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Catroga a fazer cafuné a Moedinhas durante a elaboração do programa eleitoral do PSD (mais fotografias aqui) |
O PSD ficou manifestamente aturdido com o documento dos 12 economistas. Um vice-presidente (Matos Correia) deu uma conferência de imprensa a fustigar o documento à hora em que ele estava a ser apresentado. Outro vice-presidente (o inenarrável Marco António) embatucou até lhe brotar a ideia de jerico de incumbir os órgãos do Estado de avaliar o documento. Mantendo-se os barões da direita num prudente silêncio, teve o alegado primeiro-ministro de fazer as despesas que, em regra, cabem a figuras de segunda ou terceira categoria — numa deprimente
stand-up comedy no aniversário do PSD.
A triste figura de Passos Coelho no palco da Aula Magna assume contornos ainda mais grotescos perante os elogios que Eduardo Catroga e Carlos Moedas fizeram hoje ao documento dos 12 economistas em entrevistas ao
Público e ao
Diário Económico, respectivamente:
• Carlos Moedas: «(…) é um sinal muito bom que um partido do arco do poder apresente medidas para o futuro, isso só deve ser louvado. Penso que o PS teve essa responsabilidade, apresentou e teve essa coragem. É muito mais fácil não apresentar nada (…)»;
• Eduardo Catroga: «(…) É um passo importante, é uma metodologia que deve ser seguida. Em 2011, eu teria proposto a mesma metodologia, se houvesse tempo. Na altura não havia tempo, agora há tempo. Portanto, as propostas eleitorais devem ser submetidas à discussão pública, para depois os partidos fazerem então o seu programa definitivo. Vejo este programa como um documento essencialmente técnico.»
O que torna relevante as declarações de Catroga e do Moedinhas é a circunstância de eles terem sido os redactores do programa eleitoral de Passos Coelho em 2011. Tendo-se um alçado à presidência do Conselho de Supervisão de EDP e o outro à Comissão Europeia, têm a autonomia bastante para se demarcarem da deprimente
stand-up comedy de Passos Coelho, assumindo posições que não estão ao alcance dos Marcos Antónios do laranjal, que têm de fazer pela vida.