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terça-feira, novembro 10, 2015

quarta-feira, outubro 28, 2015

A guarda pretoriana do poder económico


      «Ontem, logo após Passos & Portas terem anunciado o governo possível nestas circunstâncias - um grupo de ministros com prazo de validade à vista -, o PS atacou em bloco todas as escolhas. Os ministros da PàF são todos maus porque são do PSD e do CDS, ponto final. Se Cavaco Silva foi sectário, o que dizer desta resposta?»

Não é apenas Cavaco Silva que crê que duas pessoas sérias com a mesma informação chegam necessariamente à mesma conclusão. Há por aí muito boa gente que acredita piamente que governar é a aplicação de uma técnica a que poucos têm acesso, para o que é indiferente recrutar A ou B, desde que ambos provenham da aristocracia do conhecimento, na qual reside o alegado saber oculto. Esta casta de iniciados que ostenta a suposta competência tem horror à política, às diferenças na política, às alternativas em política. A relutância ao confronto de ideias não é um mero capricho, mas a defesa dos pressupostos ideológicos que enformam esta casta.

Depois de quatro anos de devastação levada a cabo por um governo de radicais de direita, André Macedo entende que a oposição — no caso, o PS — deveria fazer vénias ao defunto governo, no qual pelo menos alguns terão sabido aplicar a ciência da governação. É o aforismo de Cavaco dito por outras palavras.

terça-feira, outubro 27, 2015

quarta-feira, outubro 14, 2015

Um pouco de história


Se Cavaco Silva indigitar Passos Coelho para a formação do governo, estaremos em presença de uma situação sem precedentes após a aprovação da Constituição da República: uma minoria de direita a governar com contra uma maioria de esquerda na Assembleia da República. Não aconteceu uma situação análoga, em 1985, com o primeiro governo de Cavaco Silva? Não, então havia na oposição o PRD de Eanes, que não era um partido de esquerda.

sábado, outubro 10, 2015

O candidato que a direita descobriu na Fundação da Casa de Bragança


A escolha de Celorico de Basto para a apresentação da candidatura à presidência da República, longe dos palcos em que Marcelo Rebelo de Sousa costuma actuar, pode ter surpreendido muito boa gente. Ao que se vê, foi o município mais distante de Vila Viçosa que Marcelo encontrou.

Mas o expediente da avó Joaquina não evita que Marcelo tenha de fazer mais uma cabriola: renegar o compromisso vitalício de presidir à Fundação da Casa de Bragança, um cargo que «é sério e pesado». Ou como o próprio assumiu quando optou por ser testamenteiro da Casa de Bragança: «Não posso dizer, quando aceito esta incumbência, "olhe vou ali num instante fazer um lugar honorário, depois vou fazer isto, aquilo, e depois volto". É um lugar de empenhamento efectivo». Afinal, voltou.

terça-feira, maio 12, 2015

Perguntar não ofende

Hoje, Ricardo Costa qualifica o PSD e o CDS como «centro-direita». É comum ver esta catalogação na comunicação social. Admitindo que corresponde à realidade, cabe perguntar:

• Que partido(s) representa(m) a direita política, económica e social em Portugal?

• Que outras medidas tomaria(m) esse(s) partido(s) da direita, conhecendo-se os efeitos brutais da política austeritária de «ir além da troika» do Governo, designadamente no desemprego, na pobreza, na exclusão social, no aprofundamento da desigualdade, na emigração forçada, na deterioração do SNS, na redução do poder de compra da maioria dos portugueses?

quarta-feira, abril 22, 2015

Variações sobre o pensamento único

    «Pena que Mariana Mortágua tenha caído na armadilha da Direita.

    Segundo a Lusa, a deputada do BE Mariana Mortágua classificou hoje o cenário macroeconómico do PS de "irrealista", nestes termos: "Parece-nos irrealista, do ponto de vista do PS, apresentar um cenário em que diz acabar com a austeridade e, ao mesmo tempo, cumpre à letra e à risca as determinações de austeridade da União Europeia (UE). Nós acabamos com a austeridade, mas conseguimos ter saldos orçamentais positivos e reduzir a dívida na proporção que a UE nos exige. Isto, em si, é a quadratura do círculo e é o que torna este documento irrealista", afirmou a deputada na Assembleia da República.

