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sexta-feira, setembro 11, 2015

Fundos europeus: depois dos jipes (Cavaco), a vez dos solares (Passos)

Guillermo Forchino, L'aventure

• Francisco Seixas da Costa, Pensão completa?:
    «(…) Ao longo das últimas décadas, já tinha ouvido falar de casos semelhantes: solares, casas antigas e muitas unidades de turismo rural cuja reconstrução tinha sido feita com dinheiros públicos (sim, porque as verbas da União Europeia são verbas públicas), numa ajuda que tinha como contrapartida obrigatória aumentar a oferta hoteleira regular mas que, na realidade, apenas serviram para alguns "empocharem" essas ajudas, comporem as habitações e, depois, manterem-nas comodamente vedadas ao uso turístico.

    A pergunta que eu faço é muito simples e gostava de para ela poder ter uma resposta de quem de direito. É feito um acompanhamento do modo como as casas que foram construídas ou remodeladas com fundos públicos cumprem a sua obrigação de se manterem permanentemente abertas à utilização de potenciais utentes? São feitas inspeções regulares sobre as taxas de ocupação? É que se casas estão sempre assim tão "cheias", então quero crer que a receita fiscal deve ser bem significativa. Ou não?»

quinta-feira, agosto 27, 2015

Maduro chamado à cabine de som


    «(…) Nesta altura do quadro financeiro plurianual 2014-2020, em que os projectos necessitariam de estar consolidados e resultarem de estudos técnicos e económicos rigorosos, altamente “blindados” a inconformidades, de modo a sustentarem as candidaturas elegíveis, a lista publicada revela que, em antecipação, não foi feito o trabalho de casa. (…)»

sábado, junho 13, 2015

Para que servem os fundos europeus?

O Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia (OLAF) garantiu, em Maio de 2013, que iria investigar a forma como a Tecnoforma de Passos Coelho havia utilizado fundos comunitários para dar formação a funcionários autárquicos, a fim de os afectar a aeródromos inoperacionais ou abandonados. Já la vão mais de dois anos e não se conhecem os resultados da investigação.

Admitamos que a Comissão Europeia, mesmo depois da partida de Durão Barroso, continua dormente e não vem a tomar conhecimento de que fundos europeus pagam acções de campanha partidárias. Mas alguém na Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, que funciona junto do Tribunal Constitucional, deve ler a imprensa. Assim, podia esclarecer como é que o CDS-PP vai contabilizar nas suas contas uma acção de pré-campanha paga por fundos europeus?

segunda-feira, abril 13, 2015

Como se não houvesse amanhã


O ministro Maduro rebentou com os sucessivos prazos anunciados para abertura das candidaturas ao novo programa de fundos europeus (Portugal 2020). As clientelas barafustam. Agora, com as eleições à porta, andam todos numa lufa-lufa. Esta pode ser uma boa sondagem.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [897]


Se o ministro Poiares Maduro saísse do gabinete e pusesse os pés na terra, fosse às empresas, falar com autarcas e percebesse a realidade do país onde está e não o país onde estudou e viveu, talvez os fundos comunitários estivessem a produzir resultados e já.
      António Costa, hoje

segunda-feira, janeiro 19, 2015

O que tem de ser tem muita força

A tal flexibilização

• João Galamba, A tal flexibilização:
    «A apresentação, por parte da Comissão Europeia, dos termos em que vai assentar uma leitura mais flexível do Pacto de Estabilidade e Crescimento constitui o primeiro revés institucional do processo de constitucionalização das política de austeridade. Apesar de manifestamente insuficiente, apesar de todos os seus erros e contradições, trata-se de um recuo com um profundo significado político. Desde da viragem austeritária de 2010, esta "leitura inteligente" das regras orçamentais representa o primeiro reconhecimento institucional de que a aposta na austeridade fracassou e tem de ser revista. A Comissão nunca o diria desta forma, como é evidente. Mas há actos que valem mais que todas as palavras. (…)»

domingo, janeiro 04, 2015

São os custos do trabalho os principais culpados
da crise no “Sul” da Europa?

• Armando Pires, São os custos do trabalho os principais culpados da crise no “Sul” da Europa?:
    «Uma das principais causas apontadas para a crise dos países do “Sul” da Europa (eufemismo para os países menos desenvolvidos da Europa Ocidental), entre eles Portugal, é que nestes houve um grande aumento dos custos salariais desde a criação do Euro.

