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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

´não olhe para mim, não olhe para mim'

Assim era o meu pensamento muitas vezes na faculdade. Quando algum profe fazia uma pergunta e eu não sabia a resposta. Repetidamente: 'não olhe para mim, não olhe para mim'... Mas às vezes a força do pensamento era tão forte que, pimba, apontavam para mim e agora arde!

Outras situações que acontecem no dia a dia também tenho esses pensamentos. Do género, estou a ter uma reunião com um cliente, mas topo um erro no projecto, ou há alguma coisa no projecto que ainda não está resolvida, penso: não olhe para aí, não olhe para aí. não olhe para aí...e olham sempre. Ou seja, não resulta.

Hoje dei por mim a ter pensamentos aleatórios, resultantes da visita da família do Guapo lá em casa. Uma delas é a de me aterrorizar a ideia da sua querida irmã perguntar-nos se o seu querido jovem filho (embirrante nas alturas) pode ir lá para casa enquanto a avó estiver a fazer tratamentos (long story...).

O meu pensamento está só a repetir: 'não perguntes isso, nem sonhes com isso, não ouses perguntar isso, esquece isso de uma vez'!

A sério minha gente, nem imaginam o tsunami que seria na minha vida se o jovem millennial viesse morar connosco (nem que fosse uma semana). Tenho a resposta pronta na ponta da língua: 'Não'. Mas tenho receio do Guapo não ter o discernimento de se negar a um pedido desses (vindo de uns paizinhos ricos mas forretas).

Agora estou a fazer um exercício enorme em afastar essa ideia da minha cabeça, para que não se concretize. Difícil, bolas!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Andamos a criar totós

Eu não sou mãe. Não tenho filhos meus...ainda. Nem tenho sobrinhos.
A minha relação com crianças resume-se aos sobrinhos, afilhados e primos do Guapo. Ah, e os filhos dos amigos.

Um dos sobrinhos do Guapo entrou este ano para a universidade (ele e a irmã têm uns bons anos de diferença, convém esclarecer). Então o sobrinho está alojado na casa dos avós (pais do Guapo) que fica na Grande Lisboa, longe do centro (onde nós estamos).

Acontece que agora tudo (TUDO) se gera e decide à volta do sobrinho. Não que ele tenha pedido, mas todos se sentem na obrigação de lhe facilitar a 'adaptação' à nova realidade. Nova realidade que já dura há mais de dois meses.

No outro dia o sobrinho teve um exame na faculdade que terminou às dez da noite, adivinhem quem é que se voluntariou para o levar a casa de carro uma vez que aquela hora da noite há poucos transportes públicos? Pois, o Guapo. Adivinhem quem é que levou com respostas tortas porque ele já estava à espera na rua à 2 minutos e eu estava a 'engonhar'. Eu.

Para além da roupa lavada, comidinha feita, e outras coisas, agora também se fornece serviço UBER. Ah e tal, coitado. Ele tem iphone, instala o Uber e siga (que os paizinhos ganham muito bem - muito bem MESMO e podem pagar). Seria a minha lógica.

A sério, isto está-me a consumir os nervos. Já disse várias vezes que não estão a criar nenhum bebé (olham-me com cara de horror, chamam-me insensível).

