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segunda-feira, maio 19, 2014

Controlo do pote? Não queremos cá disso, disse ela

Fernanda Câncio no DN

Um contrato — aparentemente, principesco — entre o Estado português e a ABDL, Lda., de António Borges, não pode ser consultado, porque a Miss Swaps entende que está em causa «apreciação ou juízo de valor sobre pessoa singular» ou «informação abrangida pela reserva da vida privada». António Borges era o consultor do Governo para as privatizações.

Os dados relativos ao contrato não constam do portal que deveria conter todos os elementos de todos contratos públicos. Com uma decisão apenas, a Miss Swaps mete no bolso o controlo externo do Estado (o Tribunal de Contas) e o controlo interno da Administração Pública (a Inspecção Geral de Finanças).

sexta-feira, setembro 06, 2013

Ainda Borges

• Fernanda Câncio, Ainda Borges:
    ‘(…) JMT, que escreveu primeiro, tinha dado o mote: "Demasiados homens de esquerda olham para demasiados homens de direita como inimigos a abater." Sem dúvida, nem é preciso ir buscar os crimes de Estaline: basta olhar para os últimos anos em Portugal e ver como os homens de direita foram vilipendiados e perseguidos pela canalha de esquerda. De apodos de Hitler e Drácula a ataques à vida privada, passando pelo preço "de saldo" que pagaram pelas habitações, certificações de que os descendentes devem ter vergonha deles, acusações de corrupção e até de escutas à presidência da República, não houve nada de que a esquerdalha do PSD e CDS não lançasse mão para abater os seus inimigos de direita. Felizmente, temos JMT para denunciar esta vergonha de "não ser possível [à esquerda, claro] discordar sem demonizar", o que impede o País de ter "um debate político que saia da sofisticação do jardim de infância".

    É pois a infantilidade que nos impede de perceber que a diferença nas reações às mortes de Portas e Borges nada tem nada que ver com a diferença entre o que fizeram em vida. A mesma infantilidade que nos leva a olhar para Borges e ver uma personagem de simbolismo talvez ímpar cujo percurso passa, no auge da crise internacional, da administração da financeira Goldman Sachs para o FMI, onde supervisionou os resgates europeus, e daí para, como ministro à solta do governo, aplicar os termos do resgate português. Há lá coisa mais infantil do que esta fábula da raposa e do galinheiro? Ou que questionarmo-nos como, com uma esquerda tão vilmente persecutória, pôde um homem de direita como Borges safar-se com isto tudo e lograr ainda a proeza de estar dois anos a trabalhar para o Governo mais pequeno e poupado e transparente de sempre sem se saber quanto ganhava? Criançola que sou, é no facto de isto ter sido possível que vejo ofensa e insulto. Mas é a Portugal, que, como não está (ainda) morto, pode ser ofendido à vontade.’

sexta-feira, agosto 30, 2013

António Borges

• Vasco Pulido Valente, Um caso [hoje no Público]:
    ‘(…) se pensarmos no ascendente que a profissão de economista tomou em Portugal, é logo claro que António Borges era uma personagem importantíssima de um pequeno grupo que se julga destinado a governar Portugal e que atribui a desgraça para que o país pouco a pouco resvalou ao simples facto de os políticos há 30 anos se recusarem a seguir as suas receitas. De um lado, a ignorância triunfante dos partidos. Do outro, a infalível sabedoria de uns tantos privilegiados, que se educaram em Princeton ou em Harvard, em Stanford ou em Yale. E o extraordinário é que a generalidade da classe média acredita nesta visão do mundo. Basta ver o deslocado respeito que recebeu a mediocridade de Vítor Gaspar; e a absurda imputação a António Borges dos males da Pátria, para que ele não metera nem prego, nem estopa.

    De qualquer maneira, o antagonismo entre esquerda e direita a propósito deste episódio serviu para mostrar uma coisa muito simples: que a economia não é uma ciência. (..) Os senhores da economia reclamam para ela o estatuto da medicina, por exemplo, mas quando se põem a perorar é para se agredirem ou para tentar impor as verdades de fé, que eles próprios não compreendem muito bem.’

segunda-feira, agosto 26, 2013

António Borges

«Classificaria Borges no que Quiggin designou Zombie Economics:
"Uma ideia zombie é a que insiste em regressar apesar de estar morta"
("mesmo tendo-se visto que era perigosa e errada")»

    "Não há dúvida de que é um homem sabedor, mas está agarrado àquelas teorias neoliberais, o mercado é que conta. O mercado não é ético, aquele jogo entre governos e grandes negócios falseia a concorrência".
      Jacinto Nunes, ex-governador do Banco de Portugal e professor catedrático jubilado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG)

• José Reis, “Não produziu pensamento original”:
    ‘Só estive uma vez com António Borges, num debate sobre Estado e economia. Fiquei com a ideia de que o que defendi lhe suscitou desdém. Havia um enorme mar e um intenso nevoeiro entre a margem que eu habito e a que ele habitava. Acho que ele não apenas não via o outro lugar como não tinha interesse em descortiná-lo.

