total ao corte mínimo de 30% das emissões de CO2 para nações industriais até 2020. E apenas a HP e a Philips se comprometeram a fazer cortes substanciais em suas próprias emissões. Todas as demais empresas do Guia são vagas em relação ao assunto e não têm planos para fazer os cortes de emissões.
Para Mel Francis, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Internacional, uma grande oportunidade está sendo desperdiçada pela indústria de eletrônicos.
"É decepcionante ver que empresas tão inovadoras se movam tão lentamente quando o assunto é cortar emissões de CO2."
Levando-se em conta todos os critérios do Guia, a Nokia permanece na liderança, com a Toshiba alcançando o terceiro lugar após melhorar e muito seus processos. A Sharp e Motorola também deram grandes saltos no ranking.
O Guia dos Eletrônicos Verdes é a nossa maneira de fazer com que a indústria de eletrônicos se responsab9ilize por todo o ciclo de vida de seus produtos. Queremos que enfrente o problema do lixo eletrônico e enfrente pra valer as mudanças climáticas.
Lançado pela primeira vez em agosto de 2006, o guia lista os principais fabricantes de telefones celulares, computadores, TVs e jogos eletrônicos de acordo com suas políticas e práticas em relação ao uso de substâncias químicas, reciclagem e energia. Desde junho de 2008 o Guia tem ranqueado as empresas em cinco critérios de clima e energia. Na atual edição estamos focando em liderança climática - não apenas devido às necessidades do planeta mas também porque as empresas de eletrônicos têm um grande papel na economia de baixo-carbono do futuro.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Ativistas são atacados por trabalhadores de mina de carvão na Polônia
Estação de Resgate Climático instalada pelo Greenpeace ao lado da mina de carvão Józwin IIB, na Polônia, onde ativistas foram atacados por trabalhadores quando tentavam protestar no local.
Konin, Polônia — País que recebe em dezembro reunião da ONU sobre mudanças climáticas é um dos 20 maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa.
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O carvão é o grande vilão climático do mundo e sua queima contínua em países como a Polônia traz problemas sem fim ao planeta - as mudanças climáticas estão aí para não nos deixar mentir. Mas os trabalhadores poloneses da mina de carvão Józwin IIB ainda não acordaram para essa realidade e, pior, agridem quem tenta mudar o estado das coisas para melhor. Ativistas do Greenpeace foram atacados nesta segunda-feira (24/11) quando tentavam protestar na mina ao lado de uma gigantesca escavadeira. Um jornalista que acompanhava os ativistas foi espancado.
Vale ressaltar que moradores da região também estão preocupados com a mineração de carvão no local e com os planos de expansão da atividade, que coloca em risco suas casas, estilo de vida e saúde.
A saúde do planeta também está em xeque, graças em boa parte por conta da queima de combustíveis fósseis como o carvão. Precisamos baixar o quanto antes as emissões de CO2 na atmosfera, abraçando em troca a geração de energia por meio de fontes limpas e renováveis.
A Polônia é totalmente dependente do carvão, combustível fóssil responsável por 90% da energia do país, e a sua queima faz do país um dos 20 maiores poluidores do clima do mundo. Não à toa a próxima reunião da ONU para discutir as mudanças climáticas acontecerá a partir de 1o. de dezembro na cidade de Poznan, na Polônia. O país poderia ter um papel de liderança nas negociações, se comprometendo decisivamente em reduzir suas emissões e limpando sua matriz energética como prevê o relatório [R]evolução Energética do Greenpeace - segundo o estudo, a Polônia poderia gerar 80% de sua energia por meio de fontes renováveis em 2050, caso dê início à mudança no modo como obtém essa energia.
"Nossa ação não foi contra os trabalhadores mas contra o governo polonês. Exigimos que a política energética da Polônia estabeleça um plano claro para acabar com a exploração de carvão e implemente projetos com energias renováveis e eficiência energética", afirmou Magdalena Zowsik, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Polônia.
A União Européia está às vésperas de acertar um acordo como resposta às mudanças climáticas, com uma série de leis conhecida como "pacote climático". A posição da Europa terá um papel crucial no debate global para fortalecer o Protocolo de Kyoto, culminando em Copenhagen no final do ano que vem.
"A Polônia e o mundo precisam de uma revolução energética, não mais do mesmo", disse Zowsik. "A ciência é inequívoca, se continuarmos queimando carvão, vamos provocar danos irreparáveis ao planeta."