A lá ver, eu vim da província para Lisboa sozinha, com 18 anos. Morava em Alvalade e a minha faculdade ficava no Alto da Ajuda. Numa altura em que os autocarros nem sequer iam até à porta da (única) faculdade ali existente (na altura). Não raras vezes, eu e colegas, éramos abordadas por homens nos carros a pensar que estávamos a fazer serviço no Monsanto (quando íamos a pé até à faculdade). As minhas aulas acabavam às sete da tarde quando não era mais tarde. E eu sou GAJA, não sou gajo. Sobrevivi e não tinha ninguém por perto para me safar, nem iPhones, nem Ubers, nem dinheiro de sobra (que já ia tudo para as despesas de rendas), nem mariquices do género. Só implorei por um carro (qualquer um desde que andasse), no dia em que a caminho da faculdade escangalhei uma maquete nas mudanças de autocarro / metro/ autocarro e chuva pelo meio. E aí, confesso, melhorou muito a minha vida.
Agora imaginem o coração de um pai que vem deixar um carrinho (fofinho que só ele, uma casca de ovo valiosa para mim) à sua filha bebé em Lisboa, tendo ela acabado de tirar a carta! Mas olhem, desenrasquei-me bem, sem multas e  acidentes. 
Cheguei a sair de casa às tantas da noite à procura de sítios para imprimir ou tirar cópias (e havia!). Não tinha avós, nem pais, nem tios para me 'desenrascarem'. Não.
Pelo meio, também tinha de fazer compras para a casa, cozinhar (sabia zero e não havia Bimby), lavar a minha roupa, estender, apanhar e passar a ferro. 

Hoje em dia tenho muito orgulho de conseguir o que consegui, mas sei que fui muito apoiada pelos meus pais. Sempre se dispuseram a ajudarem-me em tudo o que pudessem, e eu só pedia o que não conseguia mesmo fazer por mim uma vez que não trabalhava. Sei que há pessoas que trabalham e tiram cursos, mas no meu caso eu sei que isso era impossível. Principalmente porque a avaliação era contínua, tínhamos inúmeros trabalhos de grupo para além dos individuais, e eu queria tirar o curso sem repetir nenhum ano (prop$nas) para começar logo a estagiar e ganhar o meu dinheiro para as minhas despesas. Mas tenho plena consciência que fui uma afortunada.

Quando uma pessoa tem de cumprir um objectivo mas não sabe como, tem de desenrascar. Usar a imaginação, apelar às amizades, fazer acontecer. Eu sou assim, não espero que façam por mim senão arrisco-me a ficar a chuchar no dedo. E se eu tivesse continuado na província teria tido uma evolução completamente diferente porque teria lá sempre o meu pai ou a minha mãe a fazerem-me a papinha toda.

E se queremos ser autónomos, é desde tenra idade que se adquirem esses skills. Eu vou ao banco, à seguradora, à oficina, supermercado, à lavandaria, o que for. Tenho de resolver algo? Resolvo. 

Vou-me apercebendo que quando tivermos filhos isto vai dar filme. O Guapo há-de ter uma postura hiper-proteccionista e eu (embora ache que também vá ser mãe-galinha) vou forçar-me a não tratar os meus filhos como totós até aos 40 anos. Nem pensar! Vão ser engolidos pela sociedade num instante, vão ter uma vida caótica e ninguém vai querer aturar criaturas assim. 

A minha esperança é que isto seja só agora, na primeira vez, porque hão-de haver N exames que acabam às dez da noite, aí quero ver.




domingo, 4 de junho de 2017

Vou contar uma história

Reza a história que um belo casal vivia muito feliz na casinha em terra pequena à beira mar plantada, que compraram fruto do árduo trabalho no mar e em terra. Tudo a correr de feição e até avançaram para ampliar a casa e construir mais um piso. Gente humilde mas sempre pronta a receber quem fosse de braços abertos.
Até que um dia...
O pequeno fruto do seu amor não resiste a uma doença fulminante e pais ficam orfãos de filho. A vida seguiu e com eles a motivação para tentar outra vez. Até que um dia a pior notícia bateu à porta. A D. Ana ficara viúva. O mar que os sustentava ceifou a vida do seu amor. O marido não mais havia de voltar da labuta e D. Ana não mais voltaria a sentir o abraço quente da sua melhor metade.
Jovem ainda, vestiu-se de negro e toda a sua alegria e força de viver estavam adormecidas.