    Contava-se talvez entre os que cultivam o autismo económico. Não quero ser injusto, mas acho que Borges não produziu pensamento original, não criou obra e não foi sequer um intelectual orgânico do capitalismo liberal. Foi, como todos nós, uma circunstância. No entanto, detemo-nos nele como quem interpelou os outros, suscitando-lhes adesão ou conflito. O que explica esta contradição é que a Economia é também um instrumento de inculcação de ideias, de redução das liberdades pessoais e de sujeição das vontades a uma mecânica que as transcende e que raramente é humana, uma lógica de domínio dos poderosos sobre a maioria.

    Na Economia, classificaria Borges no que Quiggin designou Zombie Economics: "Uma ideia zombie é a que insiste em regressar apesar de estar morta" ("mesmo tendo-se visto que era perigosa e errada"). Mas a classificação pouco conta. O que me parece é que Borges foi, na cena pública da nossa desgraça recente, quem mais tomou para si a tarefa de usar certas ideias como instrumento poderoso para configurar a sociedade, para a hierarquizar, para minimizar a imprevisibilidade dos humanos, para limitar a escolha, para, enfim, a ajustar a um mundo que era o seu, o das instituições que frequentava, o da relações sociais que desejava.

    Neste sentido, foi o mais normativo e o mais alheio à pólis dos intervenientes no debate económico. Estaria errado e não estimaria o que a mim me parece que mais estima deve merecer. Mas também acho que estava convencido disso. Aquele era, afinal, o seu mundo. E cada um de nós só pode procurar fazer valer o seu se a vida for plural e até tiver o colorido que os excessos de Borges lhe deram.

    A morte de António Borges, um homem de 63 anos, é, antes de tudo, a dor no peito que isso nos provoca. Um homem é sempre um valor irredutível.’

terça-feira, julho 02, 2013

E depois do Adeus

• Pedro Santos Guerreiro, E depois do Adeus:
    ‘(…) não tivemos azar na destruição da procura interna da economia. Foi deliberado. O fracasso confesso de Gaspar é o fracasso de uma política económica dita liberal, que teve como ideólogos pessoas que aqui foram chamadas de estupidamente inteligentes, incluindo António Borges, Braga de Macedo e, claro, Vítor Gaspar. A lógica de destruição da má economia induzida pela escassez não se cumpriu. A lógica da virtude das reformas estruturais como purificação do ambiente depois da qual viria o crescimento espontâneo, e essencialmente privado, não aconteceu. Essa perspectiva económica supostamente evolucionista (em que os que melhor se adaptam são os que sobrevivem) tornou-se uma prática de extermínio (em que os mais poderosos permaneceram). A economia está a morrer. Em parte porque as previsões do modelo falharam. Mas a expiação é maior do que o bode. A economia está a morrer também porque o Governo falhou gravemente no desmantelamento dos interesses instalados, que afinal permanecem. A economia está a morrer também porque o Governo falhou gravemente no corte da despesa permanente e na reforma do Estado, o que levou a sucessivos golpes de austeridade, ora colossais, ora enormes. A economia está a morrer porque em vez de comando há desnorte, tira-se, repõe-se, retira-se, opõe-se medidas a medidas, prolongando a incerteza e aniquilando a confiança. A economia está a morrer porque além de semear o mal que era (e era) necessário semear, o Governo não teve uma ideia, uma proposta, uma política que surpreendesse. Houve muitas lâmpadas sem génios. E agora, o Governo recua, cede, e não só aos professores - a tudo. Como confessionalmente disse Miguel Relvas noutros tempos, o Governo não tinha Plano B. Nota-se.’

sexta-feira, junho 07, 2013

"Não há volta a dar: dois anos depois, o País está hoje pior do que estava. E vai continuar a piorar enquanto não se puser travão a isto"


• Pedro Silva Pereira, O duplo erro de julgamento:
    ‘Ao fim de dois anos de Governo de direita, há um largo consenso quanto a um balanço simples e triste: o País está hoje pior do que estava. O que falta acrescentar é que este falhanço prova que Passos Coelho cometeu um duplo erro de julgamento: enganou-se, primeiro, ao provocar a crise política que empurrou Portugal para a ajuda externa e enganou-se, depois, ao escolher a austeridade "além da ‘troika'" que arrastou a economia para uma terrível espiral recessiva. E ao enganar-se, enganou o País. Com as consequências que estão à vista.