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Cai a maquiagem verde da Petrobras
Dois anúncios da Petrobrás foram retirados do ar pelo Conar por divulgarem uma idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país. O diesel da empresa é um dos mais poluentes do mundo e não segue resolução do Conama.
São Paulo (SP), Brasil — A estatal foi excluída do Índice de Sustentabilidade (ISE), da Bovespa, juntamente com a Aracruz e a Companhia Paranaense de Energia (Copel)
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A Petrobras foi excluída, nesta terça-feira (25/11) da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, composto de ações emitidas por companhias que apresentam alto grau de comprometimento com sustentabilidade e responsabilidade social. A nova carteira, que entra em vigor do dia 1º de dezembro de 2008 e até 30 de novembro de 2009, também exclui a empresa de celulose Aracruz, a Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Iochpe-Maxion e WEG.
A notícia divulgada no site da Bovespa vem ao encontro de uma reivindicação de várias ONGs, entre elas o Greenpeace, e secretarias estaduais do Meio Ambiente. Em outubro, as ONGs encaminharam uma carta ao presidente do Conselho Deliberativo do ISE pedindo que a Petrobras não fosse incluída na carteira para o período 2008-2009, por ter assumido práticas contrárias aos princípios do índice.
"Essa decisão mostra que não basta que as empresas sejam viáveis economicamente, elas precisam de uma licença junto a sociedade para operar com responsabilidade socioambiental", diz Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace.
O principal argumento contra a Petrobras citado no documento das ONGs foi o descumprimento da resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que, em 2002, determinou que a partir de janeiro de 2009 a quantidade de enxofre no diesel baixasse de 2.000 ppm (nas áreas não urbanas, 70% do total) e de 500 ppm (nas áreas metropolitanas) para 50 ppm. Apesar de ter quase sete anos para se preparar, a Petrobras, assim como a Anfavea (representando a indústria automobilística), declarou que não cumprirá a resolução. A Petrobras conseguiu um acordo no Ministério Público Federal muito menos rigoroso que a resolução do Conama, e mais lesivo ao meio ambiente e à saúde pública.
A artimanha da Petrobras contrariou o compromisso que a empresa havia assumido anteriormente com o próprio ISE.
"Uma empresa como a Petrobras que não cumpre nem a legislação não pode ser considerada um modelo de responsabilidade", afirma Furtado.
O documento também cita o episódio em que o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) decidiu suspender dois anúncios da empresa petrolífera por divulgar uma idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país.
A carta foi assinada pelo Greenpeace, Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Movimento Nossa São Paulo, Instituto Brasileiros de Defesa do Consumidor (Idec), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, SOS Mata Atlântica, Amigos da Terra e Instituto Akatu e pelo Instituto Brasileiro de Advocacia Pública. Documento semelhante foi encaminhado a órgãos internacionas como a Organização dos Estados Americanos, GRI e Secretaria Nacional de Direitos, pedindo a cada um as providênciais contra a Petrobras.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
o rio Jordão é aqui
do blog da Barbara Gancia
Leio no Estadão que os criacionistas ao estilo Sarah Palin estão realizando batismos por imersão nas represas Guarapiranga e Billings.
Cada um que faça o que lhe for da cabeça, mas não custa lembrar que 80% das internações no Brasil são decorrentes de doenças relacionadas à má qualidade da água como leptospirose, febre tifóide e hepatite.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
A entrevista acima revelou um fato assustador. Ela mostra como a inércia política brasileira é a principal responsável por alguns males de saúde. Saber que 10% da frota que circula nas grandes cidades brasileiras são responsáveis por metade da poluição das mesmas e ver que o Governo não faz absolutamente nada para minimizar o efeito do Diesel na atmosfera é revoltante. Ainda mais quando se fica sabendo que doze pessoas morrem por dia em decorrência da poluição. Ainda mais quando se sabe que um dia respirando o ar de nossas capitais equivale a fumar um cigarro. Ouçam e fiquem indignados, mas, não façam nada...
terça-feira, 8 de julho de 2008
| De Café com Alecrim |
Pode parecer tudo, mas estes senhores não são indigentes. São trabalhadores. Eles fazem girar a roda do eco-negócio. Estão na base. Fazem responsabilidade ambiental sem nunca terem ouvido falar nisso. São os maiores ajudadores da natureza e da cidade.
| De Café com Alecrim |
Não, ele não está atrapalhando você passar com seu carro, ele está fazendo aquilo que todos nós fazemos: trabalhando. E, graças ao trabalho dele, nós podemos respirar um pouco mais aliviado em nossa cidade.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Mochila usa energia solar para carregar bateria de notebook
A Voltaic Systems está prestes a lançar uma mochila para notebooks que recarrega a bateria do computador que é transportado dentro dela com energia solar.