Mas logo apareceram os abutres deste mundo. Os sogros e irmã do falecido arreganharam os dentes e reclamaram os direitos de herança do filho e irmão desaparecido. Não quiseram saber da tristeza de uma mulher que ficou sem um filho e depois sem o marido, amor de sua vida. Exerceram o seu direito (na altura) de herdar metade de tudo o que era do filho e irmão para que a viúva não ficasse mais rica que eles. Rica? Ficar com a casa que construiu a meias com o seu parceiro? Pois...outras épocas.

Foi com uivos de dor e revolta que D. Ana aceitou esta ganância. Deu-lhe o rés-do-chão da casa onde tudo começou, onde tinha as melhores recordações do seu amor, e ficou com o primeiro andar que mal tinham tido tempo de estrear por causa do acidente. Construiu um acesso directo pela rua e reservou-se ao direito de construir uma açoteia.

Durante o resto da sua vida viveu revoltada no seu interior. Aquela força de mulher continuava a existir mas continha-se cada vez que sentia os germes no piso abaixo do seu. No piso que era seu por direito de esforço e dedicação. Andava com pés de lã, não abria as janelas nem sequer em verões ardentes de quente. 'Aquela gente não há-de ouvir um pio meu enquanto for viva'. Auto massacrou-se com essa vingança, como se os outros quisessem saber. Já tinham a casa para passar férias!

A meio do percurso os vermes ainda reclamaram que deveriam ter acesso à açoteia, invejosos que nem a morte os quer. Foram para tribunal com D. Ana a chorar lágrimas de sangue. Desta vez a lei foi justa. Ela é que construiu a açoteia, os outros não tinham direito a nada. Vermes.

No fundo D. Ana continuava uma pessoa alegre, mas ao que consta, uma sombra ao lado do que era naquele outro tempo. As portas de casa deste casal estavam sempre abertas, as melhores festas de Natal eram lá em casa, havia sempre espaço para mais um! Essa D. Ana eu já não conheci.

Os anos passaram e D. Ana nunca tirou o luto de si, nem das suas roupas. Nunca quis saber de outro homem, nem se era feliz. Foi vivendo.

Um dia a morte esperou-lhe lentamente. O sangue começou a ficar doente e arrastou-a para o hospital. Nos dias que lá esteve inspirou-lhe o maior desejo: 'tomar um duche para sentir a água correr-lhe no corpo'. Acabou por partir sem concretizar essa vontade. Não há duche que eu tome que não me lembre dessa frase.

A casa da D. Ana acabou por ficar para o sobrinho mais próximo que lhe era quase como um filho. 
A ele coube-lhe a dura tarefa de decidir o que fazer com o recheio de uma vida em objectos. Sentiu em cada lençol bordado do enxoval uma pontada de dor. Tudo se foi. 

Por fim vendeu a casa. Vendeu com o maior desejo que o novo proprietário fizesse obras bem barulhentas o verão inteiro. 

Eu acrescento: desejo que os novos proprietários façam grandes festas e celebrações naquela casa, levem muita alegria e barulho para aquelas paredes, façam a vida daqueles vermes um inferno que é o que eles merecem.

Não que seja vingativa (um pouco talvez), mas ganância com injustiça é do pior. Para mim o que fizeram à minha tia D. Ana foi pura maldade. Espero que quando esses seres chegarem ao outro lado o meu tio esteja lá para lhes dar um bom puxão de orelhas e a minha tia umas boas vassouradas. No fim sei que vão acabar por lhes perdoar, mas entretanto espero que o karma de terem feito o que fizeram os persigam até ao fim.





sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Impressão minha ou as mães estão a dominar o Facebook?

Ou melhor...o 'Face', como elas dizem.

