Mostrar mensagens com a etiqueta Marques Mendes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marques Mendes. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, novembro 17, 2015

Um Presidente a gozar com o pagode


• Paulo Baldaia, Um Presidente a gozar com o pagode:
    «Mas qual é a pressa? O Presidente não tem nenhuma. Argumenta que esteve cinco meses em gestão nos idos de 1987, há quase 30 anos, numa altura em que não havia euro, nem semestre europeu, nem Bruxelas a pedir-nos um draft do orçamento.

    O país é ele e se ele pôde esperar, o país também pode. Argumenta igualmente com 2009, que afinal é 2004 e 2011, esquecendo que os governos em gestão dessa altura estavam longe de ter que apresentar um orçamento e, portanto, também não tinham essa pressão. Coisa que agora também podia não existir, se o mesmo presidente tivesse antecipado as eleições, dando tempo a si próprio para estudar melhor todos os cenários que já estavam estudados.

    Um Presidente que nos informa que está "a recolher o máximo de informação junto daqueles que conhecem a realidade social, económica e financeira portuguesa para dar indicações ao poder político quanto às linhas..." e que acrescenta que sabe muito bem o que aconteceu quando esse tal poder político não cumpriu essas "orientações adequadas". É o mesmo Chefe de Estado que ouve confederações patronais e depois associações disto e daquilo, associações que fazem parte das confederações que já tinha ouvido, achando que são elas que têm de dizer aos representantes do povo que caminho devem seguir.

    Estará convencido da inevitabilidade do seu raciocínio e convencido igualmente que todos os candidatos à Presidência da República estão errados quando lhe dizem que é preciso rapidez na decisão e que até Marcelo Rebelo de Sousa, da sua área política, diz o mesmo e lhe sugere que dê posse a um governo que possa governar.

    Está tão bem instalado no Palácio de Belém que, tendo entrado já no período em que pode anunciar a data das eleições presidenciais, não o faz. Deixa para Marques Mendes, comentador e conselheiro de Estado. É no dia 24 de janeiro. Pode confirmar senhor Presidente ou o pagode não precisa de ter pressa nenhuma?»

domingo, outubro 11, 2015

O Estado ao serviço das conveniências de Marcelo


Ou porque as experiências de juventude marcam ou porque a única ocasião a que foi a votos não foi propriamente um êxito, Marcelo Rebelo de Sousa gostaria de secar tudo à sua volta para que a corrida presidencial se transformasse numa nomeação — em lugar de uma eleição.

A trupe colocada na comunicação social tem feito tudo para aplanar o caminho à direita. Domesticado Santana Lopes, urge remover Rui Rio. Ontem, na SIC, com o à-vontade de quem considera o Estado uma coutada laranja, Marques Mendes, porta-voz oficioso de Marcelo, ofereceu a Rui Rio o cargo de presidente do Tribunal de Contas, que estará vago no final do mês. Já se fazem traficâncias à luz do dia.

segunda-feira, setembro 14, 2015

«Esta campanha é marcada por um défice de pluralismo»


• Estrela Serrano, DESAFIOS PARA ANTÓNIO COSTA:
    «(…) O debate decorreu, é preciso lembrá-lo, num ambiente mediático hostil a António Costa e ao PS, dominado por fait-divers alimentados nas redes sociais por ativistas da coligação especialistas em perfis falsos e na propagação de mensagens destrutivas para abafarem a discussão das propostas do PS e esconderam o vazio absoluto das suas.

    Esta campanha é marcada por um défice de pluralismo, patente no facto de as televisões privadas de sinal aberto - SIC e TVI – manterem em exclusividade e sem contraditório, em horário nobre, dois comentadores políticos, ex-líderes do PSD, clara e assumidamente apoiantes da candidatura da coligação PAF, um dos quais protocandidato às eleições presidenciais, o que cria um ambiente de promiscuidade inaceitável em democracia. (…)»

sábado, agosto 01, 2015

quinta-feira, julho 02, 2015

Sobre o afastamento de Augusto Santos Silva da TVI 24

Francisco Seixas da Costa reage ao afastamento de Augusto Santos Silva da TVI 24 num post intitulado Notas para dois amigos, que se reproduz:

                     

