Mostrar mensagens com a etiqueta Louçã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Louçã. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, dezembro 02, 2015

Não há nada como uma casaca alinhada
e dar graças ao Altíssimo (em latim)

• Francisco Louçã, Não há nada como uma casaca alinhada e dar graças ao Altíssimo (em latim):
    «(…) Chegado a Londres e exprimindo a sua indignação pela falta da efeméride [comemoração do 25 de Novembro], [João Carlos Espada] fez o que faz um estadista que vai a Londres exprimir a sua indignação: foi jantar. “Foi no Oxford & Cambridge Club que, na terça-feira passada, participei em (mais um) jantar de comemoração dos 50 anos da morte de Churchill, a 24 de Janeiro de 1965. (…) No final, brindámos à memória de Churchill… e à Rainha. No início do jantar, tínhamos dado graças a Deus, de pé e em latim, pela refeição que íamos ter.” E espero que também pela salvação das nossas almas, porque encomendados em latim é muito mais salvífico.

    Continuou Espada a mostrar a sua indignação e, portanto, a jantar. “Fui entretanto a Oxford, assistir a um debate, na Oxford Union, a imponente Associação de Estudantes (de que sou, orgulhosamente, “life member”). Como habitualmente, foi precedido de jantar, de “smoking”. Os líderes masculinos da Associação de Estudantes, como manda a tradição, estavam de casaca. A líder feminina de vestido comprido. De novo agradecemos a Deus a refeição, de pé e em latim, antes do jantar. De novo brindámos de pé, no final, com um excelente Porto: à Associação de Estudantes, aos oradores convidados e… à Rainha.” (…)»

sexta-feira, novembro 27, 2015

«A quem é que o eleitor de centro compraria um carro em segunda mão?»


• Francisco Louçã, O primeiro dia é feliz, mas as dificuldades chegam depois:
    «(…) Dizem alguns comentadores que entenderam do discurso de Cavaco Silva que este ameaça demitir o governo. Depois de 53 dias de empastelamento da política, alegar uma divergência de doutrina económica sobre o papel do consumo ou outra questão avulsa para impedir a apresentação da proposta do Orçamento de Estado, tudo isto nas últimas semanas de mandato, entre a Missa do Galo e a eleição do novo presidente? Em Portugal, isso não existe. Mas a notícia política é que houve quem vislumbrasse essa esperança obscura nas entrelinhas do Presidente. Ou seja, a direita está tão perdida que fantasia um confronto épico convocado numa manhã de nevoeiro a partir de Belém, o que simplesmente quer dizer que não sabe o que fazer.

    Costa respondeu com um governo moderado e com um discurso moderado. Ele quer acentuar a deslocação da direita para as bordas do discurso incompreensível. Nem precisa de se esforçar muito. Entre António Costa, oficialista e ponderado, e Marco António Costa, a prometer uma crise política que rebenta tudo, a quem é que o eleitor de centro compraria um carro em segunda mão? Pois é, nem vale a pena perguntar. (…)»

quarta-feira, novembro 25, 2015

Indigitado, digo, indicado


• Francisco Louçã, Ao 50º dia fez-se luz: o Presidente ainda vai pensar mais um bocadinho:
    «(…) Como seria de esperar, o Presidente “indicou” hoje Costa como Primeiro-Ministro. Supõe-se que queria dizer “indigitado”. Assim vai a presidência.»

segunda-feira, novembro 16, 2015

Câmara Corporativa


• Francisco Louçã, Câmara Corporativa:
    «(…) Quarta-feira voltará ao serviço no Palácio de Belém e continuará a receber as delegações da câmara corporativa. Já estaremos então no 46º dia depois das eleições.

    Esta atitude pode ser analisada a partir de várias interpretações. Simples mesquinhez é uma: o Presidente não admite um governo com alianças à esquerda e, não tendo alternativa, prolonga a angústia da dúvida. Outra será que, nas vésperas de ser eleito um novo presidente (ou presidenta), Cavaco Silva compreende que esta é a última decisão que ficará registada nos livros de história, e toda uma vida e carreira para acabar a dar posse a Costa dependente da esquerda é muito desespero.

