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Ontem no Expresso (p. 10) Clique na imagem para a ampliar |
Para quem quiser saber o que o PSD, o CDS e o Presidente da República querem que se saiba, não há nada como ler o
Expresso. Está lá o essencial, às vezes com um arrebatamento que nos faz crer que as folhas partidárias não fariam melhor.
Não é assim com o PS. O semanário não publica as posições de António Costa, mas está a habituar-se a publicar o que a coligação de direita diz (e quer que se diga) sobre o PS. Aconteceu ontem a propósito dos caminhos a trilhar pela União Europeia na sequência da situação grega.
Com efeito, pode concordar-se ou discordar-se das posições de António Costa, mas a verdade é que António Costa tem mantido uma visão coerente sobre a Europa — e em particular sobre a necessidade de mudança de políticas em relação aos países periféricos —, defendendo uma convergência de posições e não rupturas que podem enfraquecer as opções negociais. Veja-se, a título de exemplo, o que disse o secretário-geral do PS ao
Público em 5 de Março:
«Sempre tenho dito que numa Europa a 28 ninguém pode antecipar ou prometer um resultado. Temos sido bem avisados em não nos amarrarmos a uma única solução, porque quando se vai para uma mesa de negociações tem de se ter claro qual é o objectivo, mas tem de se ter a disponibilidade de trabalhar com as diferentes variáveis e encontrar as melhores soluções para alcançar esse objectivo.»
Esta passagem da entrevista de António Costa é suficiente para concluir que, na hipótese mais benigna, a jornalista do
Expresso não faz o trabalho de casa. E, ironia das ironias, conhecidos os resultados do referendo grego, é capaz de não ser Passos Coelho, com as suas posições submissas, quem possa «arrecadar ganhos com a Grécia» (aceitando pôr as coisas nestes termos bizarros).