    Tenho imensa pena que a Mariana Mortágua, que não conheço pessoalmente mas da qual tenho a melhor impressão, tenha caído na armadilha da Direita. A tese da Direita sempre foi: se querem Europa, têm de engolir o empobrecimento. Infelizmente, a Mariana Mortágua não encontrou melhor maneira de tentar reagir ao Relatório dos Economistas ao PS do que fazer coro com a Direita, fazer coro com a tese central do "pensamento único": ou se submetem ou saem da UE (ou, pelo menos, do euro).

    Pois, o PS não engole o pensamento único. Vamos ficar na Europa e vamos acabar com a austeridade e o empobrecimento. E faço um apelo à Esquerda para que encontre uma linha de debate que não ressuscite a coligação negativa, com a esquerda da esquerda a fazer o mesmo discurso da Direita.»

Erro de paralaxe

Pedro Santos Guerreiro deu ontem o tom e João Pedro Henriques foi hoje atrás, dizendo que o «PS encosta à esquerda».

Há nestas posições um erro de perspectiva. O que já vinha a acontecer na década anterior, e se aprofundou nestes últimos quatro anos, foi uma transformação do PSD num partido da direita radical, abdicando até de se reclamar da «social-democracia». Para se ser rigoroso, o PSD é que nunca esteve tão longe do PS e do centro político.

O PSD aproveitou o pretexto da troika e da União Europeia para operar uma política de desvalorização do trabalho e de empobrecimento, promovendo deste modo uma enorme transferência de recursos do trabalho para o capital. Uma política de classe contra classe. Que agora se propõe continuar a dar bónus às grandes empresas (descida continuada do IRC), aos reformados com as pensões mais elevadas e às energéticas.

O documento Um Década para Portugal traz um novo equilíbrio entre políticas do lado da oferta e políticas do lado da procura — e devolve rendimento à classe média (pensionistas e funcionários) e aos sectores que foram empurrados para a pobreza por este governo (vide números hoje divulgados da pobreza infantil).

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

«Não me parece haver incoerência quando Atenas diz em voz alta
aquilo que nós ciciamos, que a troika é um desastre»

• António Correia de Campos, Os gregos:
    «(…) A moral sempre foi a arma preferida da direita contra os que não dobram no essencial. Não sei se este arquétipo se vai confirmar. Ninguém o sabe. Mas não aceito que sejam apodados de impreparação, oportunismo e experimentalismo por aqueles que tudo ultrapassaram em falta de preparação e de nervo para gerir a Europa; de falta de coragem de quem arrisca tudo - família, carreiras internacionais garantidas, tranquilidade - para safar o grande navio dos baixios onde encalhou. Não me parece haver incoerência quando dizem em voz alta aquilo que nós ciciamos, que a Troika é um desastre, que a doutrina económica prevalente está furada, que afinal são os grandes que lucram com o empobrecimento dos periféricos. Se assim fosse não enchiam a praça do seu parlamento todas as semanas, não teriam o apoio de 75% dos cidadãos, veriam os vermes a sair da terra onde mergulharam, depois de anos de má governação da Nova Democracia e de um intervalo desmoralizante de governo PASOK e de uma posterior e irrelevante coligação. (…)»

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Em busca da Europa perdida

• João Caraça, Em busca da Europa perdida:
    ‘Não havia assim qualquer hipótese de o voluntarismo e os instrumentos da esquerda (os Estados-providência principalmente) resistirem ao confronto com a política de direita e a sua retórica de liberalização, desregulação e privatização. Talvez porque o campo da direita se tenha tornado internacional, seguindo os ditames do capitalismo informacional de hoje, ao passo que a esquerda se foi fragmentando e acantonando, tentando defender o que resta da soberania (os territórios) das nações, ou mesmo atirando-se para a frente se a oportunidade parece espreitar. Mas é claro que assim também não irá longe.