Caro Sérgio

Com a vida a ocupar-nos as agendas, ainda não falámos desde que trocámos mensagens por ocasião da tua nomeação para diretor de informação da TVI. E, podes crer, não é com gosto que esta minha nota, que tem de ser pública, seja para lamentar a decisão de afastamento do Augusto Santos Silva da sua "coluna" de comentário semanal. Sei que as coisas às vezes são mais complexas do que parecem. Por isso, por não conhecer os detalhes da decisão, imagino que eles possam eventualmente ser mais esclarecedores do que aquilo que já veio a público. Mas, para já, e antes que esses possíveis factos sejam conhecidos, apenas me posso pronunciar sobre os resultados. E esses são claros: o pluralismo dentro das nossas televisões sofreu um imenso "trambolhão" e, até ver, isso foi da tua responsabilidade pessoal. Sentir-me-ia mal se não to dissesse. Já nos conhecemos há muito tempo e, como sabes, nunca me dei ao luxo de esconder o que penso. Principalmente aos amigos, como tu és.

Um forte abraço

Francisco


                    


Caro Augusto

Agora que o teu mano-a-mano com o Paulo Magalhães saiu de cena, quero deixar-te um abraço de gratidão. Ao longo de muito tempo, foste capaz de dar voz a uma visão das coisas que, estando muitas vezes bem longe de ir com "l'air du temps", era importante que fosse conhecida. Só aos patetas soava como uma visão partidária oficiosa. É de quem te não conhece! A tua palavra, serena, inteligente e acutilante, com a dignidade de quem pensa sempre pela sua cabeça e sabe, como poucos, exprimir organizadamente as ideias, vai fazer falta nas noites da TVI 24, e digo-o agora mesmo ao Sérgio Figueiredo. Alguns, claro!, estão a exultar já, pelo mundo das "redes sociais", com a tua saída de cena. Não imaginam que é o maior elogio que te podem fazer! 

Um solidário abraço do

Francisco

terça-feira, junho 30, 2015

Augusto Santos Silva afastado da TVI


«Os Porquês da Política» da TVI 24, com Augusto Santos Silva à terça-feira, acaba no fim de Julho. Convidado a comentar o seu afastamento, o professor catedrático da Faculdade de Economia do Porto afirmou: «A TVI exerceu o seu direito contratual e ao exercê-lo afastou-me de antena. Não sei se tecnicamente é censura». Mas é.

Com efeito, não há nenhuma razão aceitável para acabar com um programa que tem uma das maiores audiências da TVI 24, tendo resistido às constantes mudanças de horário e até à circunstância de, não raras vezes, não ir para o ar a pretexto de dar lugar à estopada do futebol.

Numa estação de televisão em que imperasse a racionalidade financeira, Augusto Santos Silva teria de ser levado ao colo. Não há por aí muita gente com um pensamento tão estruturado e com competência para explicar a complexidade da política através de raciocínios simples. O afastamento desta voz muito incómoda, em vésperas de eleições, só pode ficar a dever-se a pressões políticas sobre a TVI.

Com o «comentário» político nas televisões em sinal aberto entregue a Marcelo e Marques Mendes, terá chegado o momento de afastar dos canais de informação (ou, pelo menos, da TVI 24) a linha de pensamento que Augusto Santos Silva representa. A sua eventual substituição por um inócuo boneco de palha não disfarça o que está em curso: uma gigantesca operação de asfixia democrática.

sexta-feira, maio 15, 2015

Um mal nunca vem só: uma direita radical e incompetente

O ladino Luís Marques Mendes revelou ontem que a ministra da Administração Interna foi a quarta escolha de Passos Coelho para a substituição de Miguel Macedo. Por incrível que pareça, tratou-se de uma das situações em que o alegado primeiro-ministro foi confrontado com menos recusas.

Com efeito, ainda segundo Marques Mendes (parte da declaração divulgada pela SIC, mas que não consta do vídeo disponível no site), houve casos em que só à décima tentativa foi possível preencher uma pasta. Mais: aconteceu muitas vezes que só à sexta ou à sétima tentativa Passos Coelho conseguiu avistar alguém que se dispusesse a sentar-se no Conselho de Ministros.

Se não é a circunstância de ter de se contentar com o refugo que explica a opção pela política austeritária de «ir além da troika» (que a direita radical que inventou Passos sempre quis impor), ajuda ao menos a compreender por que o Governo de Passos & Portas a aplica de uma forma tão atabalhoada.

sábado, janeiro 31, 2015

«Aquele energúmeno condensado»

• Ferreira Fernandes, A dívida grega e o mal português:
    «(…) Se o ministro holandês quer boas normas, boas contas e dar lições sobre o bom sistema capitalista (que o é, não conheço melhor) que venha a Lisboa. Esta é que está a precisar dele, apesar de lhe bater palmas incondicionais. E se houver confronto entre bicicletas, não lhe proponho riscos, é a Marques Mendes que o holandês deve pedir contas. Vocês sabem, aquele energúmeno condensado que numa noite de sábado, na SIC, se permitiu fazer o mais fundo ataque à maior invenção holandesa, a Bolsa.

