Mostrar mensagens com a etiqueta Importações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Importações. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, julho 07, 2015

As importações é que estão a «bombar»


Os estarolas nunca conseguiram manter o ritmo de crescimento das exportações que vinha do Governo anterior (salvo nos anos da crise de 2008-9). Os estarolas procuraram, através de uma desbragada propaganda, disfarçar a realidade: «as exportações estão a bombar», disse há dias o descarado Paulo Portas.

Hoje, o INE publicou os resultados do comércio internacional em 2014:
    «Em 2014 as exportações de bens aumentaram 1,8% face ao ano anterior, atingindo 48.177,1 milhões de euros, e as importações de bens cresceram 3,2% totalizando 58.853,8 milhões de euros. O saldo das transações comerciais de bens com o exterior atingiu um défice de 10.676,7 milhões de euros, aumentando 966,8 milhões de euros face a 2013.»

Afinal, são as importações que estão a «bombar». Com a agravante de as exportações estarem a crescer ao ritmo mais lento da era Passos e Portas. Já ninguém se lembrou de falar das exportações nas jornadas parlamentares do PSD e do CDS.

segunda-feira, maio 11, 2015

Import-export


Já há dados do comércio internacional para o 1.º trimestre de 2015. Uma boa notícia: as exportações cresceram. Uma má notícia: as importações também cresceram. Uma péssima notícia: descontando os combustíveis e lubrificantes, as importações cresceram mais do que as exportações, o que significa que se mantém a tendência negativa da balança externa observada em 2014. Como escreveu João Galamba:
    «Sem o efeito preço do petróleo e paragem da refinaria de Sines em 2014 (tem impacto nas taxas homólogas), a degradação da balança externa mantém a tendência negativa de 2014.

    A queda do preço de petróleo é importante e ajuda muito. Mas não faz milagres.»

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [3]


Hoje na Assembleia da República

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [2]


Hoje na Assembleia da República

Comentários de João Galamba no Facebook sobre o debate parlamentar de hoje com o Álvaro do CDS:
    «Pires de Lima e as bancadas da maioria continuam a falar da retoma, mas ignoram o elefante na sala:
      "Para 2015, os resultados do presente inquérito apontam para uma taxa de variação do investimento empresarial de -2,2%. Comparando esta primeira estimativa para a variação do investimento em 2015, com a primeira estimativa para 2014 (1,1%), obtida no inquérito de outubro de 2013 (ver gráfico 2), observa-se uma redução de 3,3 p.p.".

      "No apuramento realizado para um conjunto de empresas da secção de Indústrias Transformadoras, que apresentam uma vertente mais exportadora (ver nota técnica), designadas nesta analise por “empresas exportadoras”, estima-se que o investimento tenha diminuído 3,2% em 2014. Esta redução foi menos intensa que a verificada para o conjunto das empresas desta secção (-7,6%), tendo o total de empresas apresentado um aumento do investimento (1,0%). Relativamente a 2015, perspetiva-se uma variação de -5,1% do investimento empresarial nas empresas exportadoras, que compara com uma variação de -3,2% para o conjunto da secção de Indústrias Transformadoras e de -2,2% para o total de empresas. Neste inquérito manteve-se o perfil descendente do indicador de difusão do investimento (percentagem de empresas que refere a realização de investimentos ou a intenção de investir) entre os três anos analisados. Este indicador situou-se em 87,8%, 80,9% e 76,5%, para 2013, 2014 e 2015, respetivamente".
    Não é o PS que diz, são os empresários que dizem ao INE. Ver o governo a ignorar o problema é a assobiar para o lado não é novidade: é apenas mais um exemplo de como a actual maioria está de costas voltadas para o país (e para a realidade).

    __________


    «Pires de Lima não percebe o conceito de exportações líquidas, não percebe o conceito de conteúdo importado das exportações e não percebe que um crescimento mais baixo que em 2010, e com uma procura externa líquida mais negativa, não pode ser considerado sustentável nem positivo.»

    __________


    «Confrontado com múltiplos dados do INE sobre a não retoma da economia e do investimento, Pires de Lima mascara-se de George Bush e diz: "Respeito os gráficos, mas eles não podem iludir a realidade".»

