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quarta-feira, dezembro 02, 2015

Não há nada como uma casaca alinhada
e dar graças ao Altíssimo (em latim)

• Francisco Louçã, Não há nada como uma casaca alinhada e dar graças ao Altíssimo (em latim):
    «(…) Chegado a Londres e exprimindo a sua indignação pela falta da efeméride [comemoração do 25 de Novembro], [João Carlos Espada] fez o que faz um estadista que vai a Londres exprimir a sua indignação: foi jantar. “Foi no Oxford & Cambridge Club que, na terça-feira passada, participei em (mais um) jantar de comemoração dos 50 anos da morte de Churchill, a 24 de Janeiro de 1965. (…) No final, brindámos à memória de Churchill… e à Rainha. No início do jantar, tínhamos dado graças a Deus, de pé e em latim, pela refeição que íamos ter.” E espero que também pela salvação das nossas almas, porque encomendados em latim é muito mais salvífico.

    Continuou Espada a mostrar a sua indignação e, portanto, a jantar. “Fui entretanto a Oxford, assistir a um debate, na Oxford Union, a imponente Associação de Estudantes (de que sou, orgulhosamente, “life member”). Como habitualmente, foi precedido de jantar, de “smoking”. Os líderes masculinos da Associação de Estudantes, como manda a tradição, estavam de casaca. A líder feminina de vestido comprido. De novo agradecemos a Deus a refeição, de pé e em latim, antes do jantar. De novo brindámos de pé, no final, com um excelente Porto: à Associação de Estudantes, aos oradores convidados e… à Rainha.” (…)»

domingo, novembro 15, 2015

Economia das baixas qualificações explicada às criancinhas


O título do artigo é estimulante: «O ensino está todo errado» (mesmo que, na edição em papel, a palavra «errado» estivesse grafada em itálico). O pequeno grande arquitecto propõe-nos uma revolução no ensino, apoiada, por um lado, na sua experiência docente («dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70») e, por outro, no que se convencionou chamar «universidade da vida», resposta muito comum quando o Facebook quer saber os estudos de cada um.

Antes de nos propor o admirável mundo novo no ensino, o pequeno arquitecto derriba as muralhas do velho e caduco ensino: «Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.»

Calcados «aqueles problemas complicadíssimos» e a gramática, o olhar do pequeno grande arquitecto volta-se para os métodos de ensino: «uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.» Eis a solução:
    «Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

    Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.
    »

A conclusão é óbvia: «deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.»

A base sobre a qual deveria assentar o ensino é a «História universal e História de Portugal» (de acordo com o legado do tio José Hermano, subentende-se), a «geografia», «o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera», e ainda seria dada atenção «à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.» E também «conselhos de alimentação» e «noções básicas de economia». Pergunta o pequeno grande arquitecto: «ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?»

Há uma incontida nostalgia que influi na escolha dos outros conhecimentos propostos pelo pequeno grande arquitecto: «já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado.» Perante esta perda irreversível, em lugar de «equações de 2.º e 3.º grau» ou de «problemas complicadíssimos na física ou na química», o pequeno grande arquitecto sustenta que venham a ser ministradas «noções básicas de cozinha», «noções básicas de trabalhos domésticos» e «certas noções de bricolage». Para completar o admirável mundo novo do ensino, a sua proposta inclui: «Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever.» Porquê? «Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.»

Este currículo não atrofiaria os alunos, não lhes tiraria «‘ginástica mental’»? «Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.»

Em jeito de conclusão, o pequeno grande arquitecto remata:
    «É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

    Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.»