    Eu prefiro outra interpretação: o Presidente não sabe mesmo o que fazer, só sabe o que não quer (um governo Costa) ou que não lhe permitem (um governo Passos e Portas em gestão).

    Por isso, toma a indecisão que lhe resta nos momentos difíceis em que era precisa uma decisão: escolhe dizer ao país que o último a sair feche a luz.»

segunda-feira, novembro 09, 2015

O que vem depois do acordo deste fim de semana
entre o PS, o Bloco e o PCP?


• Francisco Louçã, O que vem depois do acordo deste fim de semana entre o PS, o Bloco e o PCP?:
    «(…) O que se consegue deste modo é estabilidade na vida das pessoas, alívio para os pensionistas, recuperação de salário, protecção do emprego e mais justiça fiscal. Por outro lado, com este aumento da procura agregada, a economia vai reagir positivamente de imediato.

    O que falta então?

    Faltam ainda respostas estruturais para o investimento, para gerir a conta externa e para melhorar a balança de rendimentos, o que só se fará com uma reestruturação da dívida. E, sem ela, não se vê como possa haver suficiente margem de manobra para resistir a pressões externas e para relançar o emprego. É preciso investimento e criação de capacidade produtiva e o Estado tem que ter um papel estratégico na resposta à prolongada recessão que temos vivido.

    Além disso, não se pode ainda antecipar o que serão as condições de Bruxelas e de Berlim, do BCE ou das agências de rating, mas não serão favoráveis. É de recordar que a Comissão Europeia publicou um comunicado dois dias depois das eleições exigindo novas medidas para a segurança social e que o tema continuará a ser um terreno de disputa, ou que as agências de rating têm vindo a ameaçar a República Portuguesa. Finalmente, o dossier do Novo Banco vai explodir antes do Verão, com perdas importantes para o saldo orçamental ou com exigências de recapitalização, ou de um processo de resolução bancária feito segundo exigências técnicas que protejam o bem público e abatam a dívida externa.

    Estes são os problemas que nos vão bater à porta nos próximos meses e anos. A nova maioria sabe que assim é, porque assina uma cláusula de salvaguarda que garante que, perante imprevistos orçamentais ou novas situações, a resposta nunca será o aumento de impostos sobre o trabalho ou a redução de salários e pensões. Convém então que comece já a preparar o que vai ser essa resposta porque os imprevistos chegarão mais depressa do que o novo Orçamento.»

sábado, agosto 01, 2015

quinta-feira, maio 07, 2015

Eu ainda sou do tempo em que o Bloco de Esquerda
propunha a descida da TSU dos patrões (e só essa)

Num das últimas emissões do programa que tem na SIC Notícias, Francisco Louçã criticou a redução da TSU que consta do documento dos 12 economistas. Louçã fez uma breve alusão à descida da TSU para os trabalhadores e centrou-se na proposta de redução da TSU dos empregadores, colando-a à abortada intenção da direita de proceder, também no âmbito da segurança social, a uma transferência brutal dos rendimentos do trabalho para o capital.

Muito embora Louçã tenha recorrido aqui ou ali a uma argumentação demagógica e pouca rigorosa, contendo até omissões e distorções, pretendo apenas sublinhar dois aspectos:

1. A proposta dos 12 economistas não tem nada a ver com aquilo que o Governo quis impor em 2012. Nessa altura, Passos Coelho, antes de ir alegremente ouvir cantar ‘Nini dos Meus 15 Anos’, fez uma declaração ao país para anunciar que o Governo decidira reduzir a contribuição patronal para a segurança social, que teria como consequência que o alívio nos bolsos dos empregadores seria suportado pelos trabalhadores, com o agravamento dos seus descontos para a segurança social.

Nada disto está em causa no estudo dos 12 economistas. Com efeito, é proposta, por um lado, uma redução dos descontos dos trabalhadores para a segurança social para aumentar o seu poder compra, o que não deixará de estimular a actividade económica. Por outro lado, admite-se uma diminuição da contribuição patronal, mas apenas para os casos em que haja contrato de trabalho definitivo.

