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segunda-feira, novembro 09, 2015

Bloomberg desmente imprensa alarmista

    «Posto assim, até é triste. Mas a verdade é que Portugal não tem nada de especial. Refiro-me à evolução recente das taxas de juro da dívida pública (ver gráficos abaixo, retirados há pouco do site da Bloomberg). A não ser que o acordo entre as esquerdas portuguesas esteja a afectar o futuro de Espanha e de Itália, a evolução dos juros sobre a dívida nacional tem muito pouco a ver com o que está a ser discutido na AR. As devidas desculpas à imprensa alarmista pelo mau jeito.»

domingo, novembro 01, 2015

Jerónimo pergunta, Bagão responde



Numa recente entrevista à SIC Notícias, Jerónimo de Sousa questionava a razão por que o défice anual não deve ultrapassar 3%. Bagão Félix esclarece a questão colocada pelo secretário-geral do PCP e explica igualmente um outro mistério do euro: o limite imposto à dívida.

quinta-feira, outubro 01, 2015

Nem os valetes da direita dissimulam o descontrolo da dívida

Pedro Sales recorda aqui o que a RTP afirmava há dois meses sobre a dívida pública: não apenas era aldrabado o valor da dívida aquando da posse do governo de Passos & Portas (era então de 106%), como não tornava claro que o valor indicado para 2015 era uma previsão tão optimista que há muito havia sido ultrapassada pela realidade. Veja-se:


Hoje, o Banco de Portugal comunica que a dívida está nos 130,2%, tendo aumentado 3,3 mil milhões de euros em relação a Dezembro. É obra. Não há (José Rodrigues dos) Santos que lhes valham.

sábado, setembro 26, 2015

A CP conta mas o BES não?


• Ricardo Reis, A CP conta mas o BES não?:
    «(…) não é justo que o governo insinue que o verdadeiro défice é 4,5%. Ao contrário das linhas férreas, neste caso nós sabemos quanto vale este activo: aquilo que ainda há um mês três concorrentes estavam dispostos a pagar, que era bastante menos do que esperávamos. Por isso o défice "verdadeiro" também não é 4,5%, mas mais por culpa das perdas que se estima vamos ter quando finalmente vendermos o BES.»

sexta-feira, setembro 11, 2015

Frases-chave de António Costa


    «As frases-chave de António Costa na entrevista de ontem à RTP:
      1. 'A troika só sairá de Portugal quando Passos Coelho sair do Governo'.

      2. 'Passos Coelho é um prisioneiro do passado'.

      3. 'O PS é o único partido com as contas feitas'.

      4. 'A diferença é que Passos Coelho aumentou a dívida e eu reduzi-a, Passos Coelho aumentou o impostos e eu baixei, Passos Coelho cortou no investimento e eu aumentei'.

      5. 'Não recebo lições do atual primeiro-ministro quando à boa gestão das coisas públicas'.»

sábado, julho 18, 2015

O vice-pantomineiro saiu da toca

Clique na imagem para a ampliar

    «Portas diz que com o PS a dívida vai disparar. Se ao menos Paulo Portas tivesse um modelo para sustentar a sua argumentação por forma a que não soasse a retórica gratuita de quem já pouco parece ter a dizer.»

sexta-feira, junho 12, 2015

Uma verdade inconveniente


    «A política de austeridade “além da troica” imposta pelo governo da direita, em vez de diminuir, fez disparar o peso da dívida. A redução da dívida era a meta das metas deste governo. Infelizmente, se em 2010 a dívida pública estava nos 96% do PIB, hoje, apesar de terem privatizado tudo que havia para privatizar, o peso da dívida já ultrapassou os 130%!

    «Quando chegou a Lisboa, António Costa recebeu do PSD uma Câmara endividada. Em vez de se queixar da herança, em vez de cortar nos direitos das pessoas, enfrentou com rigor as verdadeiras causas do problema da dívida municipal. Conseguiu assim, entre 2007 e 2014, que a dívida de Lisboa baixasse 40,5%. Estamos a falar de menos 420,3 milhões de euros, valor que já inclui as receitas do terreno do aeroporto, é certo, mas também as dívidas à Bragaparques - outra herança do PSD que António Costa resolveu.

    São factos que constam das Demonstrações Financeiras da Câmara Municipal de Lisboa de 2007 (páginas 8 e 191) e do Relatório e Contas da Câmara Municipal de Lisboa de 2014 (página 101). É uma verdade muito inconveniente para a direita que ainda nos governa. Porque os portugueses começam a perceber que há um outro caminho, mais justo e mais eficaz, para equilibrar as contas públicas.