O que José António Saraiva propõe é a substituição da escola pública pelos cursos de cozinheiro e empregado de mesa do IEFP (suportados por fundos europeus). Para promover a economia dos baixos salários e das baixas qualificações. É o programa de Passos Coelho & Portas traduzido por miúdos. Há sempre alguém que não tem vergonha de o defender em público.

segunda-feira, outubro 19, 2015

Ó Zé Manel, vai estudar

Rapinado a Nuno Oliveira

Qual eduquês, qual carapuça, este Zé Manel é um madraço: «Marx não preveu», «fazido greve», «umas gramitas de haxixe» e outras pérolas que não tenho paciência para pesquisar. Hoje, «descanço» (na newsletter intitulada "Tentar compreender o que não se compreende"). É isto o melhor que a direita radical tem para a representar?

quinta-feira, outubro 15, 2015

Bagão: da excitação eufórica de 2011 ao estado depressivo de 2015

Jornal i, em 5.3.2011 (via João)

• Bagão Félix, em 2011 (a procurar uma solução no quadro parlamentar saído das eleições de 2009 para a substituição do Governo de Sócrates):
    - Há uma solução que é um governo PSD, CDS, PCP. Uma ideia "provocative". Não estou a dizer que pode vir a acontecer, mas nós precisamos de abanar a cabeça senão morremos atrofiados. É quase impossível chegar a acordo com o PCP, mas, se alguma vez se chegar a acordo, este será cumprido. O PCP é muito respeitador, institucionalista. Não é a fantasia do Bloco de Esquerda.

    - Como conciliaria tudo no mesmo governo?

    - É praticamente impossível. Mas, por exemplo, um governo PSD/CDS tem muita dificuldade na rua, enquanto o PS tem menos agressividade. Precisamos nesta fase histórica, em dois, três anos, de uma situação de "salvação", de um compromisso que rompa com esta coisa absolutamente bloqueante do bloco central e que ponha o BE na sua prateleirinha. É preciso encontrar novas formas. Não me repugnava que, num governo deste tipo, o PCP tivesse uma pasta social ou do trabalho. Jerónimo de Sousa é um homem sincero, um homem autêntico, um político sério. A certa altura sinto-me asfixiado pelas soluções equacionáveis. Precisamos de abrir o horizonte teórico das soluções. Sendo absolutamente não comunista, respeito o actual PCP e não o ponho no gueto. O BE, pelo contrário, é uma espécie de lógica aparentemente moral de quem depois nunca quer assumir responsabilidades.

• Bagão Félix, em 2015 (ontem à SIC-N):
    Trata-se de «de uma OPA sobre a vontade dos eleitores que votaram PS».

domingo, setembro 20, 2015

Já houve uma fusão do PSD com o CDS
e só avisaram o Observador e o Prof. Marcelo?


Como é sabido, as coligações extinguem-se no dia das eleições. Por isso, não haverá na Assembleia da República um grupo parlamentar da coligação, mas um constituído pelos deputados do PSD e um outro pelos deputados do CDS. Ainda que se viesse a verificar a mais do que improvável vitória da coligação de direita nas eleições legislativas, ninguém terá dúvidas de que o grupo parlamentar com maior número de mandatos será o do PS. Ora, apesar de Passos Coelho ter metido Paulo Portas no bolso, tanto quanto se sabe os respectivos partidos não se fundiram. Assim sendo, a que propósito é que o Prof. Marcelo torce a realidade?

sexta-feira, setembro 11, 2015

«Deixa-me cá estar calado, que ele ainda fala da inventona de Belém»

A preparar-se para a travessia do deserto

Para o debate que se seguiu ao confronto entre António Costa e Passos Coelho, a RTP convidou Augusto Santos Silva, Nuno Morais Sarmento, André Macedo e José Manuel Fernandes. A páginas tantas, Augusto Santos Silva fez questão de dizer que não era isento nem imparcial na apreciação que fazia e que entendia, aliás, que nenhum dos presentes o era. De imediato, André Macedo, director do DN, fez questão de afirmar que ele era. José Manuel Fernandes, chairman do blogue Observador, manteve-se em silêncio. Num silêncio esclarecedor.

