segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Manuel Alegre

... outro poema de Natal.


                          NATAL

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.
Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.
Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.
Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.
Manuel Alegre

12 comentários:

  1. Este Manélalegre sábea toda...
    Vé a esperteza, Catarina... juntou ali o amor do mundo, com o amor do corpo, mexeu bem e apresentou o bolo do Natal...
    Ai se ele se lembra de aplicar a receita noutros bolos...

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  2. Catarina
    Por norma não sei comentar poemas. Mas este do Manuel Alegre já conhecia estive à pouco tempo a ler e gosto muito. Obrigado pela partilha e por o post. É um grande Homem.
    Beijinho

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  3. Bartolomeu, se lhe for dada a oportunidade, quem sabe se não se sairia bem noutros bolos. É que quem sabe mexer bem os ingredientes e o faz com amor e dedicação obtem bons resultados. : )

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  4. MUITO BOM ! Adorei o seu blog ! Visite o meu blog sobre poemas, e retribua o comentário ! http://leonardotk.blogspot.com/ SIGA MEU BLOG que eu sigo o seu de volta !caso queira seguir. Se puder ser poder fazer parceria :) Obrigado ! volto sempre aqui xD!

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  5. Magnífico (mais um) trabalho de Manuel Alegre.

    Quem mistura as capacidades de um poeta com as de um candidato a presidente, só pode estar a brincar.

    ;)

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  6. Obrigada, Léo. Vou já fazer-lhe uma visitinha!

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  7. Está a insinuar que eu sou brincalhona, Observador? : ) Um poeta é um poeta e um político é um político. Há políticos que são poetas, outros querem-no ser e são médicos, outros economistas e que de economia parece não perceberem muito. Há os que querem uma panorâmica diferente nas próximas eleições, há os que querem o mesmo... da mesma coisa... enfim, há gostos para tudo, meu caríssimo Observador, sempre a observar do seu poleiro! Abraço.

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  8. Catarina
    Se ler os comentários a este "post" verificará que não me dirijo a si.

    Perdoará mas nada mais acrescento.

    Obrigado.

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  9. Fiquei na dúvida. E não teria ficado ofendida se esse comentário me fosse dirigido. Já penso conhecer – que atrevimento meu! – as suas preferências políticas! E mais não digo. : ))

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  10. Gargalhei.
    Nem tudo o que parece é.

    Que atrevimento, ahn?

    ;)

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  11. : )
    Curioso: um dos seus períodos é o título do meu novo “post”!!

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