    Como se devia ter feito há 80 anos, é preciso hoje inescapavelmente mergulhar nos problemas, chamar as coisas pelos seus nomes, identificar o adversário real, transformar a crise em conflito, procurar as alianças onde existem as solidariedades que vão cimentar o mundo novo. Não onde os interesses do mundo-espetáculo nos pretendem acorrentar.’

sábado, novembro 02, 2013

A escola Indy

Revista do Expresso, Março de 2012

Um dos governos de Cavaco encomendou a Miguel Esteves Cardoso o texto das Grandes Opções do Plano.
O governo de iniciativa presidencial 'liderado' por Passos Coelho encomendou a Paulo Portas o Guião da Reforma do Estado.
O retrato perfeito do cavaquismo: ideologia política primária, pragmatismo dos negócios travestido de política, incapacidade para pensar o País.
Por estudar fica a influência perniciosa do jornal giro e fofo inventado por PP e MEC no jornalismo, na justiça e na política.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Um ódio de estimação da direita

• Tomás Vasques, Um ódio de estimação da direita:
    ‘(…) O que incomodou (e incomoda) a Direita foi a facilidade com que José Sócrates entrou no eleitorado que tradicionalmente vota PSD e CDS-PP, o que lhe permitiu obter a primeira e única maioria absoluta para os socialistas, em 2005. E, nas eleições de 2009, já com a crise em cima da mesa e após quatro anos a enlamear, diariamente e com voracidade, o carácter do então primeiro-ministro, o PSD apenas subiu quatro décimas em relação a 2005, enquanto o PCP não saía do mesmo sítio - sete por cento nas últimas três eleições legislativas. Este ódio da Direita a José Sócrates é explicado na literatura desde a Eneida, de Virgílio: é um amor-ódio. E quanto mais intensa é a paixão, mais o ódio é avassalador. O próprio José Sócrates explicou isso numa entrevista recente: "Sou o chefe democrático que a direita sempre quis ter". Agora que ele regressou, mais vale prevenir do que remediar.’

domingo, agosto 25, 2013

Austeridade: parar de escavar o buraco ou fazê-lo mais devagar?


A posição sustentada aqui por João Ribeiro traduz as hesitações que a esquerda europeia tem revelado. Uma situação semelhante ocorre no Reino Unido e é excelentemente retratada por Robert Skidelsky num artigo intitulado Nonsense Economics:
    “In practice, the effect of deficit reduction policies depends not on the actual cuts made, but on the effect of these cuts on the level of economic activity. Spending cuts will not reduce the deficit if it reduces the economy at the same time, because the economy is the source of the government's revenues. Over the last two years, the government has taken about £100bn out of the economy in spending cuts and tax increases but there has been no reduction in the deficit as a percentage of GDP. This is because austerity has weakened the economy by just enough to nullify the fiscal ‘consolidation’.”

Neste contexto, seria assim tão difícil a João Ribeiro responder a Martim Silva que o PS fala tão pouco de cortes na despesa porque discorda que isso corresponda ao interesse do país — e que, ao contrário do consenso (pavloviano) nacional que a direita está a tentar construir, o PS não quer aproveitar esta crise — a política de “ir além da troika” — para desmantelar o Estado social?

É pela aceitação de posições como esta que a esquerda europeia está em crise — porque não está a revelar ser capaz de defender aquilo em que acredita nem de assumir uma estratégia que se distinga das políticas que a direita adoptou. No fundo, como acontece na entrevista de João Ribeiro ao Expresso, a esquerda europeia tem-se mostrado lacónica e evasiva quando questionada sobre a austeridade e, se pressionada a esclarecer a sua posição, confessa dispor-se a adoptar uma versão soft das políticas da direita.

Por isso, João Ribeiro parece ter acabado de chegar de Marte quando sustenta que “a direita europeia no seu todo está a roubar o discurso ao centro-esquerda”:

sexta-feira, março 29, 2013

Esta gente snifa para escrever?


Hoje no i:
    “Nunca tive acções”

    E o Benfica? José Sócrates teve 500 acções da Benfica SAD e até chegou a declará-las. A partir de 2011, os políticos deixaram de ter de declarar este tipo de títulos.