Debate de urgência pedido pelo PS:
Anemia do Investimento, Estagnação da Economia e Crise Social [1]


Hoje na Assembleia da República (1.ª intervenção)

Hoje na Assembleia da República (2.ª intervenção)

sexta-feira, novembro 28, 2014

Voltar à casa de partida… mas mais pobres

Hoje no Público

Quase três anos e meio depois de o Governo de Passos & Portas ter tomado posse, é possível fazer um balanço mais rigoroso da política de «ir além da troika». Os dados divulgados pelo INE sobre a evolução do PIB são elucidativos.

O frouxo crescimento registado no 3.º trimestre — em termos homólogos, um aumento de 1,1% — deve-se à decisão do Tribunal Constitucional de pôr um travão nas sucessivas doses de austeridade do Governo, o que permitiu uma aceleração da procura interna, sobretudo das despesas de consumo final das famílias. Simultaneamente, com o crescimento das importações, a procura externa líquida registou um contributo negativo para o PIB.

Foi sob o pretexto de que era imprescindível criar um modelo de crescimento assente nas exportações que o Governo arrasou a economia portuguesa. Passados três anos e meio, os ténues sinais são dados pela aceleração da procura interna. Ou seja, temos uma economia devastada, que parece saída de uma guerra civil, encontrando-se o país exactamente na casa de partida, mas muito mais pobre.

sexta-feira, novembro 07, 2014

O novo Álvaro dissecado por Pedro Nuno Santos



Admito que Pires de Lima, mais habilitado a vender cerveja, não estivesse preparado para ouvir o diagnóstico que Pedro Nuno Santos fez da economia portuguesa. O deputado do PS foi demolidor, mostrando através de dados oficiais que o Governo não tem nenhuma estratégia para a economia, em especial para o incremento das exportações. E o momento mais dramático para Pires de Lima aconteceu quando Pedro Nuno Santos lhe recordou que o actual governo vive a crédito dos investimentos feitos quando José Sócrates era primeiro-ministro: a refinaria de Sines, a fábrica da Portucel no distrito de Setúbal, a Embraer, os Magalhães, etc., etc..

Pires de Lima não tinha nada para contrapor aos investimentos efectuados na «década perdida». E por isso o novo Álvaro foi-se abaixo, protagonizando o lamentável episódio que deixou o país boquiaberto.

segunda-feira, outubro 20, 2014

«Há coisas que só mesmo outro governo pode resolver»

• João Galamba, O último deste desgoverno:
    «(…) Os três últimos anos mostram que os resultados económicos e orçamentais foram muito piores nos períodos em que o governo implementou a sua estratégia do que naqueles em que foi obrigado a recuar e a modificar os planos iniciais. O ano em que os desvios face ao projectado - no défice, na dívida, na economia e no emprego - foram mais significativos foi em 2012, o único ano em que podemos dizer que o governo fez exactamente o que quis. Quando o governo foi forçado a recuar, as coisas começaram a correr menos mal. O que "salvou" os anos de 2013 e 2014, por exemplo, foi o Consumo Público e o Consumo Privado, os dois agregados macro que o governo mais havia penalizado em 2012.

    Os três últimos anos também mostram outra coisa, que é provavelmente a maior demonstração fracasso da estratégia do governo. A transformação estrutural, a tal que iria garantir o crescimento sustentável da economia portuguesa, pura e simplesmente não aconteceu: o país ajustou externamente à custa da recessão e saiu da recessão à custa do equilíbrio externo. Este resultado só não consta do quadro macro do Orçamento para 2015 porque o governo impôs uma ruptura com a experiência dos últimos meses e decretou que as importações vão crescer a uma taxa suficientemente baixa para que a balança comercial não se degrade.

    Este é um governo que viu a sua estratégia esbarrar na Constituição e na realidade, mas que, mesmo diminuído, não desiste de mostrar ao que vem. A redução da taxa de IRC, uma das principais apostas deste governo, é socialmente injusta e economicamente ineficaz, sobretudo no contexto actual. Mas é mais do que isso. É, também, reveladora da natureza de uma política. O mesmo governo que se prepara para dar, sem qualquer contrapartida, 200 milhões de euros às empresas (que têm lucros), anuncia que vai cortar 100 milhões de euros em prestações sociais não-contributivas, que afectam os mais pobres dos pobres. E diz que faz isto em nome da valorização do trabalho e da mobilidade social. Há coisas que só mesmo outro governo pode resolver.»