    Esta é a visão do economista alemão Hans-Werner Sinn. Segundo ele, a credibilidade que a moeda única trouxe aos países do Sul da Europa levou a um grande influxo de capitais para estes países. Este influxo de capitais criou uma pressão inflacionária e consequente aumento dos custos de trabalho e, como resultado, os países do Sul da Europa perderam competitividade face aos países do Norte da Europa. Esta linha de pensamento levou à conclusão de que uma das medidas que estes países tinham que tomar para ultrapassar a crise era a de efectuar cortes salariais.

    É certo que os países do sul da Europa tiveram um crescimento rápido dos salários depois da entrada no Euro, principalmente em relação à Alemanha visto esta ter seguido uma política de contenção salarial para facilitar a reunificação depois da queda do muro de Berlim. No entanto tal não foi o caso se analisarmos um período mais longo e principalmente se considerarmos o que realmente interessa em relação aos custos de trabalho, ou seja os custos reais do trabalho: a relação entre o crescimento destes e a produtividade. Foi isto mesmo que os economistas Javier Ordóñez, Hector Sala e José I. Silva analisaram para o conjunto de países do Euro no período de 1979 a 2012 (ver artigo “Real Unit Labour Costs in Eurozone Countries: Drivers and Clusters”).

    Os números apresentados por estes economistas mostram claramente que, ao contrário do que se pensa, foi nos países do Sul da Europa que os custos reais do trabalho menos aumentaram. Na realidade, nos países da periferia os custos reais do trabalho diminuíram entre 15% (Itália) e 21% (Espanha), tendo Portugal tido uma redução de 20%. Nos países do Norte da Europa a redução foi apenas entre 5% (Bélgica) e 13% (Áustria). Neste sentido não é inteiramente correcto afirmar que a principal causa da crise nos países do Sul da Europa foi um aumento desmedido dos custos do trabalho.

    Tendo desmistificado a ideia de que o principal problema dos países do Sul da Europa são os custos de trabalho, estes autores vão em busca de outras causas. Para isso eles partem do pressuposto de que os custos de trabalho reais dependem dos investimentos feitos em capital e em tecnologia. A ideia é que a produtividade do trabalho pode aumentar via aumentos no investimento capital (por exemplo, quando uma fábrica compra uma máquina nova) ou então através do progresso tecnológico (por exemplo, quando uma empresa inventa um produto inovador).

    Os autores deste estudo demonstram que os países do Sul da Europa, relativamente aos países do Norte da Europa, tiveram um maior aumento do investimento em capital (38% nos primeiros versus 21% nos segundos) mas um menor aumento da intensidade tecnológica (18% nos primeiros versus 39% nos segundos). Dito de outro modo, os países do Sul da Europa seguiram um modelo de desenvolvimento baseado no investimento em capital em vez do investimento em tecnologia. Ora segundo a teoria de crescimento endógeno (de Paul Romer e Robert Lucas), só o investimento em tecnologia pode conduzir a um crescimento económico sustentável no longo prazo. Isto é especialmente verdade quando o investimento em capital se centra principalmente em capital não produtivo, como os imóveis. Este parece ter sido o caso em muitos países do Sul da Europa, o que levou à conhecida bolha no mercado de habitação.

    Estes resultados, como tal, questionam não só o excessivo corte nos custos de trabalho dos programas de austeridade, mas também os critérios de Maastricht e os próprios fundos europeus. Como se sabe, os critérios de Maastricht de acesso ao Euro focaram-se apenas na convergência nominal. Ou seja, por um lado na convergência dos preços (inflação, taxas de juro, e estabilidade da taxa de câmbio) e, por outro, no equilíbrio das contas públicas. A convergência real, por sua vez, exigiria que se tivesse também focado no PIB per capita, taxa de desemprego, produtividade do trabalho, e índices de preços comparados. Convergência real acontece quando um país mais pobre tem um crescimento do PIB mais rápido que os países mais ricos como resultado por exemplo de maior crescimento na produtividade do trabalho. Deste modo, ao desvalorizar a convergência real que se obtém principalmente através do progresso tecnológico, os critérios de Maastricht podem ter incentivado ainda mais os países do Sul da Europa a seguir um modelo de desenvolvimento baseado no investimento em capital.

