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A "testemunha silenciada"» é o título de um trabalho publicado na última edição da
Sábado. É sobre as peripécias em torno da
Tecnoforma de Passos Coelho, mas com um ingrediente suplementar: o papel de
Helena Belmar da Costa, que foi secretária pessoal do Dr. Relvas, quando este era secretário de Estado de Barroso, e voltou a sê-lo com Passos Coelho, quando este tomou posse como alegado primeiro-ministro. Lê-se: «
Alguns responsáveis social-democratas recordam-se de os ver juntos ainda nos tempos da Juventude Social Democrata (JSD). "Ela tratava por tu o Miguel Relvas e o primeiro-ministro. Era ela quem lhes fazia tudo", concretiza uma fonte do PSD. Um antigo membro da juventude partidária acrescenta: "Sempre foi a fiel escudeira dos dois."»
Acontece que
Helena Belmar da Costa foi sumariamente despedida do gabinete de Passos Coelho. Por coincidência ou não, o despedimento ocorreu quando o
Público andava a esgaravatar as peripécias da
Tecnoforma.
Ora estava
Helena Belmar da Costa no gabinete do Miguel Relvas quando ocorreram os factos do Programa Foral em investigação no caso
Tecnoforma. Aparentemente, há quem esteja com os nervos em franja em São Bento: «
“Ela foi despedida do gabinete do primeiro-ministro e agora pode ter dito as maiores loucuras ao Ministério Público e à Polícia Judiciária”, refere à Sábado, sob anonimato, uma fonte próxima do Governo.»
Se calhar, não é caso para menos. Segundo a revista, há dois processos autónomos que visam apurar eventuais indícios de crimes de corrupção e de tráfico de influências na atribuição de milhões de euros de fundos comunitários do Programa Foral, parte deles usados para pagar serviços, em 2003 e 2004, à empresa privada
Tecnoforma, cujo consultor era então Pedro Passos Coelho. Uma investigação está limitada à extraordinária formação de técnicos de aeródromos e heliportos municipais. A outra é bem mais abrangente, porque inclui dezenas de outros projectos de formação profissional da
Tecnoforma subsidiados pelo Programa Foral.
O Dr. Relvas, que homologou a drenagem de fundos comunitários para a
Tecnoforma, mostrou-se surpreendido quando a
Sábado o questionou: «
Nunca tive nada a ver com isso e vejo o meu nome envolvido em algo que não conheci e não decidi?!» A revista deveria saber que o Dr. Relvas era, já nesse tempo, mais dado à «
simplicidade da procura do conhecimento permanente».