    O primeiro erro de julgamento de Passos Coelho foi o de, na ânsia de chegar ao poder, ter desvalorizado as consequências de provocar uma crise política e de empurrar o País para a ajuda externa. Não é que Passos Coelho desconhecesse essas consequências - como já aqui provei, o líder do PSD sabia que um pedido de ajuda externa, em condições análogas às da Grécia e da Irlanda, deixaria Portugal, como ele próprio disse, numa posição em que "daqui a dois ou três anos não estaria em condições de cumprir" (Lusa, 10-2-11). Mas a verdade é que quando a oportunidade surgiu, entre o País e o poder, Passos Coelho escolheu o poder: desprezou o apoio do BCE ao PEC IV, provocou a crise política (dizendo-se contra o aumento dos impostos) e ficou à espera da ‘troika' - e dos votos. Foi por essa altura que começou a ver na ajuda externa vantagens que até então lhe tinham passado despercebidas, sobretudo como ocasião para diabolizar o PS e implementar a sua agenda ideológica neoliberal contra o Estado. Com Durão Barroso na Comissão Europeia, António Borges no FMI e Eduardo Catroga na mesa das negociações, não surpreende que tenha exultado com o programa da ‘troika' e que o tenha adoptado como o seu programa. Agora que falhou, é altura de lembrar que foi Passos Coelho que quis assim.

    O segundo erro de julgamento de Passos Coelho respeita à condução da governação e consiste em ter consentido a Vítor Gaspar a loucura de uma "austeridade além da ‘troika'", que arrastou Portugal para uma grave espiral recessiva. Na sétima avaliação, ao mesmo tempo que revelava o falhanço de todas as suas previsões e dava conta da necessidade de medidas adicionais, o ministro das Finanças gabava-se de ter aplicado o dobro (!) da austeridade prevista no Memorando inicial da ‘troika' - sem nunca lhe ocorrer que uma coisa talvez tivesse que ver com a outra. E sem que nunca Passos Coelho desse sinais de se lembrar que tinha prometido aos portugueses uma estratégia de combate às "gorduras do Estado" e não uma estratégia de empobrecimento das famílias e do País.

    Os indicadores traduzem com clareza as consequências desastrosas deste duplo erro de julgamento. A economia, que em 2010 cresceu 1,9%, está atolada, pelo terceiro ano consecutivo, numa grave recessão, registando uma queda de 4% no 1º trimestre deste ano. _O desemprego, que era de 12,1% quando o Governo tomou posse, disparou para os 17,8% no passado mês de Abril (945 mil desempregados) e em breve chegará aos 19%.

    A redução do défice, apesar da austeridade e dos sucessivos orçamentos rectificativos, falha todas as previsões. E a dívida pública, que era de 94% do PIB em 2010, já vai nos 127%. Apesar da propaganda, todos sabem que a revisão das metas acordada com a ‘troika' não se deve à "credibilidade reconquistada" mas sim à necessidade de acomodar os constantes falhanços do ministro das Finanças; a melhoria nas contas externas não traduz um saudável ajustamento estrutural da economia mas sim a redução conjuntural das importações imposta pelo impacto do empobrecimento na procura interna e a redução dos juros nos mercados financeiros reflecte mais a intervenção do BCE do que a confiança numa dívida pública que continua classificada como "lixo".

    Não há volta a dar: dois anos depois, o País está hoje pior do que estava. E vai continuar a piorar enquanto não se puser travão a isto.’

segunda-feira, junho 03, 2013

Sobre o regular funcionamento das instituições

António Costa descreve, com alguma minúcia, a balbúrdia em que se transformou a gestão da Caixa Geral de Depósitos por obra e graça dos principais actores políticos: Passos Coelho, que quer mudar o conselho de administração para satisfazer os lobbies que o alçaram a São Bento (acicatado, por exemplo, pelo consultor António Borges, que reclama um financiamento para a Fundação Champalimaud, de que é administrador); Vítor Gaspar, que prefere entregar a gestão da Caixa à casa de que é originário; o Álvaro, a quem sai sempre a fava, que se entretém a escrever cartas de amor às PME; e o Presidente da República, que se faz esquecer para fazer esquecer que foi ele que lhes estendeu a passadeira para São Bento.

É de ler na íntegra o artigo do Diário Económico: Deviam ter vergonha.

quinta-feira, maio 23, 2013

Grandes educadores do povo: maus hábitos eliminam-se com choques repentinos




Concluídas as eleições legislativas, o governo da direita não perdeu muito tempo para dizer ao que vinha: aproveitar a crise para desarticular os mecanismos de protecção do mundo do trabalho e, a prazo, colocar a sopa do Sidónio no lugar do Estado social.

O ajustamento apareceu também como a oportunidade para “limpar a economia”, nas palavras sempre clarividentes de António Borges. Embalado pelo seu conselheiro, Passos Coelho fez um balanço positivo da operação de limpeza: “Esta selecção natural das empresas que podem melhor sobreviver está feita”.