Essa empresa já vendia mochilas para pequenos dispositivos – como celulares e players MP3 - que usavam a mesma tecnologia.
A nova mochila, cujo nome é “The Generator”, será lançada no final de abril. Ela possui um painel solar que produz até 14,7 watts de energia, de acordo com Mark Watkins, porta-voz da Voltaic.
Com preço estimado em 599 dólares, a mochila precisa ficar de oito a dez horas exposta ao sol para ser capaz de carregar a bateria de um notebook comum. Passado esse período de exposição ao sol, o usuário conecta o computador à bateria de íon de lítio e pronto.
A mochila é feita de um tecido que usa garrafas de refrigerante recicladas, é à prova d´água e resistente a raios Ultravioleta.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Lixo na rua
Semana passada escrevi sobre o lixo acumulado no Rio Tamanduateí.
Nesta semana, o registro é outro:
A foto acima é do canteiro central da Av. Juscelino Kubischeck, em São Paulo.
Onde vai parar esse lixo? Quem jogou ele ali? Seria o favelado? O pobre que pega ônibus? Ou seria o motorista que não tem educação, nem no trânsito, muito menos na vida?
O que você faz com o lixo do seu carro? Para onde ele vai? E quando está à pé? O que você faz com seu lixo?
quarta-feira, 5 de março de 2008
Porque não conseguimos evitar?
Qual a razão de não conseguirmos parar de jogar lixo no chão e nas ruas? A foto acima é o que a chuva trouxe do Tamanduatei e pendurou nos cabos à sua margem. O rio não o quer, não faz parte dele, é nosso. O que você faz com o papel de bala, o cigarro já fumado, a lata de bebida? No trajeto de casa para o trabalho presencio pelo menos uma dúzia de carros jogando lixo por suas janelas. Manter a cidade limpa não é prerrogativa do poder público apenas, é um poder que todo cidadão tem e não exerce. Cabe a cada um de nós deixar a nossa cidade mais limpa.
E tenho dito e fotografado.
Arca de Noé vegetal vira prevenção para consequências da mudança climática
Elisabeth Rosenthal. Em Longyearbyen, Noruega. The New York Times. fonte
Com espécies de plantas desaparecendo em uma taxa alarmante, cientistas e governos estão criando uma rede global de bancos de plantas para armazenar sementes e brotos, recursos genéticos preciosos que poderão ser necessários para o homem adaptar a oferta mundial de alimentos à mudança climática.
Nesta semana, a nau capitânia desse esforço, o Banco Internacional de Sementes, recebeu suas primeiras sementes aqui, milhões delas. Escavado no meio de uma montanha congelada no Ártico, coberta de neve, a meta do Banco de Sementes é armazenar e proteger amostras de todo tipo de semente de toda coleção de sementes do mundo.
Na quinta-feira, milhares de caixas de sementes bem embaladas e rotuladas -ervilhas da Nigéria, milho do México- residiam nesta estrutura semelhante a uma caverna lisa, formando um tipo de disco de backup, em caso de desastres naturais ou erros humanos erradicarem as sementes do mundo exterior.
Descendo quase 70 metros de profundidade sob o gelo permanente, a entrada do túnel para o banco de sementes foi projetada para suportar bombas nucleares e terremotos. Um sistema de monitoramento digital automatizado controla a temperatura e fornece segurança semelhante a de um silo de míssil ou o Forte Knox (o "cofre" do governo americano onde é guardado ouro, por exemplo). Nenhuma pessoa possui todos os códigos para entrar.
O Banco de Sementes faz parte de um esforço mais amplo para reunir e sistematizar informação sobre as plantas e seus genes, o que especialistas na mudança climática dizem que poderá ser muito mais valioso do que ouro. Em Leuven, Bélgica, os cientistas estão revirando o mundo em busca de amostras de banana para preservar os brotos em nitrogênio líquido, antes que se tornem extintos. Um esforço semelhante está em andamento na França com cafeeiros. Várias plantas, a maioria dos trópicos, não produzem sementes que possam ser armazenadas.