Acresce que, para compensar a perda de receitas, o documento dos 12 economistas sugere a criação de fontes alternativas de financiamento da segurança social: o IRC social, o imposto sobre as heranças de valor superior a um milhão de euros e uma taxa que penalize as empresas que recorram uma rotação excessiva de contratados a prazo.

2. A posição assumida por Francisco Louçã surpreendeu-me, porque, se a memória não me atraiçoa, ele defendeu uma medida semelhante por alturas de umas eleições presidenciais. Acresce que Louçã não apenas distorceu a proposta dos 12 economistas como também omitiu que o próprio Bloco de Esquerda apresentou, há alguns anos, dois projectos de lei que visavam a redução da TSU do patronato, os quais, de resto, eram menos ambiciosos do que o que está em discussão agora e esses projectos assentavam em premissas, essas sim, frágeis.

Com efeito, o BE apresentou, em 10 de Março de 2006, um projecto de lei (o n.º 227/X) de alterações à Lei de Bases da Segurança Social, subscrito por Mariana Aiveca, Luís Fazenda, Fernando Rosas, João Semedo, Ana Drago, Helena Pinto e Alda Macedo, o qual visava a redução da TSU do patronato em 3,5%:

Clique na imagem para a ampliar

Mais tarde, em Novembro do mesmo ano, o BE apresentou um novo projecto de lei (o n.º 322/X), elaborado por Mariana Aiveca, Alda Macedo, Fernando Rosas e Luís Fazenda, no qual propôs que a redução da TSU do patronato fosse de 3%. Veja-se uma passagem da intervenção da deputada Mariana Aiveca na Assembleia da República:


Ou este vídeo da intervenção de Mariana Aiveca em defesa da redução da TSU patronal:



A infografia que abaixo se transcreve compara a proposta do PS com o primeiro projecto de lei do BE. Repare-se que não só as fontes alternativas de financiamento propostas pelo PS são mais consistentes como a redução da TSU patronal só é admitida para os trabalhadores com vínculo definitivo às empresas, ao contrário do que pretendia o BE:


O documento dos 12 economistas — Uma Década para Portugal — contém um conjunto articulado de propostas para promover o crescimento económico e o emprego, rompendo com a estagnação económica provocada pela política de «ir além da troika» do Governo de Passos & Portas. Como é bom de ver, há o propósito, relativamente à TSU, de aumentar o poder de compra dos portugueses, em particular dos mais pobres, procurando assim estimular a actividade económica. Isto distancia-se do argumento da direita de que a redução da TSU dá incentivos a contratar e, assim, a aumentar o emprego. Curiosamente, é o argumento a que o BE se agarra nos seus projectos de lei.

domingo, dezembro 21, 2014

O idiota da aldeia


    «(…) esta desvalorização interna aumenta o peso da dívida dos Estados que praticam tal medicina. O que é absolutamente óbvio num exemplo inspirado em Tepper (2012): se um Estado tem um PIB de 100 e uma dívida de 100, o seu rácio de dívida é elevado, 100%; mas se, através de medidas recessivas, reduzir o seu PIB para 50, o seu rácio de dívida aumenta para 200% e só o idiota da aldeia pode propor esta estratégia para resolver o problema.»
      Francisco Louçã e João Ferreira do Amaral, A Solução Novo Escudo (p. 12)

sábado, outubro 11, 2014

Ainda a golden share


      «Devo registar que nesse ponto, talvez só nesse ponto, o primeiro-ministro tinha um pouco de razão e alguma hipocrisia no que ele dizia hoje no parlamento. Porque, virando-se para o Partido Socialista, [disse]: ‘Eu não sei como é que o Partido Socialista pode evocar o facto de a PT ter vindo a ser perdida, porque de facto é verdade que foi um governo do Partido Socialista que aceitou perder a golden share, ou seja, perder o poder decisivo do Estado’.»
        Francisco Louçã, ontem na SIC-N, numa alusão ao debate quinzenal