A ressurreição de VPV

De regresso às lides, Vasco Pulido Valente pisca, hoje no Público, o olho a Passos Coelho, dispondo-se a dar-lhe a táctica para a campanha eleitoral. VPV já tinha dado uma vez um passo em frente: aconteceu em 1995, quando se assumiu como guru de Fernando Nogueira. A coisa não correu bem: António Guterres levou ao tapete o candidato a primeiro-ministro Fernando Nogueira, que não teve outro remédio senão abandonar a política. VPV ainda vagueou então uns tempos pelos Passos Perdidos até encontrar a saída. Esta veleidade de VPV querer dar a táctica a Passos Coelho não é um bom augúrio para a coligação de direita.

segunda-feira, setembro 07, 2015

Até tu, Luciano Amaral?


Por que razão a coligação de direita:
    • não tem programa?
    • Passos Coelho anda escondido, tendo até recusado dar entrevistas à RTP, SIC e TVI (mas não à CMTV)?
    • nenhum economista de direita dá a cara pela coligação de direita (salvo Maria Luís)?
Luciano Amaral responde:
    «A coligação propõe, no essencial, continuar o que fez até aqui: austeridade, para cumprir o que foi acordado com os credores e pouco mais do que isso. São um bocado deslocadas as críticas que o PS faz ao PSD e ao CDS sobre o facto de não terem ‘programa’. Porque toda a gente sabe qual é o seu ‘programa’: continuar a fazer a mesma coisa

segunda-feira, agosto 24, 2015

Problemas mal resolvidos num semanário perto de si

Maria Filomena Mónica, com Zita Seabra,
no lançamento de «Eu, Cayetana»
no Estoril Palácio Hotel

Sendo do domínio público que há quem esteja viciado em substituir refeições saudáveis por croissants acompanhados a vodka, não é aceitável que a direcção do Expresso se aproveite dessas situações de aparente fragilidade e as utilize para procurar atingir terceiros. O que Maria Filomena Mónica escreve sobre José Sócrates na última edição do semanário é deprimente para a própria. E é-o para o Expresso, que publica a catarse.

A peça em causa é uma nojeira, mas é sobretudo de uma indigência confrangedora. A colaboradora do Expresso gaba-se de ter levado a cabo uma investigação aprofundada sobre o percurso académico de Sócrates em Paris, envolvendo recursos sofisticados — «motor de pesquisas relativo a teses em curso ou defendidas em França (ABES, theses.fr.)» —, estando em condições de garantir a «um povo analfabeto, aldrabão e parolo» que não há quaisquer vestígios de obtenção de graus académicos.

E para desmontar o alegado embuste do mestrado, Mónica mergulhou de cabeça no mémoire (muito embora umas linhas acima confesse que o procurou afanosamente nas livrarias e não encontrou): «a tortura em países democráticos pode ser analisada num trabalho académico: o que não pode é sê-lo desta forma». A emérita socióloga condescende que a utilização da tortura «é moralmente condenável, mas isso não justifica a inclusão das democracias como países que causam "arrepios"

Saciada, Mena, como é conhecida no meio, fez chegar ao Expresso a alucinada catarse. A direcção do semanário, apesar de ver a baba a escorrer pela prosa, publicou-a. Deveria, ao menos, ter alertado a sua colaboradora de que tinha andado a farejar o mestrado na página dos doutoramentos, para a realização do qual José Sócrates, de resto, já fora admitido depois de concluir o mestrado (como é bem explicado aqui). A orientadora poderá confirmar tudo.

domingo, agosto 02, 2015

«Temos uma espécie de Tea Party à portuguesa
que rodeia o primeiro-ministro,
com o apoio e a inspiração da Fox News à portuguesa»


• Pedro Marques Lopes, O programa eleitoral da coligação e o PSD:
    «(…) É através delas, entre outras, que se vai definir o futuro ideológico do PSD e o que ele quer para o país. Por um lado, temos aqueles que sabem que a raiz profunda do PSD e das suas bases estão longe de apoiar uma viragem do partido para uma direita à espanhola ou ainda mais radical. Por outro, temos uma espécie de Tea Party à portuguesa que rodeia o primeiro-ministro, com o apoio e a inspiração da Fox News à portuguesa, ou seja, a opinião do jornal online Observador.