    Se para além disto considerarmos que os fundos europeus foram principalmente direccionados para investimento em capital físico (como se comprova pelos investimentos em estradas feitos em Portugal), então estes fundos podem ter servido para enviesar ainda mais o modelo de desenvolvimento dos países do Sul da Europa para o investimento em capital, em detrimento do investimento em tecnologia. Dito de outro modo, os fundos europeus deviam ter dado mais prioridade à convergência real, através do investimento na educação, na inovação tecnológica e na produtividade do trabalho em vez de em infraestruturas.

    Em suma, os chamados países do Sul da Europa têm seguido nas últimas décadas um modelo de desenvolvimento baseado no investimento em capital em detrimento do investimento em tecnologia. O Euro e os fundos estruturais exacerbaram esta tendência ao tornarem o investimento em capital ainda mais barato e acessível para estes países. Este modelo de desenvolvimento foi em parte responsável pela crise que os países Sul da Europa ainda hoje atravessam, visto que os custos de trabalho nestes países tiveram nas últimas décadas uma redução em relação aos países do Norte da Europa. Só com um modelo de desenvolvimento baseado no progresso tecnológico os países Sul da Europa poderão alguma vez aspirar a um crescimento sustentável no futuro.»

segunda-feira, dezembro 08, 2014

Não é gold, mas é negro

• Sérgio Figueiredo, Não é gold, mas é negro:
    «(…) 2. O "milagre económico" do cavaquismo, na segunda metade da década de 80, muito se deveu ao efeito conjugado de dois fatores: os fundos estruturais a chegar da Europa e uma queda abrupta do petróleo nos mercados internacionais.

    Se a atual descida de 40% em menos de seis meses impressiona, Cavaco Silva chegou ao governo em cima de uma ladeira ainda mais inclinada - entre a primavera de 1985 e o verão de 1986, o crude veio abaixo dos 20 dólares (a cotações de hoje) e formou uma autêntica quadratura do círculo, com desinflação e mais consumo interno, redução de custos de produção nas indústrias mais dependentes de petróleo e derivados, sem agravar desequilíbrio externo.

    Na segunda metade da década de 90, a "expansão formidável" do guterrismo assentou na descida inédita dos juros e no desafogo orçamental que uma vaga sem paralelo de privatizações permitiu.

    Agora, Passos Coelho sai de três anos de troika e entra num ano eleitoral com três dos quatro fatores que sustentaram os "anos dourados" do crescimento económico português: financia-se a juros mínimos, abre um novo gasoduto de milhares de milhões de Bruxelas e apanha uma inesperada boleia de petróleo barato.

    Sem saber como nem porquê, os mercados brindam Portugal com uma boa notícia. E é especialmente boa para um país onde o petróleo representa aproximadamente dois terços da energia primária consumida, uma vez que apenas um quinto da energia total que utilizamos é eletricidade. A eletricidade é energia, mas 80% da energia que consumimos é, sobretudo, no setor dos transportes eo uso de petróleo na produção elétrica é hoje nulo. Em mercados liberalizados, este benefício é capturado pelos consumidores desta fonte de energia e seus derivados. (…)»

quarta-feira, novembro 05, 2014

Fundos europeus: ministro Maduro em palpos de aranha


Pedro Nuno Santos questiona o ministro Maduro
sobre fundos europeus
na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública

sexta-feira, outubro 03, 2014

Por que Passos criou esta malabarice?

Hoje no DN

Um trabalho do DN revela que o dinheiro da «ONG» de Passos era todo gasto com pessoal. Refere-se também na peça que, ao longo da sua existência, a «ONG» apenas fez duas acções de formação de 29 costureiras na Pedreira dos Húngaros, para as quais obteve, de acordo com o presidente da Tecnoforma (entrevista à Sábado em 8 de Maio passado), 5.000 contos (25 mil euros) de fundos europeus.

Este é o Passos Coelho que, nos últimos três anos, não se cansou de dizer que não se pode «enterrar» fundos europeus em obras que não dão frutos ou que é preciso «investir melhor esse financiamento do que aconteceu no passado».