Hoje, coube ao Moedinhas, conhecido no seio do governo por “grilo falante da troika”, explicar a revolução em curso no país: “Todos sabemos que a mudança é difícil. (…) E as empresas fazem os possíveis para lhe resistirem, por vezes até ser tarde de mais. Aliás, como bem sabemos, muitas empresas, e até indivíduos, só alteram os maus hábitos quando sofrem choques repentinos.”

Como se sabe, os “choques repentinos” duram há dois anos e ainda há “maus hábitos” a erradicar no valor aproximado de 4.800 milhões de euros (sem contar com o que a espiral recessiva vier a exigir no futuro). É esta sucessão interminável de “choques repentinos” que Cavaco colocou em cima da mesa do Conselho de Estado à espera de um julgamento favorável para salvar a pele do Governo. E a sua própria pele, como padrinho da coisa.

quarta-feira, março 27, 2013

segunda-feira, março 25, 2013

Uma proposta de troca aos srs. Ulrich, Belmiro e Borges

• António Marujo, Uma proposta de troca aos srs. Ulrich, Belmiro e Borges:
    ‘O sr. Ulrich insiste em justificar-se, o sr. Borges socorre o primeiro-ministro e o sr. Belmiro sugere a mão de obra paga aos preços da China. Tenho, por isso, uma sugestão: que esses senhores (e outros que defendem o mesmo e recebem como eles) nos dêem já o exemplo e comecem a receber salários de 475 euros.

    Pensando melhor: prefiro que troquem um dos vossos salários pelo meu subsídio de desemprego. Basta por um ano, que isso já me permitirá uma folga de vários anos. Poderemos, assim, ver se o sr. Ulrich aguenta; ou se o sr. Belmiro passará a integrar o "carnaval mais ou menos permanente" das manifestações de protesto; ou se o sr. Borges decidirá de vez seguir o conselho do sr. primeiro-ministro e emigrar para onde lhe reconheçam valor e competência.’

quinta-feira, março 07, 2013

Um estarola de má-fé

Dinheiro Vivo

Depois de o pobre Álvaro se ter comprometido a aumentar o salário mínimo, e quando o próprio presidente da CIP admitiu que “está disponível para discutir” esse aumento, Passos Coelho não se coíbe de afirmar na Assembleia da República: “Quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, a medida mais sensata que se pode tomar é exactamente a oposta. Foi isso que a Irlanda fez no início do seu programa.” Como se pode ver no gráfico supra, o salário mínimo na Irlanda é de 1462 euros mensais e em Portugal está em 485 euros (ou 556 euros, se o montante anual for divido por 12).

Hoje, António Borges, um dos gurus económicos de Passos Coelho, faz questão de revelar que é ele o autor das palavras ontem balbuciadas pelo alegado primeiro-ministro no debate parlamentar: “O ideal até era que os salários descessem como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego”.

Por que carga de água deveriam os empresários contratar desempregados se depois não conseguem escoar o aumento da produção por falta de procura interna? Como os inquéritos do INE têm mostrado, a principal preocupação dos empresários não é o custo do trabalho (ou a falta de crédito), mas a quebra violenta da procura interna. Sem haver quem compre produtos, não haverá razão para os produzir. O aumento do salário mínimo seria um contributo para a reanimação do mercado interno, até porque os seus beneficiários não consomem, no essencial, bens importados.

Vem hoje Passos Coelho admitir que poderá encarar a possibilidade de aumentar o salário mínimo se houver crescimento: “nessa altura, talvez”. Ora, recordando as estimativas da Comissão Europeia divulgadas há dias (e que a própria Comissão admitiu ter de rever), não haverá crescimento tão cedo. A anémica estimativa para o PIB em 2014 deve estar a ser revista e a previsão para 2015 é aterradora: - 3%. Tão aterradora que a Comissão Europeia, depois de a divulgar, apagou-a do site.

terça-feira, janeiro 29, 2013

A RTP é vital para os planos de Passos & Relvas

• António-Pedro Vasconcelos, Quem dá mais? [hoje no Público]
    'Que o polémico ministro [o Dr. Relvas] tem mau perder, que goza da protecção incondicional do primeiro-ministro, e que, também por isso, se julga imune ao escrutínio da plebe já todos sabíamos. Mas que ele levasse a sua obstinação ao ponto de, nessa mesma noite, anunciar um novo plano para destruir o que resta da estação pública poucos esperavam. O que prometeu Relvas aos portugueses? Uma "reestruturação dolorosa" que, na prática, se reduz a um plano de mais de 600 despedimentos (quase um terço da empresa!), para o qual o primeiro-ministro lhe entregou de mão beijada 42 milhões de euros, que, em vez de servirem para melhorar a programação, vão servir para a destruir, para aumentar o desemprego e reduzir a RTP a uma empresa incapaz de recuperar a sua credibilidade e de desempenhar as suas obrigações. Borges, o seu ventríloquo, já o veio dizer com o desprezo cínico dos grandes predadores: a RTP, tal como a TAP, tem de se tornar primeiro "mais atractiva" (leia-se: mais barata) para quem no futuro a quiser comprar.