    Relembro. Mandatado por Passos, Marques Mendes foi à televisão anunciar, nas vésperas, o fim do BES. Parece que esse fim tinha de ser, não sei. Sei é que o tal Mendes, apesar da carreira feita num partido capitalista, foi um antibolsista primário. O bom banco, disse ele, tinha de ser extirpado dos maus. Os bons eram os trabalhadores do banco e os depositantes - "os que não têm culpa nenhuma", disse ele. E os maus, sublinhou, eram todos os que investiram, fossem milhões ou pequenas poupanças de uma vida. Repito, não sei se a solução para o BES podia ser outra, até porque o seu fim é a prova de que os tempos modernos não são para ser tratados como se vivêssemos tempos normais. Sei é que Mendes expressou, naquela noite, esta doutrina: investir no mercado de capitais é mau e deve ser castigado. Sei que ele disse que os pequenos investidores, além de ficarem sem nada, deviam ficar com um sentimento de culpa. (…)»

sexta-feira, novembro 21, 2014

Marques Mendes acalmou sobre as culpas dos sócios

• Ferreira Fernandes, Marques Mendes acalmou sobre as culpas dos sócios:
    «As explicações financeiras da ministra sobre o BES não me interessavam. Não sou de guardar no matadouro aquele ar feliz que parecem ter as vacas nos Açores: "O cutelo, sabes, não dói e é uma honra vires a reencarnar em bife no prato", ouvir isto e sorrir placidamente não faz o meu género. Já de grandes mistérios do género humano, adoro. Sim, sou doidão por Marques Mendes (M.M.). Da audição da ministra Albuquerque, foi o que me interessou: ela não sabe como o comentador da SIC falou, a 1 de agosto, do que ia o Banco de Portugal anunciar a 2 de agosto. M.M., que foi do "grupo da sueca", saberia qual dos parceiros tinha o ás de trunfo mas daí a adivinhar a surpreendente decisão... Na altura, suspeitei que alguém do governo lhe soprara alguma coisa. Hoje sei, pela ministra, que não - do governo não foi. Ah, M.M., afinal, só se limitou a desenvolver as suas próprias ideias sobre o bad bank, para um lado, e de "os que não têm culpa nenhuma" (palavras suas), para outro. Quer dizer, M.M. defendeu que os acionistas pequenos tinham alguma culpa, mesmo os que compraram cem ações (nos bons tempos, 300 euros). Investir no BES era ser cúmplice do Ricardo. Culpa por culpas do "sócio." Por coincidência fatal, M.M. falou no último sábado da sua inocência, apesar de ser sócio de uma das implicadas no caso dos vistos gold: "Não fiz nada, não sei de nada." Já qualquer acionista de cem ações BES, esse, jogava ao gamão todas as noites com o Ricardo

quarta-feira, novembro 19, 2014

Sete vidas como os gatos


Hoje declama na qualidade de presidente do Congresso as Comunicações. Como se não fosse nada com ele. Deve ser duro.

sábado, novembro 15, 2014

O homem que está sempre no sítio errado à hora errada

No site da Abreu Advogados

Quando Cavaco teve receio de enfrentar António Guterres, tendo abandonado São Bento, ele foi pedir emprego a Isaltino Morais, que o colocou na empresa que gere a Universidade Atlântica, cujo principal accionista era o Município de Oeiras. Ele tornou-se, entretanto, deputado à Assembleia da República (em regime de exclusividade) e presidente de um órgão (a Assembleia Municipal de Oeiras) que tem por função fiscalizar as empresas do município. Não poderia ser fiscalizado e fiscalizador, mas conseguiu ser.

Quando Barroso se refugiou em Bruxelas, ele pediu colo a um tal Joaquim Coimbra, que, para além de membro da comissão política de quase todos os presidentes do PSD desde os tempos de Marcelo, se dedica(va) a negócios tão variados como o outrora luminoso Sol e o BPN. Foi ao colo deste empresário que ele arriscou a vida na administração de uma das empresas a que aparece ligado, cujo planeamento fiscal deixou o fisco com um pé atrás (aqui, aqui e aqui): «Eu dou-lhe um tiro nos cornos».