Por anos, uma rede confusa de bancos de sementes vinha reunindo aleatoriamente coleções de sementes e brotos. Laboratórios no México armazenavam espécies de milho. Os da Nigéria armazenavam mandioca. Agora esses esforços dispersos estão sendo consolidados e sistematizados, em parte devido à melhor tecnologia para preservar genes de plantas e, em parte, devido ao crescente alarme em relação à mudança climática e seu impacto sobre a produção mundial de alimentos.
"Nós começamos a pensar nisso depois do 11 de Setembro e do Furacão Katrina", disse Cary Fowler, presidente do Global Crop Diversity Trust (fundo global de diversidade agrícola), um grupo sem fins lucrativos que dirige o banco. "Todos diziam, por que ninguém se preparou antes para um furacão, já que sabíamos que aconteceria?"
"Bem, nós estamos perdendo biodiversidade diariamente -é como uma goteira. Também é inevitável. Nós precisamos fazer algo a respeito."
Nesta semana, a urgência do problema foi ressaltada quando os preços do trigo atingiram altas recordes e os estoques de trigo caíram para o nível mais baixo em 35 anos. Uma série de secas e novas doenças reduziram a produção de trigo em muitas partes do mundo. "A erosão dos recursos genéticos das plantas está ocorrendo rapidamente", disse Rony Swennen, chefe da divisão de biotecnologia agrícola da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, que preserva metade dos 1.200 tipos de banana do mundo. "Nós estamos em um momento crítico, e se não agirmos rapidamente, nós vamos perder muitas das plantas que podemos precisar."
O Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Agricultura e Alimentação da ONU, ratificado em 2004, criou uma rede global formal para armazenamento e compartilhamento de sementes, assim como para estudo de suas características genéticas. No ano passado, seu banco de dados recebeu milhares de novas sementes.
Um sistema de bancos de plantas poderia ser crucial para uma resposta a crises climáticas, já que poderia identificar material genético e variedades de plantas mais capazes de lidar com um ambiente alterado.
Aqui no Banco Internacional, centenas de caixas cinzas contendo sementes de lugares que variam da Síria ao México, foram levadas nesta semana para um "cofre" gelado para serem colocadas em animação suspensa. Elas apresentam uma vasta variedade de qualidades, como a capacidade de suportar climas mais quentes, mais secos.
A mudança climática deverá provocar novos problemas no tempo, assim como novas pragas vegetais nas regiões agrícolas. As emissões dos gases do efeito estuda produzirão não apenas aquecimento global, mas um aumento de eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, concluiu o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática.
Três quartos da biodiversidade agrícola já foram perdidos no último século, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Por exemplo, 80% dos tipos de milho que existiam nos anos 30 não existem mais. Nos Estados Unidos, 94% das ervilhas não são mais cultivadas.
Os bancos de sementes operam há décadas, mas muitos são baseados em áreas agrícolas e poucos são tão seguros ou apresentam a mesma alta tecnologia que o Banco Internacional de Sementes. Eles sempre foram considerados recursos para hobbystas, cientistas, agricultores e outros em vez de uma ferramenta para a sobrevivência humana.
A importância e vulnerabilidade deles se tornou aparente nos últimos anos. Bancos de sementes no Afeganistão e Iraque foram destruídos durante os conflitos nestes países, por saqueadores que estavam atrás dos contêineres de plástico que guardavam as sementes. Nas Filipinas, um tufão atravessou a parede de um banco de sementes, destruindo várias amostras.
Na revisão das políticas dos bancos de sementes há poucos anos, especialistas começaram a ver os bancos sob uma nova luz, disse Fowler: "Nós dissemos, nós podemos ter alguns dos melhores bancos de sementes do mundo, mas vejam onde estão: Peru, Colômbia, Síria, Índia, Etiópia e Filipinas. Então muitos de nós perguntaram, qual é o plano B?"
A meta de um novo sistema global de bancos de plantas visa proteger os preciosos genes vegetais armazenados dos caprichos do clima, política e erro humano. Muitos bancos agora estão "em países nos quais a situação política não é estável e onde é difícil confiar na refrigeração", disse Swennen. As sementes devem ser armazenadas a -20ºC e as plantas que precisam de criopreservação devem ser mantidas ainda mais frias.