    Foi por isso que esta semana apareceu, uma vez mais, o PSD, pela voz do deputado e vereador António Proa, a tentar contrariar factos e criar ruído na comunicação entre o PS e o país. António Proa disse, de novo, que a redução da dívida em Lisboa era apenas de 25%. Ora, uma mentira repetida muitas vezes não se torna verdade. Continua a ser uma mentira.

    É certo que uma redução de 25% da dívida seria sempre um resultado muito melhor do que o aumento de 34 pontos percentuais, que foi o que o Governo do PSD conseguiu a nível nacional. Mas o que baixou 25% foi o passivo do município (se incluirmos permutas). Comparando o que é comparável, isto é, retirando dos números de 2014 o impacto que não existia em 2007 da recente passagem para a Câmara do passivo da EPUL, empresa onde o PSD colocava a sua gente e ocultava as dívidas do município, a dívida legal da Câmara baixou mesmo 40,5% de 2007 para 2014.»

terça-feira, junho 09, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [924]


Com franqueza, não reconheço ao doutor Paulo Portas nem ao actual primeiro-ministro autoridade para me darem lições sobre finanças públicas, porque a verdade é esta: eu também herdei uma dívida muito grande e em vez de chorar sobre a dívida fiz aquilo que compete aos políticos, que é gerir, e reduzi em 40% a dívida da Câmara Municipal de Lisboa ao longo destes oito anos. Eles aumentaram 18%.

quinta-feira, junho 04, 2015

Solução para a redução da dívida

    «1. A dívida pública representava 96% do PIB em 2010. O ano de 2014 fechou com ela a 130% do PIB.

    2. São 34 pontos percentuais de aumento, isto é, 35%, isto é, mais de um terço.

    3. É este o registo do Governo PSD/CDS no mais importante indicador da saúde das contas públicas: o aumento da dívida pública em mais de um terço.

    4. Vêm agora Passos Coelho e Paulo Portas proporem a inscrição na Constituição de um limite para a dívida.

    5. Pois eu tenho uma solução mais simples e que não precisa de dois terços dos votos parlamentares: é correr com eles do Governo nas próximas eleições.»

domingo, maio 24, 2015

Vai o pote, dispara a dívida

Abutres sem tempo para preparar assalto às últimas jóias da coroa

• Luís Villalobos, Onde falharam as privatizações:
    «(…) Outro aspecto importante das reprivatizações prendia-se com a redução do peso da dívida pública na economia. Uma intenção com algum mérito, mas que falhou redondamente. Durante estes anos, a venda de empresas que estavam nas mãos do Estado rendeu cerca de 35 mil milhões de euros (tendo por base um valor referido por Ana Suspiro no livro Portugal à venda).

    Quanto à dívida pública, está agora na casa dos 220 mil milhões de euros (130% do PIB). Historicamente, a descida da dívida pública esteve associada aos pagamentos decorrentes das reprivatizações e não do controlo das despesas. Assim, rapidamente voltou a subir e o resultado do encaixe com a venda de empresas foi o mesmo que atirar copos de águas para um fogo alimentado por gasolina (fenómeno que continuou a verificar-se com o actual Governo).

    (…)

    Caso a privatização da TAP seja finalizada, pouco resta ao Estado para vender. Com os falhanços que se verificaram no processo das reprivatizações, espera-se que o futuro seja diferente para grupos como a Águas de Portugal e a Caixa Geral de Depósitos.»

quinta-feira, maio 21, 2015

Histórias de quatro anos de sucessos [1]
A dívida pública continua imparável

— Ó Pedro, essa aí ao teu lado não consegue domar a dívida.

Quando o Governo de Sócrates saiu de cena, a dívida pública ascendia a 94% do PIB. No fim do 1.º trimestre de 2015, a dívida atingiu 130,3% do PIB, acima do valor que alcançou no final de 2014 (130,2%). De acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal, a dívida na óptica de Maastricht — a que interessa à Comissão Europeia — somou 226,3 mil milhões de euros no final do primeiro trimestre.

A dívida pública tem trocado as voltas ao Governo desde o início do programa de ajustamento, situando-se sempre acima das previsões oficiais, que numa primeira fase apontavam para um pico de 107% do PIB em 2013.

É a política austeritária de ir «além da troika», aplicada pelo Governo, a mostrar uma parte dos seus resultados.

terça-feira, abril 21, 2015

Alternativa - indicadores

E o CDS saiu da toca

Coube a Cecília Meireles, pau para toda a obra, dizer umas palavras de circunstância sobre o estudo hoje apresentado por um grupo de economistas convidados por António Costa. Em suma, a deputada do CDS disse que, se o PS vier a adoptar políticas alicerçadas no cenário macroeconómico hoje apresentado, a dívida pública dispararia e «teríamos novamente a troika em Portugal».

