Mulher da seca: década de 40
Pouco se sabe das festas de Natal e Reis, que hoje suscitam tantas vivências entre nós. Curiosamente, ou talvez não, o Padre Resende nada diz sobre o Cortejo dos Reis. Mas a tradição garante que estes cortejos fazem parte da nossa maneira de viver esta quadra tão significativa.
Recorrendo ao testemunho dos mais velhos, vamos à cata do passado, com estórias que passam de pais para filhos. Até nós.
Diz-se então que na altura desta festa o povo costumava levar as suas ofertas ao Menino à então capela da Chave. Dos avós de Alexandrina Cordeiro, a primeira batizada na nossa paróquia, saíam uma mesa e cadeiras para à porta do templo compor o cenário para a representação de um auto de Natal ou dos Reis. Era costume de Ílhavo, como refere António Capão em estudo publicado na revista “Aveiro e o seu Distrito”, números 2 e 3, sobre “As Janeiras, as Pastoras e os Reis”. Nesse trabalho afirma, sem precisar datas, que «de cortejos de oferendas para a igreja ou capela, ouve-se falar pela primeira vez em Ílhavo, que parece ter primado com essas festas. Mas esse ritmo abrandou, Ílhavo deixou de ter os seus Reis, e em contrapartida essa zona sob a sua influência passou a organizá-los».
Como a Gafanha estava aqui, paredes meias com Ílhavo, é de presumir que houvesse festas que estiveram na matriz do nosso Cortejo dos Reis.