É cada vez mais notório que o que está em causa não são apenas as remunerações auferidas por Passos Coelho na «ONG», mas a própria malabarice em que Passos Coelho se envolveu para sacar fundos europeus. Ou seja, é preciso questionar, antes do mais, a própria constituição da «ONG».

quarta-feira, outubro 01, 2014

«Do desperdício de fundos comunitários
aos abusos das redes de influência,
das escapatórias fiscais
às mentiras e encobrimentos»

• Rui Tavares, A mulher de César, morta e enterrada:
    «(…) Nos anos 90, Pedro Passos Coelho já colaborava com a Tecnoforma, a ponto de ser fundador e presidente da ONG da empresa. Este facto foi omitido das declarações à Assembleia da República, de que Passos Coelho era deputado. Não se sabe que fazia esta ONG; aparentemente, em três anos, nada. O máximo de que Passos Coelho se lembra é de uma universidade em Cabo Verde que nunca chegou a acontecer. Na sua biografia política, Passos Coelho não diz nada sobre o Conselho Português Para a Cooperação, que galhardamente dirigia. É legítimo dizer que a sigla CPPC, da caridosa organização, significava sobretudo "Cooperar com o Pedro Passos Coelho". E, claro, com o inenarrável Miguel Relvas: o episódio da formação de inexistentes funcionários para semi-existentes aeródromos da zona centro, com o qual a Tecnoforma pôs uns milhões comunitários ao bolso, seria hilariante se não fosse trágico. É inevitável olhar para aquela cultura empresarial e política e ver nela o catálogo dos nossos mais vergonhosos erros: do desperdício de fundos comunitários aos abusos das redes de influência, das escapatórias fiscais às mentiras e encobrimentos. Passos Coelhos foi comparticipante, voluntário e autor de toda essa vergonha.

    Pedro Passos Coelho colaborou com uma empresa sem comunicar tal facto ao parlamento, participou de ações dessa empresa que se destinava a obter fundos comunitários para projetos inexistentes ou, na melhor das hipóteses, semi-existentes, e foi presidente de uma ONG de cooperação que nunca cooperou nada que se visse, e que provavelmente nunca teve tal intenção. E isso sem entrar na questão ainda por responder de quanto dinheiro recebeu ele, direta ou indiretamente, por trabalho que parece ter sido pouco mais do que nada. (…)»

domingo, setembro 21, 2014

Ministério Público explica:
Passos & Relvas desbarataram fundos comunitários
em aeródromos desertos e sem condições
por causa da Convenção de Chicago

Aparentemente, foi desencadeada uma operação nos últimos dias para mostrar que a Justiça é cega. Acontece que Luís Filipe Menezes, um dos visados, caiu em desgraça há muito, como o próprio se lastimava a uma revista cor-de-rosa acabada de chegar às bancas: «Vejo pessoas a quem dei o biberão e hoje nem me conhecem». O outro visado nesta operação é o alegado primeiro-ministro.

No caso de Passos Coelho, a comunicação social centrou a sua atenção na denúncia de que o rapaz de Massamá, sendo no período em causa deputado em exclusividade de funções, teria recebido 150 mil euros de uma pseudo-ONG, pelo que poderia estar em causa uma alegada fraude fiscal e falsificação de documentos.

Na feliz expressão de Estrela Serrano, o alegado primeiro-ministro deu uma «resposta mal-enjorcada»: disse «não ter presente» se recebeu esses pagamentos e remeteu esclarecimentos para a Assembleia da República, como se este órgão de soberania fosse o depositário da contabilidade da Tecnoforma e afins. Soube-se, entretanto, que o caso estaria prescrito, pelo que, nas doutas palavras de Tiago Caiado Guerreiro transcritas pelo Expresso, o alegado primeiro-ministro não terá sequer de pagar o imposto em falta, uma vez que o direito à liquidação «caduca ao fim de quatro anos».

No entanto, é estranho que haja alguém que não se lembre se lhe pagaram 5.000 euros por mês durante três anos. E que, independentemente da prescrição, não tome a iniciativa de esclarecer a situação, tanto mais que, numa entrevista recente, o patrão da Tecnoforma, quando interrogado sobre as remunerações pagas a Passos Coelho, embatucou: «Eh pá, isso já não me recordo. É um bocado arriscado estar-lhe a dizer e era grave.»

Entretanto, uma peça perdida do Diário de Notícias — mais desenvolvida no site (ao contrário do que é habitual) e em relação à qual não encontrei referência em mais nenhum órgão de comunicação social — informa-nos de que o Ministério Público tinha ordenado o arquivamento do processo que levou à adjudicação à Tecnoforma de um conjunto de acções de formação em aeródromos. Veja-se:


Basta seguir este link para descobrir que o lobbying pode fazer milagres. Ou ler, por exemplo, esta reportagem. Resta-nos fazer uma pergunta: porque é que quando há processos que envolvem pessoas ligadas ao PS o resultado é a condenação e quando há processos que envolvem pessoas ligadas ao PSD (e se os há…) o resultado é poeira para os olhos?