Brechas na narrativa

O Negócios online inaugurou a moda do fact checking com a entrevista de José Sócrates à RTP. E fê-lo - há que reconhecer - de forma profissional e equilibrada. Factos são factos e Sócrates colocou-os em cima na mesa durante a entrevista.
Mas a moda pegou e nas últimas horas jornais e televisões desataram a "analisar" a entrevista.
Obviamente, a pequenez profissional e moral que caracteriza o meio está a dar azo a uma série de artigos cujo objectivo é apenas repor a narrativa anti-Sócrates construída nos últimos anos pela direita e seus comentadores.
Nota-se, porém, que essa é uma narrativa que começa a mostrar algumas brechas. E ainda estamos no inicio.

segunda-feira, março 11, 2013

Sócrates

• António Correia de Campos, O bode expiatório [hoje no Público]:
    ‘Todas as sociedades tiveram o seu bode expiatório. O dia da expiação era um ritual para purificação da nação de Israel. Para a cerimónia, eram levados dois bodes, um deles era sacrificado e o outro, o bode expiatório, era tocado na cabeça, pelo sacerdote, que confessava os pecados dos israelitas e o enviava para o deserto, onde todos os pecados eram aniquilados.

    Para a direita nacional e sobretudo para a comunicação social que o temia, por imprevisível, Sócrates é o bode expiatório ideal. Está ausente, não pode falar sem provocar mais ruído que o já criado, dedica-se a coisas aparentemente esotéricas como a filosofia política, os seus apoiantes reduzidos a um quadrado defensivo. Ainda por cima, o partido que dirigiu com mão forte durante meia dúzia de anos esteve longe de se dispor a defendê-lo, com isso deixando-se também cair num fojo. Os sinais recentes de reunião podem aqui ajudar ao exorcismo clarificador. Até que tal suceda, os clarins da direita infrene espreitam a mais ténue imagem, escutam o mais vago rumor de movimento do visado.

    Certamente não deixariam passar em claro que o seu antigo e temido adversário de estimação emergisse da clandestinidade. O que quer que fosse o que fizesse, o emprego que aceitasse ou a que aspirasse, tudo seria objecto de inquisitória perseguição sob a forma de suposta investigação jornalística. Acontece que Sócrates aceitou funções de representação internacional de um laboratório suíço intervindo na área do sangue e seus derivados, com a reserva de o trabalho ser fora do país. Toda a sanha se projectou sobre o desempenho dessa empresa, entre nós, no tempo de Sócrates. Descobriu-se, pasme-se, que a empresa era um dos poucos fornecedores activos nos concursos centralizados que a Saúde então organizava. A passagem de centralizado a disperso, proposta pelos serviços competentes, parece racional. Mas tendo sido executada no seu tempo, todas as razões são boas para gerar suspeição e insídia. Tal como aconteceria se o processo fosse o oposto: a passagem de concursos descentralizados a centralizados, talvez até com agravada desconfiança.

    Faça Sócrates o que fizer, será sempre ele a turvar a água que o lobo pretende beber. Ele ou alguém por ele. A sua única sorte é não ter sido ele tomado como o outro bode, o que sofreu sacrifício imediato. Assim, como refere a antiga cultura, ele foi apenas tocado na cabeça e mandado para o deserto.’

domingo, dezembro 16, 2012

Descesdência assegurada


Vasco Pulido Valente tenta conjugar no Público de hoje umas lérias sobre a última edição da Quadratura do Círculo (SIC-N). Fantástico como certas pessoas não conseguem conviver com a derrota - expulso, em boa hora, do programa, quando se chamava Flashback e só passava na TSF, o ex-deputado do PSD ainda não conseguiu arrumar o assunto...
A rabugice, desta vez, vem a reboque da inefável vedette Isabel Jonet.
Diz às tantas o ex-secretário de Estado da Cultura (!?), sobre Jonet: "É uma mulher estimável que, de repente, se viu metida no meio de um jornalismo espertalhão. Não sendo nem moralista, nem teóloga, nem política, falava com a maior inocência sobre si e o seu papel no Banco Alimentar".
Não é política e fala com a maior inocência?
Que bom. "Aníbal, podes finalmente retirar-te. Descobriram uma sonsa à tua altura", comentou-se na Travessa do Possolo.