"Nós estamos dentro de uma montanha no Ártico porque precisamos de um lugar realmente seguro, que opere por conta própria", disse Fowler. No subsolo em Longyearbyen, a apenas 965 quilômetros do Pólo Norte, as sementes permanecerão congeladas apesar da falta de energia elétrica. O Global Crop Diversity também está financiando pesquisa de métodos para armazenar material genético de plantas como bananas e cocos, que não podem ser armazenados na forma de sementes.
O cofre foi construído pela Noruega, e suas operações são financiadas por doações governamentais e privadas, incluindo US$ 20 milhões do Reino Unido, US$ 12 milhões da Austrália, US$ 11 milhões da Alemanha e US$ 6,5 milhões dos Estados Unidos.
O esforço para preservar uma grande variedade de genes de plantas em bancos é particularmente urgente, pois muitas fazendas atualmente cultivam apenas uma ou duas culturas agrícolas, com muita eficiência. Como cães de raça pura adaptados perfeitamente para sua tarefa, elas são particularmente vulneráveis a pestes e mudanças climáticas.
Os cientistas também estão trabalhando para aprender mais sobre as tarefas codificadas nos genes de cada semente guardada -conhecimento crucial que freqüentemente não existe registrado. No final, os criadores de plantas poderão consultar um banco de dados global para encontrar as sementes com genes adequados para a mudança climática específica enfrentada por uma região -por exemplo, um milho com caule que resista a ventos mais fortes ou um trigo que precise de menos água.
Mas no momento em que é importante preservar a biodiversidade, a economia encoraja os produtores rurais a abandonarem culturas agrícolas. Mas as sementes abandonadas podem conter características que seriam vantajosas em outro local ou outra época. Os cientistas da Universidade de Cornell recentemente pegaram um gene de uma batata sul-americana para produzir batatas capazes de resistir ao fungo requeima, uma doença devastadora que causou a Grande Fome irlandesa.
"É preciso um sistema que conserve a variedade para que não seja extinta", disse Fowler. "Um agricultor pode fazer uma tigela de mingau com as últimas sementes de uma variedade que não tem utilidade para ele, e então acabou. Mas potencialmente esses podem ser exatamente os genes que precisaremos daqui uma década."
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Esperemos não precisar "sacar" nada deste banco. Esperemos que o homem mantenha-se vivo para poder usufruir dele.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
O grupo Arcor, um dos líderes do mercado brasileiro de guloseimas, biscoitos, chocolates e alimentos, saiu esta semana da lista vermelha do Guia do Consumidor do Greenpeace, que relaciona empresas e marcas que podem fazer uso de matéria-prima transgênica em seus produtos. Ao todo, 12 marcas do grupo passaram da lista vermelha para a verde, juntando-se a outras 200 marcas livres de transgênicos que são vendidas no Brasil. Com a Arcor, agora são 110 empresas na lista verde do Guia do Consumidor.
A documentação necessária para comprovar que seus produtos não são fabricados com matéria-prima geneticamente modificada foi apresentada pelo grupo Arcor na semana passada.
“Parabenizamos a empresa por não usar transgênicos em seus produtos e também pela acertada decisão de deixar isso transparente”, afirmou Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. “A decisão da Arcor mostra sua preocupação com o meio ambiente e também com o desejo de consumidor brasileiro.”
O Guia do Consumidor foi instituído pelo Greenpeace em 2002 e desde então tem ajudado os consumidores brasileiros a se informarem sobre a real composição dos produtos vendidos no país. A lista ganha especial importância por conta do desrespeito das empresas à Lei de Rotulagem, que vigora no Brasil desde 2004. Desde então, apenas duas empresas – Cargill e Bunge – rotularam alguns produtos, e mesmo assim sob pressão de uma decisão judicial.
O Ministério Público de São Paulo, baseado em denúncia feita pelo Greenpeace em 2005, entrou no ano passado com ação civil pública na Justiça Federal exigindo que as duas empresas rotulassem os óleos de soja Liza e Soya, ambos produzidos com soja transgênica.
De acordo com a Lei de Rotulagem, todos os produtos fabricados com mais de 1% de matéria-prima geneticamente modificadas devem trazer essa informação no rótulo, por meio de um símbolo (um triângulo amarelo com um T no meio).