Antigamente a minha mãe (e sogrinha) entupiam-me o mail com mensagens reencaminhadas com powerpoints sobre a saúde, a amizade, o amor, com piadas, tudo e mais alguma coisa. Entretanto, como o meu pai ocupava-lhe o computador e o gato não a deixava ter o portátil ao colo durante muito tempo, tivemos a brilhante ideia de lhe oferecer um iPad. Bem...supostamente era para os dois, só que entretanto a mãe também já ganhou um iPhone e o pai também. Então a mamãe domina o iPad e o iPhone, adora e até agora não houve desgostos. O meu pai continua no computador e garante que o melhor presente até hoje foi o iPhone.

Agora a mamãe vive agarrada ao iPad, principalmente no Facebook. Está sempre a fazer Quiz(es) de personalidade, de futurologia, coisas profundas e muito certeiras. Quando quer mandar indirectas, vai ao Face. Eu descubro logo se está chateada nesse dia só de ir lá espreitar. Espreitar, leram bem. 

É que a acrescentar à minha mãe, também há a mãe do Guapo. A mãe do Guapo pega no carro em dia de temporal para ir tirar fotos ao mar (mas de longe, não é como os outros...) para pôr no Face, sai do carro com -5º ao sol para tirar umas fotos para pôr no Face, fica hooooras na internet à procura de frases bonitas para pôr no Face, ele é o 'Bom dia, bom almoço, café é salvação, boa tarde, boa noite, durmam bem, etc. Assunto não lhe falta. Depois ainda há a mãe de uma grande amiga minha, comenta as fotos todas e gosta muito de animais. Há a mãe de umas amigas de infância (que não vejo há uma dezena de anos, mas a mãe está no meu Face todos os dias). E por aí fora...
Eu abro o Face e aparecem trezentas e cinquenta e sete posts das 'minhas mães'. Uma loucura. Depois actualizo o Feed para posts mais recentes para ver se algum amigo partilhou alguma coisa de jeito. Três segundos e meio e já estou no Insta ou a jogar Candy Crush (sim, ainda jogo, sim relaxa-me imenso e não, não vicia).

Para resumir: nunca fui muito de botar pensamento no Facebook, agora muito menos. Vou de vez em quando espreitar e já informei devidamente às mamãs que só vou ao Face quando não tenho mais nada para ver no Instagram ou não tenho vidas no Candy Crush, ou outra coisa qualquer. 

Não é por mal, mas não é a mesma coisa...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O desamor

Por vezes a vida prega-nos partidas. Ou serão obstáculos da vida?
Há quem salte por cima, dê a volta, derruba as barreiras e segue em frente. Mas ha também quem chore e berre, que se descabele e desespere em frente a cada obstáculo e se pergunte e lamente porquê eu, porquê??!!! E ali ficam a torturarem-se de lamentos a achar que é o fim.

Infelizmente estou a presenciar um pequeno drama familiar que me está a deixar muito triste e desiludida.

Primeiro fiquei em transe com a doença súbita do meu pai, depois percebi que existe recuperação (lenta), que o problema dele é físico e não revela sequelas maiores. Fiquei aliviada por ver que isso não o impedia de fazer a vida normal, mesmo que toda a gente lhe pergunte o que é que lhe aconteceu, mesmo que não possa ter independência total pois não pode conduzir, tem tratamentos diários, etc. claro que por vezes desanima, enerva-se, fica de mau humor e descarrega na minha mãe.

Ah, a minha mãe.

A minha mãe vive num lamento pegado, anda frustrada por perder o verão, por não ter liberdade, por ter de ser enfermeira do seu companheiro de há mais 30 anos. Não tem paciência para lhe aturar as casmurrices, não tem amor para lhe ver a doença, não tem memória para se lembrar de quem a agarrou durante anos quando foi ela a enferma. E isso entristesse-me e desilude-me.

Não é fácil, mas também não é o drama, o fardo que tanto se lamenta no facebook diariamente. Vejo a mãe de uma amiga minha que há 7 anos acompanha o parkinson galopante que lhe quer tirar o marido e é comovente ver a dedicação e o amor com que luta por ele e para ele.