Talvez seja útil recordar a Cecília Meireles que a dívida foi por aí acima após a direita se ter alçado ao poder, não obstante as brutais doses de austeridade sadicamente aplicadas. Veja-se a evolução da dívida neste gráfico:

sexta-feira, abril 17, 2015

A dívida disparou? Miss Swaps manda omitir dos gráficos


Pergunta Porfírio Silva no Facebook: «Por que é que no site do Ministério das Finanças o gráfico da dívida pública pára em 2011? PPC continua zangado com as estatísticas?»

Joana Inês Pontes (num comentário no post de Porfírio Silva) socorre-se de um outro gráfico para dar resposta às questões colocadas, pondo em evidência que a política austeritária de Passos & Portas serviu para empobrecer a esmagadora maioria do povo português, mas não sustou a espiral da dívida. Antes pelo contrário, como se vê:

terça-feira, abril 14, 2015

Da série «A vida das pessoas não está melhor
mas o país está muito melhor»


Carga fiscal sobre o trabalho disparou nos últimos anos em Portugal:
    Portugal foi dos países onde os impostos sobre os rendimentos do trabalho mais se agravou entre 2010 e 2014, mostra um estudo da OCDE parcialmente hoje divulgado. Para solteiros sem filhos, Portugal bate mesmo o recorde em termos de subida da carga fiscal.
Crédito malparado das famílias renova máximos históricos:
    As famílias continuam a ter dificuldades em cumprir com o pagamento das prestações dos créditos contraídos. A percentagem de empréstimos dados como malparados atingiu, em Fevereiro, o valor mais elevado de sempre. São dados do Banco de Portugal, divulgados desde 1979.
Portugal regista a terceira maior queda da produção industrial:
    A produção industrial portuguesa caiu 0,5% em Fevereiro face ao mês anterior, sendo assim a terceira maior queda da União Europeia, revelam dados do Eurostat. Tanto na zona euro como na União Europeia, a produção industrial aumentou em Fevereiro quando comparada com o mês anterior, sobretudo devido aos bens não duradouros e energia.
Portugal com maior quebra do emprego na União Europeia:
    Portugal registou a maior quebra do emprego (de 1,4%) na União Europeia no quarto trimestre de 2014 face ao trimestre anterior. Para além de Portugal, o emprego caiu, na comparação em cadeia, na Croácia (-0,9%) em Chipre (-0,6%), na Polónia (-03%), em Itália (-0,2%) e em Malta (-0,1%).
Portugal entre os quatro países com mais desemprego jovem na OCDE:
    A taxa de desemprego entre os jovens na OCDE chegou aos 14,3% em Fevereiro, a percentagem mais baixa desde Novembro de 2008. Mas Portugal apresenta uma taxa de desemprego entre os jovens de 35%, uma das maiores dos países da OCDE.
INE revê dívida pública em alta para 130,2% do PIB em 2014:
    O INE avançou com um valor de dívida pública de mais de 130% do PIB para 2014, uma revisão em alta face aos 128,7% que vinham a ser reportados nomeadamente pelo Banco de Portugal e assumidos pelo Governo.
Índice de Volume de Negócios nos Serviços manteve variação homóloga negativa :
    Índice de volume de negócios nos serviços registou uma variação homóloga nominal de -3,5% em Fevereiro (-3,1% no mês de Janeiro).

domingo, abril 12, 2015

Anatomia e dissecação de um colossal falhanço


Em Anatomia e dissecação de um colossal falhanço, Nicolau Santos faz, na edição de ontem do Expresso, um breve balanço dos quatro anos de troika. Eis um excerto, podendo o artigo ser lido na íntegra aqui:
    «(…) 1. A 4 de abril, Angela Merkel elogia os esforços do Governo português para combater a crise, através de um novo plano de austeridade, o PEC 4. Com o apoio da chanceler alemã e do presidente da Comissão Europeia havia a real possibilidade de Portugal conseguir um resgate mais suave, idêntico ao que Espanha depois veio a ter. O primeiro-ministro, José Sócrates, dá conta ao líder da oposição, Pedro Passos Coelho, do que se passa. Este, pressionado pelo seu mentor e principal apoio partidário, Miguel Relvas, recusa-se a deixar passar o PEC 4, dizendo que não sabia de nada e que não apoiava novos sacrifícios. O seu objetivo é a queda do Governo e eleições antecipadas (ver o livro “Resgatados”, dos insuspeitos jornalistas David Dinis e Hugo Filipe Coelho). O Presidente da República, Cavaco Silva, faz um violento ataque ao Governo no seu discurso de posse, a 4 de abril, afirmando não haver espaço para mais austeridade. Os banqueiros em concertação pressionavam o ministro das Finanças. Teixeira dos Santos cede e coloca o primeiro-ministro perante o facto consumado, ao anunciar ao “Jornal de Negócios” que Portugal precisa de recorrer aos mecanismos de ajuda disponíveis. Sócrates é forçado a pedir a intervenção da troika. Merkel recebe a notícia com estupefação e irritação.