PS — Há ainda um pequeno obstáculo a vencer: a Tecnoforma, onde Passos Coelho foi consultor e administrador, está a ser investigada pelo Gabinete da Luta Antifraude da União Europeia (OLAF), devido a alegadas irregularidades e fraudes relacionadas com fundos europeus. Será que, na mudança de cadeiras que irá ocorrer na Comissão Europeia, poderá também haver processos a serem transportados em camionetas de caixa aberta, como ocorreu agora com a reorganização do mapa judiciário?

quarta-feira, julho 30, 2014

A direita em campanha


1. Durão Barroso montou o circo em São Bento: «Vinte e seis mil milhões de euros é uma pipa de massa…» Referia-se ele aos fundos do próximo quadro comunitário. Esqueceu-se de referir que esta pipa de massa é inferior às verbas recebidas no anterior quadro comunitário (QREN). Esqueceu-se também de fazer alusão ao facto de Portugal ser um contribuinte líquido da União Europeia.

Mas uma coisa é certa: Barroso ainda não desistiu de ser candidato presidencial. E, aparentemente, aprendeu com a derrota nas eleições internas do PSD (em 1995). Agora, Barroso faz questão de ser ele a entregar o cheque, copiando o estilo seguido por Marques Mendes para preparar, nos anos 90, a tomada da São Caetano por Fernando Nogueira.

2. Passos Coelho deu hoje o mote para as eleições legislativas: a economia não pode estar na mão de «meia dúzia de grupos económicos ou sociais». O governo que decidiu, por sua conta e risco, «ir além da troika», o governo do bodo aos ricos com a reforma do IRC, o governo que liquidou milhares de pequenos e médios empresários («Esta selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver está feita»), o governo que impôs uma austeridade que atirou centenas de milhares de portugueses para o desemprego, este mesmo governo vai agora inverter a situação. É o regresso do rapaz humilde de Massamá.

sexta-feira, junho 27, 2014

O desemprego precisa de um remédio drástico?

• Pedro Silva Pereira, O desemprego precisa de um remédio drástico?:
    «Em Maio de 1924, bem antes do 'crash' de 1929 e da subsequente Grande Depressão, a Inglaterra estava ainda confrontada com as graves consequências económicas e sociais da Guerra. Propondo uma resposta política à altura das circunstâncias, John Maynard Keynes fez publicar no jornal The Nation um célebre artigo cujo título vinha em forma de pergunta: "O desemprego precisa de um remédio drástico?". Noventa anos depois, é a essa mesma pergunta que a União Europeia precisa de responder.

    Numa altura em que, respeitando os resultados eleitorais, se prepara a investidura de uma nova liderança para a Comissão Europeia e a sua posterior validação diante de um novo Parlamento Europeu, a questão decisiva consiste em saber se o novo programa político da União Europeia assume, com suficiente lucidez e determinação, a necessidade de dar uma resposta adequada ao descontentamento que os cidadãos expressaram nas recentes eleições europeias e que se traduziu no crescimento substancial da abstenção e das forças políticas eurocépticas (que chegaram mesmo a ganhar em países como a França e o Reino Unido). Dessa resposta depende o futuro da Europa e do projecto europeu.

    Que não haja ilusões: a questão não se resolve com meras proclamações retóricas ou com simples paliativos destinados a aliviar a dor da recessão ou da estagnação económica, seja na forma de medidas pontuais de apoio às empresas, seja na forma de sucessivos programas de estágios para jovens eternamente à procura do primeiro emprego. Como escreveu Keynes no seu texto do The Nation: "Estamos atolados numa rotina. Necessitamos de um impulso, de um safanão, de uma aceleração".

    De entre os vários desafios cruciais que estão colocados ao projecto europeu e à União Económica e Monetária, nenhum tem uma centralidade comparável ao do emprego. O facto é que meia dúzia de anos depois da crise financeira ter rebentado nos Estados Unidos da América, a economia norte-americana está de novo a crescer de forma consistente e já viu o desemprego baixar para a casa dos 6%, a ponto de a Reserva Federal considerar reunidas as condições para iniciar um programa de retirada gradual dos estímulos à economia. Em contraste, na zona euro, ao fim de três anos de política de austeridade, a economia oscila entre a recessão e a estagnação e a taxa de desemprego é o dobro da norte-americana, com toda uma série de terríveis consequências: níveis insuportáveis de desemprego jovem e de longa duração, desequilíbrio agravado nas relações laborais, quebra abrupta da natalidade, riscos de insustentabilidade da protecção social e desconfiança crescente dos cidadãos no projecto europeu e nas próprias instituições políticas democráticas. E tudo isso em nome da redução de uma dívida pública que não pára de aumentar.