    Pelos vistos, esta guerra que Relvas move à RTP não tem fim à vista. E, por paradoxal que pareça, é agora bem mais perigosa. Relvas promete dar luta. Com uma administração dócil, que já colocou os seus peões, cavaleiros e bispos no tabuleiro para se mexer à vontade, o ministro tem agora as mãos mais livres para levar por diante o seu plano de destruição da empresa. Sem ter de dar contas ao Parlamento nem ao Presidente da República, com esta derrota, Relvas sente-se, paradoxalmente, mais livre de constrangimentos.

    Pretendendo sempre agir em nome do interesse público, Relvas não hesita em continuar a manipular os números: a RTP, diz ele, custou, no ano passado, 540 milhões aos contribuintes. É preciso dizer com clareza que estes números são falsos. E, das duas uma: ou Relvas sabe - e é grave, porque mente; ou não sabe e é igualmente grave, porque revela que o ministro é ignorante. Com os seus 15 canais, de rádio e TV (nacionais e internacionais, generalistas e temáticos), a RTP custou aos portugueses, em 2012, €145,75 milhões da contribuição audiovisual (CAV), mais €73,171 milhões da indemnização compensatória e 339 mil euros de subsídios à exploração. Nem mais um cêntimo. O resto (€45,315 milhões) foram receitas comerciais. Incluir nesses custos o pagamento voluntário de uma parte substancial da dívida (€344,5 milhões), que estava a ser paga através da publicidade a um sindicato bancário internacional, desde o tempo de Morais Sarmento, e que o actual ministro decidiu antecipar (perguntem-lhe porquê), é um exercício de demagogia que cai mal a um responsável político. Por duas razões: primeiro, porque o défice de mais de mil milhões de euros que a RTP tinha em 2005 era o efeito de uma dívida contraída pelo Estado que, durante anos, não pagou à empresa as "indemnizações compensatórias" a que se havia obrigado, primeiro pela perda da taxa, depois pela perda substancial de publicidade. Segundo, porque a RTP, como todas as TV públicas da UE, recebe fundos públicos (da taxa e/ou do Orçamento) para pagamento das obrigações e limitações a que está obrigada pela prestação do serviço público. Acresce que, se a publicidade tivesse constituído, como devia, uma receita da empresa e não um encargo para pagar a dívida, a RTP (a segunda mais barata da Europa) teria tido lucro desde 2005.

    O que devíamos estar a discutir há muito, em vez deste folhetim lamentável congeminado por um ministro ignorante e mal-intencionado, era a reforma da RTP, o modo de a tornar melhor e mais independente. O que exigiria quatro medidas: 1) Como desgovernamentalizar a nomeação das administrações; 2) Qual a presença do serviço público nas novas plataformas, nomeadamente na TDT; 3) Qual o seu modelo de financiamento (CAV, OE, publicidade e outras receitas comerciais) e os respectivos montantes; 4) Quais as formas mais eficazes e transparentes de escrutinar o seu desempenho.

    Mas isto são questões demasiado sérias que ultrapassam as intenções e as capacidades do ministro, e que, no seu afã de a entregar a um privado, não fazem parte dos seus planos. Já que ele demonstrou que era capaz de mudar de estratégia, mas não de objectivo, era talvez altura de mudar de ministro.'

domingo, dezembro 30, 2012

O próximo dossiê da dupla Passos/Relvas


• Alberto Arons de Carvalho, A RTP de cenário em cenário... [ontem no Público]:
    '(...) o único objectivo, diria mesmo obsessão, do ministro Relvas reside no negócio com um ou mais parceiros privados. Depois das várias hipóteses de privatização ou de concessão da empresa ou de um canal, depois da (obviamente incumprida...) promessa de que a RTP1 não teria qualquer publicidade comercial, a mais recente ideia do ministro consistiria na privatização de 49% do capital social da RTP.

    Essa privatização constituiria um gravíssimo erro.

    Em primeiro lugar, porque os principais objectivos do serviço público - atingir todos os públicos, privilegiar a qualidade dos conteúdos, assegurar a diversidade da programação - não são compatíveis com as ambições de um empresário privado - aliciar os anunciantes, atingir em exclusivo o grande público, maximizar os lucros.