quarta-feira, setembro 17, 2014

O debate que interessa

• Pedro Nuno Santos, O debate que interessa:
    «(…) Nem o crescimento das nossas exportações consegue compensar o crescimento das nossas importações, nem a nossa indústria tem capacidade de as substituir. É por isso que modernizar e industrializar a economia portuguesa deve ser o nosso maior desígnio. António Costa tem apresentado ao país uma Agenda para a Década, com uma visão estratégica de médio prazo, para que consigamos recuperar economicamente o país e modernizar a nossa economia de forma sustentável: valorizando as pessoas, os recursos, o território e a nossa língua; apoiando a modernização do tecido produtivo e investindo na educação e na formação, na ciência e na investigação. Em articulação com esta Agenda, António Costa tem apresentado um Programa de Recuperação Económica que define os objectivos principais e identifica os instrumentos fundamentais a mobilizar para os atingir. É este o debate que interessa.»

terça-feira, agosto 26, 2014

Pântano

• Manuel Caldeira Cabral, A retoma que não chega e a consolidação que não acontece:
    «(…) Num ano em que se esperava que o crescimento, puxado pela procura externa, estivesse a contribuir para uma recuperação do emprego e uma melhoria progressiva e sustentável dos desequilíbrios externo e orçamental, vemos que Portugal se mantém num pântano em que o pouco crescimento que teve se reflectiu de imediato em degradação do saldo externo e em que, perante mais uma derrapagem do processo de consolidação, poderá outra vez assistir a medidas de austeridade a comprometerem as já fracas perspectivas de retoma.»

sexta-feira, agosto 22, 2014

Comboio sem governo


1. O Eurostat informa de que Portugal regista o quinto maior défice comercial da União Europeia, tendo as exportações caído e as importações aumentado. São dados até Maio. Mas o INE já tem dados até Junho: o défice comercial registou o maior agravamento desde 2008 nos primeiros seis meses do ano.

2. A tripla degradação das balanças comercial, de rendimentos e de transferências correntes ditou um défice da balança corrente (que agrega as três anteriores) para 1.342 milhões de euros de 1,6% do PIB no primeiro semestre, um número já significativamente no vermelho, pelo menos quando comparado com a meta de um excedente de 3,4% do PIB para o final do ano, inscrita pelo Governo no documento de estratégia orçamental apresentado no final de Abril.

3. A dívida pública na óptica relevante para Bruxelas (Maastricht) aumentou 9,6 mil milhões de euros face ao final do ano passado. A meta para o final do ano assumida pelo Governo é de 130,2% do produto interno bruto (PIB). No primeiro semestre, de acordo com dados do Banco de Portugal, já atingiu os 134%.

4. O sinal deixado pelo indicador coincidente de actividade económica do Banco de Portugal indicia que a economia nacional está a caminho de nova contracção.

5. Os preços estão a cair há seis meses consecutivos.

terça-feira, julho 22, 2014

FMI a declarar o óbito da estratégia
do governo de Passos & Portas


Seis técnicos do FMI — num estudo a que o Jornal de Negócios faz hoje alusão — avaliaram os resultados dos processos de «ajustamento». As conclusões são o que já se sabia, mas que o Governo negava. Suprema ironia: a estratégia de «ir além da troika» é chumbada no seio do FMI.

No que respeita a Portugal, sustenta o documento que a devastação levada a cabo pelo Governo irá implicar uma deterioração do nível de crescimento máximo que o país poderá atingir no futuro.

Com efeito, conclui-se no estudo que a transformação estrutural da economia não ocorreu:
    • O número de trabalhadores empregados no sector transaccionável caiu mais do que no sector não transaccionável;
    • O Valor Acrescentado Bruto (a produção subtraída dos custos) sofreu uma quebra idêntica em ambos os sectores, o que indicia que não se verificou qualquer transformação.

As conclusões ainda são mais demolidoras em relação às exportações. O documento refere que Portugal não teve ganhos de competitividade nesta área. Assim sendo, os «grandes défices da conta corrente» contraíram-se em grande medida devido à quebra das importações.

Por outras palavras, os equilíbrios externos foram conseguidos em grande medida à custa de desequilíbrios internos, o que não será sustentável a prazo: «Os passivos líquidos externos permanecem elevados (implicando pagamentos líquidos de rendimentos ao exterior mais elevados), e o progresso no reequilíbrio externo chegou à custa do equilíbrio interno, com destaque para taxas de desemprego muito mais elevadas».

