O autor do relatório que confirma a presença de amianto no edifício da Direcção Geral de Energia e Geologia sustenta que há um ano que o perigo é conhecido e obriga a uma acção por parte do Estado. Por isso, quase 70 trabalhadores deste organismo pedem numa carta a mudança de instalações, dando conta de que há uma “prevalência significativa de funcionários (19) que adoeceram com cancro”, dos quais nove já morreram, estando outros com problemas “respiratórios, perturbações gástricas e enxaquecas”.
A posição do Governo é inaceitável. Primeiramente, a postura de Passos Coelho, ao afirmar desconhecer o assunto, em resposta a Heloísa Apolónia no debate parlamentar de ontem — quando esta situação já era falada nos media e o próprio Relvas, questionado na Assembleia da República sobre o levantamento dos edifícios nestas condições, afirmou não ter “meios”. Depois, a atitude de Artur Trindade, secretário de Estado da Energia, que afirmou que “nos próximos meses” a mudança ocorrerá, porque há muitos entraves burocráticos a ultrapassar, para além da autorização da Miss Swaps. Para mostrar a diligência com que está a tratar o assunto, o ajudante de António Pires de Lima fez questão de sublinhar que o processo de mudança teve início no dia 28 de Maio de 2013. Ou como respondeu à SIC-N, que lhe perguntou o que sentiria se se confirmar que aquelas instalações provocam cancro: “Ficarei muito feliz por ter despoletado o processo de mudança”.
Este caso é exemplar. Um governo que trata com tanto desprezo os problemas dos portugueses — e, neste caso, dos próprios trabalhadores do Estado — que nem se dá conta quão chocante isso é.