    Em segundo lugar, porque, no actual quadro dos media, crescentemente ocupado por multinacionais e players das telecomunicações, a única forma de garantir um operador vinculado à defesa da identidade, dos valores e da soberania nacionais, assim como da coesão social, consiste em assegurar que ele se mantenha, com capitais exclusivamente públicos, sob a alçada do Estado.

    Em terceiro lugar, porque não existe (nem na Grécia, na Irlanda ou em Espanha!) qualquer outro exemplo de privatização total ou parcial de um operador de serviço público, depois da criticada e insólita experiência da privatização da TF1, um dos três canais do serviço público francês de televisão, em 1987. Em todos os países europeus, excepto no Luxemburgo, que todavia recebe as emissões dos vários países vizinhos, existe um influente operador de rádio e de televisão de capitais públicos e com uma grande diversidade de canais e serviços.

    Em quarto lugar, porque esse papel nuclear dos operadores públicos em todos os países europeus decorre de um conjunto de cerca de 25 documentos, emanados nas últimas três décadas de diversas instâncias europeias (União Europeia, Conselho da Europa, Parlamento Europeu), que espelham um vasto consenso entre as várias famílias políticas do Velho Continente, a que apenas este PSD pretende furtar-se.

    Em quinto lugar, porque a privatização de 49% implicaria que os portugueses, ao pagarem a contribuição para o audiovisual, que constitui a principal forma de financiamento da RTP, estariam não apenas a financiar o serviço público como os lucros desse parceiro privado. À custa da qualidade do serviço público...

    Em sexto lugar, porque não é possível impedir, no quadro de uma empresa de capitais mistos, uma irreprimível tendência para privilegiar a rentabilidade em detrimento da qualidade e da diversidade da programação. A adopção de um pormenorizado caderno de encargos nunca impediria esse resultado. E representaria uma inaceitável intromissão dos governos na definição da programação.'

sexta-feira, dezembro 28, 2012

À escolha do freguês: “nós lá no/a…”


• Fernanda Câncio, Artur e os outros burlões:
    ‘Shakespeare, lembrava ontem Rui Pereira no Correio da Manhã, pôs a verdade na boca de um bobo. Podia também ter escrito que não há fúria na terra como a dos jornalistas gozados.

    Sim, o sentido de humor faz muita falta. Se o usássemos mais veríamos como esta parábola do Artur nos faz o retrato, na sua genial redução ao absurdo. Com o seu "nós lá na ONU" e o seu discurso ouvido com reverência e sem contraditório, Artur faz alguma diferença de António (Borges) e o seu 'nós lá na Goldman Sachs" ou "nós lá no FMI", o "nós lá na troika" de Abebe (Selassie), ou o "nós lá no BCE" de Vítor (Gaspar)? Num caso é falso e nos outros é verdade, direis. Mas é o lugar de onde se fala que conta, ou o sentido que faz o que se diz, sua verdade e efeito?

    Que o que o Artur dizia são disparates, ouvimos agora. Admitamos que sim; que é "o que as pessoas querem ouvir", como ontem o diretor do Diário Económico, António Costa, afirmava no Twitter. Mas há dois anos, quando os media clamavam pelo pedido de resgate para a seguir cantarem loas às "soluções" e ditados da troika, e logo depois, durante a campanha eleitoral, repetirem, sem a questionar, a conversa das "gorduras do Estado", era de quê, factos indesmentíveis, que ninguém queria ouvir, que se tratava? Onde estavam os jornalistas económicos quando PSD e CDS juravam que, uma vez no poder, bastaria "cortar no supérfluo" e nada de aumentar impostos, nada de fechar centros de saúde, escolas, racionalizar o Estado, tudo isso que o Governo anterior fazia, claro, por pura maldade? E onde estão agora, que até o Pedro admite ser a generalidade da despesa do Estado com prestações e serviços sociais, os reconhecimentos de terem sido levados ao engano, os mea culpa por não terem feito "o trabalho de casa"? Onde estão as acusações de burla e os apodos de burlão a quem vendeu a história falsa?

    Difícil encontrar hoje um analista ou jornalista que não faça pouco das previsões do Vítor, não é? Mas quem não se recorda de ter sido apresentado como "um técnico brilhante e apolítico", "uma infalível máquina de contas", e a sua austeridade como "o único caminho"? E já não se lembram de como o Pedro era "um homem sério", "sensato", "bem falante" (!), que "não enganava ninguém", e o Álvaro um brilhante académico que trazia do Canadá a saída para todos os problemas? (…)’

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Isto está a ficar muito feio

• Pedro Santos Guerreiro, O canal do Panamá:
    ‘A operação [privatização da RTP] é antes de mais uma guerra política. Borges, Passos e Relvas apoiam a privatização; Portas, Seguro e Cavaco são contra ela. Para avançar, o modelo terá de satisfazer as ânsias dos primeiros e salvaguardar as ansiedades dos segundos. Mais: tem de ser um bom negócio para privados, ou a venda ficará deserta. E por muito chocante que isso seja, a única forma de atrair privados é a RTP continuar a ser financiada pelo Estado ou pela taxa de audiovisual. O difícil equilíbrio de todas estas forças justifica o cepticismo do primeiro parágrafo: a RTP é politicamente impossível de privatizar. Dificilmente o será agora.

