Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher na aula de Comunicação!

Estava a dar inicio à aula de Comunicação/Fotografia, quando o aluno Sarabando diz:

Professor dá-me 6 m para ler algo que aqui tenho?

E quem sou eu para negar seja o que for aos alunos e muito especialmente ao Sarabando!

“8 de Março de 1857, na cidade de Nova York, um grupo de mulheres uniram-se e fizeram uma grande manifestação em prol de melhores condições de trabalho, redução do horário laboral e de um salário justo. Esse evento foi o primeiro a causar impacto na sociedade sobre a questão da exploração das mulheres. Finalmente, em 1975 a ONU institui o Dia Internacional da Mulher a ser comemorado no dia 8 de Março”!

Seguindo-se a leitura de poema alusivo!

“Confesso que não aprecio ter um dia dedicado ao meu género. Mas não deixo de compreender o que devo aquelas mulheres que nele estão simbolizadas” (Helena Sacadura Cabral)

sábado, 5 de março de 2011

Vai à luta e faz o favor de ser feliz!


Lição para a Vida

Ao começares a percorrer
Os estranhos caminhos da vida
Há uma questão que se impõe
Que a todos deixa na dúvida:

Como será o meu viver?

És bom ou mau aluno
Na escola, se pergunta?
Pacato ou desordeiro,
O último ou o primeiro?
O que fala ou sabe ouvir?
O audaz sempre na frente,
Ou o tímido,
Ou o complacente?

Como se poderá prever
Qual terá melhor viver,
Se o que todos os anos venceu,
Ou o que jamais atingiu
O empírico saber?

A resposta não é fácil,
O conselho não sai ligeiro!
Poderás ser o da frente
Ou o derradeiro.
O que importa, porém,
É que vivas de acordo contigo,
Contente de teres nascido,
E que não queiras ser
A cópia de ninguém.

Joga a vida com fervor,
Dá tudo o que tens para dar.
Conjuga sempre o verbo Amar
Com todos ao teu redor.

Vive com paixão,
Tira partido de ti,
Mas preserva o coração,
Enfrenta o mundo e sorri.

E se pretenderes cumprir
O que a escola para ti quis:
                                       Vai à luta
                                       E faz o favor de ser feliz!


Maria Helena Malaquias

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Partiste naquela manhã de Primavera


Chegavas pela tarde…


Chegavas pela tarde…
Trazias nos olhos a solidão
dos teus dias,
na voz, a angústia do teu olhar…


Falavas dos teus medos,
dos teus tempos de criança
e da tua falta de esperança
que eu sentia ao escutar!


Chegavas pela tarde…
E os teus olhos tristes
cruzavam os meus.


Eram olhos tristes
feitos de mágoa e de saudade
dos teus tempos de menina…


Dos tempos em que brincavas
nos campos
colhendo flores,
com que enfeitavas os sonhos
da Primavera da vida…


Chegavas pela tarde e…
Falavas do tempo em que
sentada à lareira,
ouvias os teus avós…


Falavas do tempo em que
sentada à lareira,
contavas histórias
e outras memórias numa amargura
sem fim…


Chegavas pela tarde…
Vinhas devagar.
Já não podias correr
e se calhar nem amar
e se calhar nem viver…


Chegavas pela tarde e…
falavas do tempo
sem tempo.


Chegavas pela tarde,
mas… partiste
Naquela manhã de Primavera…

Odete Filipe

quinta-feira, 11 de março de 2010

Poema de Odete Filipe


OS OLHOS DO CÉU CHORARAM

Os olhos do céu choraram
Lágrimas apressadas,
Lágrimas tristes, magoadas
Trazidas nos braços do vento.
Eram gotas de saudade
Eram sonhos sem idade
Eram fios de prata no tempo.

A chuva molhou o silêncio da noite.
Abriu com mãos ágeis de criança
A arca dos meus segredos
O baú dos meus medos
E deixou-se ficar.
Trouxe com ela a saudade
Das memórias guardadas
Em caixinhas bem fechadas
Dos desejos por contar.

A chuva molhou o silêncio da noite
E fez dos desejos, medos
E dos medos fez segredos
Que continuei a guardar.
E na noite escura e fria
Fiquei de alma vazia
E deixei a saudade entrar.


Odete Filipe



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Olhei os teus olhos de avelã





Olhei os teus olhos de avelã

Olhei os teus olhos de avelã
e sorri…
sorri para enganar o tempo,
sorri para me enganar a mim.
E o tempo que é bom enganador
sorriu três vezes e pôs-se a pensar…
que era melhor partir
para mais tarde… voltar.
Olhei os teus olhos de avelã
que já não sonhavam
que já não sorriam,
olhavam, mas em silêncio de medo
já nada viam…
E os teus olhos de avelã
pararam no tempo…
E o tempo chegou
e contigo ficou nessa manhã,
em que pararam no tempo
os teus olhos de avelã.
Lá fora, o sol da Primavera
veio brincar nos teus cabelos brancos
e nas ervas dos campos
que pisaste no caminho…
Lá fora o sol da Primavera
vestiu de verde as flores
que te viram sorrir…
Lá fora o tempo não parou
E correu apressado.
Olhei os teus olhos de avelã
e tristemente sorri.
Olhaste, mas… já não viste.



Odete Filipe

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Natal de 2009


Ladainha dos póstumos natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido


Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


David Mourão-Ferreira

Nota: Poema lido ontem, no espaço de História Local, por Jorge Neves