Foi nisto que deu o «milagre económico» de que fala o Governo, em particular o ministro Pires de Lima. A única vez que Passos Coelho cumpriu o que prometera está à vista de todos: «nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo - em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso Produto Interno Bruto (PIB) está a cair». Mas só o anunciou após as eleições de 2011.

segunda-feira, julho 14, 2014

O “sucesso” da balança de pagamentos

• António Correia de Campos, O “sucesso” da balança de pagamentos:
    «Numa das primeiras crónicas após a chegada de Vítor Gaspar ao Governo, surpreendi-me por o então governante proclamar como enorme êxito o facto de, pela primeira vez ao fim de muitos anos, termos equilíbrio e até superavit na balança com o exterior. Qualquer leigo reconhecia duas verdades: que o pesadíssimo corte fiscal fizera baixar o consumo interno, boa parte dele em bens importados; e que, passado o emagrecimento forçado, assim que a procura interna se restabelecesse, voltaríamos ao desequilíbrio. O Governo escudava-se no crescimento das exportações, esperando-o imparável. Pois bem, tal crescimento assenta em escasso número de grandes operadores, dentre eles a Galp, que aproveitou, e bem, os contratos de longo prazo que detinha com fornecedores para revender combustíveis ao Japão, de súbito forçado a construir uma mão-cheia de centrais térmicas após o desastre de Fukushima. Acresceu a janela de oportunidade de vender combustível refinado para os EUA e outros, aberta ainda no Governo Sócrates com a ampliação da refinaria de Sines, dado o progressivo encerramento de refinarias na Europa por razões ambientais e de baixa rentabilidade. Bastou que a refinaria parasse para manutenção para que as exportações claudicassem. Respondeu o Governo que tal só afectaria os três primeiros meses deste ano. Decorridos cinco meses verifica-se que o Governo errara e mentia: o défice comercial aumentou 21,6% nos primeiros cinco meses face a meses homólogos do ano anterior. Não só as importações cresceram 2,3%, como as exportações baixaram 0,9%. Infelizmente para todos nós, mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo!»

quarta-feira, maio 21, 2014

«A taxa de crescimento das exportações portuguesas abrandou
desde que entrou o novo Governo e a Troika»

Clique na imagem para a ampliar

• Manuel Caldeira Cabral, Arrefecimento do crescimento das exportações e queda da economia:
    «(…) Pelo menos tão preocupante como a queda registada no PIB em cadeia, é a causa desta queda: O contributo negativo da procura externa líquida.

    O crescimento de Portugal deverá assentar tanto na procura interna como na procura externa. No entanto, se quisermos evitar políticas de "stop and go", e desejarmos manter o equilíbrio externo, que exigiu tantos sacrifícios aos portugueses conseguir, temos de, no médio prazo subordinar o ritmo de crescimento da procura interna ao do crescimento das exportações.

    O desejável aumento da procura interna gera sempre um aumento das importações, que só não será um problema se for acompanhado pelo crescimento das exportações.

    A taxa de crescimento das exportações não abrandou apenas no primeiro trimestre de 2014, face ao crescimento de 2013. A taxa de crescimento das exportações portuguesas abrandou desde que entrou o novo Governo e a Troika - ver gráfico. E abrandou de forma muito acentuada.

    O abrandamento foi imediato, sugerindo que a falta de crédito e a quebra de confiança introduzidas pela crise política de 2011 e pelas medidas da Troika tiveram também um efeito forte e imediato nas empresas exportadoras. A taxa de crescimento das exportações passou de 11% na primeira metade de 2011, para 3% no segundo semestre do mesmo ano, caindo para valores negativos em alguns trimestres de 2012.

    Apesar da quebra no crescimento das exportações, a forte contracção da procura interna conseguiu garantir em 2012, o crescimento das exportações líquidas (exportações menos importações), garantindo a melhoria do saldo externo e um contributo positivo das exportações liquidas para o crescimento.

    Em 2013, a situação inverte-se com as importações a passarem a registarem um crescimento superior às exportações. O crescimento do PIB registado nos três últimos trimestres de 2013, assentou assim totalmente na procura interna. No primeiro trimestre de 2014, a taxa de crescimento das importações foi o dobro da das exportações, acentuando-se o contributo negativo da procura externa líquida.