Os direitos especiais (a golden share) que o Estado, enquanto accionista, detinha na PT (assim como na EDP e na Galp) foram eliminados pelo Decreto-Lei n.º 90/2011, de 25 de Julho, na sequência de deliberação tomada a todo o vapor no Conselho de Ministros reunido em 5 de Julho de 2011. O governo de Passos Coelho, Vítor Gaspar & Paulo Portas havia tomado posse a 21 de Junho.

sexta-feira, outubro 03, 2014

A esquerda, Louçã e os detalhes


• Pedro Silva Pereira, A esquerda, Louçã e os detalhes:
    «(…) Certo é que Francisco Louçã, patrono da liderança bicéfala e eterno inspirador do Bloco, acusou o toque. A tal ponto que esta semana teve de vir a terreiro, num longo mas interessante comentário no Público, para confirmar a ortodoxia bloquista e definir a doutrina oficial, explicando que "a esquerda" (leia-se: o Bloco e o PCP) não só fez muito bem em chumbar o PECIV em 2011 e derrubar o Governo do PS abrindo o caminho à direita e ao FMI, como deve tornar a fazer o mesmo se no futuro um outro Governo "do centro" (leia-se: do PS) insistir na "continuação da austeridade". E é o próprio que desfaz todas as dúvidas: "não estamos a falar do passado, estamos a discutir como se deve comportar a esquerda perante um governo de António Costa".

    Os argumentos de Louçã para justificar a posição do Bloco no derrube do Governo socialista são fundamentalmente dois. O primeiro, é uma questão de fé: com o PEC IV "continuaria a pressão financeira e haveria sempre uma posterior intervenção da troika". Não terá grande interesse especular sobre a realidade virtual e menos ainda discutir a fé de cada um. O que sabemos, de ciência certa, é que o PEC IV tinha o apoio formal do BCE e foi esse apoio do BCE que permitiu a outros países, como a Espanha e a Itália, evitar a intervenção da 'troika'. Até hoje. E nisto é que não há nenhuma questão de fé: são factos. O segundo argumento de Louçã merece mais discussão: a esquerda não podia apoiar o PEC IV, diz ele, porque esse programa "não era uma alternativa à austeridade" e não era diferente do programa da 'troika' senão em "detalhes menores". Deixemos de lado o "detalhe menor" que era todo o contexto da discussão do PEC IV (numa omissão muito reveladora, em nenhum momento Louçã situa as escolhas governativas da época no contexto da resposta europeia à crise das dívidas soberanas, como se fosse possível discutir alternativas em abstracto, independentemente da sua viabilidade concreta) e recordemos apenas alguns dos "detalhes", que Louçã apelida de "menores", e que fizeram a diferença entre o PEC IV e o programa da 'troika' aplicado pela direita: corte do 13º e do 14º mês dos funcionários públicos e dos pensionistas; aumento do IVA da restauração e da energia para a taxa máxima; "enorme" aumento de impostos, incluindo o aumento de 30% no IRS. Estes e muitos outros "detalhes" levaram à execução do dobro da austeridade inicialmente prevista no Memorando e, sem dúvida, a muito mais sacrifícios do que resultaria de um programa moderado como era o PEC IV, destinado a vigorar enquanto a zona euro acertava o passo, como veio a fazer, na resposta à especulação nos mercados financeiros.

    A argumentação de Louçã, como seria de adivinhar, leva-o a uma conclusão taxativa: para aprovar as medidas propostas pelo Governo do PS (o anterior e provavelmente o próximo) a esquerda teria de tornar-se "igual à direita". Não deixa de ser uma conclusão extraordinária. Depois de três anos de governação feroz da direita, frontalmente contra a Constituição e o Estado Social, perante um retrocesso histórico na economia e um brutal agravamento do desemprego, da pobreza e das desigualdades, uma certa esquerda continua a recusar-se a reconhecer a diferença entre o PS e a direita. Mas é aqui que Louçã parece deixar escapar um detalhe que talvez não seja menor: se é para ter quem se limita a repetir esta conversa contra o PS, a esquerda já está servida há muito tempo. Não precisa do Bloco para nada

terça-feira, setembro 30, 2014

Liderança tricéfala

A UDP/PC(R) era um grupo que se inspirava no «modelo albanês». A Política XXI resultava de uma dissidência do PCP: lia Marx (A Ideologia Alemã é o limite), mas abjurava Lenine. O trotskismo era recordado através da LCI e da Ruptura/FER. Juntaram os trapinhos numa união de facto: o Bloco de Esquerda.