Que é isto afinal, mãe? Que é feito dessa tua força e amor? Que é feito do compromisso na saúde e na doença? Vejo e sinto que no fundo ela odeia tudo isto que está a acontecer porque é sinal que a idade traz sequelas. E para a minha mãe a velhice é o seu maior pesadelo, perder a beleza é atroz. Começa a ser doentio e preocupante. Desde quando é que eu criei uma mãe tão fútil? E se eu vejo e sinto isso, se é tão óbvio, como se sentirá o meu pai? Mal, claro.

Amo muito os meus pais, sei que estão a passar um período chato, mas caramba, há solução!

Como filha não posso puxar a orelha de cada um e obrigá-los a comunicarem e a entenderem-se. Aliás, não posso fazer nada senão ouvir queixinhas de um lado e lamentos do outro.

O meu pai revela-se um ingrato por não reconhecer todo o esforço que a mãe faz. A mãe tem falta de paciência...e amor. Acho que é isso.

É nestas alturas que se revelam as fraquezas de um casamento quase perfeito.

Veremos. Ou melhor, nem quero ver.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Grey Summer

Devia estar a relaxar na praia, preocupada com as dietas e rugas. Com indecisões graves: gelado ou bola de berlim?
Mas não. Já quase passou uma semana e tenho estado a trabalhar (uma ajudinha e tal...freelancer e tal...). Mas pior mesmo, e o que mais me deixa angustiada é o estado de saúde do meu pai. Isso sim é que é a minha maior razão neste momento. A minha angústia e noites mal dormidas. A sensação de impotência é esmagadora. Resta-me ter pensamentos positivos e rezar para que um dia venha aqui contar o que tudo aconteceu e como ele recuperou bem. Prometo.

Até lá, aproveitem bem as alegrias da vida!!!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Duvidas existenciais

Ando por aqui com o blogue preso por um fio. Porquê? Porque acho que o Guapo já o descobriu e não me sinto muito à vontade para escrever. Bem, mas não temos grandes segredos, por isso se me estás a ler: Olá marido fofinho :)))

Estou quase a fazer anos. Mais um. E menos um. Menos um ano de qualidade fértil. Menos um para atacar a história dos filhos. Eu sei que devia estar focada nesse assunto, mas não estou. Quero dizer, estou e não estou.
Sabem aquela sensação de estarem a ver episódios em catadupa da Good Wife mas têm algo a martelar na vossa a cabeça a dizer: devias estar a trabalhar/a arrumar a cozinha/a tratar do IRS, etc. É (quase) o mesmo. Eu sinto que devia estar a tratar do assunto. A ir aos médicos (mas vou marcar), a pensar no que vai mudar, as viagens que não vou fazer, eventualmente a procurar um emprego em vez de trabalhar por conta própria, em organizar-me melhor para ter mais tempo para tratar da minha casa para poder pôr-la à venda, and so on. Mas aqui ando na lufa-lufa diária, a assobiar para o lado e fingir que tenho ovários de uma jovem extra jovem. Não estou preparada para ter um ser 100% dependente de mim, para deixar de ter noites descansadas a dormir profundamente (e olhem que eu preciso de dormir bem para ser gente), para assumir responsabilidade para uma vida inteira. E como eu sou altamente neurótica e hipocondriaca fico cheia de nervos...e se a criança nasce com algum problema? E se está tudo bem e no parto corre tudo mal? E se acontece algum acidente estúpido? E se...? Nunca mais vou ser a mesma, os cabelos brancos vão proliferar e as rugas acentuar.
Ao nível pessoal também é angustiante pensar que não vou ter os horários que me apetecem, nem vou concretizar os sonhos que por mais absurdos que sejam a pessoa ainda sonha. Do género...viver uma temporada em NY, ou uma temporada no Rio de Janeiro, ou uma experiência como tive em Barcelona. Parece que nem lá estive, que foi uma outra vida. Estou tão caseira que quase não me reconheço às vezes.
Se por um lado tudo o que queremos é uma vida pacata, com casa, comida e água quente, por outro lado...só se vive uma vez. Quantas vidas podemos ter na mesma vida?
Não quero estagnar. Quero continuar a ser muito feliz ao lado do homem que escolhi ser meu companheiro para o resto da minha vida, mas tenho muito receio que a rotina nos engula e que passemos a ser mais um casal com filhos que vive para pagar as contas. Eu tinha (e tenho) tantos sonhos...