    Miguel Relvas prometeu levar a privatização a Conselho de Ministros até ao final do ano. Nos próximos dez dias, portanto, saberemos se é venda ou concessão, total ou parcial, que financiamento público haverá, quantos dos seis canais de TV e três de rádio se quer manter e com quantos minutos de publicidade.

    Há coisas que sabemos que estão certas: que o serviço público tem de manter-se e ser pago pelo Estado; que o Estado tem de pagar menos do que paga hoje; que os riscos têm de ser transferidos para o privado; que a empresa tem de ser despolitizada, para evitar intervenções editoriais ou saneamentos como o que se assiste agora à anterior direcção de informação, que, culpada ou inocente, merecia um julgamento justo num processo disciplinar, mas partiu condenada num processo politizado.

    Há coisas que sabemos que estão erradas. E Proença de Carvalho apontou ontem uma: a Nèwshold, única empresa que declarou o interesse, não poderá ganhar a privatização. Porque o que não se sabe dela é indispensável saber. E porque o que dela se sabe era dispensável ser verdade.

    Faz hoje uma semana, a Nèwshold emitiu um comunicado ridículo, vitimizando-se de um ataque xenófobo dos jornalistas por causa de Angola. E remeteu a identificação dos seus accionistas para a CMVM. A CMVM, bem, devolveu: a Nèwshold que revele de quem é. Os dias vão passando e, inacreditavelmente, nada é revelado. Sabe-se no entanto que é uma empresa com sede no Panamá. E, segundo o Público, que os seus administradores ocupam cargos iguais em milhares de empresas desse país.

    Basta ver a forma como a fusão entre a Zon e a Sonaecom ou o investimento da Sonangol no BCP são analisados nos media para perceber que não há xenofobia. Mas há perguntas legítimas sobre a origem e a transparência. Não é Angola que dá mau nome à Newshold, é a Newshold que dá mau nome a Angola. Pela opacidade. E porque a empresa já mostrou como encara os media.

    Do que se lê no comunicado, depreende-se que a família Madaleno, incluindo Álvaro Sobrinho, é accionista da empresa. Serão eles os accionistas dos angolanos "Novo Jornal" e "Agora". Como Celso Filipe escreveu, ambos têm adoptado linhas editoriais inaceitáveis num país que preza a liberdade e a responsabilidade de imprensa.

    Esta opinião é pessoal e só responsabiliza o seu autor, num assunto que é delicado: a Cofina, proprietária do Negócios e dada como interessada na RTP, é controlada pelo núcleo duro que a gere desde sempre e detém 53% da empresa. A Nèwshold é também accionista da Cofina, com cerca de 15% comprados no último ano em Bolsa. Estou, portanto, a criticar um accionista, que não intervém na gestão da Cofina e que eu também desconheço de quem é. O pensamento, no entanto, não tem percentagens. E o meu pensamento é este: a Newshold, como a (des)conhecemos, não pode controlar a RTP. Se um dia controlar a Cofina, o meu destino está traçado. Traçado por mim: obviamente, demito-me.’

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Da série "Frases que impõem respeito" [743]



Tive notícia, justamente pela comunicação social, dessa manifestação de interesse e não tenho nada a acrescentar sobre ela.
      Passos Coelho, afirmando que desconhecia o interesse da Newshold, holding de capitais angolanos sediada no paraíso fiscal do Panamá, em adquirir a RTP (incumbida do serviço público de rádio e televisão)

sábado, dezembro 08, 2012

"Que mais esperamos para nos levantarmos contra o ataque político em curso à liberdade de imprensa e ao direito à informação?"


• Augusto Santos Silva no Facebook:
    '1. O presidente da RTP encontrou-se em Luanda com representantes dos interesses angolanos que têm conquistado posições acionistas em empresas portuguesas de comunicação social, através de testas de ferro cuja identidade não é total e transparentemente conhecida.
    2. O projeto do PS, cujo efeito útil seria obrigar à divulgação da titularidade de todas as empresas de comunicação social, cumprindo aliás uma normal constitucional expressa, foi mais uma vez chumbado pela maioria PSD-CDS.
    3. A administração da RTP instaurou um processo disciplinar tendente ao despedimento do jornalista Nuno Santos, na sequência das declarações que ele proferiu numa comissão parlamentar.
    4. O consultor do Governo para as privatizações anuncia que o Governo quer vender 49% do capital da RTP e ao mesmo entregar a gestão da empresa ao acionista privado (minoritário).
    5. Que mais esperamos para nos levantarmos contra o ataque político em curso à liberdade de imprensa e ao direito à informação?'