As questões «fracturantes» foram o tónico para comover as classes médias das Avenidas Novas. Mas a crise do euro e a posição do BE face ao PEC IV revelaram que se aproximava o fim de um ciclo. Francisco Louçã antecipou o esgotamento e procurou resguardar-se através da liderança bicéfala.

Entretanto, outros o perceberam: a Ruptura/FER foi à sua vida recauchutada sob a designação de Movimento Alternativa Socialista e os dissidentes do PCP reanimaram o Fórum Manifesto. O último acto da desagregação do BE traduz-se na candidatura de Pedro Filipe Soares à liderança do BE, que transforma as fracturas internas em fracturas expostas.

Neste momento, parece claro que, de um lado, estarão os que entendem ser possível modificar, em conjunto com outros países da periferia, a arquitectura disfuncional do euro; do outro, estarão os que defendem a saída do euro. Se Francisco Louçã balança entre estas duas posições, Luís Fazenda poderá vir a sentar-se no futuro ao lado de Heloísa Apolónia.

quarta-feira, julho 30, 2014

Se pensarmos como a direita pensa...

Francisco Louçã anunciou que iria falar da «rede de conexões do BES com os governos». Vendo a infografia que publicou aqui, pareceu-me que continha lapsos comprometedores: não havia referências a Barroso, Passos Coelho e Cavaco Silva, que, por mérito próprio, têm direito a um lugar na galeria de honra.

O ex-coordenador do BE acolheu a sugestão do CC, tendo feito na SIC Notícias uma vénia a «um blogue interessante feito por ex-assessores de José Sócrates». Nunca fomos assessores de José Sócrates, como a direita (e alguns jornalistas da Newshold) costuma referir-se ao blogue (e que, aqui que ninguém nos ouve, muito ajudou o CC a consolidar-se). Ora, caro Francisco Louçã, plagiando António Costa, se pensarmos como a direita pensa, acabamos a falar como a direita falou… O triste episódio do PEC IV não serviu de emenda?

sexta-feira, julho 25, 2014

Olhar para a floresta e não ver as árvores


Francisco Louçã tem sido incansável na denúncia de quadros do BES que passaram pela política ou de políticos que passaram pelo BES. Nem os gestores públicos do período em que o BES esteve nacionalizado foram esquecidos. O ex-coordenador do Bloco de Esquerda, que com a sua permanência em palco tem subalternizado as vozes de João Semedo e Catarina Martins, extrai a seguinte conclusão: «Este é o retrato da casta que governa e ele era mesmo o Dono Disto Tudo.» Não sei se este juízo não provocará o ciúme ou a ira de outros grupos económicos, mas não deixará, depois de devidamente traduzido, de provocar uma reacção de alívio por parte de Wolfgang Schäuble.

Acresce que, na sofreguidão de meter o PSD, o CDS e o PS no mesmo saco, Francisco Louçã faz questão de não distinguir que a imensa maioria das «conexões» a que se refere tem a ver com o PSD.

Mas o que parece imperdoável é que Francisco Louçã tenha centrado a sua atenção na arraia miúda, desprezando as ligações ao BES e a Ricardo Salgado de altas figuras do Estado português e da Comissão Europeia. Veja-se:
    Durão Barroso foi, no período entre o fim do último governo de Cavaco Silva e a sua eleição para presidente do PSD, «consultor» do BES;
    Passos Coelho, quando decidiu trabalhar, foi colocado na Fomentinvest, sociedade de que um dos accionistas é precisamente o Grupo Espírito Santo;
    Cavaco Silva foi convidado a candidatar-se à presidência da República num jantar em casa de Ricardo Salgado, no qual estiveram presentes Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa e a sua milenar companheira, também ela administradora não executiva do BES.

