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quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Ó Nuno Melo, o Snow Ball Effect não é um jogo de computadores

Rapinado a André Figueiredo

Para se avaliar a consistência do CDS, repare-se que Nuno Melo é apresentado à sociedade como o n.º 2 de Paulo Portas. Cabe a este espécime representar o CDS em vários programas nos media, designadamente no “Conselho Superior” da Antena 1. Esta manhã, Nuno Melo aldraba as palavras de José Sócrates (no seu espaço de comentário na RTP) e de João Galamba (numa entrevista no fim-de-semana) e vai por aí fora naquele estilo simplório e fura-vidas que é a sua imagem de marca¹.

Fixemo-nos na questão soletrada por Nuno Melo aos microfones da Antena 1: “Défice é dívida: enquanto não se resolver o problema do défice orçamental, a dívida subirá sempre.”

Diz ele isto para procurar justificar mais cortes na despesa. Mas se parasse para pensar, em lugar de papaguear lugares comuns, talvez se desse conta de que, apesar dos cortes na despesa, a dívida continua a subir, pelo que talvez valesse a pena investigar melhor o mistério. Ou em alternativa ler os documentos do próprio governo — como, por exemplo, o Relatório do Orçamento do Estado para 2014, que, na pág. 36, tem um quadro muito elucidativo:


Com efeito, após a adopção do programa de “ajustamento”, é imputável ao défice primário apenas 4 pontos percentuais (pp) dos 19.6 pp de aumento da dívida. O chamado “efeito bola de neve² é responsável por 17.5 pp do crescimento da dívida.

Ora os cortes na despesa pública têm degradado tanto a situação da economia portuguesa, designadamente no que respeita ao desemprego, que os efeitos negativos que provocam acabam por frustrar a suposta “poupança” e sobrecarregar a dívida.

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¹ Quanto à deturpação das palavras, basta rever o que disse José Sócrates no domingo (e, já agora, o que sustenta António Horta Osório sobre este tema) e João Galamba na entrevista.
² O “efeito bola de neve” compara a evolução da taxa de juro com a taxa de crescimento nominal do PIB. Se a taxa de juro cresce acima da taxa de crescimento nominal do PIB, a dívida pode tornar-se insustentável.

terça-feira, novembro 12, 2013

Portas sempre em festa
com Miss Swaps metida num sarilho dos diabos

Os dados hoje divulgados do INE sobre a inflação mostram que o país corre o risco de cair numa situação de deflação (com a retracção do consumo e do investimento), o que, a acontecer, agravará a dinâmica do rácio dívida/PIB.

Com as pressões que se verificam para a descida dos preços, é preciso, para poder manter a trajectória da dívida, que ocorra um crescimento real mais alto ou um excedente primário maior.

Ora, a componente que mais tem determinado a evolução do rácio da dívida é a diferença entre a taxa de juro e PIB nominal, como se pode observar no quadro seguinte que consta do Relatório do Orçamento do Estado para 2014 (p. 36):


Com efeito, após a adopção do programa de “ajustamento”, é imputável ao défice primário apenas 4 pontos percentuais (pp) dos 19.6 pp de aumento da dívida. O chamado “efeito bola de neve” é responsável por 17.5 pp do crescimento da dívida.

O “efeito bola de neve” compara a evolução da taxa de juro com a taxa de crescimento nominal do PIB. Se a taxa de juro cresce acima da taxa de crescimento nominal do PIB, a dívida pode tornar-se insustentável. Assim sendo, se a taxa de crescimento nominal do PIB baixa por força da deflação, a dinâmica da dívida piora automaticamente.

Pode Paulo Portas transformar a política num teatro de revista, mas a Miss Swaps sabe que está metida num sarilho dos diabos.