Depois de um sábado morno de manhã e frio à tarde mas cheio de sol, o domingo amanhece chuvoso, cinzento, como tem sido habitual nestes últimos meses, com algumas exceções. Não apetecia sair de casa. Mas eis que por volta das 15h, as nuvens desaparecem, varridas pelo vento, e o sol manifesta-se no seu esplendor primaveril para levantar a moral a esta gente que já sente os efeitos do transtorno afetivo sazonal.
Decido ir ao supermercado a pé. Necessito de sacos de salada, daquela já pré-lavada pronta para consumir . Gosto quando me facilitam as tarefas relacionadas com a preparação das refeições. Gosto quando me facilitam qualquer tarefa.
Visto o casaco de inverno, “branco de inverno”, companheiro das caminhadas a baixas temperaturas, ponho um lenço ao pescoço (aqui chamamos “scarf” quer se refiram aos de inverno quer aos mais leves que uso em todas as estações), calço as sapatilhas e lá vou eu. A meio do caminho começo a sentir um pouco de calor. Afrouxo o lenço. Vejo pessoas com casacos compridos, outras com mangas curtas e jeans, outras com casacos curtos e leves, e uma senhora com uma saia que no inverno pouco se vê. Penso: “Something is wrong with this picture” – às vezes penso em inglês! Continuo a sentir calor. Desabotoo o casaco. Quando chego ao supermercado tenho que tirar o casaco e o cachecol porque o calor é insuportável. Reparo que “o decorador” devia ter lá estado no dia anterior. O visual é diferente. A temática pascoal é mais que evidente. Quando entramos temos uma sensação de bem estar, de harmonia...que nos leva a pensar que é exatamente o lugar onde mais queremos passar algumas horas.
Vou direitinha à prateleira das saladas pré-lavadas. Tiro dois sacos. Dou meia volta e deparo-me com molhos de espargos com um aspecto fresquíssimo, em saldo. Tiro dois molhos. Nesta altura já tenho dois sacos na mão mais dois molhos de espargos. Necessito de um cesto. Não há necessidade de ter tudo aquilo na mão mesmo que vá direitinha à caixa. Passo pela fruta e reparo que os abacates estão a 99 cêntimos cada. Meia dúzia é suficiente. Mesmo ao lado encontram-se nêsperas a 5.99/kg. Um pouco caras, mas que saudades! Ponho umas quantas num saco só para provar não se vá dar o caso de não serem doces o que normalmente até nem são. Recordo-me do blog da luísa (com “l” minúsculo) onde ela fala das nêsperas do seu quintal e fiquei com saudades. Não sei bem porquê penso em batatas doces. Há muito tempo que não as compro. Já que estou aqui... Apenas meia dúzia pois estou sem carro. Olho para o meu lado direito e vejo uns saquinhos cuja marca me chamou a atenção: “Baby Boomer” , "batatas com personalidade". Batatas com personalidade?! Mas que batatas são estas? Que interessante. “Agradavelmente pequenas”, pré-lavadas e que não necessitam de ser descascadas. Hmmm! Cozidas e depois salteadas devem ser muito saborosas. Ponho um saco no cesto que já está pesado. Decido que é mais que altura de me dirigir à caixa. Pago e saio. A distância até casa é curta mas sinto já o peso dos sacos. Do calor nem se fala!
Quando chego a casa, e por curiosidade, olho para o termómetro! Não admira ter sentido tanto calor! A temperatura estava a 20° e eu com um casaco de inverno vestido!
Aqui estão as “batatas com personalidade”!
(clicar para ler melhor! : )