Tendo Francisco Louçã anunciado que esta noite falará da «rede de conexões do BES com os governos», espera-se que este singelo contributo o possa ajudar a recentrar o tema.

quinta-feira, março 21, 2013

Louçã, o primo e o memorando da troika

Francisco Louçã resolveu referir-se a um post meu, no qual transcrevi declarações suas ao Correio da Manha, que encontrei por acaso citadas no Diário Económico. O ex-coordenador do Bloco de Esquerda nega ter proferido tais declarações. Não se percebe então por que motivo Francisco Louçã não desmentiu de imediato as declarações que lhe foram atribuídas e que, de resto, mereceram chamada na primeira página do tabloide (e foram replicadas por outros órgãos de comunicação social).

O melhor é ser o leitor a conferir as declarações atribuídas a Francisco Louçã no seu contexto original, que, a corresponderem à verdade, não me parece que o favoreçam:

Correio da Manha, 22.06.2011, pág. 51

PS — Curiosamente, o epíteto com que Francisco Louçã mimoseia o CC foi lançado pelo Correio da Manha. Mas o título do seu post — “O ódio que vem de onde menos se espera” — faz crer que, na hora actual, o ex-líder do BE pensaria duas vezes antes de alinhar no arranjo que alçou o primo Vítor ao poder.

segunda-feira, novembro 12, 2012

A convenção do Bloco [3]

A destruição do país pelo Governo mais à direita após o 25 de Abril poderia levar os incautos a antever a possibilidade de uma aproximação entre o PS e o BE. Francisco Louçã, numa das 1001 entrevistas que deu nos últimos tempos, meteu um grãozinho na engrenagem, que foi assumido sem discussão na convenção do fim de semana: a exigência do controlo público do crédito. O BE, portanto, só aceita “coligar-se” com quem estiver disposto a nacionalizar a banca.

segunda-feira, outubro 29, 2012

O que afinal o Governo tem em mente é podar a vinha em pleno verão

• António Correia de Campos, Mostruário de atributos [hoje no Público]:
    7. O masoquismo. Como se sentem os dois partidos da extrema-esquerda portuguesa com o Governo de direitas que eles ajudaram a entronizar? Se calhar já se não lembram de que foram eles que se disponibilizaram perante a direita para derrubar Sócrates. Sem pingo de vergonha, pensarão o quê? Quanto pior, melhor? Que a redenção do fogo nas ruas salvará o país? Faço a ambos a justiça de reconhecer que os não creio capazes de tamanho despautério. Mas então como pensam vencer a crise? Claro que a saída de cena de Louçã pela esquerda baixa, como se diz em linguagem do teatro, nada tem a ver com tudo isto. Mero epifenómeno. Será ela o final da primeira fase de um movimento pretendidamente regenerador, ou o início da desagregacão de um projecto condenado ao falhanço?

    8. A refundação. Do primeiro-ministro surge a ideia da refundação do memorando com a troika. Ir às fundações, aos alicerces do Estado social (saúde, educação, segurança social) e revolvê-las. Esgotados os recursos de impostos, confessados trimestre após trimestre os erros de decisões políticas destruidoras da energia económica e social, admitida, sempre com atraso, a surpresa pela enorme diferença entre os manuais e a realidade, dispensada com sobranceria a cooperação com o PS e os portugueses, o Governo não sabe onde encontrar cinco milhares de milhões para buracos de 2013. Daqui a um ano vai dizer-nos, se ainda cá estiver, que precisa de mais três ou quatro mil milhões, ampliados pela definhante receita fiscal e assim sucessivamente, até à irremediável "refundação" da dívida. O que, afinal, o Governo tem em mente é podar a vinha em pleno verão. Cortar dois milhões a cada um dos três sectores que constituem o valor europeu da universalidade, solidariedade e equidade; destruir em uma penada um pacto social de gerações; lançar na miséria os deserdados da vida; despedir uns 150 mil trabalhadores; encerrar um terço dos centros de saúde, camas, serviços, hospitais, lares, infantários, escolas secundárias, politécnicos e universidades; não até à fronteira do impossível, mas até ao limite do buraco financeiro, cada ano diferente que, sem consulta prévia, aprofundou e depois, passivamente, se comprometeu a cobrir.’

domingo, setembro 02, 2012

É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma?