“As empresas têm desrespeitado o direito dos brasileiros de serem informados sobre o que estão comprando, tirando assim o seu direito de escolha. Isso está garantido pelo Código de Defesa do Consumidor e precisa ser respeitado”, afirma Vuolo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Essa rejeição explica a repercussão mundial gerada pela notícia de que o desmatamento da Amazônia voltou a aumentar e o pronto desmentido do governo federal de que iria anistiar fazendeiros responsáveis pela destruição da floresta.
O momento é favorável para finalmente consolidar em lei a MP do Código Florestal que,em 1996, fixou em 80% a área de reserva legal na Amazônia Brasileira. Essa medida provisória não foi fruto de uma decisão isolada do governo FHC, mas resultado do alarma da opinião pública com o desmatamento da Amazônia – que havia batido seu recorde histórico, atingindo quase 30 mil quilômetros quadrados no ano anterior.
Na época, a reação da bancada ruralista contrária à medida levou as organizações da sociedade civil a lançar o SOS Florestas, um movimento em defesa do Código Florestal que ganhou forte apoio dos brasileiros e do Congresso. A pressão pública salvou as conquistas da MP.
Doze anos depois, o ataque ao Código Florestal se repete num momento em que não há mais espaços para se falar em sacrificar o meio ambiente em nome do crescimento econômico. Projeto de lei de autoria do senador Flexa Ribeiro pretende consolidar enormes áreas sem florestas, anistiar desmatadores e reduzir de 80% para 50% a área que tem que ser protegida em cada fazenda amazônica. A lógica do projeto Floresta Zero é o pragmatismo do fato consumado e do lucro rápido, que se alimenta da certeza de impunidade amparada na falta de governança e se beneficia de um sistema jurídico complexo, lento e ineficiente.
A iniciativa de Dom Pedro II de reflorestar, no século 19, a área que hoje é a Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, é saudada como exemplo de governante que se preocupa com o meio ambiente. A área era um cafezal degradado e abandonado, mas o imperador tinha o espírito de conservação. Hoje, levando-se em conta o pragmatismo subjacente às várias manifestações de congressistas e autoridades, em vez de um imenso parque florestal, o Rio de Janeiro provavelmente teria um grande canavial.
O presidente Lula deve agora decidir como quer consolidar o seu segundo mandato projetando sua influência na história – permitindo a destruição do “Santuário Amazônico” ou liderando o esforço no Congresso para a aprovação definitiva da MP do Código Florestal e barrar o projeto Floresta Zero. Seria a melhor forma de tornar efetivo o desmentido oficial assinado pelos ministros da Agricultura e do Meio Ambiente.
Em vez de zerar a floresta, é preciso zerar o desmatamento.
Frank Guggenheim é médico e diretor-executivo do Greenpeace no Brasil.
Paulo Adário é jornalista e coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace.
fonte
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
A exemplo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), sete dos 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) ignoraram farta documentação com evidências contra os milhos transgênicos da Bayer (Liberty Link) e Monsanto (MON810) e autorizaram nesta terça-feira em Brasília o plantio e comercialização no país dessas duas variedades geneticamente modificadas.
O Greenpeace repudia a decisão do Conselho e vai iniciar campanha para alertar a população brasileira sobre os riscos desses produtos, além de cobrar autoridades e empresas o respeito à lei de rotulagem, que exige a identificação de todos os produtos fabricados no país com 1% ou mais de matéria-prima transgênica. A lei, em vigor desde 2004, só começou a ser cumprida este ano, e mesmo assim por apenas duas empresas – Cargill e Bunge – para um produto apenas: óleo de soja.
“Infelizmente os ministros do Conselho cometeram o mesmo erro de cientistas da CTNBio ao ignorarem tantos documentos importantes que colocam em dúvida a segurança desses milhos. Alguns países europeus proibiram nos últimos meses a comercialização desses produtos justamente por conta dos problemas apontados por essa documentação”, aponta Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil.
“A biossegurança brasileira está desde já ameaçada e nos resta agora cobrar com firmeza o governo e as empresas para que identifiquem todos os produtos fabricados a partir de matéria-prima transgênica. A população tem o direito de saber exatamente o que está consumindo”, diz Vuolo.
Votaram a favor da liberação do plantio e comercialização dos milhos transgênicos no Brasil os ministros da Agricultura, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Defesa, Justiça e Casa Civil. Votaram contra os representantes das pastas de Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, e Aqüicultura e Pesca.