Ele aparece, não raras vezes, citado quando há escândalos. Invariavelmente, ele invoca que tinha ido ver a bola. Sem ter a pretensão de querer ser exaustivo, era ele ainda presidente do PSD quando questionou a Portugal Telecom por uma matéria de que, afinal, era parte interessada. Quando se soube que o alegado primeiro-ministro tinha criado uma ONG fantasma, ele lá estava entre os fundadores. O BES dá o estoiro no Verão e descobre-se que ele é administrador da Coporgest, empresa do grupo Espírito Santo. Rebenta o caso dos vistos gold e, azar dos Távoras, ele é citado como um dos quatro sócios de uma empresa envolvida na operação Labirinto. Ele é o piolho metido nas costuras. Ele é o homem que está sempre no sítio errado à hora errada. Ele é Marques Mendes, que se tornou consultor não-se-sabe-de-quê da Abreu Advogados.

Em todo o caso, quando o vejo a perorar na televisão, não é da sua carreira que me lembro. Que se passa comigo? É que fico sempre perplexo com o facto de um homem com um pensamento tão ladino ter sido apeado da liderança do PSD por um tal Menezes. Aquele que desapareceu a citar John Wayne.

quinta-feira, outubro 09, 2014

Há algures um haríolo

Ontem no Diário Económico

No dia 28 de Julho, o Expresso Diário noticia a existência de imparidades adicionais que viriam a elevar os prejuízos do BES no primeiro semestre para cerca de três mil milhões de euros. Na noite de dia 30, a CMVM anuncia que os prejuízos do BES atingiam 3,6 milhões de euros. Entre 30 de Julho e 1 de Agosto, o BES perdeu 65,4% do seu valor em bolsa, com a cotação das acções a cair de 35 para 12 cêntimos.

Sucederam-se os acontecimentos:
    • No dia 31 de Julho, o Governo muda a lei para permitir a resolução, diploma publicado no Diário da República no dia seguinte;
    • Ainda a 1 de Agosto, o Banco de Portugal avança com a resolução e a CMVM suspende a negociação das acções do BES;
    • No dia seguinte, Marques Mendes comunica ao país, de forma pormenorizada, o plano gizado pelas autoridades;
    • Finalmente, a 3 de Agosto, o governador do Banco de Portugal aparece na televisão para confirmar e comentar a comunicação de Marques Mendes, o oráculo do Governo.

Nunca se deveria permitir que a realidade estragasse uma boa história. Acontece que tudo leva a crer que, durante estes estes, houve fugas de informação que permitiram que a «boa história» só tivesse sido contada a alguns grandes investidores (e só a estes), que assim puderam pôr a salvo as suas aplicações. É do que desconfia a CMVM.

Mas, diz-se, não há crimes perfeitos — e assim parece. É que, a 30 de Julho, a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia noticiava a decisão de avançar com a resolução do BES. Foi neste ínterim que a praça de Lisboa esteve a saque — sem que a CMVM tivesse sido informada. Veja-se a prova de que, antes sequer da divulgação dos resultados semestrais do BES, já a Direcção-Geral da Concorrência publicitava na Internet a intervenção no BES que só seria formalmente comunicada quatro dias depois:


Ontem, João Galamba aproveitou as audições do governador do Banco de Portugal e da Miss Swaps para os questionar acerca das contradições do processo de resolução do BES:

O governador do Banco de Portugal e a Miss Swaps negaram na Assembleia da República que Bruxelas tivesse sido previamente informada da decisão tomada de avançar com a resolução. Mas Carlos Costa teve o cuidado de frisar que o Banco de Portugal não se corresponde com a Direcção-Geral da Concorrência, chamando assim implicitamente a atenção para a circunstância de o Ministério das Finanças ser o interlocutor daquele serviço da Comissão Europeia.

Durante a manhã de ontem, um porta-voz de Bruxelas, metendo os pés pelas mãos, veio afirmar que, de facto, este departamento da Comissão Europeia começou a «monitorizar» a situação do BES a 30 de Julho, apesar de o pedido de intervenção ter chegado no dia 3 de Agosto. Esta bizarra comunicação autodestrói-se: a CMVM só divulgou os resultados do BES na noite de 30 de Julho, o que levaria à conclusão de que, até pela diferença horária, em Bruxelas ou se fazem turnos de 24 horas ou ninguém dorme.