quinta-feira, novembro 01, 2012

O politburo do PREC

Foi assim no OE-2012, mas este ano,
com os circuitos oleados, já não foi preciso

Não se sabe ao certo quem são as personagens que comandam o PREC (Processo de Refundação em curso) — para além de Passos Coelho, do Dr. Relvas e Vítor Gaspar. Miguel Sousa Tavares, há poucas semanas, escrevia no Expresso que tinham lugar cativo no politburo Moedas, António Borges, Braga de Macedo e Ferraz da Costa. Pacheco Pereira e Daniel Deusdado atribuem um papel relevante na condução da política do Governo a Manuel Dias Loureiro, até porque, segundo fonte do PSD, “Dias Loureiro é o ídolo de Miguel Relvas”. Não nos podemos esquecer também do terrível Ângelo nem dos patrões da Fomentinvest, Ilídio Pinho (o que pensa e os conselhos que dá) e o tal banqueiro que é íntimo do “Pedro”.

É com esta gente que o Governo prepara a “refundação”, ou seja, colocar o país perante um facto consumado: depois de degradar os salários e alastrar a precariedade laboral, descapitalizar a segurança social e lançar a espiral recessiva contra o Estado Social. É agora que é preciso pará-los.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Quem te desencantou, Pereira?


Diz hoje o i que há uma guerra entre BPI e BES que tem um amigo de Borges pelo meio. Está em causa a Perella Weinberg, a tal boutique financeira contratada para liderar as privatizações, mais concretamente Paulo Pereira e as suas relações de amizade com o Governo. O i afirma que ele é amigo de António Borges, mas o Público informava, há tempos, de que ele é amigo de Vítor Gaspar. O melhor é perguntar ao próprio Paulo Pereira, até porque o Prof. Marcelo quer ver deslindado o motivo por que foi contratada a Perella por ajuste directo.

quarta-feira, outubro 24, 2012

“E assim sucessivamente, até à implosão final”

• Miguel Sousa Tavares, RENDIÇÃO [na última edição do Expresso]:
    ‘Fora do círculo dos cinco terroristas económicos que nos governam, fora da nave de loucos supostamente conduzida pelo primeiro-ministro Passos Coelho, não há uma alma penada que não tenha percebido já que seguimos uma estratégia de suicídio colectivo. Se o défice voltou a falhar as previsões este ano, se o desemprego foi “uma desagradável surpresa”, se a recessão foi e será sempre acima do previsto, se a receita fiscal “estranhamente” caiu, mesmo aumentando impostos além do sustentável (tal como se aprende, afinal, em qualquer manual de economia para principiantes, excepto o do António Borges), já não é por culpa do nunca explicado “buraco colossal” que herdaram, nem por culpa do Tribunal Constitucional (cujo acórdão só teria efeito para o ano): é apenas e só por culpa da chocante incompetência desta gente. É porque eles falharam em toda a linha, que vamos agora ter de pagar o seu falhanço de 2012 e o próximo. E assim sucessivamente, até à implosão final.

    (...)

    E se aceitarmos que pelo facto de sermos um pequeno país num clube dominado por grandes países, não nos resta nada senão ficar calados e obedecer, então o que está em causa já não é saber como sairemos desta crise, mas o que fazemos na União Europeia. Quando se é convidado para jantar em casa dos poderosos ou avançamos para a mesa como iguais ou acabamos na cozinha, tratados como pedintes.

    Eu não me conformo com isso. Entre todas as promessas que traiu, todas as coisas que disse que ia fazer e não fez, e todas as outras que jurou jamais fazer e fez, há uma coisa pela qual Passos Coelho não merece perdão: dizer que estava preparado para governar. A ignorância só é desculpável quando é humilde, não quando se mascara de sapiência e suficiência, sabendo que, com isso, vai causar danos a terceiros de boa-fé. Mas é o que temos, por ora. E, se ele não tem coragem para estar à altura da situação e fazer o que tem de fazer como primeiro-ministro de um país com quase 900 anos de história, que agoniza, sem sentido nem dignidade, pois que acorde então Sua Excelência que habita no Palácio de Belém e que tem o dom de falar quando é fácil ou lhe convém e de ficar calado e quieto quando acha prudente. Que Cavaco Silva obrigue o PM a defender Portugal, que o substitua nisso, se necessário, ou que o demita, se não restar alternativa. Mas que se deixe de silêncios palacianos e jogos florentinos, à mistura com desabafos de alma no Facebook. Eu nem sequer tenho conta no Facebook e não penso vir a tê-la para ler as mensagens criptadas do alter ego do Presidente da República. Ó, sorte a nossa!’