    Certamente, há muito a fazer em múltiplos domínios para relançar a economia europeia e promover a sua competitividade mas uma coisa é absolutamente certa: não haverá um "remédio drástico" para o problema do desemprego se não houver investimento. O investimento produtivo é a variável-chave para operar a viragem de que a economia europeia precisa. E é também por isso que o emprego tem uma especial centralidade entre os principais desafios europeus: se for levado verdadeiramente a sério, não poderá deixar de ter profundas consequências na política orçamental e de gestão da dívida pública, na mobilização dos recursos financeiros comunitários, na coordenação da governação económica, no desenho das reformas para a competitividade da economia e na própria agenda de coesão social e territorial, contra o agravamento das assimetrias que atraiçoam o ideal europeu.

    No estado a que as coisas chegaram, a resposta à pergunta de Keynes só pode ser uma: é de um "remédio drástico" que o desemprego precisa. Antes que seja tarde demais para o projecto europeu.»

segunda-feira, junho 23, 2014

"Nunca tive nada a ver com isso e vejo o meu nome
envolvido em algo que não conheci e não decidi?!"

«A "testemunha silenciada"» é o título de um trabalho publicado na última edição da Sábado. É sobre as peripécias em torno da Tecnoforma de Passos Coelho, mas com um ingrediente suplementar: o papel de Helena Belmar da Costa, que foi secretária pessoal do Dr. Relvas, quando este era secretário de Estado de Barroso, e voltou a sê-lo com Passos Coelho, quando este tomou posse como alegado primeiro-ministro. Lê-se: «Alguns responsáveis social-democratas recordam-se de os ver juntos ainda nos tempos da Juventude Social Democrata (JSD). "Ela tratava por tu o Miguel Relvas e o primeiro-ministro. Era ela quem lhes fazia tudo", concretiza uma fonte do PSD. Um antigo membro da juventude partidária acrescenta: "Sempre foi a fiel escudeira dos dois."»

Acontece que Helena Belmar da Costa foi sumariamente despedida do gabinete de Passos Coelho. Por coincidência ou não, o despedimento ocorreu quando o Público andava a esgaravatar as peripécias da Tecnoforma.

Ora estava Helena Belmar da Costa no gabinete do Miguel Relvas quando ocorreram os factos do Programa Foral em investigação no caso Tecnoforma. Aparentemente, há quem esteja com os nervos em franja em São Bento: «Ela foi despedida do gabinete do primeiro-ministro e agora pode ter dito as maiores loucuras ao Ministério Público e à Polícia Judiciária”, refere à Sábado, sob anonimato, uma fonte próxima do Governo.»

Se calhar, não é caso para menos. Segundo a revista, há dois processos autónomos que visam apurar eventuais indícios de crimes de corrupção e de tráfico de influências na atribuição de milhões de euros de fundos comunitários do Programa Foral, parte deles usados para pagar serviços, em 2003 e 2004, à empresa privada Tecnoforma, cujo consultor era então Pedro Passos Coelho. Uma investigação está limitada à extraordinária formação de técnicos de aeródromos e heliportos municipais. A outra é bem mais abrangente, porque inclui dezenas de outros projectos de formação profissional da Tecnoforma subsidiados pelo Programa Foral.

O Dr. Relvas, que homologou a drenagem de fundos comunitários para a Tecnoforma, mostrou-se surpreendido quando a Sábado o questionou: «Nunca tive nada a ver com isso e vejo o meu nome envolvido em algo que não conheci e não decidi?!» A revista deveria saber que o Dr. Relvas era, já nesse tempo, mais dado à «simplicidade da procura do conhecimento permanente».

sábado, abril 12, 2014

Passos e o trauma da Tecnoforma


domingo, março 30, 2014

Também já foi o partido dos pescadores


A porta-voz da comissária europeia para os assuntos marítimos afirma que a perda dos fundos comunitários é definitiva. Agentes do sector falam de má gestão de Assunção Cristas. Lembram-se de quando Paulo Portas dizia que havia fundos comunitários «sem dono» e que a sua aplicação era um «desastre»?

quarta-feira, março 12, 2014