Apesar de usar
bastante o telemóvel, quando estou fora de casa, para tirar fotos de objetos ou
produtos que necessito, quer seja para
pedir uma opinião sobre os mesmos ou como lembrete, em casa ainda dependo muito
dos lápis, das canetas e dos blocos de notas.
Consequentemente, em todas as
mesas, em todas as divisões da casa tenho pelo menos uma caneta e um bloco de
notas caso queira anotar alguma coisa onde quer que me encontre na altura.
Estava na casa do
meu filho. Quis escrever uma mensagem de agradecimento a alguém e perguntei se
tinham um papel apropriado sem ter que recorrer a uma folha de papel para
fotocópia.
A minha nora,
depois de pensar um pouco, disse-me que não.
Talvez eu tivesse
feito um gesto de surpresa porque ela olha para mim e com um sorriso, diz-me:
- We are digital!!
Sim, os “millennials”
pensam de uma forma diferente. Ninguém já tem telefone fixo (as companhias dos
telefones dependem de nós... os mais velhos... : )) ), não escrevem à mão, raramente usam
dinheiro em papel (eu também não o uso), e adaptam-se com uma grande facilidade
a novas tecnologias.
Uma noite,
enquanto estávamos à mesa, apercebi-me que (eu) não estava a compreender a
conversa entre o meu filho e o meu genro.
Não estavam a falar nem sobre
engenharia informática (pensei na altura) nem sobre assuntos relacionados com
leis e justiça. Aguardei mais uns minutos pensando que, como tinha estado a
prestar atenção ao meu tesouro mais pequeno, não tinha ouvido o início da
conversa, mas, considerando-me uma pessoa inteligente, iria, mais tarde ou mais
cedo, apanhar o fio à meada.
Apercebi-me, com
grande consternação, que falavam numa linguagem totalmente fora das minhas áreas
de competência.
Tive que perguntar
do que estavam a falar. Novas
tecnologias altamente sofisticadas aplicadas nos países mais desenvolvidos, nas
mais diversas áreas... e sobre jogos de vídeos que a geração Y joga para
desanuviar das suas profissões de muita responsabilidade e stress.
Parece que, de acordo com alguns
estudos, 58% da população entre os 30 e os 49 anos de idade jogam jogos de
vídeos para desestressar!
Eu, que quis sempre acompanhar o desenvolvimento intelectual dos adolescentes e jovens adultos para que não sentisse uma lacuna enorme entre as gerações,
vejo-me, independentemente da minha vontade, numa situação em que sinto,
irredutivelmente, uma diferença geracional.
A vivência que a
nova geração tem com a tecnologia – apenas um exemplo – é uma coisa que eu
nunca alcançarei! E não estou a ser negativa. Apenas realista.