Lentamente vou-me apercebendo que muitos dos meus sonhos estão a desvanecer. Porque os meus pais não estão a ir para novos, porque não tenho liberdade monetária para fazer o que quero e porque a idade se está a impor aos meus ovários. E assim chego à conclusão que sou nada mais que uma formiguinha no planeta a tentar sobreviver, outras vezes a viver, mas que na certa passa os dias a trabalhar e a fazer aquilo que todos fazem. Não estou a construir algo que deixe marca positiva para o futuro. Algo que contribua para a evolução da humanidade. Não. Estou a trabalhar para gente muito rica, para terem as casas de luxo que sonharam para venderem logo de seguida 'porque surgiu uma excelente oferta'.

Vivo angustiada sim. Angustiada por reparar que já não vou ter tempo para ser e fazer tudo o que gostaria, nem estar com tempo de qualidade com os que me estão longe.

Às vezes apetece-me gritar e atirar tudo ao ar. Entrar num avião e começar de novo. Mas nunca o conseguiria fazer sem as minhas pessoas. E assim vivo neste limbo.

Pode parecer ingratidão, mas não é. Sou muito grata por tudo o que tenho e consegui alcançar, sou muito grata por ter as pessoas mais maravilhosas na minha vida. Mas na realidade são elas que me prendem aqui, ao o que sou hoje. Se um dia elas me fogem...não sobra nada de mim. Percebem?

Pois é, hoje estou assim, a divagar, a pensar na vida. Deve ser porque tenho demasiado trabalho. Agora. A partir de Março não tenho grandes perspectivas de trabalho, a não ser que apareçam entretanto, não me preocupo. Vou vivendo. Ou como se diz: Vai-se andando!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

What a day!

Depois de um dia extenuante, difícil, onde nem lugar de estacionamento no parque do sítio onde trabalho consegui arranjar, eis que chega ao fim.


Uma luz ao fim do túnel que se descobre quando se constata que muitos dos sintomas inexplicáveis da mamãe se encontravam nos efeitos secundários improváveis de um medicamento para a tensão.


Se assim se confirmar, são menos 2 toneladas de preocupação que me saem de cima.


Amanhã também vai ser um dia difícil, mas esperemos que as notícias também sejam milagrosamente boas.


Posto isto, vou dormir. Este cérebro precisa de repouso.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Coisas que não se devem contar

Muñeca: 'Oh mãe, o cacau em pó está fora de prazo há mais de um ano!!'

Mãe: 'Não faz mal, está no frigorífico!'


É por estas e por outras que os meus intestinos funcionam lindamente quando estou em casa dos pais :D

terça-feira, 7 de junho de 2011

Preciso benzer-me!!

Ando numa agonia, à espera...


A mãe está no hospital porque tem acordado todos os dias com dores no peito e nas costas. Não lhe custa respirar, não tem problemas ao engolir (ela tem ensofagite grave), mas também não sabe explicar melhor o que se passa.


A viagem a Londres é já depois de amanhã e eu estou prestes a cancelar tudo.


Sei que ela vai querer ir na mesma, vai chorar baba e ranho porque quer ir e porque não aceita que lhe estraguem os planos. Pior doente que a minha mãe, não há.


Só quero que ela fique boa logo e que não venham mais más notícias.


Bolas, quando é que esta nuvem negra passa de uma vez por todas??!!!