Com efeito, estando o país a confrontar-se com o mais alargado período de recessão de que há memória, que coincide com os três anos de vigência do seu governo, Passos Coelho não foi módico nas palavras: «Estamos a mostrar um nível de crescimento que não temos há mais de 12 anos.» Ninguém prepara o alegado primeiro-ministro antes de o soltarem? Uma pequena cábula que cabe num bolso do casaco?
PS — Com aquele seu jeito muito próprio, Passos Coelho não excluía há um ano a possibilidade de uma espiral recessiva (travada pelo chumbos dos cortes pelo Tribunal Constitucional): «Ninguém pode afastar a hipótese de uma espiral recessiva». Mas neste comício dos austeritários organizado pelo Jornal de Negócios e pela RR, o alegado primeiro-ministro, referindo-se aos signatários do manifesto, disse: «são os mesmos que falavam na espiral recessiva. E quanto a isso estamos conversados». Esta deselegância atinge também Cavaco Silva, que mais uma vez comeu e calou.