    O período do programa de ajustamento foi um período de quebra do crescimento das exportações e não o contrário. Entre 2011 e 2013 as exportações cresceram a uma taxa muito inferior à registada no período anterior, mesmo se o período anterior inclui o ano de 2009, um ano de forte quebra das exportações em todo o mundo.

    Mesmo que as exportações acelerem ao longo de 2014 e 2015 e cresçam 2 ou 3 vezes mais do que o que conseguiram crescer em 2012 e 2013, o mais certo é que se registe na actual legislatura um crescimento das exportações tão fraco como o registado entre 2000 e 2005. Este é um facto muito negativo. Que demonstra que há muito a fazer para colocar Portugal a crescer de forma sustentada, e que salienta que a ideia de que o aumento da competitividade pela baixa dos salários trazia soluções milagrosas é apenas isso, uma ideia, baseada na ideologia, mas que a evidência teima em não confirmar.»

sexta-feira, maio 16, 2014

O «milagre económico» que o INE não reconhece

Ontem na TVI 24 (primeiros 27 minutos)

Vale a pena ver este debate entre João Galamba e Luís Menezes: de um lado, uma análise da situação da economia portuguesa ancorada nos dados oficiais; do outro lado, uma indigente conversa da treta para abafar os sinais de que o «milagre económico» era, afinal, só fumaça.

Pés de barro

• Pedro Silva Pereira, Pés de barro:
    «Os dados divulgados esta semana pelo INE provam que o apregoado "sucesso do ajustamento" não passa afinal de uma perigosa fantasia: a economia portuguesa entrou de novo numa trajectória de recessão, caindo 0,7% no 1º trimestre deste ano face ao trimestre anterior. Resumindo: a propaganda governamental foi atropelada pela realidade e teve morte imediata.

    O recuo da economia portuguesa no primeiro trimestre deste ano é decepcionante e ainda mais por ocorrer em contraciclo, já que neste mesmo trimestre a economia da União Europeia apresentou, em termos médios, um crescimento de 0,3%. O pior, todavia, é que a explicação do INE para este mau resultado da economia portuguesa desmente toda a narrativa em que o Governo pretendia fazer assentar a sua fantástica teoria do "milagre económico". De facto, feitas as contas, o que o INE diz, preto no branco, é que "A procura externa líquida apresentou um contributo negativo expressivo (...), devido principalmente ao abrandamento das Exportações de Bens e Serviços, tendo as importações de Bens e Serviços acelerado".

    Perante isto, duas conclusões se impõem e ambas desautorizam a propaganda governamental. Em primeiro lugar, o abrandamento significativo das exportações (fortemente determinado, como é sabido, pela diminuição conjuntural do contributo da produção da refinaria da GALP em Sines, um projecto lançado e apoiado ainda durante os governos socialistas) prova que, ao contrário do que diz o Governo, não ocorreu nestes últimos três anos nenhuma modificação estrutural da economia portuguesa que permita sustentar duradouramente o crescimento das exportações. Em segundo lugar, bastou a coincidência de um abrandamento conjuntural das exportações com um ligeiro crescimento da procura interna para reduzir a pó a propalada jóia da coroa do programa de ajustamento - o equilíbrio na balança com o exterior - e dar lugar a um "contributo negativo expressivo" da procura externa líquida.

    Trajectória recessiva, abrandamento das exportações, procura externa líquida negativa - todos estes dados gritam a mesma coisa: o sucesso de que fala o Governo está em rota de colisão frontal com a realidade da vida da economia, com a realidade da vida das empresas e com a realidade da vida das famílias e das pessoas. É, aliás, nesse mundo real que, segundo dados revelados também esta semana pelo INE, os portugueses, contra tudo o que lhes foi prometido, tiveram de suportar em 2013 um aumento brutal da receita do IRS de 34,3% (!) contribuindo assim para o recorde absoluto da carga fiscal em Portugal, que atingiu os 34,9% do PIB.

    É por essas e por outras que se tornam absolutamente grotescas tantas celebrações festivas e todo este frenesim que para aí vai de conselhos de ministros extraordinários. Não creio que nada disso possa sobrepor-se ao conhecimento que os portugueses têm da situação do seu país e à consciência do que será o seu futuro se nada mudar. Eles sabem, melhor do que ninguém, que o sucesso de que fala a propaganda do Governo tem pés de barro.»