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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

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Hope Gangloff
- Rhoda  com sua intensa abstração, com seus olhos cegos, cor de carne de caracol, não o destrói, vento oeste, quer venha à meia-noite quando as estrelas ardem, quer venha em hora mais prosaica, ao meio-dia. Ela se posta à janela e olha as chaminés e vidraças quebradas nas casas dos pobres -

Oh vento oeste, quando soprarás...
[...]

Virginia Woolf, in: As ondas. Tradução de Lya Luft. Ed. Novo Século.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

d e v a n e i o s . . .

As Horas
[...] A paz baixava sobre ela, e a calma, o contentamento, enquanto a agulha, atraindo suavemente a seda ao seu leve compasso, juntava-lhe as pregas verdes e as sujeitava, facilmente, à cintura. Assim, num dia de verão, as ondas se juntam, balançam e tombam; e o mundo inteiro parece dizer: "Isso é tudo", cada vez mais forte, até que o coração, no corpo estendido sob o sol da praia, também diz: "Isso é tudo". "Não mais temas", diz o coração, confiando a sua carga a algum mar que suspira coletivamente por todas as dores, e recomeça, ergue-se, tomba. E o corpo sozinho ouve a abelha que passa; a onda que se quebra; o cão, lá ao longe, ladrando, ladrando . . .

Virginia Woolf, in: Mrs. Dalloway. Tradução de Mario Quintana. Ed. Nova Fronteira