    A questão é que manda neste PSD são os segundos. Gente que quer impor uma agenda e uma ideologia que nada tem que ver com a história, com os valores e com o eleitorado tradicional do PSD (não confundir com o aparelho, esse não se preocupa com essas coisas mesquinhas como ideologia ou valores, mas apenas poder). E, sabendo-o, não dizem ao que vêm.

    Para o país era muito importante saber o que de facto o governo quer. Não se propõem mudanças radicais na maneira como a comunidade está organizada - financiamento da Segurança Social, educação, saúde - não explicando exatamente ao que se vem.

    Não se pode também ignorar que o PSD é fundamental na nossa democracia. É assim da maior importância saber o caminho que está a tomar. É que a tomada de poder em curso - e que se consolidou nos últimos quatro anos - pode transformá-lo definitivamente em algo que ele nunca foi. Estará em causa até a sua sobrevivência como partido central no nosso sistema político.»

sexta-feira, julho 10, 2015

Já leu? (2)

O novo realismo é o título do artigo que António Guerreiro hoje escreve no Público. Vale a pena ler e guardar. Eis uma passagem:

    «Na busca de uma opinião universal como consenso, o posto mais avançado é ocupado pelos novos realistas. Trata-se de uma categoria de gente munida de argumentos que conservam, como armas, as receitas da propaganda maoísta e leninista importada de outrora, postas agora ao serviço de uma ideologia que não ousa nomear-se como tal: um novo realismo tão avesso à política das ideias que se entrega de maneira servil à política das coisas. Não há pior ideologia. Estes realistas por princípio, injuriosos face aos sonhos do passado de muitos deles, chamam utopia a tudo o que não se conforma o seu realismo dogmático e, contra ela, fazem constantes apelos à ordem: o novo realismo convoca prontamente o argumento moral. Utopia é, para eles, tudo o que lhes parece oferecer resistência ao presente. Qualquer forma de resistência é uma abominação, um idealismo criminoso, já que pensam conhecer melhor a realidade do que todos os outros. Não condenam apenas a resistência que se traduz em actos, mas também a resistência que se exerce pelo pensamento. “Não te obrigarei a pensar”, porque o que conta é a realidade: eis a injunção implícita em todo o novo realismo, que promete verdade e realidade a baixo preço. O novo realismo é um ressentimento anti-filosófico. E o novo realista é um conservador cínico e trocista: “Não te vergas à realidade, não aceitas a políticas das coisas-tal-como-elas-são? Vais ver o inferno a que te condenas e os castigos que te esperam”. (…)»

sexta-feira, junho 05, 2015

Gonzo, um líder

O pequeno grande arquitecto, inebriado com um dos seus temas de eleição, a converter os seus ídolos em líderes de opinião:

    «(…) Ainda percebo que os homossexuais gostem que outros homossexuais se assumam publicamente como tal. Porque acham que alguém assumir-se como gay, sobretudo se for uma pessoa conhecida (um actor, um apresentador de televisão, um desportista), tem um efeito multiplicador, contribuindo para o crescimento da 'causa' da homossexualidade. Os comunistas também gostam, por exemplo, que Carlos do Carmo se assuma como comunista. Ou os benfiquistas que Paulo Gonzo se diga publicamente do Benfica. (…)»

quinta-feira, junho 04, 2015

A realidade é uma cena que não assiste a Lobo Xavier

— Então, se a ideia é dar mais dinheiro às pessoas, porque é que não reduzem o IRS em vez de mexer na TSU?, questiona António Lobo Xavier na Quadratura do Círculo.