“O resultado da votação deixa claro que no Brasil, infelizmente, a saúde e o meio ambiente estão a reboque da ciência, tecnologia e do agronegócio”, avalia Gabriela Vuolo.
O Greenpeace enviou no último dia 8 de janeiro uma carta aos 11 ministros do CNBS com vários documentos que apontam sérios problemas para o meio ambiente e saúde causados pelos milhos da Bayer e da Monsanto - estudos de contaminação genética provocada por lavouras de milho transgênico, evidências científicas sobre o risco à saúde e ao meio ambiente causado pelas variedades geneticamente modificadas aprovadas no Brasil, e relatórios de governos europeus justificando o motivo da proibição dessas variedades nos respectivos países.
As variedades autorizadas no Brasil pelo CNBS foram proibidas em inúmeros países. No Reino Unido, por exemplo, a própria Bayer retirou seu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir a segurança do milho Liberty Link. No caso do MON810, a lista de países europeus em que ele está proibido é extensa e relevante: Alemanha, Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria, Polônia e Suíça.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Um acessório conectado ao computador via cabo USB economiza energia da máquina toda vez que o usuário não está por perto. Chamado de Eco-button, o produto funciona da seguinte forma: toda vez que o usuário sair de frente de sua máquina, ele aperta o botão do pequeno aparelho, que coloca o computador em módulo de consumo mínimo de energia.
Para voltar, é necessário apertar qualquer botão do teclado, e todos os aplicativos antes usados voltam a funcionar normalmente.O acessório vem ainda com um software que calcula quanto de energia foi economizado desde o início do uso do botão, além de calcular também economia nas emissões de gás carbônico.
Na Grã-Bretanha, o aparelho é vendido por cerca de 7 libras - ou R$ 28 - e não há perspectiva de quando chega ao Brasil.
fontequinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Da janela lateral
Estava próximo da janela da sala quando vi algo se mexendo na árvore. É a primeira vez que vi um pássaro nesta árvore, embora escute todo dia, por volta das 5h, o cantar de um pássaro.
É a vida, que insiste em se manifestar em meio ao concreto!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Antártica — Bote do Greenpeace quase ficou preso entre o Nisshin Maru e cargueiro panamenho, que recebeu caixas de carne de baleia do navio-fábrica japonês e o reabasteceu ilegalmente. Perseguição à frota baleeira evitou pelo 11o. dia seguido a matança de baleias na região.
Um bote do Greenpeace com dois ativistas atrasou, na manhã desta terça-feira, o reabastecimento ilegal do navio-fábrica baleeiro Nisshin Maru pelo cargueiro Oriental Bluebird, de bandeira panamenha. Depois de quase ficarem presos entre os dois navios, os ativistas ainda conseguiram documentar a transferência de caixas de carne de baleia para o cargueiro.
A região em que a frota baleeira se encontra é protegida por diversos tratados internacionais. Ao abastecer nessa região, o Nisshin Maru está colocando em risco toda a integridade do ambiente marinho antártico. Além disso, o Oriental Bluebird, que leva a bandeira do Panamá, não possui autorização de seu país para operar como parte da frota baleeira. Ambos, Panamá e Japão, são signatários do acordo firmado para impedir a poluição dos oceanos (o Marpol).
"O Panamá é parte da América Latina, único continente que não caça e nem promove caça de baleias. O país, que já teve postura conservacionista na última reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB), deveria seguir o exemplo do bloco latino americano e não permitir que seus navios apóiem atividade ilegal no Santuário de Baleias Antártico”, afirma Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de baleias do Greenpeace Brasil, a bordo do Esperanza.
Frota baleeira faz atividade ilegal em área de Santuário, ativistas tentam impedir e são quase esmagados entre os dois grandes navios.
Pouco antes do abastecimento, duas embarcações da frota baleeira japonesa passaram mais de uma hora realizando manobras em volta dos pequenos botes infláveis do Greenpeace, a fim de prejudicar os ativistas e mantê-los longe do Nisshin Maru e do Oriental Bluebird.
Enquanto isso, a tripulação do Esperanza observava o Oceanic Viking, navio do governo australiano, aparecer no horizonte. Agora, mais um navio encontra-se próximo ao Nisshin Maru para impedir a caçada de baleias - e há 11 dias nenhuma delas é morta na Antártica.
Confira as fotos no link