Sob o título de É mentira!, uma peça do Diário Económico desmonta hoje a inaceitável cedência da Comissão Europeia às pressões do Governo português para esconder a trapalhada da resolução do BES. Eis um extracto:
    «A Comissão Europeia mentiu de forma descarada sobre o processo de notificação europeia que antecedeu a resolução do BES no dia 3 de Agosto na reacção à manchete do Diário Económico de ontem. A primeira notificação chegou a Bruxelas, à direcção-geral da concorrência, no dia 30 de Outubro, dois dias antes da suspensão das acções do BES, ou seja, a Comissão não está a desmentir o Económico, está a mentir aos milhares e milhares de investidores que perderam centenas de milhões naquelas 48 horas.

    A resposta da Comissão não é apenas uma mentira, é um insulto à inteligência e não convence ninguém, sobretudo os que acreditaram que o mercado de capitais português é um sítio bem frequentado. Já desconfiávamos, ficamos agora a saber que as próprias autoridades europeias também têm pouco respeito pelos que aforram através de investimento em acções ou obrigações. Serão especuladores, portanto, sem direitos.

    A Comissão deu cobertura às iniciativas do Governo e do Banco de Portugal, mas escolheu o pior caminho para as fazer. É claro que houve uma notificação preliminar à Comissão no dia 30 de Julho, é também claro que a aprovação formal ocorreu no dia 3 de Agosto. O que nos disse, afinal, a Comissão? Depois da resposta de Carlos Costa, segundo a qual alguém deveria dar explicações sobre as datas que estão no 'site' da Comissão, depois da ministra das Finanças 'atirar' a responsabilidade e as respostas sobre o dia 30 para Bruxelas, lá veio o favor: a Comissão, por auto-recreação preventiva, decidiu notificar-se a si própria na quarta-feira, dia 30 de Julho, por uma decisão que jura não conhecer, a intervenção do Estado no BES no domingo seguinte, dia 3 de Agosto. Portanto, adivinhou, e pena é que os milhares e milhares de investidores que perderam milhões também não tivessem adivinhado que a Comissão iria 'apadrinhar' a resolução do banco.

    Prefiro acreditar - e acredito - na tese de que a Comissão Europeia está a mentir, e a prestar-se a este lindo papel. A alternativa é pior, a falta de respeito pelo Estado português, pelos portugueses e pelos investidores, portugueses e estrangeiros. A data de 30 de Outubro não surge do nada, não surge de uma informação oficiosa, está num documento oficial da Comissão Europeia que o Económico revelou na edição de ontem. Ou seja, para acreditar na tese da Comissão, que deixa tantas e tantas perguntas por responder, tenho também de acreditar que Portugal voltou a ser um espaço de experimentalismo europeu. Só nos faltava mesmo uma Comissão Europeia que toma a liberdade de interpretar o que se deve seguir à apresentação dos prejuízos de um banco privado. (…)»

E assim continuam à espera de resposta várias questões:
    • A Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia divulga publicamente uma decisão que não havia sido tomada?
    • Luís Marques Mendes andou escondido na mala de mão da Miss Swaps enquanto decorria o processo de resolução do BES?
    • Os grandes investidores que deram à sola a tempo recorreram a bruxarias?
    • Quem é responsável pela ocultação de informação ao mercado?

domingo, setembro 28, 2014

Da série "Frases que impõem respeito" [875] (número duplo)


Tem a certeza de que eu fui membro disso? Com franqueza, nem me lembrava disso e não faço ideia de quais eram os seus objectivos.

Ai que engraçado! Então, sem querer, ou por querer, eu estou ligado à Tecnoforma. Olhe que engraçado. Não tem graça nenhuma, mas é a vida!

sábado, setembro 27, 2014

Porque hoje é Sábado…


… é possível antecipar que Luís Marques Mendes irá explicar tudo sobre a «ONG» e a Tecnoforma — ele que, na passada semana, disse na SIC que Pedro Passos Coelho não ligava nenhuma ao dinheiro (e esqueceu-se de dizer se ele próprio ligava).

Eis um extracto da entrevista dada por Fernando Madeira, ex-dono da Tecnoforma/«ONG», à revista Sábado, em 7 de Maio de 2014:
    - Ou seja, a ONG contratava depois a Tecnoforma para fazer na prática os tais projectos.
    - Sim, naquilo que fosse do âmbito da Tecnoforma.

    - Mas Passos Coelho disse ao Público que encarou com "seriedade o propósito" de ajudar a "criar uma ONG com a finalidade de promover a cooperação" entre Portugal e os PALOPs. - Só posso dizer que ele foi receptivo ao que ouviu e disse logo que tínhamos de arranjar estas e aquelas pessoas e arranjou. Arranjou pessoas que eu não conhecia.