A entrevista dada hoje ao DN é prova provada de que Francisco Louçã está a fazer os possíveis e os impossíveis para condicionar a futura liderança do Bloco, de modo a que o partido não se desvie um milímetro da estratégia de afrontamento à esquerda, para gáudio da direita. Na convenção do BE que se aproxima, a rábula da liderança bicéfala abafará a discussão da política de convergência à esquerda?

sexta-feira, agosto 24, 2012

O princípio da paridade aplicado a órgãos unipessoais
— Fazer política no Século XXI (segundo decénio)


Na sua despedida da liderança do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã deu um contributo inestimável para a consolidação do princípio da paridade. Até hoje, pensava-se que o princípio seria inaplicável a órgãos unipessoais. Na melhor das hipóteses, a aplicação do princípio nesses casos só se poderia fazer através da sucessão temporal. Por exemplo, na liderança do BE, a Francisco Louçã deveria suceder uma mulher para garantir a paridade “diacrónica”.

Mas Louçã descobriu, qual ovo de Colombo, a maneira de aplicar a paridade a estes órgãos unipessoais: basta transformá-los em órgãos bipessoais. Assim, a liderança do BE deve passar a ser desempenhada por um homem (João Semedo) e uma mulher (Catarina Martins).

É evidente que Louçã já deve estar a pensar noutros voos. Por exemplo, o BE deverá apresentar como candidatos à presidência da República dois nomes: o de Louçã, evidentemente, e o de uma camarada do BE que garanta esta nova forma de fazer política própria do século XXI (segundo decénio).

Resta esperar que o Prof. Marcelo, sempre melhor informado quanto ao futuro do que quanto ao passado (como se viu pela sua recente análise do corte dos subsídios), revele quem será o nome que acompanhará Louçã na candidatura presidencial. Qual será a feliz comtemplada?

quinta-feira, agosto 23, 2012

Que futuro para o Bloco de Esquerda?


Em tempo de balanço, pode dizer-se que Francisco Louçã tem tido uma vida (política) regalada: no decurso da sua longa carreira, fez sempre parte de partidos de protesto que não tiveram de sujar as mãos “na porca da política”. Mesmo agora, quando aparenta querer retirar-se, Francisco Louçã — que julgo nunca ter renegado o trotskismo — arquitectou uma solução engenhosa para a chefia do Bloco de Esquerda, a qual lhe permite condicionar a política do “movimento” sem ter o ónus e o desgaste da vida política: uma direcção bicéfala que, na realidade, é uma troika (com Louçã atrás do palco).

A polémica que agora se abriu sobre a liderança do BE é uma discussão enviesada: de um lado, avançam-se nomes; do outro, diz-se ser a escolha de um modelo de direcção a questão prioritária. Nem os que defendem nem os que se opõem à proposta de Louçã dizem uma única palavra sobre o que deverá ser o BE no futuro.

É bom recordar que a expectativa que havia em torno do BE, que se traduziu numa votação inesperada para os seus próprios dirigentes em 2009, se estilhaçou em resultado da estratégia bloquista de precipitar a queda do Governo do PS, com o subsequente desgaste eleitoral do próprio BE.

O BE está agora colocado perante um dilema:
    • Ou se assume como um partido da revolução, fazendo concorrência ao PCP enquanto aguarda serenamente que o povo derrube a democracia burguesa;
    • Ou procura encontrar plataformas de entendimento com o PS, tendo em conta que a esquerda tem a maioria dos votos.

Por outras palavras, o BE, independentemente do modelo e da(s) personalidade(s) que vier(em) a assumir a liderança, vai ter de escolher se prefere, num país que vota maioritariamente à esquerda, que o PS tenha, em matérias cruciais, de fazer entendimentos à sua direita ou à sua esquerda. Não há terceira via.

É por tudo isto que a convulsão por que passa o BE não interessa apenas ao próprio BE. E é bom não esquecer que não é cedo para encontrar pontos de convergência, tendo em conta que o estado do país pode precipitar a realização de eleições antecipadas.

segunda-feira, agosto 20, 2012