A resposta é simples, ó António, e até custa a crer que um reputado fiscalista não a saiba (ou finja não saber): é que 50% dos contribuintes não paga IRS, pelo que não beneficiaria da medida. E estes contribuintes têm naturalmente uma maior propensão ao consumo e, por esta via, a dar um impulso maior à reanimação do tecido económico.

segunda-feira, maio 18, 2015

Boas maneiras

O blogue do Zé Manel vai dedicar-se a ensinar boas maneiras. Esta nova frente de dinamização cultural tem potencial para superar as malogradas aventuras do «projecto de Constituição».

sábado, abril 18, 2015

Revisão constitucional a todo o vapor

O blogue da direita radical é danado para a brincadeira. Primeiro, elaborou uma nova «Constituição da República». Depois, ilustrou uma peça com duas imagens da Constituição de 1933 (que, entretanto, levaram um sumiço). Agora, procura abrir-nos os olhos para os malefícios da Constituição, colocando-nos perguntas que nos obriguem a prestar menos atenção à Casa dos Segredos: «Segundo a Constituição, pode tocar-se uma sinfonia numa autoestrada?» Julgava que o piparote dado por Tiago Antunes arrumara o assunto. Vejo, agora, que Domingos Farinho resolveu desmontar a brincadeira a par e passo — como se uma pessoa que só fala alemão pudesse debater com outra que só se exprime em grego. Ainda acaba a discutir se o Zé Manel, o Ramos e o Carrapatoso merecem ser deputados à Assembleia Constituinte. Suponho que não se poderá contar durante mais algum tempo com Joaquim Goes.

quinta-feira, abril 16, 2015

Passos dá a palavra à secção portuguesa do Tea Party


Passos Coelho não se mete noutra. Em lugar da cangalhada reunida em torno de Paulo Teixeira Pinto para fabricar uma nova Constituição da República (a que o CC prestou então a devida atenção através das séries Dinamite Constitucional e Nitroglicerina constitucional), o alegado primeiro-ministro recorreu desta feita aos seus amigos da secção portuguesa do Tea Party para dar o tiro de partida. É a sociedade civil a que temos direito.

Tiago Antunes dá um piparote neste delírio constitucional do blogue do Compromisso Portugal/Mais Sociedade. Vale a pena ler a nota de Tiago Antunes para arrumar o assunto.

sexta-feira, abril 10, 2015

O Cão Que Pensava Demais De Mais


      “Noutra altura desapareceu à noite. Eu e a minha mulher deitámo-nos, embora com o ouvido alerta, à espera de o ouvirmos raspar na porta. Mas ele não aparecia - e a dado momento começou a cair aquela chuva de pingos grossos que parecem bagos de uva. Saltei da cama, calcei os sapatos, vesti uma gabardina e fui para a rua. No meio da tempestade gritei por ele com quantas forças tinha: «Pacoooo! Pacoooo! Pacoooo!». Mas a tempestade era mais te do que eu. Até que do meio da noite e da chuva lá surgiu o Paco, correndo para mim e olhando-me com estranheza, não percebendo a minha aflição.

      Mas em Lisboa, quando o passeava à noite, era ele quem ficava aflito quando me perdia de vista. Corria como um louco, espreitando por aqui e por ali, até me encontrar. E são esses momentos que unem os seres.

      Escrevi um romance, O Cão Que Pensava Demais, que lhe dediquei com o seguinte texto: «Ao Paco, que inspirou uma das personagens principais deste livro, que me acompanhou silenciosamente em intermináveis noites a escrevê-lo, e que ainda por cima nunca o poderá ler».”

Ao ler este naco de prosa do pequeno grande arquitecto, hoje publicada na fanzine semanal da Newshold, lembrei-me de uma recensão crítica feita por Ricardo Araújo Pereira à obra citada, que termina assim: «um autor que tem todos os sentidos alerta - menos o do ridículo. Não se pode ter tudo.»