    2. O memorando de entendimento (MoU) é saudado por políticos alinhados com a futura maioria, por economistas de águas doces, por banqueiros cúpidos e por comentadores fundamentalistas e bastas vezes ignorantes, pois, segundo eles, por cá nunca ninguém conseguiria elaborar tal maravilha. Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU, é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu. Em vez de um ano de austeridade tivemos três. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno. A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro? Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública? Só mesmo quem crê em contos de crianças. (…)»

quinta-feira, abril 09, 2015

Intervenções no âmbito da Interpelação ao Governo (pedida pelo PCP)
centrada na continuação da política da troika



Pedro Nuno Santos: «Como é que explica que há seis meses o emprego esteja a cair de forma ininterrupta, Senhora Ministra [Miss Swaps]? O que é que está a acontecer?»


João Galamba: «A Senhora Ministra das Finanças [Miss Swaps] disse uma coisa espantosa que, de facto, resume grande parte da dissonância cognitiva deste governo: numa mesma intervenção disse que o Governo foi obrigado a aumentar impostos por causa do Tribunal Constitucional (e que queria era ter cortado salários e pensões) e terminou a sua intervenção vangloriando-se da devolução de salários e pensões.»

quarta-feira, abril 08, 2015

Da série "Frases que impõem respeito" [904]


Temos mais dívida e mais desemprego e temos um país que perdeu capacidade de crescimento. Destruímos e perdemos capacidade produtiva, mas, ainda pior, no tecido social abriu-se uma ferida que ainda está aberta e a sangrar, com o desemprego e a emigração.

segunda-feira, março 30, 2015

Crónica de uma retoma não anunciada


• João Galamba, Crónica de uma retoma não anunciada:
    «Na passada sexta-feira, a ministra das Finanças decidiu entrar em modo farsa e acusou a oposição de falhar todas as previsões. E fez isso sem se rir. Vejamos o que o actual Governo, no seu primeiro Documento de Estratégia Orçamental (DEO), apresentado no final de Agosto de 2011, anunciava ao país. A recessão ia durar apenas um ano, com o PIB a cair 1,8 em 2012; em 2013, vinha a retoma, com a economia a crescer de forma robusta e sustentável. O que verdadeiramente aconteceu foi que a economia colapsou, caindo 4% em 2012 e 1,8% em 2013; e a dívida pública, que o Governo disse que ia aumentar apenas seis pontos percentuais (pp), cresceu mais de 20 pp, ultrapassando os 130% do PIB.

    O objectivo inicial de regressar aos níveis de endividamento de 2011 logo em 2015 foi adiado lá para 2020. Para além de uma recessão muito maior e mais duradoura do que o previsto, com os custos económicos e sociais que todos conhecemos, a retoma que o Governo está a celebrar consegue a dupla proeza de ser anémica e insustentável...segundo os critérios de sucesso definidos pelo próprio governo no seu primeiro DEO. Em vez de um crescimento de 2,5% assente na estagnação do consumo e inteiramente dependente do investimento e da procura externa líquida, temos um crescimento que é um terço do previsto e que depende quase exclusivamente do consumo, uma vez que a procura externa líquida foi negativa, e o investimento, em vez de crescer em torno dos 4%, cresceu apenas 2,3%, desacelerando no último trimestre, devido à forte travagem do investimento público.

    Crescimento do consumo superior ao crescimento do PIB, crescimento das exportações que é metade do previsto, crescimento das importações muito acima do previsto, investimento que regressou a níveis pré-adesão à CEE, mais concretamente a 1984 - o ano de 2014 mostra que o Governo está á celebrar uma retoma que é o contrário do que o próprio governo sempre defendeu. Esta retoma, embora insustentável, é, no curto prazo a melhor do ponto de vista orçamental: o crescimento assente no consumo, sobretudo na compra de automóveis, é o que mais faz crescer as receitas fiscais, que é o que explica toda a redução do défice de 2014.

    Sim, a economia cresce, como crescem todas as economias em que um governo é obrigado a recuar na austeridade que previa executar. Mas 2014 não é o ano do sucesso das políticas do governo: é o ano em que a economia portuguesa se libertou de parte das políticas de austeridade da maioria e também é o ano em que se confirma que não houve qualquer tipo de transformação estrutural que assegure a sustentabilidade futura da economia portuguesa. Um crescimento de 0,9%, que degrada a balança externa em 30% e que depende quase exclusivamente do consumo, é a prova disso mesmo.

    2014 não é o ano do sucesso das políticas do governo: é o ano em que a economia portuguesa se libertou de parte das políticas de austeridade da maioria.»