    - Que género de pessoas eram essas?
    - Pessoas com influência.

    - Refere-se aos fundadores, àqueles que fizeram parte dos órgãos sociais da CPPC? Está a falar do então líder parlamentar do PSD, Luís Marques Mendes, e dos também sociais-democratas Ângelo Correia e Vasco Rato [nomeado recentemente pelo Governo para presidir à Fundação Luso-Americana]?
    - Sim, sim. E do PS, mas era só um, o então deputado Fernando de Sousa. O Pedro dava-se muito bem com ele. Acho que foi o escolhido para presidir à assembleia-geral do CPPC.

sábado, agosto 16, 2014

Quem é, quem é?

• Ricardo Reis, Quem é a Martha Stewart portuguesa?:
    «(…) A Bolsa portuguesa viveu um episódio marcante há nove dias. Na quinta-feira de manhã um Conselho de Ministros aprovou a lei que antecipava a solução para o BES. Nesse dia e no seguinte, milhares de ações do banco foram vendidas. Quem o fez, poupou uma fortuna. No sábado, os comentários de Marques Mendes levantam fortes suspeitas de fuga de informação antes do anúncio de domingo à noite.

    Se fosse nos EUA, a CMVM e o Ministério Público (MP) estariam neste momento a recolher o nome de todos os que estiveram nesse Conselho de Ministros e de todos os que trabalharam no processo no Banco de Portugal nesses dias. Estariam a obter autorização de um juiz para receber uma listagem de todos os telefonemas que Marques Mendes fez nos dois dias antes das declarações. E haviam de cruzar esta lista com os nomes de quem vendeu ações do BES na quinta e sexta-feira. Com certeza que estariam pessoas ricas, famosas e atuais governantes nas listas, mas não eram precisas escutas, fugas de informação e devassa da privacidade em que o nosso MP se especializa. Bastava cruzar duas listas de nomes e pedir explicações a quem surge em ambas. Talvez afinal haja algumas Martha Stewart portuguesas. (…)»

quarta-feira, agosto 06, 2014

Santana no seu melhor...

Mas que vivaço me saiu este Luisinho

Hoje no Público

Sobre os últimos acontecimentos que envolveram Ricardo Salgado, Luís Marques Mendes referiu-se ao (ex-)banqueiro como se nunca se tivesse cruzado com ele. A notícia do Público sobre Santana Lopes faz ricochete no Marcelo dos pequeninos.

Marques Mendes é useiro e vezeiro neste estratagema. Viveu das sinecuras de Isaltino Morais até ao dia em que a justiça bateu à porta deste. Tornou-se de imediato no maior crítico do autarca-modelo do PSD.

domingo, julho 27, 2014

Promiscuidade, diz ele


      É mau quando a política se mistura com os negócios. Se alguém se queixa da PT a Marques Mendes, é porque tem esperança que este interceda junto da empresa. E se este intercede, como fez, enquanto é líder da oposição, dá poucas garantias de separar águas se um dia chegar a governar. E dizer que é normal agrava tudo.
        Público, sobre um negócio entre a Portugal Telecom e a Fix (de que a principal accionista é a Paínhas, SA, que contribuía para o ganha-pão de Marques Mendes)

A propósito dos acontecimentos que envolvem a família Espírito Santo, Luís Marques Mendes falou ontem na SIC sobre «a promiscuidade entre política e negócios». Que topete.


O Luisinho, tendo crescido a transportar cheques do conselho de ministros de Cavaco para o Portugal profundo, viveu sempre encostado a padrinhos que misturavam política e… negócios, de que são casos públicos e notórios Isaltino Morais, que cuidava da sua sobrevivência quando o PSD estava na oposição, e Joaquim Coimbra, o homem da indústria farmacêutica e do BPN (e ex-accionista do Sol), que veio a substituir o antigo presidente da Câmara de Oeiras nas funções de babá.

De resto, não são tão raros os episódios que os media relatam sobre as trapalhadas em que o Luisinho aparece envolvido. Basta ter paciência para seguir este link.

Como se isto não bastasse, o Luisinho já não deve abrir um Código Civil há mais de 30 anos. Que faz ele num escritório de advocacia senão exercer aquela profissão de desgaste rápido que Miguel Relvas crismou de «facilitador»? É preciso um enorme descaramento para se expor assim na televisão.